• Nenhum resultado encontrado

CASE 2 EMPREENDEDORISMO PARA ONGS – AMBEV

O segundo case tem como ODS principal Parcerias e Meios de Implementação, porém abrange também os objetivos erradicação da pobreza, educação de qualidade e emprego digno e crescimento econômico. O projeto se chama VOA, é organizado pela cervejaria Ambev e possui abrangência nacional. O programa é voltado para Organizações não-governamentais (ONGs), focado em capacitação em gestão e mentoria com funcionários voluntários.

A grande contribuição de diversas ONGs no combate aos problemas sociais do país muitas vezes se choca na falta de recursos e conhecimento dessas organizações para administrar suas atividades. Com isso, muitas iniciativas importantes, com potencial de mudar as vidas de pessoas em situação de vulnerabilidade, acabam tendo um raio de ação menor do que o desejado. Dessa forma, a Cervejaria Ambev desenvolveu o projeto VOA, que busca incentivar a adoção de ferramentas, métodos e processos de empreendedorismo por ONGs para permitir que suas ações tenham um impacto mais expressivo e atinjam um universo maior de pessoas.

O programa consiste em um curso em gestão com conteúdo sobre orçamento, planejamento estratégico, captação de recursos, metas e indicadores, que é ofertado gratuitamente às ONGs. Ao longo do ano, são realizados encontros presenciais, divididos em módulos, nos quais são baseados no modelo que a Ambev desenvolveu e que é aplicado no dia a dia. O VOA conta com a mentoria de funcionários da companhia, que “adotam” participantes do projeto e compartilham seus conhecimentos com as ONGs.

Como resultado, ao longo do ano de 2018, mais de 700 funcionários da Ambev se voluntariaram para atuar no programa – um grupo composto por colaboradores de todas as áreas da empresa, incluindo vice-presidentes, diretores, gerentes e o CEO Bernardo Paiva. No total, esses funcionários dedicaram mais de 12 mil horas – o que equivaleria a quase R$ 12 milhões em consultoria, levando-se em conta a remuneração média de um profissional dessa área no mercado brasileiro. Além de contribuir para alavancar a atuação das ONGs participantes, o VOA também estimula nos colaboradores da Ambev o engajamento com o trabalho voluntário.

Mais de 2 mil organizações não-governamentais se interessaram pelo VOA, desse total foram selecionadas para participar 185 ONGs – cujas atividades impactam sobre um universo de 2

milhões de pessoas. Ao término, essas organizações apresentaram um projeto prático baseado no aprendizado recebido, e a melhor iniciativa do ano – a do Instituto Pró-Saber SP – recebeu apoio financeiro para sua atuação junto às crianças da comunidade de Paraisópolis, em São Paulo (SP).

6.3 CASE 3 - GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS - KLABIN

O terceiro case tem como ODS principal cidades e comunidades sustentáveis, porém, abrange também os objetivos água limpa e saneamento, consumo e produção responsáveis e parcerias e meios de implementação. O projeto é chamado Programa de Resíduos Sólidos, organizado pela empresa Kablin com abrangência na região sul do Brasil.

O Programa de Resíduos Sólidos tem como objetivo contribuir para que cooperativas e associações de municípios se adequem aos requisitos da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Por meio dessa iniciativa, a empresa envolve setores da gestão municipal e os catadores de lixo locais na discussão do assunto, disseminando o conhecimento e ajudando na qualificação e formalização das cooperativas e associações locais. Em paralelo, incentiva a geração de empregos, melhora a qualidade da coleta seletiva, eleva o volume de materiais recicláveis e amplia o grau de conscientização da sociedade com relação à educação ambiental.

O programa realiza um diagnóstico social, seguido da elaboração de um Plano Intermunicipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos – por meio do qual é possível viabilizar a captação de investimentos e doações com infraestrutura –, e um Programa de Educação Ambiental. A área de abrangência da iniciativa incluiu os municípios paranaenses de Imbaú, Ortigueira, Reserva, Tamarana, Telêmaco Borba e Tibagi, que juntos contam com uma população total de 175 mil habitantes.

Como resultado, ao longo do ano de 2018, o Programa de Resíduos Sólidos da Klabin possibilitou a implantação da coleta seletiva nas cidades Imbaú, Reserva e Tibagi. Era realizado o acompanhamento mensal em seis associações de catadores de materiais recicláveis, a fim de contribuir para elevar a produtividade das cooperativas. Foram doados uniformes e EPIs para quatro entidades representativas dos catadores.

As ações educacionais também tiveram destaque, com capacitações com 282 profissionais de educação de 65 escolas, a fim de permitir que eles abordem temas como reciclagem e destinação de resíduos sólidos em salas de aula. De forma mais lúdica, foi criada uma personagem para simbolizar a campanha, a Capitã Coleta, que protagonizou um gibi educativo e ganhou vida em

uma peça teatral destinada às crianças da região. Além disso, a iniciativa produziu o vídeo Seu lixo tem futuro, abordando a realidade dos catadores da região e as ações das entidades e cooperativas dos seis municípios.

7 CONCLUSÃO

Quanto ao objetivo deste trabalho, que foi analisar a utilização da responsabilidade social, a partir dos objetivos do desenvolvimento sustentável, visando o engajamento das empresas na promoção da agenda social da Organização das Nações Unidas, mediante do estudo de casos, conclui-se que em meio ao cenário global de mudanças e transformações e através dos encontros e debates em busca de avanços nas áreas sociais e ambientais, as empresas efetivamente se engajaram na agenda social promovida pela ONU por meio da responsabilidade social empresarial e assim promoveram de maneira consideravelmente assertiva programas buscando atingir os ODS.

Como foi visto, o conceito de responsabilidade social empresarial foi se modificando ao longo do tempo a partir dos avanços sociais, políticos e financeiros propiciados pela globalização. As discussões a respeito de valores e ética se iniciariam no âmbito familiar, mas logo chegaram as empresas. Dessa maneira, os gestores adotaram as novas políticas e repensaram os conceitos e aplicações da RSE. As novas abordagens da RSE chegaram em paralelo as mudanças que vinham ocorrendo no mundo, pois em dado momento as necessidades das empresas e da população eram outras.

Com a queda do muro de Berlim e fim do mundo bipolar as discussões a respeito das questões sexuais, igualdade de gênero e racismo tinham espaço e liberdade para serem debatidas, assim, saíram da família e explodiram pelo mundo. Para acompanhar esse debate a ONU lançou na década de 1990 a série de conferências para discutir esses temas e formar sua agenda social. Ao passar do tempo e com os progressos obtidos através de cada encontro os avanços foram surgindo timidamente, mas de uma maneira bastante importante.

Mesmo com todas as conquistas obtidas através das cúpulas, não foi o suficiente para ser percebido um progresso social e ambiental considerável, nem uma melhora na qualidade de vida da população, principalmente dos países subdesenvolvidos. Dessa maneira, a ONU dando continuidade à sua agenda e sempre progredindo nas questões sociais, lança os objetivos do desenvolvimento do milênio. Após quinze anos promove os objetivos do desenvolvimento sustentável, lançando as metas nas áreas sociais, econômicas e ambientais onde não conseguiu avanços consideráveis, contando com o engajamento das empresas para a promoção dos ODS.

Dessa maneira, pode-se ver que o conceito de responsabilidade social empresarial vem progredindo e se modificando ao longo do tempo buscando se ajustar as necessidades do momento. Acompanhando tudo isso, a Organização das Nações Unidas estrutura sua agenda social afim de

conciliar, acompanhar e promover os avanços sociais, ambientais e financeiros no planeta, sempre com o apoio e o engajamento das empresas no processo através da RSE.

Como sugestão para uma pesquisa futura, um estudo de caso onde seja aprofundado o assunto e verificado a real efetividade de um ou mais projetos promovidos pelas empresas. Poderá assim ser constatado as reais mudanças e as melhorais nas comunidades locais e grupos minoritários.

REFERÊNCIAS

ABRAMOVAY, Miriam. Uma conferência entre colchetes. Rio de Janeiro: Revista Estudos Feministas, IFCS/UERJ - PPCIS/UERJ, v. 3, n. 1, 1995. 212-218 p.

ALVES, José. A Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Social e os paradoxos de Copenhague. Brasília: Revista brasileira de política, 1997. 142-166 p.

ALVES, José. A Década das Conferências. Brasília: IBRI, 2001. 31-32 p.

ALVES, José. População, desenvolvimento e sustentabilidade: perspectivas para a CIPD pós-2014. São Paulo:Revista Brasileira de Estudos de População, vol.31, no.1, 2014. 219-223 p.

ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à Metodologia do Trabalho Científico. 10ª ed. São Paulo: Atlas, 2010. 117 p.

ASHLEY, Patrícia. Ética e responsabilidade social nos negócios. São Paulo: Saraiva, 2002. 66 p.

AZAMBUJA, Marcos. O Brasil e a Cidadania Empresarial. São Paulo: Jornal Valor Econômico, Ano 2, n. 244, 2001. 7-11 p.

BARROSO, Carmen. Metas de desenvolvimento do milênio, educação e igualdade de

gênero. São Paulo: Caderno de Pesquisa, v.34 n.123, 2004. 573-582 p.

BARTON, Carol. Global women’s movements at a crossroads: seeking definition, new alliances and greater impact. Socialism and Democracy. v. 18. USA: s.n., 2004. 151-184 p.

BAUMAN, Zygmunt. Globalização: As Consequências Humanas. Rio de Janeiro: Zahar, 1999. 9 p.

CANCLINI, Néstor. A Globalização Imaginada. São Paulo: luminuras, 2003. 10-19 p.

CERQUEIRA, Carla; CABECINHAS, Rosa. Políticas para a igualdade entre homens e mulheres nos media: da (inov)ação legislativa à mudança social. Portugal: Universidade do Minho, 2012.

CORRÊA, Sonia e SEN, Gita. Cairo + 5: no olho da tempestade. Rio de Janeiro: Observatório da Cidadania, 1999.

CORRÊA, Sonia; ALVES, José; JANNUZZI, Paulo. Direitos e saúde sexual e reprodutiva: marco teórico-conceitual e sistema de indicadores. Rio de Janeiro, Associação Brasileira de Estudos Populacionais, 2003. 37-38 p.

Disponível em:

<http://www.dhnet.org.br/direitos/sip/onu/a_pdf/onu_conferencias_texto.pdf.> Acesso em: 09 jun. 2019

DORNELLES, João. A Internacionalização dos Direitos Humanos. Rio de Janeiro: Faculdade de Direito de Campos, Ano IV, Nº 4 e Ano V, Nº 5 - 2003-2004. 180 p.

FRIEDMAN, M. The social Responsibility of Business is to Increase its Profits. New York Times Magazine, 1970.

GIDDENS, Anthony. Mundo em Descontrole. Rio de Janeiro: Record, 2000. 17 p.

GIL, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002. 44 p.

GIL, Antonio. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. São Paulo: Atlas, 2008. 27-57 p.

Grupo dos 77. Four decades of solidarity for the development of the South. New York, s.n., 2004. Disponível em: <www.g77.org/40/undpi.htm> Acesso em: 02 jul. 2019.

GUARNIERI, Tathiana. Os Direitos Das Mulheres No Contexto Internacional – Da Criação Da Onu (1945) À Conferência De Beijing (1995). Minas Gerais: Revista Eletrônica da Faculdade Metodista Granbery, 2010. Disponível em:

<http://re.granbery.edu.br/artigos/MzUx.pdf> Acesso em: 26 jun. 2019.

HELD, David e MCGREW, Anthony. Prós e Contras da Globalização. Rio de Janeiro: Zahar, 2001. 8 p.

HOBSBAWM, Erick. Era dos Extremos. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. 312 p.

INSTITUTO ETHOS DE EMPRESAS E RESPONSABILIDADE SOCIAL. Indicadores Ethos de Responsabilidade Social. São Paulo, Instituto Ethos, 2000. 13p.

JÚNIOR, Nelson. Cadernos Pólis, 2: Direitos humanos e políticas públicas. São Paulo: Instituto Pólis, 2001. 18 p.

KREITLON, Maria Priscila, A Ética nas Relações entre Empresas e Sociedade: Fundamentos Teóricos da Responsabilidade Social Empresarial. In: ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM

ADMINISTRAÇÃO, 2004, Curitiba. XXVIII, Curitiba: ENANPAD, 2004. 1-2 p.

LAFER, Celso. Dossiê Onu e Paz: A ONU e os direitos humanos. São Paulo: Estududos Avançados, vol.9 n.25, 1995.

LAGO, André. Estocolmo, Rio, Joanesburgo: o Brasil e a três conferências ambientais das Nações Unidas. Brasília: FUNAG, 2006. 48-49 p.

LIMA, Maria. Tradição e Inovação na Política Externa Brasileira. [S.l]: Working Paper n. 3, jul. 2010. Disponível em:

<http://www.plataformademocratica.org/Arquivos/Tradicao%20e%20Inovacao%20na%20Pol itica%20Externa%20Brasileira.pdf> Acesso em: 01 jun. 2019. 5 p.

MAUAD, Ana. A participação dos Governos Locais na Segunda Conferência das Nações Unidas Sobre Assentamentos Humanos (Habitat II) e Seus Desdobramentos

Internacionais e Nacionais. Brasília: UNB, 2011.

OKADO, Giovanni e QUINELLI, Larissa. Megatendências Mundiais 2030 E Os Objetivos De Desenvolvimento Sustentável (Ods): Uma Reflexão Preliminar Sobre A “Nova Agenda” Das Nações Unidas. Goiânia, 2016.

OLIVEIRA, Gilson. Uma Discussão Sobre o Conceito de Desenvolvimento. Curitiba: Ver. FAE v.5, n.2, 2002. 37-48 p.

Organização das Nações Unidas. Conferências Da ONU: O que se conseguiu graças a elas?. Publicação pelo Departamento de Informação Pública das Nações Unidas DPI/1825/, rev. 7, 1999.

Organização das Nações Unidas. Declaração e Programa de Ação de Viena. Viena, 1993.

Organização das Nações Unidas. Relatório Sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2015. Nova Iorque: Organização das Nações Unidas, 2015b.

Organização das Nações Unidas. Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 Para O Desenvolvimento Sustentável. Nova Iorque: Organização das Nações Unidas, 2015a. Disponível em: <www.un.org/ga/search/view_doc.asp?symbol=A/RES/70/1&Lang=E> Acesso em: 27 jun. 2019.

PARENTE, Temis e MIRANDA, Cynthia. Plataforma De Ação De Pequim, Avanços e Entraves Ao Gender Mainstreaming. v. 14, n. 1. Goias: OPSIS, 2014. 415-430 p.

PENA, Roberto Patrus Mundim. Ética, Responsabilidade Social e Business Ethics. 2003. Disponível em: <http://www.iceg.pucminas.br/apimec/nucleos/patrus1.pdf> Acesso em: 16 jun. 2019.

REZENDE, Maria. As metas socioeconômicas denominadas Objetivos de

Desenvolvimento do Milênio da ONU: os percalços de um projeto de combate à pobreza absoluta e à exclusão social. Toluca: Convergencia, vol.14 no.43, 2007.

RODRIGUES, Arlete. Desigualdades Socioespaciais – A Luta Pelo Direito À Cidade. v. 4, n. 6. Brasília: Cidades, 2007. 73-88 p.

ROMA, Julio. Os objetivos de desenvolvimento do milênio e sua transição para os objetivos de desenvolvimento sustentável. São Paulo: Ciência e Cultura. vol.71 no.1, 2019. SACHS, Ignacy. Desenvolvimento numa economia mundial liberalizada e globalizante: um desafio impossível?. vol.11 no.30. São Paulo: Estudos Avançados, 1997.

SANTOS, Fabiano, BORGES, Mariana. Poder de Agenda. Brasília: Enap, 2018. 18p.

VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1998. 44 – 46 p.

Documentos relacionados