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Caraterização do grupo

No documento Caminhos com aprendizagem: relatório final (páginas 30-34)

Capítulo I – Contextualização

2. Caraterização do grupo

O grupo com o qual foi realizado o estágio era constituído por dezoito crianças (dez do sexo masculino e oito do sexo feminino) com idades compreendidas entre os cinco e os seis anos de idade. Na sala existia uma criança que necessitava do acompanhamento de um educador de ensino especial.

O grupo era coeso e recetivo a novas experiências e atividades levadas para a sala. A presença de novas pessoas na sala não era um obstáculo para crianças, como eram sociáveis facilmente se começavam a relacionar com as pessoas que iam aparecendo na sala, por vezes solicitavam-nas para brincar e ajudá-las.

Contudo, ainda há crianças que apresentam grandes dificuldades em resolver problemas entre pares e a gerir as suas emoções.

A relação entre educadora e crianças é aberta à resolução de qualquer problema. Este ambiente facilita as aprendizagens das crianças e as suas relações sociais no futuro.

A multiculturalidade verifica-se nesta sala do pré-escolar, tendo em conta que existem crianças com diversas nacionalidades na sala, tais como: brasileira, cabo verdiana e moçambicana. Isto permitia que as crianças pudessem conhecer novas culturas e o país donde o colega era oriundo.

2.1.Espaço Educativo

O espaço tenta corresponder às caraterísticas e às necessidades das crianças. Assim, a sala encontra-se organizada por áreas e as crianças

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podem encontrar nelas materiais diversificados, tendo a oportunidade de escolher com os quais desejam brincar.

A sala encontra-se dividida em sete “cantinhos”: do tapete, das mesas, da casa e da farmácia, do computador, da leitura e, da construção e jogos. Cada um destes “cantinhos” tinha presente o número de crianças que eram permitidas e essas regras tinham sido construídas pelo grupo de crianças. Elas tinham desenhado em folhas o número de meninos permitidos para o “cantinho”, para que eles conseguissem identificar facilmente essa regra.

Para além da importância da organização do grupo e do espaço para o processo de aprendizagem/crescimento das crianças, é também essencial a escolha dos materiais.

O material presente na sala é variado, de diferentes texturas/composições para possibilitar o contacto com vários instrumentos, é adequado à faixa etária das crianças e às suas necessidades.

2.2. Projetos de sala

Tendo em conta que o projeto educativo da instituição é “Os Bolsos da Marta” e que, este não é um projeto estanque, as planificações das atividades são feitas segundo os interesses das crianças e, por isso, não existe nenhum projeto curricular de sala.

As crianças participam nas planificações e das suas dúvidas vão surgindo projetos para serem trabalhados. As famílias têm um papel importante, pois são elas que fazem a ligação entre a casa e a escola ajudando os seus filhos a pesquisar e a procurar material para os trabalhos que decorrem durante o ano na sala.

Os projetos são construídos ao longo do ano e os pais vão tendo acesso à informação sempre que possível. Quando algum projeto estiver ligado

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com a área profissional de algum dos pais, este é convidado a ir à instituição.

A aprendizagem dá lugar a um trabalho de grupo que é realizado através de projetos comuns. A educação é uma atividade comum, que vai sendo processada com discussão, exploração e com recurso à experiência em torno de temas ou tópicos que, geralmente originam trabalhos de projeto e são realizados em conjunto por crianças e adultos (Formosinho, 2007). Durante este ano letivo surgiram alguns projetos: a pena para escrever e o tinteiro, as aves do mediterrâneo, o medidor de tensão, o corpo por dentro e por fora, a criação da farmácia e o cantinho do médico. Todos estes projetos surgiram de dúvidas colocadas pelas crianças, às quais a educadora esteve atenta para poder tirar partido do que as crianças vão dizendo ao longo de uma conversa. Cada criança escolhe o projeto em que quer trabalhar, segundo as suas motivações, e nenhuma é obrigada a participar numa atividade que não queira.

Em parceria com a Universidade de Coimbra e com a cooperação de uma professora do departamento de Ciências da Vida, foi proposta a abordagem ao projeto “Descobrir o Mediterrâneo”. Assim, na sala de atividades foram desenvolvidos, para além deste projeto, outros tais como: o sobreiro, o chá e as aves. O tema das aves já estava a ser abordado pelas crianças e aproveitaram para o aprofundar mais.

Ao trabalhar estes projetos e, segundo uma abordagem de projeto, pretende-se que a criança cresça feliz, seja autónoma, comece a ter prazer em descobrir o que a rodeia e que se expresse através das diferentes linguagens que possui.

A avaliação das crianças é feita através de um portfólio, para o qual elas escolhem os trabalhos essenciais e explicam o motivo da sua escolha. Esta avaliação é realizada em conjunto, entre a criança e a educadora.

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O portfólio vai permitir à criança “reviver” e documentar experiências. Serve ainda de suporte para a discussão de aprendizagens e constitui um processo partilhado entre crianças, educadores, pais e outros intervenientes educativos. É construído ao longo do ano para dar sentido ao trabalho da criança, conversar sobre ele, estabelecer pistas para intervenções futuras e motivar a criança para uma aprendizagem feita por uma reflexão e autoavaliação (Silva, s.d.).

O portfólio de cada menino/a da sala já o acompanhava desde os três anos de idade. Pretende-se com isto que, a educadora tenha perceção da evolução da criança e esta, por sua vez, ao observar os seus trabalhos também veja o seu percurso.

O educador tem ainda um papel fundamental na elaboração do portfólio da criança. Apesar da criança ser proprietária, o educador tem a função de fazer com que ela perceba a importância e o processo de construção do seu portfólio (Silva, s.d.).

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No documento Caminhos com aprendizagem: relatório final (páginas 30-34)

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