3. Tipo de pesquisa
3.1 Caracterizando o campo de pesquisa
Com o propósito de conhecer um pouco sobre a escola EMMLBB, que nos servirá de campo de estudo para a realização desta dissertação, passemos a resgatar elementos de sua história.
A referida Escola pertence à rede estadual de ensino e situa-se numa área periférica do bairro de São José (Coque). Na Figura 4, podemos observar que a EMMLBB se encontra numa área central, na qual circundam as comunidades Joana Bezerra, Coque, Cabanga e Afogados.
Figura 4 – Localização da EMMLBB, Recife – PE. Fonte: http://earth.google.com.
Os espaços físicos estão bem conservados, a área construída da EMMLBB ocupa um grande terreno e está assim distribuída:
Salas de aula amplas, na maioria arejadas e iluminadas, com quadros brancos, cadeiras de madeira para os/as alunos/as, mesa e cadeira para o/a docente, e cestos de lixo;
O espaço interno, no qual ficam as salas de aulas, disponibiliza banheiros masculino e feminino para os/as alunos/as;
Sala dos/as professores/as com banheiros masculino e feminino; Salas da Direção e da Secretaria;
Cozinha e refeitório com banheiros masculino e feminino, e bebedouros; Auditório, Biblioteca, Laboratório de Informática (já tem alguns equipamentos) e Laboratório de Ciências (ambos desativados);
Dois Pátio, sendo um coberto na entrada da escola e um outro descoberto na área interna;
Quadra de Esportes descoberta e área para Educação Física com banheiros masculino e feminino;
Quanto a equipamentos a EMMLBB dispõe de televisores de 29 polegadas, retroprojetor, projetor de multimídia, tela de projeção, aparelhos de som, videocassete e Digital Versatile Disk (DVD).
Para a caracterização do campo de estudo foram utilizados o PPP (Projeto Político Pedagógico) e o Relatório de Atividades - Prêmio Gestão 2004, documentos elaborados pela comunidade escolar da EMMLBB. Deste último destacamos:
“[...] localizada numa área urbana periférica com grande índice de violência, segundo pesquisa da médica sanitarista Maria José Guimarães que traçou o perfil detalhado dos 94 bairros que compõem a capital pernambucana em se tratando de desigualdades sociais, assim, o bairro ficou no ranking de 92ª com baixa condição de vida, devido à miséria encontrada: quase 50% dos jovens são analfabetos e apenas 23,1% das residências são ligadas à rede de abastecimento d’água, não há água encanada nem mesmo vaso sanitário. Os pais dos alunos encontram-se desempregados ou executando atividades diversas como catador de papel, camelô, empregada doméstica, lavadeira, pedreiro etc., com nível sócio-econômico (sic) muito baixo”.
A Escola é considerada de porte médio, atendendo a aproximadamente 830 alunos/as em seus três turnos de atividades, nos níveis fundamental (EF) (4ª a 8ª
séries) e médio (EM) (2ª a 3ª séries), distribuídas em 22 turmas, da seguinte maneira:
Dezoito turmas são do ensino regular (EF e EM);
Quatro turmas são do Ensino de Jovens e Adultos20, sendo uma do Projeto
Travessia Médio, uma da Fase III (equivalente à 5ª e 6ª) e duas Fase IV (equivalente à 7ª e 8ª) ambas do ensino fundamental.
A faixa etária dos alunos é bastante variável. Enquanto alguns têm a idade equivalente a cada série, outros se encontram fora de faixa, sendo assim, a clientela é formada por crianças, adolescentes e adultos.
A Escola tem 37 funcionários/as que desempenham diversas funções, que vão desde o serviço de limpeza, preparo de merenda escolar, regência, direção e atendimento geral. Desses, nove são terceirizados, compondo os quadros de vigilância e serviços gerais da escola, limpeza e merenda.
O corpo docente tem 32 professores/as, sendo 23 efetivos/as e 9 contratados/as, distribuídos nas diversas disciplinas que formam a matriz curricular das séries contempladas pela EMMLBB.
A Gestão Escolar da EMMLBB foi eleita pela comunidade dentro do programa, Gestão Democrática, e é composta por um Gestor, uma Gestora-Adjunta, uma Secretária, uma Educadora de Apoio, duas Técnicas e três funcionários/as administrativos/as.
3.1.1. Justificando a escolha do campo de pesquisa
Iniciamos o capítulo primeiro contextualizando o interesse pelo tema ou problema de pesquisa desta dissertação. Retomaremos aos fatos para justificar a escolha do campo de pesquisa. Das considerações finais daquele estudo, monografia de especialização, destacamos:
20 A Educação para Jovens e Adultos (EJA) é uma forma de ensino da rede pública no Brasil, com o objetivo de desenvolver o
Possa este diagnóstico servir de subsídios futuros à socialização da temática com os envolvidos, estabelecendo canais de discussões, sensibilização e aquisição de novas posturas de todos que fazem parte da Escola (Araújo, 2006, p.55).
Ora, passados quatro anos, a escola permanece nos mesmos moldes de quando diagnosticamos que “o aparecimento de resíduos sólidos, nos espaços físicos da escola, está diretamente relacionado à presença dos docentes e discentes aos ambientes monitorados” (Araújo, 2006, p.55). Nesse período, houve pouco avanço: ao término de cada turno são recolhidos grandes sacos de lixo, na sua maioria, folhas de papel e embalagens de salgadinho. Chega a impressionar a “brincadeira” de bolinha de papel, confeccionadas com folhas de caderno e arremessadas contra os colegas.
Na EMMLBB não existe um trabalho sistematizado de minimização dos resíduos sólidos da escola, ou ao menos “cuidar” do lixo, colocá-lo nos seus referidos locais, acabar com as bolinhas de papel. O que há são falas pontuais, em algumas série e turmas, nas aulas de ciências e ou biologia, mas que não chegam a gerar mudanças, pois não há envolvimento efetivo dos/as docentes e nem dos/as discentes.
Em face dessa constatação e imbuídos do desejo de mudanças dessa realidade é que nos propomos a socializar ideias, construir e testar estratégias, isto é, “inquietar” os/as docentes na perspectiva de tornar a realidade visível (dá-se a impressão que os amontoados de lixo não “incomodam” e encontrarmos mecanismos educativos que de fato se manifestem em atitudes responsáveis e sustentáveis, inicialmente no espaço escolar, depois no meio socioambiental.