Além do ambiente físico-estrutural como responsável sobre a execução das tarefas docentes, em IES, outro fator a ser considerado é a carga de trabalho desse profissional e as consequências que podem incidir nos resultados das atividades por ele desenvolvidas.
Sobre a carga de trabalho, cada indivíduo apresenta maior ou menor capacidade de resistência aos fatores que ocasionam cansaço físico e mental, interferindo diretamente no rendimento, na execução das tarefas e nas relações de trabalho.
Quando se trata de fadiga, Guérin et al (2001) classificam em duas categorias, sendo a primeira, a fadiga local, que diz respeito ao trabalho de um grupo muscular que foi além da capacidade de fornecimento nutritivo local; a segunda é a física geral, quando o conjunto dos grupos musculares tem um consumo de energia além da capacidade, ocasionando dores, tremores e sensações de esgotamento.
Alguns tipos de fadiga são facilmente relacionadas ao esforço, como por exemplo, olhos irritados após um longo período de trabalho de leitura em monitor. Outras são mais difíceis de precisar e as circunstâncias em que ocorrem são diversas, mas que significam que o trabalho está exigindo além da capacidade limite da pessoa. Exemplo disso está a fadiga por longa jornada de trabalho, ou por pressão em demasia no trabalho, ou ainda por trabalho noturno (GUÉRIN et al, 2001).
Concomitante a esses fatores está o humor pessoal que interfere motivando ou desmotivando o trabalhador, bem como dificultando o desenvolvimento do trabalho (IIDA, 2005).
Para o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE-CBO8, 2008), os docentes exercem suas funções em instituições de ensino de forma individual, com supervisão ocasional, em ambientes fechados. São contratados na condição de trabalhadores assalariados, com carteira assinada. Podem estar sujeitos a estresse constante, devido à condição de trabalho sob pressão.
Segundo Ramirez (1999), a pessoa fatigada tende a desprezar padrões complexos de trabalho, simplificando as ações executadas, dentre eles os fatores de precisão e segurança, mantendo apenas o estritamente essencial à execução das tarefas. Nessa simplificação de ações, o desempenho da pessoa pode cair ou ainda, pela eliminação dos
fatores de segurança, correr riscos de acidentes. Porém, numa sala de aula, quais seriam os prejuízos ocasionados por esta simplificação das atividades docentes? Talvez o fato de deixar de lado fatores essenciais como a metodologia e didática, que exigem do docente muito mais do que repassar conhecimentos, pois provocam uma necessidade de despender maior esforço físico e mental para buscar diversas formas para que o discente aprenda.
Assim, as tarefas com excesso de carga mental podem provocar decréscimo da precisão e atenção, retardando as respostas sensoriais e aumentando a possibilidade de respostas imprecisas. Com o aumento da complexidade das tarefas, a fadiga também pode levar a desorganização das estratégias nas atividades e dificuldade para atingir os objetivos, incluindo omissões, erros e alterações na memória.
Outra forma de avaliação das condições de trabalho está contida no método L.E.S.T. - Laboratoire d'Economie et Sociologie du Travail. Desenvolvido por Guélaud, Beauchesne, Gautrat e Roustang, esse método possibilita diagnosticar de forma global se as condições de trabalho são adequadas ou não, com a finalidade de avaliação do conjunto de fatores relativos a atividade laboral que podem repercutir sobre a saúde e qualidade de vida dos trabalhadores.
Neste método são avaliadas dezesseis variáveis dispostas em cinco aspectos: entorno físico, carga física, carga mental, aspectos psicossociais e jornada de trabalho, de forma quantitativa e qualitativa, ou seja, alguns fatores podem ser mensurados e outros recorrem a opinião dos trabalhadores, sendo necessária a participação dos envolvidos. O resultado é obtido pela pontuação de 0 a 10 em cada uma das variáveis, comparando os dados com os critérios da tabela sobre a situação de trabalho que varia de adequada a nociva.
Algumas das variáveis consideradas neste método são: ambiente térmico, ruído, iluminação, complexidade do trabalho, pressão de tempo, atenção necessária, iniciativa, jornada de trabalho, entre outras.
A carga de trabalho, ou seja, tanto a sobrecarga quanto a subcarga são desfavoráveis para o trabalhador, podendo ser associadas ao estresse causado na organização. Sobre esse tema existem conceitos que devem ser evidenciados.
Falzon (2007) diferencia fadiga de estresse:
- Fadiga é a consequência do esforço. É um estado consecutivo a um trabalho realizado que provoca uma perda temporária, reversível da eficiência.
- Estresse é o estado dinâmico que expressa um desequilíbrio psicofisiológico entre os recursos estimados e as exigências percebidas em situações sob fortes constrangimentos.
Sendo assim, o objetivo da ergonomia é agir na prevenção primária que provoca as condições criadoras do estresse. E, para isso, como aponta Falzon, (op. cit.) é necessário tomar medidas, na maioria organizacionais, para reduzir as causas do estresse, seguindo os princípios de: criar condições de administração do tempo; medir de maneira realista a carga de trabalho, mantendo um equilíbrio entre a sobrecarga e a subcarga de trabalho; prescrever o trabalho para realizá- lo com maior facilidade; e realizar o trabalho com o apoio do coletivo.
Ainda indica três fases de ação contra o estresse: a identificação do problema específico da organização; a identificação das causas do estresse que requer uma compreensão da realidade sob análise ergonômica e por último as preconizações para mudar, de forma realista, permitindo avaliar o funcionamento da empresa para mudar (FALZON, 2007):
Como acréscimo a esses fundamentos, Iida (2005) diz que as principais causas do estresse no trabalho são: conteúdo do trabalho, que passa pela pressão para imprimir um rendimento na produção, seja por responsabilidade, conflitos ou outros motivos; sentimento de incapacidade, quando o sujeito se percebe como não conseguindo realizar as demandas do trabalho; condições de trabalho, quando as condições físicas do ambiente são desfavoráveis; fatores organizacionais, aqui são destacados pontos de comportamentos inadequados da chefia, ou problemas salariais, horários, turnos extras e outras sobrecargas; pressões econômico-sociais, entendidas como a pressão da sociedade de consumo, ou seja, a falta de condições financeiras e os conflitos com os colegas de trabalho.
Como visto anteriormente a utilização do conhecimento da ergonomia possibilita resolver/minimizar problemas relacionados às atividades profissionais, seja no âmbito físico, mental ou organizacional, cujos princípios, quando aplicados na empresa, podem proporcionar aos seus colaboradores uma melhor qualidade de vida. Assim, o próximo passo desse trabalho perpassa sobre os conceitos de qualidade de vida, os fatores que podem contribuir e as estratégias que as empresas podem empregar para melhorar essa condição.