1. Caracterização Geográfica e Administrativa – A Vila de Cascais
5.11 Casa Luís Augusto Perestrelo de Vasconcelos
Casa Luís Augusto Perestrelo de Vasconcelos. Fonte: Colecção Particular.
O Palacete de Luís Augusto Perestrelo de Vasconcelos (1822-1907), 1º Visconde de São Torquato (http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=55165). [Consultado a 03/05/2012], conselheiro do Rei D. Carlos, confronta com a Casa de Francisco Trindade Baptista e está também situada frente ao Portão de Armas da Cidadela, na Avenida D. Carlos I.
A sua construção data de 1899. Como a anterior, a de Francisco Trindade Baptista é considerada, de igual modo, um edifício de excepção, pertencendo assim ao conjunto de casas cascalenses de veraneio, construídas no final do século XIX (Henriques, 2004, p. 122).
Na descrição da casa, de José Quintão, lê-se:
(…) Paredes meias com a anterior, assimetriza a fachada, num só plano, com a abertura da porta principal colocada num dos seus extremos, junto à Casa Trindade Baptista. A composição desta indicação da entrada principal evoca um torreão, contraposto à composição planar dos restantes três vãos. As janelas do rés-do-chão são enquadradas por quatro colunas que suportam uma sacada corrida, com a mesma característica de delgadeza das da casa vizinha. É de realçar que essas quatro colunas são afastadas da parede, conferindo tridimensionalidade acentuada à fachada. O sótão abre-se em quatro
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janelas, quais edículas, ‘encastoadas’ em molduras excêntricas, de um gosto ‘pós-barroco’. (Monumentos
Nº 31, 2011, pp. 19-20).
Nos anos 40 do século XX, aqui passava férias a Condessa de Sabugosa e, no tempo do Rei D. Carlos, o ministro João Franco (Alcaide, Fundão, 1855-1929). (Colaço, Archer, 1999, p. 342).
Presentemente, uma área a visitar é a Cidadela de Cascais, que inclui a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, a Torre Fortificada de Cascais (Torre de Santo António) e o Palácio Real. O acesso ao recinto interior da Cidadela faz-se pelo Portão de Armas. Para visitar apenas o Palácio, o acesso faz-se pelo lado do Passeio Maria Pia.
Este conjunto considerado como monumento, insere-se na categoria de Arquitectura Militar / Cidadela e Imóvel de Interesse Público (IIP), abrangido por ZEP (Zona Especial de Protecção) ou ZP (Zona de Protecção). (Catarina Oliveira (2007).
Cidadela de Cascais, incluindo a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz e a torre fortificada de Cascais [on line]. Disponível em
http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/74730/).
[Consultado a 03/02/2012].
A Cidadela de Cascais evoluiu a partir da Torre Fortificada, chamada de Santo António, da autoria de Pêro Anes, mandada edificar cerca de 1488, no reinado de D. João II, com o intuito de precaver os constantes ataques da pirataria inglesa, francesa e moura. (Catarina Oliveira, idem).
Em 1589, Filipe II de Espanha, a fim de acautelar uma possível invasão inglesa, ordenou a construção de uma fortaleza abaluartada, que aproveitou a anterior estrutura da torre, reforçando assim não só a defesa da baía de Cascais mas também a da barra do Tejo. (Catarina Oliveira, idem).
Já no reinado de D. João IV, em 1641, prevendo-se a Guerra da Restauração foi ordenada a construção de um forte, a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz. Os planos da obra foram entregues, em primeira mão a Simão Mateus, substituído pouco tempo depois por Philipe Guitau, seguido do Jesuíta, João Cosmander. (Catarina Oliveira,
idem).
Ainda no mesmo reinado, em 1650, a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz recebeu nova restruturação e o seu espaço largamente ampliado transformou-se em Cidadela, aumentando significativamente a capacidade defensiva, na baía de Cascais.
74 Da antiga fortaleza foram aproveitadas as baterias e o revelim, que passaram a ser utilizados quase só como armazém da recém-construída Cidadela. A obra foi entregue a Nicolau de Langres. (Catarina Oliveira, idem).
Em 1870, no reinado de D. Luís, a Casa do Governador Militar, inserida no interior da Cidadela, foi adaptada pelo arquitecto da Casa Real, Joaquim Possidónio da Silva62 e pelo mestre-de-obras, Frederico Augusto Ribeiro63, a residência de Verão para a Família Real. Neste Paço Real faleceu D. Luís, a 19 de Outubro de 188964. (Vaz, 2011, p. 17).
Após a Implantação da República, em 1910, as edificações da Cidadela foram entregues ao Estado-Maior do Exército e a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz ao Estado-Maior da Armada, tendo funcionado como posto semafórico, estação dos correios, armazém, escola de pesca e, até 1993, como Estação Rádio Naval. O Paço Real tornou-se residência do Presidente da República. (Vaz, 2011, p. 17).
Simultaneamente, o espaço foi sendo ocupado por diversas unidades militares. A última Unidade do Exército ali instalada foi o CIAAC (Centro de Instrução de Artilharia Antiaérea de Cascais).
A 1 de Junho de 1992, parte do imóvel ficou afecto ao Instituto Português do Património Arquitectónico e, por fim, a 13 de Maio de 2009, o edifício foi concessionado ao grupo Pestana por 63 anos. (Paula Noé. Cidadela de Cascais,
incluindo a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz e a Torre Fortificada [on line].
Disponível em http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=6052). [Consultado a 07/02/2012].
Actualmente, o espaço da Cidadela de Cascais contempla diversas estruturas turísticas no seu interior, como: o Palácio da Cidadela, a Pousada Histórica de Cascais e como espaços de lazer, o “Restaurante A Taberna da Praça” (gastronomia portuguesa), o “CC Club”, um espaço de animação e música, lojas e espaços para eventos.
Após o restauro, o Palácio da Cidadela abriu ao público em 2011. A visita demora cerca de uma hora e meia. No seu interior temos ensejo de experienciar salas repletas de vivências históricas, relacionadas com o Rei D. Luís e D. Maria Pia de
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Dados biográficos de Joaquim Possidónio da Silva em ANEXO XI – Ficha Casa Luís Augusto Perestrelo de Vasconcelos.
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Dados biográficos de Frederico Augusto Ribeiro, idem.
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75 Sabóia, D. Carlos e a Rainha D. Amélia e com alguns Chefes de Estado que, por vicissitudes várias, o habitaram durante os seus mandatos, adaptando-o às suas necessidades, como: o Presidente Manuel de Arriaga, o Presidente Carmona de 1928 a 1945, o Presidente Craveiro Lopes, no início do seu mandato, entre outros. (Palácio da
Cidadela de Cascais, 2011, p. 11). Das inúmeras salas do Palácio destacam-se: o Salão
Nobre, o Quarto de Dormir e de Vestir do Rei D. Luís, a Sala de Jantar e a Sala de Bilhar, o Terraço (Salão de Inverno ou de Vidro), Salas Azul, Rosa e Cinza, Quarto de Vestir do Rei D. Carlos e a Capela de Nossa Senhora da Vitória65.
A Pousada Histórica de Cascais pertence ao Grupo Pestana e está também inserida no perímetro da Cidadela. É a maior pousada em Portugal, possuindo 108 quartos e 8 suites, foi inaugurada a 18 de Março de 2012. O projecto de adaptação foi da autoria dos arquitectos Gonçalo Byrne e David Sinclair.
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