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3. TERCEIRIZAÇÃO NO SETOR BANCÁRIO

4.3. FORMAS DA REMUNERAÇÃO BANCÁRIA

4.3.1. CARGO COMISSIONADO / GRATIFICAÇÃO DE FUNÇÃO

O empregado bancário pode receber gratificação de função pela tarefa realizada (ex: caixa bancário) enquadrado no caput do art. 224 da CLT e, também, em decorrência do exercício do cargo de confiança bancária (ex: gerente que exerce função de chefia), caso em que é aplicável o § 2º do art. 224 da CLT.

O principal diferencial destas duas situações é a jornada legal de seis horas para o comissionado que não exerce cargo de confiança e de oito horas para o comissionado que efetivamente exerce cargo de confiança.

A gratificação de função decorrente da função comissionada, sem necessariamente ser de confiança bancária (§ 2 do art. 224 da CLT), como é o caso da função de caixa, tem previsão na Norma Coletiva da Categoria, com valor mínimo específico e responsabilidade gratificada. Ressalta-se que a discussão sobre o caixa exercer ou não cargo de confiança está superada, pelo entendimento do Tribunal Superior do Trabalho, que, através de sua Súmula n. 102, VI151, esclareceu que sua jornada legal é de seis horas.

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SÚMULA Nº 102. BANCÁRIO. CARGO DE CONFIANÇA. (incorporadas as Súmulas nºs 166, 204 e 232 e as Orientações Jurisprudenciais nºs 15, 222 e 288 da SBDI-1) - Res. 129/2005 - DJ 20.04.2005.

I - A configuração, ou não, do exercício da função de confiança a que se refere o art. 224, § 2º, da CLT, dependente da prova das reais atribuições do empregado, é insuscetível de exame mediante recurso de revista ou de embargos. (ex-Súmula nº 204 - RA 121/2003, DJ 21.11.2003);

II - O bancário que exerce a função a que se refere o § 2º do art. 224 da CLT e recebe gratificação não inferior a um terço de seu salário já tem remuneradas as duas horas extraordinárias excedentes de seis. (ex-Súmula nº 166 - RA 102/1982, DJ 11.10.1982 e DJ 15.10.1982);

III - Ao bancário exercente de cargo de confiança previsto no artigo 224, § 2º, da CLT são devidas as 7ª e 8ª horas, como extras, no período em que se verificar o pagamento a menor da gratificação de 1/3. (ex-OJ nº 288 - DJ 11.08.2003);

IV - O bancário sujeito à regra do art. 224, § 2º, da CLT cumpre jornada de trabalho de 8 (oito) horas, sendo extraordinárias as trabalhadas além da oitava. (ex-Súmula nº 232- RA 14/1985, DJ 19.09.1985);

V - O advogado empregado de banco, pelo simples exercício da advocacia, não exerce cargo de confiança, não se enquadrando, portanto, na hipótese do § 2º do art. 224 da CLT. (ex-OJ nº 222 - Inserida em 20.06.2001);

VI - O caixa bancário, ainda que caixa executivo, não exerce cargo de confiança. Se perceber gratificação igual ou superior a um terço do salário do posto efetivo, essa remunera apenas a maior responsabilidade do cargo e não as duas horas extraordinárias além da sexta. (ex-Súmula nº 102 - RA 66/1980, DJ 18.06.1980 e republicada DJ 14.07.1980);

VII - O bancário exercente de função de confiança, que percebe a gratificação não inferior ao terço legal, ainda que norma coletiva contemple percentual superior, não tem direito às sétima e oitava

A gratificação de função, pelo exercício do cargo de confiança, nos termos do § 2º do art. 224 da CLT e da Súmula 102 do TST, decorre cumulativamente do pagamento da gratificação de função não inferior a um terço de seu salário e, também, do efetivo exercício das funções de gerência, fiscalização, chefia e equivalentes.

Note-se que, apesar da exigência do percentual da gratificação de função previsto na CLT (1/3 do salário), a norma coletiva é mais favorável: prevê o pagamento da gratificação no percentual mínimo de 55% sobre o salário base. Ora, existindo o conflito de normas no Direito do Trabalho, sem qualquer discussão, considerando o Princípio da Norma Mais Favorável, prevalece o contido na norma coletiva.

Ocorre que, apesar da benesse na melhora remuneratória do trabalhador com o pagamento de uma gratificação de função em mais de 55% de seu salário, esta não se incorpora ao salário, ou seja, pode ser excluída de sua remuneração, por ato unilateral do empregador, desde que o pagamento desta gratificação não ultrapasse uma década, exceção à regra estabelecida pela Súmula n. 372 do TST152.

Note-se que muito antes dos dez anos exigidos pela Súmula, tal valor já faz parte do orçamento e das despesas do trabalhador e, por isso, eventual supressão, sem sombra de dúvida, causará sérias dificuldades e transtornos financeiros ao bancário, até porque, o piso salarial para o pessoal de escritório, previsto na norma coletiva de 2003, aplicada para a cidade de Campinas, por exemplo, corresponde ao valor de R$ 638,52, importância esta que se aproxima de dois salários mínimos para a época, logo, a gratificação complementa de forma significativa da remuneração.

Neste sentido, a luta diária do bancário para a manutenção da gratificação

horas como extras, mas tão-somente às diferenças de gratificação de função, se postuladas. (ex-OJ nº 15 - inserida em 14.03.1994).

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SÚMULA 372 DO TST - GRATIFICAÇÃO DE FUNÇÃO. SUPRESSÃO OU REDUÇÃO. LIMITES. (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 45 e 303 da SBDI-1) - Res. 129/2005 - DJ 20.04.2005.

I - Percebida a gratificação de função por dez ou mais anos pelo empregado, se o empregador, sem justo motivo, revertê-lo a seu cargo efetivo, não poderá retirar-lhe a gratificação tendo em vista o princípio da estabilidade financeira. (ex-OJ nº 45 - Inserida em 25.11.1996);

II - Mantido o empregado no exercício da função comissionada, não pode o empregador reduzir o valor da gratificação. (ex-OJ nº 303 - DJ 11.08.2003).

de função, que depende de seus resultados e cumprimento de suas metas, torna-se um estorvo psicológico ao trabalhador, tema a ser abordado no próximo capítulo.

O que é interessante ressaltar é que o § 2º do art. 224 da CLT (que trata sobre cargo comissionado de confiança com jornada de oito horas) é para ser a exceção à regra do caput do mesmo artigo (que trata sobre cargo não de confiança com jornada de seis horas) e foi criado com este intuito. No entanto, considerando que a regra geral da jornada de seis para o trabalhador bancário é um engodo para a atividade capitalista bancária, as instituições financeiras, com o passar dos anos, transformaram a exceção em regra, ou seja, reajustaram sutilmente os salários normativos e transformaram quase todos os regimes de trabalho, independente do efetivo exercício do cargo de confiança, em regimes de oito horas e, por conseqüência, trouxeram a estes trabalhadores, de forma disfarçada, a possibilidade de afrontar o art. 7º da CF, que prevê a irredutibilidade salarial, com o eterno ou decênio risco do “facão” em sua gratificação.

Ora, apenas no setor bancário, estranhamente existem mais chefes do que subordinados, ou seja, quase todos são chefes, mas em verdade nenhum bancário sabe efetivamente de quem é chefe, já que inexistem subordinados. Por este motivo, em decorrência da evolução no percentual de trabalhadores bancários enquadrados no § 2º do art. 224 da CLT, torna-se possível supor eventual fraude à legislação trabalhista e ofensa ao caput do art. 224 da CLT.

Essa constatação é comprovada pelos dados da RAIS, do Ministério do Trabalho, e apresentados por Nise Maria Tavares Jinkings. No Brasil, a porcentagem de bancários de 30 horas passou de 59,5% em 1994 para 44,9% em 2002 e, no estado de São Paulo, de 45,6% para 33,5%. Nesse período, a porcentagem máxima de bancários de 30 horas correspondeu a 64,5% no Brasil e a 48,5% no estado de São Paulo, ambos no ano de 1995.153

Assim, a única justificativa para os bancos aumentarem o percentual de empregados exercentes do cargo de confiança bancária (§ 2º do art. 224 da CLT) é o intuito de flexibilizar o contrato de trabalho e enfraquecer a categoria bancária, pois, desta forma, o poder de mobilização e reivindicatório do sindicato se reduz

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drasticamente, já que o risco de o bancário perder sua gratificação é uma sombra que o acompanhará até o seu decênio profissional de trabalhador comissionado.