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3. A vida na cidade: suas tramas e a educação profissionalizante

3.1 Carlos e Maria: sobretudo educadores sociais

“São duas as ruas que conheço: A minha rua e as outras ruas. As ruas são todas iguais, menos uma, a minha rua. Não têm diferença as ruas pelas casas que têm construídas. Passam viandantes, carros e carroças. Até a Maria Fumaça passa

pelas ruas iguais irmãs. O acervo do passado cresce, vou me esquecendo de tudo que ficou guardado atrás. Empilham-se as folhas viradas, os livros, as fotos, os jornais. Dormem as pessoas, os animais, os dias, os meses, os anos dormem. Desvanecem os campos, as cidades, os montes, os rios, as praças. Também as ruas foram cobertas

de faixas negras de asfalto, retalhos de paralelepípedos, lençóis encardidos, cheios de buracos.

Só ficou parada e nua,

quase sem casas, quase sem gente a minha rua e muitos anjos,

muita saudade e muito amor, ficaram pregando a minha casa. Sozinha no chão da rua quase nua onde eu moro.

Das duas ruas que conheci, Aqui e acolá,

Só vive em mim,

a rua que não vive sem mim”.

Padre Carlos (19/01/1954).

Rememorar para Benjamin (1985) é um exercício de trazer o passado à tona com as inquietações que se manifestam no tempo do ‘agora’, em um processo de busca atenta que objetiva o agir sobre o presente. A partir da memória, podemos reconstruir fatos, quando fragmentos do passado, uma vez relembrados, tornam-se como que presentes. Sem o exercício da memória, o passado pode não iluminar o presente, ou melhor dizendo, pode ficar relegado ao esquecimento. O que nos faz interessar pelas experiências já vividas, são as suas representações

e significados para o presente. E o que pode ter representado para a Escola Profissional Dom Bosco e para Poços de Caldas o trabalho de Carlos e de Maria?

Ao entrar em contato com alunos, professores e funcionários da escola algo me chamou a atenção: o envolvimento de todos esses segmentos com a sua história, desde o cuidado com a guarda de documentos textuais, fotografias, filmes, objetos, até o entusiasmo em relatar fatos pitorescos, vivenciados com Padre Carlos e Dona Maria. Todos sempre têm algo a contar: encontros, conversas, ‘puxões de orelha’, lições de vida, conselhos, anedotas, brincadeiras e, sobretudo, exemplos de dignidade e de respeito.

Falar sobre a história da Escola Dom Bosco sem dúvida, primeiramente, é relatar as experiências de seus fundadores.

Dona Maria Figueiredo, fiel companheira de trabalho, exerce um lugar de destaque na memória dessa instituição escolar. Sempre é lembrada pela sua capacidade criativa, artística, mas sobretudo pela arte do saber ouvir, valorizar as pessoas e intermediar conflitos.

Como uma ouvinte atenta das diferentes histórias da ‘Dom Bosco’, surpreendo-me cada vez mais com as lembranças que vão despontando e, num movimento igualitário, imagens de pessoas que exerceram cargos hierarquicamente diferenciados, misturam-se às recordações pessoais numa medida homogênea. O que me leva a pensar se o fato de, no passado, as relações haverem sido construídas com diálogo e respeito, produziriam no hoje um clima em que diversos atores, embora ocupando diferentes posições hierárquicas, sentem-se autores da história escolar. Em outros termos, posicionam-se como co- participantes da construção da escola.

Observo que funcionários, alunos, professores, diretores e coordenadores, participando, atualmente, das atividades do dia a dia da escola, reunidos àqueles que ali atuaram em tempos passados, mas hoje já não mais a freqüentam cotidianamente, assim como alguns membros da comunidade local que tiveram papel efetivo no processo de construção dessa obra social, juntam- se para construir uma memória compartilhada, na medida em que imbuídos da importância do processo de rememoração em conjunto, conquistam bases sólidas de relacionamentos que, alicerçados numa experiência passada conjunta e em uma mesma bagagem cultural, conseguem promover ações coletivas (SIMSON, 1997).

O desafio consiste em reconstruir suas experiências, envolvendo também vivências escolares, pois o cotidiano da escola interfere e sofre influências das trajetórias de vida de seus membros participantes. A construção e urbanização do bairro, o desenvolvimento dos jogos

Padre Carlos à porta do Asilo de São Vicente de Paula, 1946. Fonte: Memorial Padre Carlos

Dona Maria, no início da construção da EDB, no bairro Santana. Década de 1950. Fotógrafo: Padre Carlos. Fonte: Memorial Padre Carlos

infantis, dos brinquedos, das oficinas, da banda de música, dos jogos de futebol, dos filmes exibidos podem traduzir histórias que acompanharam as trajetórias de luta e de dificuldades de diferentes famílias. E a escola sempre aparece como parceira nessas diversas sagas familiares.

Padre Carlos, o fotógrafo apaixonado, o cinéfilo contagiante, o piloto de avião aventureiro, o sacerdote conselheiro, o comunicativo ‘rádio amador’, o jogador de futebol, o amante da música, o educador com idéias avançadas para a época tem seu lugar especial assegurado na memória de quem conviveu com ele durante anos de sua vida ou mesmo por alguns momentos. Nem se mostra necessária uma grande mobilização nesse sentido, pois a importância de sua história se manifesta nos próprios atos de seus alunos e companheiros.

Mas quais seriam os motivos principais que sempre nos mobilizam a recordá-lo?

Desde o ano de 2002, alguns alunos, funcionários, professores, voluntários e membros de instituições privadas e públicas da comunidade local estão cada vez mais empenhados na organização de um espaço que permita a organização, conservação e divulgação da documentação, que registra a história da EDB nos seus sessenta anos de funcionamento. A casa que abrigou, em momentos distintos, os fundadores da escola foi escolhida como um ‘lugar de memórias’, como ressalta Nora (1984) e o Memorial Padre Carlos vem sendo organizado pela vontade de uma grande comunidade que quer ver sua história reconhecida, como uma história de lutas e conquistas, como uma história que pode ser referência para outras iniciativas, como uma história que pode ser reconstruída, se contada e recontada para as gerações futuras.

Falar sobre Padre Carlos e Dona Maria, sobre os antigos e atuais professores, sobre mestres de oficinas, os leais funcionários de outros tempos e também sobre os de hoje que trabalham com consciência no dia a dia da escola, consiste na tarefa de trazer para o presente múltiplas versões e diferentes possibilidades de visualização desse passado comum.

Referir-se ao Padre Carlos, como ele mesmo atestou por diversas vezes, é o mesmo que falar sobre a Escola Dom Bosco. Em suas palavras amigas e seguras ele afirmou ”Minha história

e a história da escola se confundem, minha filha”48 .

Confundem-se, pois ao falarmos das histórias dos fundadores da Escola Profissional Dom Bosco, referimo-nos a muitas outras trajetórias que configuram essa instituição escolar como um projeto político educacional dirigido aos grupos populares de Poços de Caldas. Um projeto que

buscou construir um espaço educacional com cunho profissionalizante, mas marcado pela preocupação com uma formação autônoma, democrática e, portanto, criativa para os educandos.

Por que falar de Padre Carlos e de Dona Maria?

Porque seria o mesmo que registrar a trajetória histórica da Escola Dom Bosco, ressaltando sua importância para a urbanização do bairro, assim como sua responsabilidade pela formação de grande parte dos trabalhadores técnicos da cidade. E, a partir do movimento da memória, torna-se possível reconstruir as múltiplas vivências de pessoas que construíram as diferentes histórias da cidade de Poços de Caldas. Histórias essas que merecem ser contadas ou mesmo recontadas em conjunto para não serem silenciadas pelo tempo e para reforçarem os laços da comunidade de destino criada pela escola e seus fundadores.

Coletei depoimentos orais e transcrevi inúmeras entrevistas. Encontrei-me, em 1999, com Padre Carlos e, posteriormente, com moradores da cidade, amigos, empresários que ainda participam da entidade mantenedora da escola, alunos do passado e do presente, funcionários que atuam na escola desde os seus primórdios e aqueles que hoje participam ativamente na recuperação e preservação da história da EDB, professores que reconhecem nos materiais pedagógicos pertencentes ao acervo do Memorial parte de suas trajetórias profissionais e aqueles que produzem e criam provas práticas de ensino nos dias atuais. Enfim, retomando suas vozes para a escrita de um texto que tem como desafio elucidar o trabalho de Carlos e Maria, percebo que reconhecem na história dessa escola as histórias de suas próprias vidas.

Nas entrelinhas do ensino profissionalizante, muitas histórias e conflitos podem estar postos. Ouvi também membros da comunidade que contestam a atuação política de Carlos, o sacerdote, amado, reconhecido, mas também polêmico. Ora ele é visto como autoritário e temido pela sua onipresença, ora interpretado como subversivo, ao se preocupar com crianças em situação de rua. Parte da elite mais tradicional diminui seu trabalho considerado como ‘maluco’, outra, mais lúcida, investe em suas iniciativas. No cenário nacional, passa a ser reconhecido pelo ineditismo dos projetos educacionais propostos, que contemplavam oficinas artesanais, associadas aos cursos profissionalizantes. Parte da Igreja o apoiou, mas suas escolhas e audácia acabaram provocando a ira de quem não aceitava atitudes mais arrojadas. Quem foi esse sacerdote que, juntamente com a professora Maria, obteve apoio significativo da elite local, regional e nacional, como também o apoio e o reconhecimento dos grupos populares pelo trabalho realizado, via ensino profissionalizante, na cidade de Poços de Caldas?

Acima, Padre Carlos como fotógrafo. Década de 1950. Ao lado, Padre Carlos no campo de aviação, em Poços de Caldas. Década de 1950.

Afinal, quais seriam os motivos de tantas interpretações e críticas sobre o trabalho realizado pelos fundadores da EDB? Roberto Campos na obra “Lanterna na Popa”, no capítulo referente às suas memórias, traz considerações que podem traduzir a polêmica que acompanhou suas vidas em alguns momentos. Colega de Seminário de Padre Carlos e reconhecendo sua produção intelectual, como também a importância da obra social que criara, esse autor interpela criticamente o Bispo da Diocese de Guaxupé sobre a não ascensão de Padre Carlos nos quadros da Igreja. O clérigo responde, argumentando com questões que a Igreja não poderia tolerar: sua proximidade com as propostas sociais comunistas, suas escolhas pessoais que muitas vezes traziam dúbias interpretações. Ressalta, enfim, a maior dificuldade da Igreja em aceitar seus questionamentos: os referentes a sua fé (CAMPOS, 1994).

Em outros termos, Padre Carlos, muitas vezes, foi severamente questionado pela elite, como simpatizante do comunismo, por ser crítico das desigualdades sociais existentes no país e, desse modo, sua fé e obediência à doutrina católica foram contestadas em alguns momentos pelos segmentos mais conservadores da Igreja.

Sua obra educacional teve como modelo a ser seguido os pressupostos teóricos de Dom Bosco. Comungando com os preceitos sócios – educativos: ciência, trabalho e oração, ele organizou toda a prática educacional disseminada pela EDB. Mergulhei, atentamente, na leitura de suas produções intelectuais, muitas delas ainda não publicadas ou divulgadas, como também no conteúdo de suas entrevistas para tentar levantar e compreender suas principais convicções.

Em um final de tarde ensolarado, sentado sob uma janela de vidros amplos, confidenciou- me algumas de suas angústias. Lembro-me da voz firme, mas também suave referindo-se à sua companheira de trabalho, com o relato de uma situação de conflito:

“Certo dia, contrariada com situações desagradáveis que, às vezes, aconteciam conosco, Maria chamou-me dizendo que gostaria de se retirar da escola. Primeiramente, tentei conversar sobre quais motivos estavam levando-o a tomar tal atitude. Com muito cuidado, respeitando suas angústias, disse a ela que, sem dúvida a apoiaria em qualquer decisão e a ajudaria inclusive financeiramente. Somente fiz um pedido a ela: -Tudo bem Maria, somente te peço que não nos encontremos nunca mais, pois caso nos depararmos em alguma esquina, com certeza, construiremos uma outra Escola Dom Bosco”.

Esse desabafo bem traduz as dificuldades que vivenciaram Carlos e Maria na construção da Escola Dom Bosco. Companheiros, desde os tempos de infância, ambos provenientes de famílias pertencentes aos grupos populares, dedicaram grande parte de suas vidas à consolidação de uma escola profissionalizante, que marcou a vida de meninos e meninas também nascidos em famílias de baixa renda.

Carlos, nascido em Poços de Caldas, em 1914, obtinha de seu pai, um reconhecido sapateiro, atitudes de companheirismo e cumplicidade nas suas decisões, embora o genitor não fosse católico praticante. Já, sua mãe, dona de casa e católica fervorosa, cumpriu o papel de mulher fiel à família e às suas opções de uma vida baseada na religiosidade.

Desde os tempos de meninice, demonstrou interesse pelo sacerdócio. Foi sua a iniciativa de recorrer ao bispo e solicitar sua ida ao seminário.

“Não é difícil falar sobre minha vida e a opção pelo sacerdócio, mas é muita coisa longa, porque eu sou nascido e criado aqui. Criado, assim, porque aos 11 anos eu pedi ao meu Bispo, eu era Coroinha na Matriz, eu fui lá, numa das vezes, que ele veio a Poços: Dom Ranulfo da Silva Farias. Ele queria muito bem a gente. E ele vinha muito a Poços. Numa das vindas dele, lá na Casa Paroquial, que era ao lado da Igreja Basílica, eu fui falar com ele. Ele estava no segundo andar, lá em cima na sala de estar, sentado numa dessas cadeiras de vime, de balanço, pedi licença, entrei e ele me disse:

-O que é que você quer, Carlinhos?

Porque os meninos me chamavam no diminutivo. Ele já tinha prestado atenção em como é que os meninos me chamavam e me chamou do mesmo jeito.

-Bispo, eu quero pedir uma coisa para o senhor. E ele falou:

-Pode falar. O que você quer? -Seu Bispo, eu queria ser padre. Ele disse para mim:

-Carlinhos você quer ser padre para ganhar dinheiro? -Não, senhor!

-Por que é que você quer ser padre? Eu disse, num estalo, assim:

“Minha história e a história da Escola se confundem.” Padre Carlos. Década de 1950. Fonte: Memorial Padre Carlos.

Ele olhou para mim, sorriu e disse:

-Fale com o padre Faria. Diga-lhe que você quer ir para o seminário.

Eu desci de lá feito uma bala! Alegre, e contando para todo mundo, havia mais uns oito coroinhas. Eu falei com o padre Faria, que depois veio a ser Vigário em Poços de Caldas, Tinha 11 anos! Eu fui para o seminário. Eu sou de 1914, isso foi em 1925.

Eu falei lá com os meus pais, ficaram muito alegres com a idéia e o Monsenhor conseguiu para mim a lista do enxoval. O que precisava ter para entrar no seminário. Era uma exigência, um negócio complicado! O seminário era pobre, a gente tinha que levar tudo. E não sei que esforço meu pai fez, porque era um “senhor” enxoval. Até há pouco tempo eu tinha a mala! Até a mala precisava compra.

Essas malas, com um nome diferente, “mala cabine”. Era uma “senhora” mala, que eu cabia deitado dentro dela! E o papai foi comprando... E no dia 09 de Fevereiro de 1926, a data eu não esqueci, meu pai me levou para Guaxupé. Chegando em Guaxupé, um casarão enorme, no fim da rua. Um casarão grande, cheio de colunas, dava idéia de uma casa mal assombrada, sozinha, isolada, lá no fim da cidade. Cheguei lá, encontrei alguns seminaristas que já estavam chegando e logo me relacionei com eles e, no dia seguinte, dia 10 de fevereiro, fui matriculado e, aí, foi aí o princípio da minha carreira.

O meu pai não era de prática religiosa não. Era um homem bom, correto. Trabalhador para “danar” e fez nossa vontade, ele nunca contrariou a vontade dos filhos não. Nós éramos em quatro homens em casa.

O papai tinha uma profissão muito boa, mas para o tempo dele. Ele era sapateiro, especialista em sapatos de senhoras. Dizem os entendidos que ele era um verdadeiro ‘exper’t. Ele era muito simples, porque ele não teve instrução, tinha o terceiro ano primário, talvez o quarto. Pessoa simples, mas responsável, sempre educou os quatro moleques num regime de muita serenidade. E, quando manifestei a vontade, ele fez um esforço grande, eu penso. Para poder comprar aquela quantidade de coisas que eram pedidas. Mas lá no seminário, me receberam muito bem. Os seminaristas eram poucos naquela ocasião. Somando todos, maiores e menores, eram trinta”. (20.10.1999)

No ano de 1926, ingressou no Seminário em Guaxupé, município situado ao sul do Estado de Minas Gerais, onde permaneceu até 1933. Depois de sua ordenação foi convocado para a paróquia de uma cidade próxima a Poços de Caldas, Divisa Nova. Durante este período sempre gostou de estar junto aos jovens e crianças e através da música, aproximava-os das atividades da Igreja.

Em 1941, foi transferido para Poços de Caldas, para exercer a função de capelão do Asilo São Vicente de Paula e da Santa Casa de Misericórdia.

Diante das condições sócio - econômicas da cidade, durante o final da década de quarenta, quando um número muito grande de crianças e jovens buscavam nas ruas da cidade recursos para sobreviverem, juntamente com a professora Maria Figueiredo, começou a oferecer a alguns destes meninos aulas noturnas e atividades para que desenvolvessem suas habilidades manuais.

As histórias de suas vidas, a partir de então, ficaram entrelaçadas com as histórias da Escola Dom Bosco.

Maria Aparecida Figueiredo49 nasceu em 15 de fevereiro de 1918, filha de Jovino e Ottorina Figueiredo, mas ficou órfã precocemente. Conheceu Carlos desde os tempos de infância, visto a proximidade de suas famílias. Em 1946, morava como pensionista do Asilo São Vicente de Paula, quando, a pedido do padre, começou a ministrar aulas de pintura para alguns meninos que faziam parte do grupo conhecido como “Os Anjos da Cara Suja”.

Sempre orientou sua vida por princípios religiosos o que a aproximou das propostas filosóficas educacionais de São João Bosco. Constantemente cúmplice das investidas de Padre Carlos, visando a educação de crianças e jovens em situação de risco social, tornou-se co-autora do projeto educacional da Escola Dom Bosco.

“Ao lado de Padre Carlos, lidava com números, planos, pessoas, criando modernizando, enfim arquitetando seus sonhos possíveis. Segundo Padre Carlos, ela era a cabeça da escola, dotada de uma inteligência criativa, idealista, incansável. Difícil de defini-la, tinha uma santa teimosia e por causa dela conseguia milagres. Quando ele falava para ela que uma tal coisa tinha que ser feita, ela, com um papelzinho na mão, dizia para ele que não se preocupasse, porque já tinha conseguido tudo”.50

Nas palavras de Ethel Manucci, professora aposentada de artes industriais da Escola Dom Bosco, fica registrada a importância da participação de Maria nas práticas pedagógicas, na administração dos recursos da escola, assim como na organização das oficinas:

49 Informações obtidas através das entrevistas realizadas com Padre Carlos, ex-alunos, ex-professores e familiares. 50 Personalidades do Século – De Ontem e Hoje – Homens e Mulheres que fizeram a história de Poços de Caldas no século XX. Poços de Caldas, MG: Editora Brand News LTDA, 2000, p. 50.

Dona Maria Figueiredo com amigas. Da esquerda para a direita vê-se: Jurema, Dona Maria e Leonor Villa. Década de 1960. Fotógrafo: Padre Carlos.

Fonte: Memorial Padre Carlos.

“Era muito bom trabalhar com a Dona Maria. Ela era muito positiva e exigente, $mas ela sabia ouvir, geralmente nos dava razão. Nunca dizia categoricamente um não, procurava estudar os problemas de uma forma coletiva. Muito dedicada! Podemos dizer que sem ela a escola não teria alcançado o que é hoje.

A orientadora pedagógica da escola foi a Olga Monteiro, neste período e a Maria supervisionava tudo. Mesmo a Olga, quando tinha que tomar uma decisão maior, sempre discutia com o padre e a Maria. Maria, sempre muito lúcida, tinha suas

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