FONTE:Coleção Projeto Memória
Foi um período de grande desenvolvimento para a cidade, com um intenso movimento social e comercial de produtores que se dirigiam até a mesma para vender sua produção, dando uma vida relativamente intensa para a área. A cidade mantinha contínuas relações comerciais com os centros mais próximos, mas também com São Paulo. As possibilidades fornecidas pela lavoura do café, permitiram que em São Luiz do Paraitinga se formasse não só um escol financeiro mas também cultural.
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Com o seu crescimento, a administração pública procurava construir e conservar a cidade limpa e em ordem:
“Em edital de 21 de agosto de 1916 a prefeitura proibia, expressamente, atirar lixos e matérias pútridas nas zonas da cidade; outrossim, solicitava a todos os proprietários de prédios que caiassem seus imóveis, as frentes de seus prédios, janelas, portas, paredes ou muros. No ano seguinte, o delegado de polícia comunicava que exercia severa repressão à vagabundagem e que, só aos domingos seria permitido aos pobres pedirem esmolas, e mesmo assim, com prévia licença por escrito (...)” (Petrone, 1959, p.82).
Vinculada a todas estas transformações em sua economia, a evolução da população do município se trata de um bom índice para explicitar as fases econômicas, mais ou menos prósperas, pelo qual passou o mesmo até os anos de 1950. A análise da tabela 1 nos permite afirmar o quanto a população cresceu de forma regular a partir de 1836, atingindo o máximo em 1900, a partir do qual começou a diminuir. O grande crescimento da população entre os anos de 1836 a 1900 estava ligado a economia do café, que atraiu um grande número de pessoas para trabalhar nas fazendas produtoras.
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Tabela 1: Evolução da população total de São Luiz do Paraitinga: 1836 - 1950
ANO POPULAÇÃO TOTAL
1836 6.296 1854 10.393 1874 13.894 1886 17.368 1900 29.535 1920 25.166 1934 20.367 1940 11.127 1950 14.547 FONTE: Petrone, 1959, p.32
OBS: Na contagem da população entre 1836 – 1886 não estão incluídos os escravos existentes.
As transformações nas relações econômico-sociais vindas com a economia do café, geraram profundas mudanças, tanto na produção agrícola como nas atividades urbanas do município. O café se tornou a cultura mais importante da região e seu período de esplendor durou até 1918, pois como em todos os locais em que foi cultivado por meio de técnicas rudimentares, o seu cultivo levou o solo à exaustão. Os
rendimentos baixaram continuadamente, as crises econômicas sucederam-se, até que, em 1918, a grande geada que afetou toda a cafeicultura, veio contribuir em definitivo para a decadência da lavoura cafeeira em São Luiz” (Petrone, 1959, p.19).
A inserção de São Luiz do Paraitinga no sistema econômico do Vale do Paraíba, como caminho obrigatório e produtor de gêneros básicos, garantiu um período de estabilidade, embora de curta duração, na medida em que a lavoura cafeeira foi deslocada para o interior e Oeste Paulista73. Com a conseqüente decadência dos portos do litoral Norte de São Paulo, principalmente o de Ubatuba, associada a construção da estrada de ferro D. Pedro II, a famosa Central do Brasil, em fins do século XIX, São Luiz do Paraitinga entrou num imobilismo econômico, pois ficou localizado fora do eixo de escoamento da produção do Vale.
“Assim, a cidade ficou reduzida novamente as relações locais de subsistência, uma vez cortada sua principal função econômica e fator de crescimento, o que, por outro lado garantiu a sobrevivência do magnífico acervo arquitetônico de que hoje dispõe” (Governo do Estado de São Paulo, 1982, p.13).
Mediante esta conjuntura de fortes transformações, passando pela alteração das relações sociais, dificuldades para escoamento da produção, desgaste do solo explicando uma diminuição progressiva de produtividade, diminuição da população total, entre outras, rapidamente a cultura cafeeira entrava em forte declínio. A queda na produção de café do município foi muito grande entre os anos de 1912 e 1922, sendo abandonados aproximadamente 1.200.000 pés de café. A decadência prosseguiu implicando na erradicação de outros cafezais, até que a grande crise econômica de 1929
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Vale lembrar também que a produção de café em São Luiz do Paraitinga estava apoiada na mão de obra escrava, e com a abolição da escravidão, em 1888, muitos fazendeiros entraram em decadência. “Com a Abolição, numerosos fazendeiros do Vale do Paraíba viram-se definitivamente arruinados. Um sem número de propriedades ao longo do Vale foram abandonadas. Os ex-escravos, recém-libertados, negavam-se a continuar no mesmo local. E esta situação tornava-se ainda mais grave no Vale do Paraíba, pois, às vésperas da abolição, muitos fazendeiros arruinados possuíam como única riqueza os seus escravos que chegavam a representar 75% de seu patrimônio” (Cardoso, 1991, p.l07).
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encerrou definitivamente esta produção em São Luiz do Paraitinga, sendo os poucos cafezais que restaram destruídos gradativamente (Petrone, 1959).
A economia do café deixou muitas marcas na paisagem da região, modificando radicalmente os aspectos paisagísticos da área.
“Alinhando-se nas encostas mais ou menos íngremes substituiu algumas vezes culturas anuais, como o milho, ou eliminou capoeiras, indício do caráter itinerante da antiga lavoura branca. O fato mais importante é que o café acelerou a destruição das matas, em busca de solos mais ricos” (Petrone, 1959, p.21).
Entre os anos de 1912 e 1922, a produção de café em São Luiz do Paraitinga encontrava-se bastante oscilante, mas com forte tendência ao declínio. Por outro lado, a riqueza oriunda com a economia do café transformou profundamente a paisagem da área e motivou o aparecimento das ricas sedes das fazendas (seqüência de fotos de 43 a 47) e de sobrados na cidade.
A humilde e tosca casa de pau-a-pique do agricultor foi substituída por sedes amplas de um ou dois pavimentos e numerosas dependências. As instalações mais complexas de uma fazenda de café substituíram o paiol e o chiqueiro. Surgiram os grandes terreiros e a senzala, depósitos e instalações para beneficiamento do produto, telheiros para carros e cercados para os animais. “Nos pastos que hoje em dia cobrem a
maior parte da superfície é comum reconhecerem-se as marcas alinhadas deixadas pelas plantas que desapareceram” (Petrone, 1959, p.22).