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Caracterização e identificação do resíduo

No documento BENEDITO CESAR GARCIA ARAÚJO (páginas 33-40)

A primeira etapa, para definir a destinação final de qualquer resíduo, deve ser baseada na busca da caracterização e da identificação do resíduo em questão. Caso o resíduo exista fisicamente, esta tarefa torna-se fácil, caso contrário, deve-se procurar outra unidade onde se possam coletar informações correlatas sobre o resíduo em estudo. Esse estudo inicialmente deve consistir na visualização física do resíduo, pegar o resíduo na mão, procurar tirar algumas conclusões sobre o mesmo, tomar conhecimento aprofundado do processo gerador e também providenciar a classificação do mesmo conforme a Norma ABNT NBR 10.004 (COSTA, 2014).

A disposição irregular dos resíduos pode trazer uma série de problemas ao ambiente, como a contaminação do solo e das águas superficiais e subterrâneas, oferecendo abrigo e condições favoráveis ao desenvolvimento de agentes patogênicos e animais sinantrópicos, além do aspecto visual desagradável que proporciona, influenciando diretamente de modo negativo na qualidade de vida da população (ASSUMPÇÃO, 2018).

Figura 5. Resíduos sólidos da construção civil.

Fonte: Freita; et al., (2016).

As quantidades e características do RCD que são geradas na construção civil têm enorme variabilidade, e que para sua valorização é necessário um planejamento antes do início da demolição, no projeto de construção, prevendo sua remoção seletiva, evitando misturar com resíduos não perigosos, bem como medidas necessárias para levar a cabo uma demolição seletiva que maximize a possibilidades de valorização dos diferentes fluxos de materiais que serão obtidos (concreto, madeira, metais, etc.) (figura 5) (ASSUMPÇÃO, 2018).

No entanto, em algumas obras pode-se encontrar mais resíduos tais como: obras de infraestrutura civil, como asfalto com algumas características homogênea (MENEZES; et al., 2016).

O setor de frigorífico também gera uma grande quantidade de resíduos que podem causar danos ao ambiente. O setor cárneo nacional compreende setores característicos: o produtivo e o de abate. As empresas que geralmente operam no abate de animais, são os abatedouros e os matadouros-frigoríficos e estes se subdividem em dois tipos: os que trabalham com abate dos animais e fazem separação da carne, suas entranhas e as industrializam, gerando seus derivados outros produtos advindos daqueles; e outras empresas que não trabalham com abate, estas adquirem a carne em carcaças ou cortes e entranhas, dos matadouros ou de outros frigoríficos para ai processar e produzir de seus derivados (FEISTEL, 2011).

Pode-se dizer que das operações de abate originam-se vários resíduos e estes devem ter um tratamento adequado.

O objetivo do processamento e/ou da destinação dos resíduos ou dos produtos originários do abate acontece por causa das particularidades locais ou regionais. Cita-se como exemplo o sangue que pode ser comercializado para processamento, objetivando sua separação e uso, ou para ser comercializar seus componentes (FEISTEL, 2011).

Pode-se dizer que os resíduos gerados possuem capacidade de agregar valor decorrente da geração de biogás, biofertilizantes e compostos abundantes em nutrientes que podem ser utilizados como fertilizantes agropecuários (FEISTEL, 2011).

Conforme a Norma Brasileira (NBR) 10.004, são nominados resíduos sólidos os derivados de atividades industriais, doméstica, agrícola, etc., abrangendo os lodos das Estações de Tratamento de Efluentes, o lodo é um dos subprodutos gerados no tratamento dos esgotos e demais resíduos gerados por equipamentos industriais e instalações que visam controlar a poluição, que de maneira alguma podem ser lançados nos esgotos públicos, tão pouco no meio ambiente. Pode-se dizer que as agroindústrias produzem os mais diversos resíduos que na nova concepção de indústrias “verdes” devem receber tratamento através de processos

biológicos, objetivando a reciclagem energética bem como da preservação ambi ental (FEISTEL, 2011).

Matadouros, abatedouros e frigoríficos se enquadram como agroindústrias, cujos resíduos encontrados são vísceras de animais abatidos, fragmentos cárneos, sangue, conteúdo intestinal, pêlos, ossos, penas, gorduras e águas residuais, sendo todos passíveis de tratamento biológico (FEISTEL, 2011, p. 12 – 13).

No tocante a parte econômica e do meio ambiente vários destes produtos residuais poderiam ser convertidos em subprodutos que podem ser aproveitados para o consumo, e ainda rações ou fertilizantes.

Nos frigoríficos, os resíduos são normalmente abundantes e representam grave problema decorrente do alto valor de matéria orgânica. Grande parte destes resíduos é excessivamente putrescível e causam causar odores desagradáveis caso não removidos de modo correto para graxarias.

Quadro 1: Fontes e resíduos decorridos do abate de bovinos, suínos e aves.

Fonte: Feistel, (2011).

Os resíduos dos frigoríficos são compostos por sólidos e por efluentes líquidos nominados de águas residuais e, além disso, pela emissão atmosférica. E estes resíduos se forem se lançados sem nenhum tratamento no ambiente, ocasionam sérios problemas de poluição, estabelecendo sérios agravos à flora e à fauna.

As ações referentes à lavagem e enxágue devem ser realizadas com águas frescas e potáveis, já no tocante a esterilização deve ser utilizado na forma vapor, igualmente utiliza-se água quente para se higienizar os resíduos de sangue e em alguns locais e processos, é recomendado que a temperatura esteja abaixo de 15ºC, cita-se como exemplo na movimentação de maquinários para refrigeração as temperaturas devem estar entre 0ºC e 7ºC (ARAÚJO; NASCIMENTO, 2018).

Para um gerenciamento de resíduos sólidos em efetivo o frigorífico deve ter profissionais com conhecimento e especializados em todos os setores envolvidos na geração de resíduos para que qualquer falha possa ser corrigida e ainda melhorar o processo de beneficiamento. Assim todos os subprodutos e resíduos originários do abate devem ter um processamento e posterior destinação correto, conforme legislação vigente sejam elas sanitárias ou ambientais (ARAÚJO; NASCIMENTO, 2018).

Pode-se dizer que para um gerenciamento eficaz é de grande relevância estudos mais precisos e direcionados aos mais vários resíduos nos setores da indústria, há igualmente que o governo se envolva e que a empresa pratique ações mais eficazes quanto ao gerenciamento dos resíduos, estando sempre atento a diversidade e características dos resíduos nesse segmento e que estudos prévios devem ser realizados para orientar sua correta destinação (FEISTEL, 2011).

As agroindústrias devem ter em seu algo um manejo correto dos resíduos esses setores possuem alta concentração de resíduos sólidos salientando há necessidade de se ter áreas onde se possa destinar os resíduos gerados, pois, depositar esses resíduos em locais impróprios representa graves problemas para o meio ambiente (FEISTEL, 2011).

Uma empresa pode implementar um sistema de gestão ambiental por inúmeros motivos, entre eles: “definição e exigência de clientes; interesse em conquistar ou de ampliar mercado; interesse em demonstrar bons resultados ambientais para a população, clientes, vizinhos etc. (SOUZA, 2009, p. 42).

Para verificar se uma organização está necessitada da implementação de um sistema ambiental, basta fazer as perguntas constantes do esboço abaixo.

Perguntas para verificar a necessidade de implementar um SGA. A empresa precisa atender a alguma legislação ambiental ou outra exigência ambiental determinada? A organização está precisando aprimorar sua conduta ambiental? O gerenciamento ambiental está requerendo muito tempo dos profissionais e muitos recursos da organização?

Se pelo menos uma das respostas das perguntas acima for sim, essa organização está necessitando da implementação de um SGA, e este manual poderá auxiliar. Pode-se facilmente identificar que nenhuma unidade terá como resposta a negação para todos esses questionamentos. Dessa forma deve-se entender que todas as unidades, por mais simples ou complexas que sejam devem implementar um Sistema de Gestão Ambiental em suas atividades, produtos ou serviços (ASSUMPÇÃO, 2018).

Antes de tomar a decisão de iniciar os trabalhos para a implementação do SGA em uma dada unidade, se torna importante que a Alta Administração esteja devidamente informada das vantagens que esse projeto pode resultar, bem como

dos dispêndios financeiros, das necessidades e dos esforços a serem demandados pelos funcionários.

Em comparação com as unidades de porte maior, pequenas e médias empresas, em geral, possuem vantagens quanto à elaboração e implementação de um sistema ambiental, já que nelas tudo é mais rápido, pois as linhas de comunicação, geralmente, são mais curtas, e a estrutura organizacional menos complexa (ARAÚJO; NASCIMENTO, 2018).

Para identificar de forma objetiva as necessidades de implementação de um Sistema de Gestão Ambiental pode-se valer da Tabela abaixo. Com o preenchimento desta tabela, pode-se localizar e avaliar os pontos ambientalmente fracos e fortes da organização. Os pontos fracos são aqueles que necessitarão mais atenção e, o conhecimento destes pontos pode auxiliar nas argumentações com a alta administração nos momentos chave das tomadas de decisões da implementação do programa (ASSUMPÇÃO, 2018).

Para maior sinergia e para menor comprometimento individual, o preenchimento dessa planilha deve ser efetuado por um grupo de pessoas. Para que não ocorram tendências, cada qual deve fazê-lo isoladamente, os resultados devem ser reunidos e,na sequência, amplamente e abertamente discutidos até que se obtenha o consenso. Sendo assim, a definição da necessidade de implementar o programa é opinião de um grupo de pessoas da empresa e não a interpretação subjetiva de um único profissional (ASSUMPÇÃO, 2018).

Sob o aspecto de vantagens e necessidades existem várias questões que devem ser consideradas: a situação na qual a empresa se encontra; o seu tipo de processo produtivo; a forma de gerenciamento ambiental desenvolvido e outros indicadores ligados aos aspectos ambientais da unidade. A resposta mais precisa somente poderá ser definida após a implementação e avaliação do sistema, mas, de uma forma genérica e, preferencialmente definida por um grupo de profissionais. As vantagens indicadas pela maioria das unidades ambientalmente certificadas são apontadas abaixo.

No documento BENEDITO CESAR GARCIA ARAÚJO (páginas 33-40)

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