Fonte: Casa da Cultura de Teresina
A Secretaria de Imprensa da Presidência da República do governo Jânio Quadros enfrentou dificuldades para se impor, mas representou um embrião do modelo de assessorias de imprensa governamentais que se tem atualmente. Castello e José Aparecido foram protagonistas de uma experiência inédita de comunicação governamental, que viria a se modernizar nos governos seguintes.
Aparecido foi, em conseqüência, me substituindo [...] na direção do fato político dentro do Palácio, e a eficiência de seu método, até prova em contrário, parece evidente um meio em que se faz pouco uso das simples informações. Era, aliás, convicção geral que o serviço de imprensa da Presidência deveria funcionar como uma espécie de agência de relações públicas. (CASTELLO BRANCO, 2006, p.107)
Localizada no quarto andar do Palácio do Planalto, a Secretaria de Imprensa não funcionava como uma pasta independente, era subordinada ao Gabinete Civil. Castello não costumava participar das reuniões ministeriais, era convocado somente quando o assunto tratado devesse ser divulgado para a imprensa.
Além de Carlos Castello Branco, atuaram na Assessoria de Imprensa neste período, Eunice Marques, Fernando Ricardo (fotógrafo), Luiz Gonzaga de Macedo Filho, Evandro Carlos de Andrade e João Ferreira de Oliveira14. Todos estes funcionários eram de outros ministérios e estavam lotados na Secretaria de Imprensa.
No período em que esteve como secretário, Castello dedicou-se integralmente ao Palácio, a rotina incluía trabalho durante todo o dia e depois reuniões informais com o Zé Aparecido até as onze horas da noite. A experiência nos bastidores do poder lhe permitiu conhecer muito dos segredos da política e do governo, como explicou, em entrevista:
Às vezes a gente saía para missões políticas. O diálogo entre o Jânio e o Jango era através do José Aparecido, e eu o acompanhava à casa do Jango na Granja do Torto, ficava lá até altas horas, bebendo uísque e conversando com Jango. Às vezes vinha o Brizola. Era politicamente muito interessante aquela intimidade do poder. Foi muito útil do ponto de vista de entender o processo político. Até então eu nunca tinha estado do lado de dentro. Vivi intensamente aquelas coisas todas. (ZARVOS 1986).
Dentro dos limites das intervenções de José Aparecido, das manias de Jânio Quadros e da interferência dos demais assessores, Castello desempenhava as funções de organização de entrevistas coletivas, da elaboração de documentos oficiais, do credenciamento de jornalistas para acesso ao Palácio, dos discursos presidenciais, da revisão e verificação de notas oficias e informações repassadas à Agência Nacional, da revisão do noticiário A Hora
do Brasil e do contato com os jornais e com as emissoras de televisão e rádio, concentradas
14 Não foram encontrados registros de outros funcionários, mas não é possível afirmar se foram somente estes
no Rio de Janeiro15. Sua fiel companheira era uma moderna máquina de escrever da Underwood.
Naquele começo dos anos de 1960, Brasília era uma cidade de pouquíssima atividade econômica e cultural. O centro da mídia ainda era a antiga capital, o Rio de Janeiro. Para conceder entrevistas às emissoras de televisão, o presidente tinha que muitas vezes se deslocar até o Rio. Por sua vez, Castello viajava frequentemente à antiga capital para tratar da divulgação em jornais, rádios e televisões, de slogans de convencimento da opinião pública sobre a política econômica do governo.
Os Diários Associados, de Assis Chateaubriand controlavam o único e precário sistema de transmissão de televisão de Brasília para o Rio, financiado por um conjunto de bancos mineiros; da Agência Nacional, do Departamento de Correios e Telégrafos (DCT) e da Comissão Técnica do Rádio. O veículo de maior abrangência e importância era o rádio, a televisão era um meio de comunicação jovem e não chegava a toda a população16.
O empresário Herbert Richers, proprietário da Cine Jornais Herbert Richers LTDA, com sede no Rio de Janeiro era responsável pela produção dos jornais cinematográficos “Atualidades Brasileiras” e “Repórter da Tela”.
Os equipamentos para as emissoras de televisão eram muito caros, o governo de Jânio contribuiu financeiramente com algumas empresas privadas para a aquisição desses equipamentos. Um documento da Divisão de Financiamento e Investimentos Estrangeiros da Superintendência da Moeda e do Crédito com a “relação de beneficiados” descreve a concessão de quatro financiamentos para a Rádio Globo S.A em apenas um mês. Os valores descritos são: US$ 170.000,00; US$ 40.000,00; US$ 30.000,00 e US$ 360.000,00.
Em outro documento, também do acervo de Carlos Castello Branco, a Rádio
Sociedade Anônima Mayrink Veiga, com sede no Rio de Janeiro, reclama ao presidente Jânio
da existência do que seria “uma disparidade no tratamento” por parte do governo às emissoras de rádio. Segundo o documento, o governo teria autorizado um crédito de US$ 600.000,00 para importação de equipamentos de televisão para a Rádio Globo SA. Enquanto que a Rádio
Sociedade Anônima Mayrink Veiga teria conseguido, em 1957, crédito de US$ 495.000,00 e
reclamava igualdade na quantidade do financiamento para as diferentes empresas.
15
“Até o final da década de 60, 90% dos jornais do país são editados no Rio de Janeiro e em São Paulo”. (BARBOSA, 2007, p.176)
16
A televisão foi inaugurada no Brasil em 1950, operou inicialmente nas duas metrópolis nacionais: São Paulo e Rio de Janeiro. Expandiu-se posteriormente para Minas Gerais, chegando ao Nordeste no início dos anos 60. (MARQUES DE MELO, 2010, P.14)
Enquanto no Brasil os meios de comunicação estavam concentrados no Rio de Janeiro e a televisão ainda era incipiente e as assessorias de imprensa começavam a aparecer, as agências de notícias e as empresas de promoção de imagem dos países ricos estendiam sua atuação para os países pobres da América do Sul. “A chegada de novas agências internacionais de notícias [...] contribui para o novo formato de jornais, que passam a destacar notícias provenientes da Europa e agora também dos Estados Unidos”. (BARBOSA, M., 2007, p.85).
A agência de notícias Reuters, em correspondência enviada ao presidente Jânio Quadros, anunciava vinda ao Brasil e interesse em atuar no país. O documento descrevia que, com 110 anos de existência, a agência ainda ocupava posição de pouco destaque na América do Sul, “por não ter meios suficientes para a transmissão de notícias” e ressaltam o Brasil como o principal país sul-americano. Recorrendo à ajuda de Jânio para resolver este problema, solicita uma audiência com o presidente para tratar do assunto.
Além da Reuters, outras agências e assessorias internacionais assediaram o presidente brasileiro para contratação dos serviços, mas os documentos preservados por Castello e sua família não dão conta de confirmar se houve alguma atuação destas empresas no governo de Jânio.
Observando a deficiência brasileira na área de informação e, principalmente, com relação à comunicação do Brasil com o mundo, Castello sugeriu ao presidente Jânio a criação de uma Agência Internacional de Informações, a fim de repassar para o mundo o noticiário sobre o Brasil produzido com o olhar brasileiro. Já havia uma Agência instalada dentro do Palácio do Planalto, mas com atuação restrita em território nacional17.
A iniciativa de Castello estava diretamente relacionada às críticas freqüentes que a imprensa internacional e setores na imprensa nacional faziam à política externa do governo Jânio Quadros. Conforme descreveu Benevides (1999, p.11), dois grandes temas dominaram a administração janista: “a política externa independente”, onde o governo tentava retirar o Brasil da condição de “satélite” dos Estados Unidos, que tinha como principal defensor o Chanceler Afonso Arinos de Melo Franco e a “política econômica de estabilização ortodoxa”, representada pela “instrução 204”, que restabelecia a “verdade cambial”, com o corte dos
17 A Agência Nacional desempenhou papel crucial durante a ditadura do Estado Novo, no primeiro
governo de Getúlio Vargas, juntamente com o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Naquele período, a Agência funcionava como um jornal e dispunha de grande equipe com redatores, repórteres, tradutores, provendo os jornais com material noticioso sobre o governo.
subsídios para produtos exportados e desvalorização do Cruzeiro. Estas medidas causaram o aumento dos gêneros alimentícios, dos transportes e o congelamento parcial dos salários.
Com relação à política externa independente ou a mudança da tradicional “satelitização”, a ação “[...] significava não apenas reformular o alinhamento incondicional com os Estados Unidos em questões internacionais, como também admitir que haviam áreas de atrito entre interesses brasileiros e norte-americanos”. (BENEVIDES, 1999, p.59). Em breve resumo, Victoria de M. Benevides (1999, p.60) elencou as características principais da política externa daquele governo:
Estabelecimento ou fortalecimento de vínculos comerciais e diplomáticos com os países socialistas, sobretudo a União Soviética; estabelecimento de relações cordiais com Cuba e uma posição de apoio à autodeterminação do povo cubano; redefinição do apoio tradicional à política salazarista quanto às “províncias ultramarinas” (Goa, Damão, Timor e Macau, na Ásia, e Guiné, Angola e Moçambique, na África); solidariedade aos movimentos de emancipação do Terceiro Mundo, incluindo a soberania da Argélia e o movimento de Patrice Lumumba. (BENEVIDES, 1999, p.60-61).
Segundo a autora, a política externa “[...] tornou-se o principal elemento precipitador da ruptura irreversível entre as forças, já contraditórias, que compunham o governo”. (BENEVIDES, 1999, p.70). Na verdade, os rumos que tomou a administração de Jânio, culminando com a renúncia do presidente, “[...] permanece até hoje envolta na polêmica que ora enxerga o golpe, ora a insanidade do protagonista”. (BENEVIDES, 1999, p.7). No entanto, é certo afirmar que a política externa fora um agravante, pois tornou-se o principal alvo dos setores mais reacionários das Forças Armadas, da Igreja, das Finanças, dos partidos políticos e da imprensa.
Preocupado com tais questões, Carlos Castello Branco enviou documento a Jânio Quadros relatando que “os acontecimentos internacionais chegam à opinião pública brasileira através de versões e interpretações de agências e correspondentes estrangeiros”. O secretário de Imprensa alerta o presidente de que “não temos a visão brasileira, de ângulo próprio, do que se passa no mundo”. Castello argumenta ainda que as notícias do Brasil no Mundo, são filtradas por correspondentes estrangeiros que “refletirão sempre interesses específicos, alheios aos nossos”.
Depois de expor o cenário desfavorável do país, Castello Branco sugere a criação, por iniciativa do governo e com atuação do setor privado, de uma Agência Internacional de Informações. Explica que seu projeto não trata de criar uma agência oficial, nem de oferecer material oficial aos jornais, a exemplo do que estava acontecendo com agências de outros
países, “trata-se de fomentar a iniciativa privada, dando-lhe condições de suprir uma falha dos serviços nacionais de informação”.
Neste diálogo, via documento oficial, com o presidente, Castello deixa entender que defende a presença da rede privada de empresas de comunicação para modernizar o sistema de informações do governo. Ao Palácio do Planalto caberia o fomento, organização e financiamento desta iniciativa. A agência funcionaria como uma associação de empresas jornalísticas e de rádio-difusão em uma empresa autônoma, com quadro de correspondentes brasileiros em todos os centros de informação do mundo. O governo participaria com minoria no capital da sociedade, através de concessão de facilidades técnicas e financeiras.
Logo depois desta primeira discussão sobre o projeto, Castello começou a pô-lo em prática, telegramas trocados entre o secretário de Imprensa e responsáveis por jornais de vários estados do país mostram como se deu os primeiros passos para a criação do que seria a Agência Internacional de Informações do Brasil. Nos telegramas, Castello convida jornalistas e empresários a participarem de um grupo de trabalho para estudar “a formação de empresas jornalísticas para constituição da Agência Brasileira de Informações. Entidade privada, cuja criação, o governo deseja estimular”.
Entre aqueles que foram convidados para formar o Grupo de Trabalho e participaram das primeiras reuniões para discutir a implementação do projeto, estavam Calazans Fernandes, da equipe O Cruzeiro; Enildo Franzosi, da Folha de São Paulo; Jorge Calmon, do jornal A Tarde, da Bahia; Esmaragdo Morroquim, do Jornal do Comércio, de Recife; Carlos Joel Nelli, de A Gazeta, de São Paulo; Arlindo Pasqualini, do jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, Olivieiros Ferreira, do O Estado de São Paulo, Luiz Alberto Bahia, do Correio
da Manhã, Prudente de Morais Neto, do Diário de Notícias, João Etcheverray, do Última Hora e Nascimento Brito, Jornal do Brasil. Mais representantes do Ministério da Justiça, o
presidente da Comissão Técnica de Rádio, representante da DCT, além do Secretário Particular e do Secretário de Imprensa18.
A proposta de criação da Agência de Informações era bastante ousada. Em documento assinado por João Etcheverray, do jornal Última Hora, membro do grupo de Trabalho, o jornalista apresenta um plano de estrutura do que seria o Consórcio Brasileiro de Difusão Exterior. O documento oferece um resumo das questões discutidas dentro do grupo sobre o projeto. João Etcheverray sugeria a instalação de postos de atuação com correspondentes em 20 lugares diferentes de todos os continentes. (5 na América do Sul; 3 na
América do Norte, 3 na Europa Ocidental, 2 na Europa Oriental, 3 na África, 3 na Ásia e 1 na Oceania). A Agência ou Consórcio seria composto por sete departamentos, com objetivo de atingir todos os tipos de meios de comunicação de massa:
A Agência de Informação e reportagem (serviço telegráfico com notícias sobre acontecimentos diários; serviços fotográficos e de reportagens); o Serviço de Copyright (cessão de direitos de imprensa de matérias, de colunas e de ilustrações publicados na imprensa brasileira para a imprensa mundial); o departamento de Cinema (remessa aos correspondentes de cenas filmadas de atualidades brasileiras para repassar a programas; vendas de documentários; venda de filmes educativos brasileiros); serviço de Rádio (produção de programas em diversas línguas, fornecimento de discos e textos para programas culturais nas rádios); de Televisão (troca de películas, promover contrato de artistas brasileiros em televisões estrangeiras); setor de Edições (promover a cessão dos direitos de tradução de obras brasileiras, direito para adaptação ao cinema, promover obras de estrangeiros sobre o Brasil) e de Direito Autoral (acompanhar a cobrança de direito autoral jornalístico em países onde não há correspondente e estimular a difusão de autores brasileiros).
Não demorou muito para que a proposta do governo ruísse. Documentos oficiais encaminhados por empresários do ramo da comunicação atestam que o ideal de um consórcio de empresas e governo era uma realidade longe de ser concretizada. A idéia sucumbiu em meio aos interesses egoístas dos empresários. Em ofício encaminhado ao presidente Jânio Quadros, o dono do Jornal do Brasil, Nascimento Britto, tentava convencer o governo de que a maioria das empresas que compunha o grupo de trabalho não estaria interessada pela ideia. No mesmo documento, informava ao presidente que, ele, Nascimento Brito, estaria em negociação com as agências de notícias, Asapress e a Brasil Press, com o objetivo de transformá-las na primeira agência internacional de notícias do país. Nascimento solicitava, ainda, que o governo assegurasse a ele as mesmas concessões e os mesmos direitos de uso dos canais e do equipamento já em poder daquelas empresas.
No mesmo período, a proprietária da agência Transpress, Ivone Sperandio, encaminhou documento ao presidente, em que reclamava das condições técnicas para a comunicação no Brasil, que, segundo ela, representava um entrave para a instalação de uma agência internacional. No documento, a empresa Transpress se apresenta como capaz para instalar o serviço noticioso internacional, mas alega não ter meios de fazer chegar ao mercado consumirdor o material noticioso que dispõe. Entre os problemas, estava a dificuldade para a
Transpress instalar um teletipo19 porque o monopólio da freqüência era do estado. A empresa argumenta que já havia solicitado ao Ministério da Viação permissão para instalação de uma rede de teletipo interligando Rio-Brasília, São Paulo e Belo Horizonte e uma concessão de freqüência para instalar um serviço de rádio-foto dentro do Brasil, mas não, o pedido não havia sido atendido.
Até aquele período, a Agência Transpress funcionava com a remessa de notícias pelo DCT, cabo submarino, telegrama DCT e fonia e remessa de malas aéreas. Para as cidades onde havia aviões diários o atraso das notícias era de 12 horas, para as cidades cujo tráfego aéreo não era diário, o atraso chegava a 24 horas. Para o estado do Acre, por exemplo, havia avião apenas uma vez por semana.
Através de um convênio com a DPA (Deustch Press Argentur), uma agência alemã, a Transpress estava enviando ao exterior notícias nacionais, mas o noticiário estava indo de avião, pois a empresa não dispunha de freqüência.
Ivone Sperandio explica no documento que a concorrência com o trabalho das agências internacionais era desleal, devido às disparidades técnicas:
As agências estrangeiras trabalham com os meios negados às nacionais. Por exemplo, a UPI através de sua freqüência internacional para captar e transmitir o seu serviço no Brasil, consegue cobrir o território brasileiro graças a um processo elementar: a notícia enviada do Manaus para o exterior é interceptada em São Paulo. Ou então, enviam notícia para a sede central – New York – e devolvem para todo o Brasil, num tempo mínimo (não chega a uma hora).
Diz o documento que o governo francês e o americano davam auxílio “valioso” e pagava pela transmissão dos assuntos de interesse do governo. Ivone disse, no documento: “Este fato é negado, mas é sabido”.
Um artigo publicado pela revista Visão, em julho de 1961, indica que o projeto da Agência não fora concretizado por aquele governo. A publicação argumenta que as empresas de comunicação não teriam condições de manter o empreendimento e faz uma crítica direta a política econômica fiscal do governo. “Em suas reuniões preliminares, esses jornalistas chegaram à conclusão de que a iniciativa privada não está em condições de enfrentar os custos
19
O teletipo é uma máquina de escrever eletromecânica para transmissão de dados, agora obsoleto devido às modernas tecnologias de telecomunicação. Foi utilizado durante o Século XX para enviar e receber mensagens mecanografadas, ponto a ponto e ponto a multi pontos, através de um canal de comunicação simples.
elevados impostos pela criação de uma agência de notícias”. Alegam que o reajuste do câmbio deixou a imprensa em situação pouco confortável20. (VISÃO, 1961)
Ao longo do texto, que não tem assinatura, são elencados alguns problemas que dificultariam a criação da Agência e sugere alternativas para viabilizar o projeto. A revista cita a Associated Press, dos Estados Unidos, como exemplo de sucesso, formada por um grupo de empresas jornalísticas e apresenta duas alternativas a serem executadas pelo governo, como sugestão do grupo de Trabalho: a primeira seria o aluguel das redes de transmissão de alguma agência internacional e a segunda seria a criação de um serviço informativo oficial, nos moldes do British News Service, que seria internacionalmente distribuído. Outra questão levantada pela revista é o acesso às fontes de informação nos diversos países do mundo, a dificuldade de manter profissionais nestes lugares. Visão argumenta que nem mesmo na ONU há um jornalista brasileiro, onde 46 países já estavam presentes com seus repórteres. No total 1.600 profissionais, entre jornalistas de jornais, rádio e TV transmitem o que acontece nas assembléias da ONU. (VISÃO, 1961)
Cerca de um mês depois de publicado este artigo, aconteceria a fatídica renúncia do presidente e com ele toda sua equipe deixaria o Palácio do Planalto. Castello não teria mais tempo de dar continuidade aos seus projetos.
Além da proposta de criação de uma Agência Internacional de Informações, Castello analisava a sugestão do jornalista Jânio de Freitas de desenvolvimento de um Instituto Brasileiro de Jornalismo, que surgiria inicialmente de uma revista. Jânio de Freitas sugere, em documento a Castello, que o governo viabilizaria a revista concedendo papel e impressão, através da Imprensa Nacional, e uma sala no Palácio da Cultura que seria estruturada com materiais do Ministério da Educação. A revista seria administrada por um conselho de direção formado por cinco jornalistas nomeados pelo governo. “Assim teríamos o embrião de um pequeno, mas eficiente Instituto Brasileiro de Jornalismo”. (JÂNIO DE FREITAS, 1961)
A preocupação de Castello em criar um órgão de imprensa que pudesse oferecer ao