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CAPÍTULO 4 – ESTUDOS DE CASO POR MEIO DE ANÁLISE DOCUMENTAL

4.1.5 Caso Cerro Chato IV, V, VI e Cerro dos Trindade

Conforme processo 48500.002360/2015-26 (VOLUME 1), disponível no site da ANEEL, a empresa Eólicas do Sul, proprietária dos parques eólicos Cerro Chato IV, V e VI e Cerros dos Trindade, em atendimento à Resolução Normativa nº 583/2013, formalizou junto a Agência o registro de ocorrência grave nos parques eólicos mencionados.

No dia 20/12/2014, entre 15:53h e 16:03h, foi verificada na região de Santana do Livramento - RS a ocorrência de evento climático caracterizado por rajadas de vento superiores a 200 km/h, que ocasionaram destruição na região, levando à queda de 8 aerogeradores dos referidos parques eólicos, conforme apresentado nas Figuras 4.1, 4.2 e 4.3.

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Figura 4.1: Turbina caída após rajada de vento (Foto 1).

Fonte: 48500.002360/2015-26 – Volume 1 (ANEEL).

Figura 4.2: Turbina caída após rajada de vento (Foto 2).

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Figura 4.3: Turbina caída após rajada de vento (Foto 3).

Fonte: 48500.002360/2015-26 – Volume 1 (ANEEL).

Após a ocorrência, a empresa Eólicas do Sul solicitou a suspensão da operação comercial de todos os aerogeradores do complexo eólico por 36 meses, inclusive de todas as outras 19 unidades que não caíram, pois teriam que passar por inspeção para avaliação de possíveis danos, inclusive em suas fundações.

Os parques eólicos haviam entrado em operação comercial no período de novembro 2013 a novembro de 2014 e o evento climático que derrubou 8 aerogeradores ocorreu em dezembro 2014. Por já estarem em operação comercial, este estudo de caso não se enquadraria no objetivo deste trabalho, que trata da identificação de riscos na etapa de implantação de parques eólicos. No entanto, além do evento climático poder ocorrer em qualquer etapa da vida de um parque eólico, inclusive durante sua construção, a implantação dos parques eólicos Cerro Chato IV, V, VI e Cerro dos Trindade representou um enorme desafio ao empreendedor, pois apresentou diversos fatores durante sua construção que contribuíram com a inviabilidade do projeto durante a etapa de operação e manutenção (O&M), sobretudo após a queda dos 8 aerogeradores, tornando-se, portanto, de grande relevância para este trabalho, conforme detalhado a seguir.

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O orçamento inicial do projeto previa investimentos totais de cerca de R$ 273 milhões. Para o projeto foram adquiridas turbinas modelo IWP 100 da fabricante IMPSA. O empreendedor esclarece que, no momento da aquisição das turbinas, a IMPSA detinha nota de crédito AA, fábrica no Brasil e havia sido a primeira fabricante de turbinas no Brasil a se adequar às novas regras do FINAME, exigidas pelo BNDES.

Os parques eólicos foram contratados no Ambiente de Contratação Livre (ACL) e a data para início da operação comercial era 01/01/2013. No entanto, ainda no segundo semestre de 2012, foram identificadas falhas no cumprimento das obrigações e qualidade dos serviços prestados e o empreendedor resolveu adotar ações mais interventivas, inclusive com a fiscalização e pagamento diretamente aos contratados, de forma a se evitar atrasos.

A IMPSA não cumpriu o cronograma contratado, o que causou a perda R$ 35 milhões em financiamentos que haviam sido contratados com o BNDES e não puderam ser sacados, sendo posteriormente cancelados.

Durante os anos de 2013 e 2014, o empreendedor negociou e assinou com a IMPSA, aditivos contratuais criando condições financeiras para que as obras tivessem continuidade e viessem a ser concluídas. Ainda assim, a IMPSA não cumpriu com suas obrigações contratuais e a Eólica Cerro Chato V foi entregue apenas em 16/05/2014 e a Cerro Chato VI apenas em 02/10/2014, quando deveriam entrar em operação em 01/01/2013.

Os atrasos da IMPSA, na implantação das usinas, obrigaram o empreendedor a comprar energia no ACL, para recomposição de lastro, nos anos de 2013, 2014 e 2015, incorrendo em despesas extraordinárias de aproximadamente R$ 173 milhões no período.

No balanço final da implantação das usinas Cerro Chato IV, V, VI e Cerro dos Trindade, foi contabilizado pelo empreendedor um sobrecusto de mais R$ 86 milhões em pagamentos realizados a toda a cadeia de fornecedores envolvida na construção dos parques eólicos. O empreendedor esclarece ainda que, a soma total dos prejuízos causados pela IMPSA, somando aqueles do complexo de Cerro Chato e de outro projeto, o Chuí, chegou a R$ 551 milhões.

Por causa de toda a dificuldade financeira pela qual passava a IMPSA, o empreendedor destaca ainda a queda na disponibilidade operacional das turbinas, já que não haviam peças de reposição e os funcionários da fabricante, responsáveis pela operação e manutenção, não

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estavam mais recebendo salários. O baixo rendimento de geração causou um passivo de mais de R$ 21 milhões pela energia não entregue pelos projetos.

Em dezembro de 2014, a IMPSA entrou em recuperação judicial, reconhecendo uma dívida de mais de R$ 3 bilhões. Logo em seguida, a IMPSA demitiu mais de 400 funcionários de sua fábrica em Pernambuco e encerrou, definitivamente, a prestação dos serviços de O&M, inclusive aqueles que eram prestados nos parques eólicos de Cerro Chato e Cerro dos Trindade. Diante disso, a empresa Eólicas do Sul contratou empresas independentes para elaboração de um diagnóstico sobre a possibilidade de continuidade da operação e manutenção das turbinas. A análise independente concluiu que não haveria viabilidade de outro fornecedor de serviços assumir o O&M dos aerogeradores, pois o software controlador das turbinas, bem como as peças de reposição são totalmente dependentes do fabricante IMPSA.

Após a decretação de falência pela Impsa e a suspensão das atividade de O&M, em dezembro 2014, ocorreu o fenômeno climático que provocou a quedas das 8 turbinas nos parques eólicos descritos. Durante a visita aos parques pelos peritos contratados pela seguradora, representantes da IMPSA informaram que a equipe de engenharia que havia trabalhado no desenvolvimento do aerogerador modelo IWP 100 já havia se desligado da empresa. Isso reforçou ainda mais a incapacidade de prestação de serviços de O&M pela IMPSA.

Em relação ao recebimento da indenização, o empreendedor explica que, em função da gravidade da ocorrência, a quantificação e a indenização da seguradora irá demandar muita discussão e que não devem ter uma resposta num prazo curto.

4.1.5.1 Categorias de riscos identificados no Estudo de Caso “Cerro Chato”

No estudo de Caso “Cerro Chato”, foram identificadas as seguintes categorias de riscos: aquisições, execução, econômico/financeiro, ocupacional, tecnológico, força maior.

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