5.3 EXPERIMENTOS E RESULTADOS
5.3.2 Caso Dinâmico
A simulação foi realizada por meio de 30 execuções de cada algoritmo (MRCLONALG e
heurísticas) com uma sequência de 100 contêineres a serem retirados e inseridos em quatro configurações de pilhas de armazenamento pesado geradas aleatoriamente (da mesma forma que no caso estático). Para a realização das simulações de teste e comparação de desempenho foram implementadas as heurísticas LS e RI apresentadas na Seção 2.3. A Tabela 5.3
14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 1 15 29 43 57 71 85 99 11 3 12 7 14 1 15 5 16 9 18 3 19 7 21 1 22 5 23 9 25 3 26 7 28 1 29 5 30 9 32 3 R e ar ran jos Média Menor
apresenta a quantidade média de rearranjos necessários no decorrer de 100 operações de retirada e inserção de contêineres nas pilhas de tamanho (6,5), (6,4), (6,3) e (6,2) contendo inicialmente e respectivamente 21, 17, 13 e 9 contêineres, valores que representam a utilização de 80% da capacidade de cada pilha.
Tabela 5.3: Média de rearranjos da simulação e média do tempo de execução para 30 execuções.
Média de rearranjos | Média de tempo de execução (seg) (c,f) = (6,5) (c,f) = (6,4) (c,f) = (6,3) (c,f) = (6,2) MRCLONALG 19,73 115,0 12,83 69,00 8,76 42,81 4,33 29,20
LS 29,93 0,005 13,90 0,004 9,03 0,003 5,06 0,001 RI 37,76 0,006 20,86 0,004 9,70 0,003 5,76 0,001
Para as pilhas nas quais f é igual a 2, 3 e 4 a quantidade mínima de rearranjos não apresentou grande variação entre os três algoritmos avaliados. Entretanto, para a pilha com 5 fileiras a quantidade de rearranjos apresentada pelas soluções do MRCLONALG é 34% menor
do que a apresentada pela heurística LS e 47% menor do que a apresentada pela heurística RI. Durante a simulação cada operação de entrada ou saída de um contêiner na pilha resultará em uma execução do algoritmo MRC. Dessa forma, é possível verificar quantos rearranjos seriam necessários para esvaziar a pilha nesses momentos. Com isso é possível analisar como a pilha está sendo afetada pelos algoritmos de minimização de rearranjos, pois com melhores decisões sobre quais posições utilizar ter-se-á uma pilha com melhor organização quanto à ordem de saída de contêineres. Consequentemente, tais pilhas deverão ter uma estimativa de rearranjos cada vez menor para o esvaziamento. A Figura 5.24 apresenta a estimativa do total de rearranjos para esvaziar a pilha durante a entrada e saída de 55 contêineres, onde é possível verificar que a pilha tende a se ajustar quando uma regra de decisão é utilizada para definir onde posicionar contêineres rearranjados.
Figura 5.24: Estimativa de rearranjos para esvaziar a pilha durante a entrada/saída de 55 contêineres. Ainda para o mesmo caso, é possível quantificar o total de rearranjos estimados para cada uma das técnicas utilizadas (Figura 5.25). Para a heurística LS o valor estimado foi de 303 rearranjos, 327 para a heurística RI e 164 para o MRCLONALG, ou seja, o MRCLONALG
apresentou resultado 25% menor em relação à LS e 52% menor em relação ao RI.
Figura 5.25: Total de rearranjos estimados para cada uma das técnicas durante a simulação.
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 1 4 7 10 13 16 19 22 25 28 31 34 37 40 43 46 49 52 55 E sti m ativ a d e R e ar ran jos Operação de Entrada/Saída LS IR Clonalg 0 50 100 150 200 250 300 350 MRCLONALG LS RI
6 CONCLUSÕES E DISCUSSÃO
O problema geral de empilhamento de contêineres é encontrar um plano de armazenamento com a menor estimativa de rearranjos possível, uma vez que este tipo de movimentação resultará na utilização de tempo e recursos do terminal. Em um sentido mais específico, devem-se definir posições para contêineres em uma pilha de forma que durante a retirada de um dado contêiner seja necessária a menor quantidade possível de rearranjos.
Como investigado por Avriel et al. (2000), o problema geral de armazenamento de contêineres visando à redução da quantidade de movimentos improdutivos é NP-Difícil para pilhas a partir de quatro colunas e altura arbitrária, implicando que resolver este problema por força bruta não é prático em situações reais. Dessa forma, esta dissertação investigou o uso de um Algoritmo de Seleção Clonal adaptado especificamente para a solução do problema de empilhamento e desempilhamento de contêineres, intitulado MRC.
A qualidade das soluções apresentadas pelo MRC foi validada por meio de dois cenários de simulação: estático e dinâmico. No caso estático verificou-se a capacidade do modelo oferecer um plano de desempilhamento para uma pilha inteira, ou seja, quando o objetivo é esvaziar a pilha toda. No caso dinâmico investigou-se a capacidade do modelo atuar sob condições mais parecidas com a atividade real de um terminal de contêineres, onde existe a chegada e partida contínua de novos contêineres em vários momentos no decorrer do tempo.
No caso estático, o desempenho em quantidade de rearranjos do MRC foi comparado com os resultados do modelo de Programação Inteira proposto por Wan et al., (2009), além dos resultados das heurísticas de SMB, IR e ENAR obtidos por este mesmo autor. Para pilhas baixas (poucas fileiras) o resultado mostrou-se equiparado para todas as técnicas, apenas com variação no tempo de execução. Já para pilhas com cinco fileiras é possível identificar o ganho de desempenho em tempo, quando comparado com os modelos MRIP e MRIPk, além
do ganho de desempenho em quantidade de rearranjos quando comparado com as heurísticas. No caso dinâmico, o MRC foi comparado com as heurísticas de SMB e IR. Novamente, o maior ganho de desempenho se revelou para pilhas com altura de ao menos cinco contêineres. Evidentemente, o tempo de computação para o MRC é maior do que o apresentado para as
heurísticas, no entanto a qualidade das soluções representa um ganho de até 52% na minimização da quantidade de rearranjos.
Tanto no caso estático quanto dinâmico observa-se que mover o contêiner que deve ser rearranjado para a posição ideal deve melhorar o resultado final do processo como um todo. Como as heurísticas SMB, IR e ENAR são baseadas em regras simples de operação, o resultado nem sempre é o ideal. O modelo MRIP apresentará sempre a solução ótima, porém seu tempo de computação para grandes instâncias mostrou-se demasiadamente elevado, o que levou o próprio autor a considerá-lo impraticável do ponto de vista de aplicação real e, então, estendê-lo para uma heurística denominada MRIPk (Wan et al., 2009). Com a utilização do
MRC é possível obter soluções de qualidade competitiva e com um baixo custo em tempo computacional.
Dentre as possíveis extensões e trabalhos futuros destacam-se:
Comparação com outros modelos e heurísticas, principalmente métodos não- determinísticos com elevada capacidade de solução de problemas complexos com entradas grandes, como algoritmos genéticos e enxame de partículas;
Aplicação a um teste de caso com dados reais de um terminal em operação, e A criação de um ambiente de simulação mais sofisticado, considerando diversas
outras variáveis que podem influenciar na operação de um terminal de contêineres.
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