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Casa do Sr Augusto Cruz, Braga, 1928-29 (Vd pp 358, 2º Vol.)

III Obras de Arquitectura

A- Paços do Concelho e outros Equipamentos Municipais A.1 Paços do Concelho de Fafe, 1907-1913 (Vd pp 249-261, 2º Vol.)

B.3. CUF – Companhia União Fabril, Braga, c 1916 – interior alterado (Vd p 313, 2º Vol.)

7. Habitação, Prédios de Rendimento e Casas Económicas

7.9. Casa do Sr Augusto Cruz, Braga, 1928-29 (Vd pp 358, 2º Vol.)

Ainda na Rua de S. Vicente, em frente à Rua Júlio de Lima, Moura Coutinho foi o responsável por um projecto de uma casa estreita para o Sr. Augusto Cruz, que possuindo aí uma casa a vai demolir, para a construção de uma nova, em 1928.532

A casa é composta por três pisos, com grandes aberturas, ocupando toda a frente da casa, pois como era estreita e comprida receberia pouca luz directa. No r/c tinha um escritório e espaço de circulação; no 1º andar a cozinha, sala de jantar e sala de estar; no 2º andar dois quartos e WC.

Exteriormente enquadra-se no gosto decorativo das casas do lado poente da Rua de Júlio de Lima, estando em construção na mesma altura, terminando a obra em 1929.

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Conclusão

Moura Coutinho chega a Braga ainda muito jovem, aos 17 anos vai trabalhar na Direcção das Obras Públicas, sob a alçada do seu tio Bento Fortunato de Moura Coutinho de Almeida d’Eça, fazendo algumas amizades que durarão a vida toda, como com Ernesto Korrodi, professor de desenho industrial. Tendo concluído os seus estudos académicos ao nível do secundário, por força da morte do seu pai, do tio-avô com o mesmo nome que o seu (que foi reitor do Liceu de Aveiro), e do seu tio-padrasto, a vida e a experiência nas Direcções das Obras Públicas permitiu-lhe uma aprendizagem tanto mais acelerada quanto o era a sua curiosidade e interesse pela História, pela Arte e pela Arquitectura.

A sua família materna era de Esgueira, Aveiro, e a família paterna de Coimbra, cidade que sempre manterá como exemplo quando dele precisa, nas coisas relativas à arquitectura, ao urbanismo e às belezas naturais. Reuniu sobre esta cidade vasta bibliografia, o que demonstra não apenas o seu interesse científico e artístico, mas o seu amor pela cidade.

Mas será em Braga que inicia a vida adulta de trabalho, e a onde regressou depois de uma curta saída, para só voltar a deixá-la com a sua morte, pois quis ser sepultado em Coimbra.

Responsável por um elevado número de obras arquitectónicas e urbanísticas em Braga, Moura Coutinho, ainda lembrado por muitos, mas já esquecido por alguns, dedicou grande parte da sua vida a esta cidade, dotando-a de uma razoável quantidade de equipamentos, na sua grande maioria de elevada qualidade arquitectónica, construtiva e estética. Pena é que alguns tenham já desaparecido e outros para lá caminhem, se a consciência da cidade não for alertada para a sua preservação e memória.

Se a grande maioria dos seus trabalhos está em Braga, outras vilas e cidades puderam beneficiar também do seu labor contínuo e do seu interesse pelo que ao que às cidades diz respeito – as suas ruas e circulação, os fluxos de entrada e saída de gentes e mercadorias, aos seus equipamentos sociais e de assistência, culturais e de lazer, de trabalho e de habitação.

A variedade de tipologias em que se moveu permitiu-nos fazer um levantamento exaustivo, mas não esgotado, do seu inventário arquitectónico, ficando no que ao urbanismo diz respeito muito ainda para investigar, permitindo por si só um estudo que em muito enriqueceria o conhecimento sobre a cidade de Braga, pois dela e para ela muito falou, escreveu e projectou.

Não sendo formado academicamente como arquitecto isso não o impediu de se aventurar na arte de construir, aprendizagem feita desde cedo nas Obras Públicas, nas viagens e nas leituras atentas, e muitas vezes citadas, daqueles que considerou como seus mestres e mentores. Escrevia muito, e escrever é uma forma de pensar e estudar, porque mais reflexiva que a oralidade permite também fixar

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as ideias para puderem ser discutidas e até refutadas. Como as controvérsias com Manuel Monteiro relativamente à interpretação do estilo da Capela de S. Frutuoso de Montélios, visigótica para Moura Coutinho, versus Moçárabe, para Manuel Monteiro. As opiniões de ambos travavam-se nos jornais, através de artigos e cartas, de forma a ser acompanhada e angariar adeptos ora de um ora de outro. Este é um dos seus trabalhos que exige um estudo aprofundado, que aqui o não pudemos desenvolver, por ir além do âmbito do que nos propusemos fazer.

O estudo da sua obra arquitectónica, e a leitura do que escrevia ou descrevia sobre os seus e outros edifícios, permite-nos fazer um juízo de valor relativamente ao seu conceito de arquitectura, baseada no reconhecimento dos estilos e do vocabulário formal. A ideia de arquitectura como linguagem, na maior parte das vezes, uma linguagem inspirada em modelos históricos de valor comprovado, adaptando-o às novas circunstâncias e gostos que a sua clientela acompanhava e queria.

Esta ideia de arquitectura, também enquanto forma plástica e decorativa, que caracterizou um período relevante da história da arquitectura do final do século XIX, início do século XX, marcou a sua primeira fase de trabalho até meados da década de 1920, para pouco a pouco procurar uma outra linguagem, menos carregada de símbolos e mais adepta das novas linguagens de raiz abstractizante e geométrica. Recorreu a novos modelos de inspiração e conhecimento, na procura da transição da tradição para a inovação, como por exemplo as citações que faz de Le Corbusier, quanto a conceitos de carácter urbanístico.

A investigação levada a cabo permitiu avaliar as repercussões em Braga, não apenas nas obras que deixou, mas na influência noutros arquitectos e condutores de obra que se lhe seguiram. Este será com certeza um estudo que muito contribuirá para o entendimento das escolhas arquitectónicas da cidade, quer naqueles que o seguiram, quer nos que se lhe opuseram. Deixamos o repto de uma possível investigação comparativa entre outros artistas que trabalharam em simultâneo, ou no encalço do seu trabalho.

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Bibliografia e Fontes