4 ANÁLISE DE DADOS
4.5 CASO 5: INICIATIVAS DE SUSTENTABILIDADE DO
O Banco Santander foi considerado o banco mais sustentável do mundo pelo segundo ano consecutivo, segundo o Dow Jones Sustainability Index (DJSI) de 2019. Este reconhecimento surge a partir de uma política da instituição com compromissos bancários responsáveis a partir de dez metas da empresa que apoiam os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. “A unidade brasileira tem focado em energia renovável e agricultura de baixo carbono, que contribuem não só para maior eficiência na produção, como para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Apenas em 2019, o Santander Brasil já viabilizou mais de R$ 1,4 bi de investimentos nestas áreas” (DINO, 2019).
Em seu relatório internacional de 2018 o Santander destaca o seu propósito para ajudar pessoas e negócios mais prósperos, com a visão de ser a melhor
plataforma de serviços abertos financeiros por meio da responsividade das ações e lealdade duradoura das pessoas, consumidores, shareholders e comunidades (SANTANDER ANNUAL REPORT, 2018, p. 5).
Em termos mundiais, o banco Santander possui 202 mil colaboradores, 144 milhões de clientes, 4.1 milhões de shareholders e 6.3 milhões de pessoas que recebem suporte em investimentos mais altos na comunidade. Já no Brasil, o Santander possui mais de 24 milhões de clientes e 48 mil colaboradores. O banco destaca seus resultados em 2 frentes complementares: resultado financeiro e satisfação de clientes. Em 2018, o Santander atingiu o maior ROE da sua história (21,1%) e alcançou um lucro líquido de R$ 12,4 bilhões. Outra métrica de sucesso é o avanço do grau de satisfação dos clientes no NPS (Net Promoter Score) em 2018, de 43 para 57 pontos (SANTANDER RELATÓRIO ANUAL BRASIL, 2018).
A seguir destacam-se as principais dimensões da sustentabilidade do banco Santander.
4.5.1 Sustentabilidade do Banco Santander
Dimensão Econômica
Em 2018, anunciamos o pagamento de R$ 6,6 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio. A avaliação do banco (SANB11) foi cotada a R$ 42,70, um aumento de 33,9% em 12 meses (SANTANDER RELATÓRIO ANUAL BRASIL, 2018).
Dimensão Social
Em seu relatório de indicadores de 2018 o Santander destaca três eixos sociais e ambientais a partir dos quais o banco pretende atuar como agende de transformação (SANTANDER CADERNO DE INDICADORES, 2018, p. 3):
• Promover o uso eficiente e estratégico dos recursos naturais – contribuiremos para que o Brasil seja um país que respeite e utilize os recursos ambientais de forma eficiente e responsável;
• Estimular o desenvolvimento de potenciais – atuaremos de forma assertiva para a construção de uma sociedade que valoriza a diversidade, em que todos tenham oportunidades de desenvolvimento;
• Fomentar o crescimento econômico de forma resiliente e inclusiva – estaremos cada vez mais ao lado daqueles que precisam de impulso, do microempreendedor às pequenas e médias empresas.
Dimensão Ambiental
Entre as iniciativas do banco está a promoção do The Nature Conservancy
Brasil, um encontro entre empreendedores, empresários e especialistas em meio
ambiente, para dialogar sobre como empreender de forma sustentável e responsável na Amazônia. Neste encontro experiências e expectativas são compartilhadas e ajudam na expansão da infraestrutura da região (SANTANDER RELATÓRIO ANUAL BRASIL, 2018, p. 13).
Mudanças Climáticas é um tópico relevante que se concretizou nos seguintes tópicos materiais: Negócios Socioambientais, Gestão Ambiental e Desempenho Econômico.
4.5.2 Governança Empresarial do Banco Santander
A Tabela 17 resume a forma de atuação do Banco Santander no que se refere às dimensões da sua Governança Corporativa.
Tabela 17 - DIMENSÕES DA GOVERNANÇA CORPORATIVA DO BANCO SANTANDER
DIMENSÃO DE
ANÁLISE COMO O BANCO SANTANDER APLICA NA SUA ATUAÇÃO Práticas de
Governança Corporativa
O Conselho de Administração incorpora práticas como o veto ao acúmulo dos cargos de presidente do Conselho e presidente do Banco. Hoje, 50% dos conselheiros são independentes, incluindo o presidente
Entre as boas práticas do banco estão: (i) o veto ao acúmulo dos cargos de presidente do Conselho de Administração e Diretor Presidente do Banco; (ii) avaliação anual do desempenho individual dos conselheiros e do Conselho de Administração e de seus Comitês; (iii) a participação dos membros da administração da Companhia no Programa de Educação Continuada; e (iv) o direito de venda conjunta de ações (tag along) para 100% dos acionistas minoritários.
Código de ética O Santander possui 4 documentos que traduzem a sua gestão ética: Código de conduta ética, código de conduta de fornecedores, política anticorrupção e política para transação com partes relacionadas.
A estrutura está organizada no Comitê de ética do banco, órgão deliberativo que atua nos processos de prevenção e mitigação de riscos relevantes de compliance, tais como prevenção e combate à corrupção, lavagem e dinheiro além de tratar os casos de denúncia com sigilo e imparcialidade.
Práticas sustentáveis
Performance pautada pela NPS (Net Promoter Score), metodologia de pesquisa que mensura a satisfação e lealdade de clientes. O NPS em 2018 melhorou 14 pontos, indo de 43 para 57.
Desde 2009 o Santander é signatário dos Princípios do Equador, conjunto de diretrizes para mitigar os riscos socioambientais no financiamento de grandes projetos.
Produtos socialmente responsáveis
Financiamento de tecnologias para geração de energias renováveis - o CDC Solar.
Amigo de Valor, crédito que destina recursos financeiros a projetos voltados à criança e ao adolescente em situação de vulnerabilidade.
Farol Santander – um polo de cultura, lazer e empreendedorismo localizado em São Paulo. que alcançou mais de 300 mil visitas em 2018.
Prospera Santander Microcrédito – programa de investimento em microcrédito produtivo que em 16 anos destinou R$ 5,7 bilhões para mais de meio milhão de microempreendedores. O programa atua na base da pirâmide social, que, em sua maioria, empreende na informalidade.
Programa Avançar, apoio ao desenvolvimento de pequenas e médias empresas com workshops, conteúdo online e subsídios para contratação de novos talentos
Em 2018, o banco aumentou em 22,8% da nossa carteira de crédito rural e expandiu a sua rede de Lojas Agro pelo interior do país, com gerentes especializados para ofertar produtos e serviços que mais se adequem ao negócio, em um total de 21 lojas voltadas exclusivamente para atender quem trabalha no campo.
Responsabilidade com stakeholders
O banco possui um relatório de indicadores baseado nos princípios do GRI. No que se refere ao engajamento dos stakeholders o banco divide a dimensão em cinco: lista dos grupos de stakeholders (funcionários, clientes, acionistas e investidores e sociedade), acordos de negociação coletiva, identificação e seleção de stakeholders, principais tópicos e preocupações levantados pelos stakeholders.
Diretrizes de responsabilidade socioambiental do Bacen
Em 2018 o banco realizou 42.672 treinamentos relacionados a atualizações sobre legislação socioambiental e normatizações do Bacen, seguindo o que estabelece nas diretrizes do banco central. Este número representa um aumento significativo em relação aos anos de 2017 e 2016 quando o banco realizou respectivamente 34.161 e 10.516 treinamentos.
Código brasileiro de governança corporativa
O Santander divulga o posicionamento de que a boa governança corporativa é uma vantagem competitiva e elemento estratégico sustentado sobre dois pilares: os direitos de seus acionistas e a transparência. Neste sentido apresenta o tema gestão responsável e divide o tópico em aspectos internos e externos, que contemplam a sua abordagem de gestão, diversidade e igualdade de oportunidades e práticas de governança que atendem ao código da empresa e às boas práticas do setor.
ESG –
Environmental and Social Governance
Como filosofia de atuação para as decisões de investimento em renda variável e com analistas dedicados na avaliação dos critérios ESG(1), o banco Santander elaborou o scorecard de sustentabilidade de todas as companhias avaliadas em sua metodologia interna de ESG. Ao apresentar os seus resultados de negócios socioambientais o Banco destaca uma carteira total de R$7,1 bilhões e uma participação ponderada em relação à carteira total de 11,34%. O Santander busca fomentar negócios que gerem impactos positivos e que promovam a oferta de soluções ligadas ao agronegócio responsável, eficiência energética, redução de emissões de gases de efeito estufa, produção mais limpa, construções mais sustentáveis, reformas para acessibilidade e ao apoio ao empreendedorismo.
Conselho Empresarial brasileiro para o desenvolvimento sustentável (CEBDS)
O banco levou em conta os princípios estabelecidos no CEBDS para a elaboração do seu estudo de materialidade, que inclui um amplo levantamento de assuntos que devem estar na sua agenda de sustentabilidade a partir da ótica de relatórios e tendências, nacionais, internacionais e setoriais, além de regulamentações e auto-regulamentações para divulgação de temas ambientais, sociais e de governança, temas materiais de bancos nacionais e internacionais.
Principles for responsable investment (PRI)
O banco é signatário do PRI desde 2008 e nos últimos três anos intensificou o trabalho de incorporação dos critérios de sustentabilidade na seleção de ativos de crédito privado que compõem as carteiras de nossos fundos. Até o final de 2015, 183 companhias foram avaliadas e acompanhadas periodicamente de acordo com a metodologia (a ESG) que segue os Princípios para Investimentos Responsáveis (PRI, em inglês).
Fontes: SANTANDER RELATÓRIO ANUAL BRASIL (2018); SANTANDER CADERNO DE INDICADORES (2018); SANTANDER GOVERNANÇA CORPORATIVA (2018); SANTANDER INVESTIMENTO RESPONSÁVEL (2019)
4.6 TRANSIÇÃO PARA SUSTENTABILIDADE NOS BANCOS COMERCIAIS
A partir da natureza de sua atuação, um banco pode ter tanto um impacto positivo quanto negativo no ambiente no qual atua. No que se refere à sua atuação positiva, um banco gera empregos, incentiva o desenvolvimento da economia a partir do fomento a novos negócios e do incentivo ao empreendedorismo, por exemplo. Já no que se refere aos seus impactos negativos, pode-se destacar o endividamento da população e o impacto ambiental de sua atuação no mercado. A atuação dos bancos no mercado também influencia na sustentabilidade do setor.
As instituições financeiras possuem um papel fundamental no processo de transição para a sustentabilidade por serem influenciadoras ao interagir com todos os demais setores da economia. Neste sentido, a transição para a sustentabilidade, em uma economia verde depende do engajamento do setor financeiro como um todo. Os bancos comerciais possuem uma participação importante neste processo a partir de estratégias para direcionamento de recursos para a sustentabilidade e de políticas de gestão de risco e de governança que atendam os princípios de desenvolvimento sustentável.
No Brasil, o ISE B3 – índice de sustentabilidade da Bolsa de valores de São Paulo é um dos indicadores mais relevantes que mostra o retorno médio de uma carteira teórica de empresas de capital aberto na B3 com as melhores práticas de sustentabilidade. O ISE possui como missão “apoiar os investidores na tomada de decisão de investimentos socialmente responsáveis e induzir as empresas a adotarem as melhores práticas de sustentabilidade empresarial” (ISE, 2019, p.4). O índice é composto por 29 empresas de diversos setores da economia, contando com apenas 4 bancos: Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander, todos fazem parte dos casos analisados neste estudo. A Caixa Econômica Federal não é elegível para participação no ISE B3 por ser um banco público de capital fechado.
O Código Brasileiro de Governança Corporativa apresenta boas práticas de governança corporativa adaptados à realidade brasileira. O grupo de trabalho que criou o código inicialmente tinha como missão propor um conjunto mínimo de princípios de governança corporativa, que as onze entidades seriam unânimes em
classificar como fundamentais para o Brasil. Porém, ao se debruçar sobre o assunto, o subgrupo identificou 56 mercados que haviam adotado códigos “nacionais” de governança corporativa, assim denominados os códigos tidos como as referências em suas jurisdições. Destes, ao menos 45 indicavam seguir o modelo “aplique ou explique”, atendendo às exigências legais, regulatórias, de listagem em bolsa de valores ou ainda outros comandos de autorregulação (IBGC, 2016). Todos os bancos analisados neste estudo seguem e reportam seus resultados de acordo com o que estabelece nos princípios do Código Brasileiro de Governança Corporativa. O Banco do Brasil criou o Informe Banco do Brasil especificamente para atender a esta demanda, o Itaú demostra em seu relatório o atingimento dos princípios, assim como a CEF, o Bradesco e o Santander.
Vários autores apontam a forte interação entre os diferentes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, destacando inclusive alguns conflitos entre eles. Isso significa, por exemplo, que o objetivo que atende o acesso a alimentos para todos pode comprometer os objetivos que buscam preservação e restauração de ecossistemas, o que traz uma reflexão sobre as iniciativas para atender a cada um dos 17 ODS. Isso é particularmente relevante para investidores e, por consequência, para as instituições bancárias, uma vez que as avaliações de risco e crédito são dimensões relevantes no mercado financeiro. Neste sentido, pode-se dizer que os bancos analisados possuem uma preocupação muito grande com o desenvolvimento de políticas de ESG (Envorimental and Social Governance) – governança ambiental e social, se constituindo como uma das suas estratégias de materializar os investimentos responsáveis e relacionar com os ODS de tal forma que consiga traduzir em produtos do mercado financeiro que proporcionem um retorno sobre os investimentos maior, com menor risco e alinhado ao impacto positivo na sociedade.
Os ODS se mostraram como uma abordagem inovadora e relevante para o mercado investidor, uma vez que apresenta uma visão de como as decisões de investimentos podem ser otimizadas, ao oferecer uma maneira de articular estratégias de investimento responsável, em uma relação ganha-ganha que traz como resultado aumento do retorno ao mesmo tempo que oferece um impacto positivo para a sociedade e o meio ambiente. Isso se materializou nos bancos em produtos financeiros voltados aos ODS que vêm mudando o perfil dos produtos e das
estratégias de investimentos dos principais bancos comerciais do país nos últimos anos.
Foi possível identificar entre os bancos diversas iniciativas de educação financeira e de inclusão ao sistema bancário. A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) possui um grupo de trabalho em parceria com diversos bancos para realizar ações de educação financeira com o propósito de mensurar a saúde financeira dos clientes e educar para um uso consciente dos produtos bancários por parte da população. Tais iniciativas buscam facilitar o acesso ao crédito responsável e reduzir o super endividamento no país (FEBRABAN, 2019).
Ao observar os produtos responsáveis dos cinco bancos analisados foi possível identificar em todos os bancos linhas de crédito voltadas para as temáticas propostas para atingimento dos ODS pelo Business Better World no que se refere às oportunidades de negócios a partir dos objetivos de desenvolvimento sustentável. Todos os bancos analisados apresentam produtos socialmente responsáveis alinhados com os ODS como uma forma de traduzir os desafios dos 17 objetivos da ONU em uma linguagem adequada para investidores e para o setor financeiro em uma proposição de investimento responsável (BBW, 2017).
Alguns exemplos destes produtos na base dos bancos analisados são: o Banco do Brasil possui concessão de crédito em agronegócios, construção civil, energia renovável, mobilidade; o Banco Itaú possui uma política corporativa de avaliação de produtos que avalia novos produtos com base em riscos e oportunidades socioambientais; a Caixa Econômica Federal possui linhas de crédito voltadas a habitação com preços acessíveis além de produtos que fomentam o uso de energias renováveis; o Bradesco possui linhas de crédito socioambientais em energia solar, uso de água e proteção da Amazônia. Por fim, o Santander possui linhas de crédito direcionadas para microempreendedores, crédito rural e incentivo ao agronegócio.
A busca por sustentabilidade em bancos é fundamentada na sua capacidade de enfretamento de riscos econômicos, sociais e ambientais, o que está de acordo com o que propõe Guimarães et al (2018). O posicionamento na cadeia de valor é um dos elementos essenciais que levam a uma performance sustentável, que a longo
prazo pode trazer mais resiliência para as empresas em termos de crises. Neste sentido, os produtos financeiros que cada banco apresenta ao mercado pode ser considerado um reflexo de seu posicionamento de mercado e de sua interpretação das políticas de sustentabilidade.
A responsabilidade dos bancos no que se refere à sustentabilidade está migrando para core do negócio, em um perfil de empresa de triplo impacto, cujo compromisso é, muitas vezes, declarado inclusive em seu contrato social. O compromisso de ser uma empresa cada vez melhor para o mundo vem sendo divulgado publicamente por bancos e demais instituições financeiras. A partir da análise dos dados de sustentabilidade dos cinco bancos foi possível perceber que os indicadores que mensuram a sustentabilidade em suas diferentes esferas estão sendo modificados ao longo do tempo e a exigência para se atender a tais requisitos aumentam na medida em que mais e mais empresas atendam a estes requisitos. Existe uma tendência de que não apenas o número de empresas que atendam aos ODS e as certificações internacionais aumentem, mas também que os requisitos para se atingir estas exigências também aumentem.
Esta lógica envolve um fortalecimento de sua governança, que precisa ser comprovadamente responsável e transformando iniciativas pontuais em políticas como uma forma de estruturação do processo de transição para sustentabilidade. Foi possível identificar em todos os bancos comerciais analisados um esforço em consolidar suas iniciativas por meio de políticas internas. Tal esforço dos bancos corrobora o que propõe Schot e Geels (2008) na visão de que a combinação de mudanças técnicas e sociais são necessárias para que as empresas consigam atingir a transição para a sustentabilidade, em uma visão sistêmica e de longo prazo.
5
CONCLUSÕES
Estamos na era do valor para o stakeholder e não apenas a busca pela maximização dos lucros. As certificações olham para o negócio como um todo em termos de governança e traz segurança para investidores cada vez mais exigentes, que não aceitam mais investir em empresas que não sejam responsáveis com seu impacto. Tais impactos são cada vez mais observados em termos de atingimento dos ODS.
Os impactos resultantes das mudanças climáticas podem envolver perda da lucratividade e aumento do risco, comprometendo a atividade bancária em várias dimensões. Neste sentido a preocupação com a sustentabilidade vem ocupando a pauta de bancos no mundo inteiro. Este estudo buscou identificar de que forma vem acontecendo o processo de transição para a sustentabilidade nos cinco principais bancos comerciais que atuam no mercado nacional.
A transição para a sustentabilidade tem se mostrado como uma forma de identificar potenciais problemas futuros e propor estratégias sustentáveis para os problemas em todos os setores da economia. Uma economia de baixo carbono possibilita oportunidades de negócios para tecnologias mais limpas e eficientes, menor uso de recursos naturais e aumento da resiliência de organizações frente aos desafios da competitividade. Neste sentido, os bancos comerciais vêm buscando fomentar projetos verdes e oferta de crédito para tecnologias limpas, que atendam tanto os princípios ambientais quanto os econômicos e sociais.
Foram analisadas diferentes dimensões da governança corporativa dos cinco maiores bancos comerciais do país. Foi possível perceber que muitas destas diretrizes se sobrepõe, podendo ser aplicadas em mais de uma dimensão de análise para o mesmo banco. Isso mostra a aderência que os diversos acordos, pactos e compromissos possuem com a temática da sustentabilidade de forma ampla.
Nos últimos anos aumentou a oferta de produtos financeiros verdes, que priorizam crédito com impacto ambiental positivo. O crescimento do interesse de organizações por investimentos responsáveis, das finanças verdes e das práticas de
governança está pautada na ampliação da consciência de todos os stakeholders sobre a necessidade de comprometimento com práticas de sustentabilidade que consigam alinhar as estratégias de negócios com os princípios universais nas áreas de direitos humanos e trabalhistas, meio ambiente, combate à corrupção e os princípios de desenvolvimento sustentável da ONU. Nesta pesquisa este esforço foi observado nas políticas de caba banco no que se refere à oferta e acesso ao crédito, nas práticas internas dos bancos e também nas diretrizes de sustentabilidade que cada instituição apresentou entre 2015 e 2019. Foi possível perceber o aumento do engajamento com a pauta de sustentabilidade, especialmente nos últimos dois anos, em um processo que vem se intensificando e ocupando uma centralidade no planejamento estratégico dos bancos.
Os bancos possuem o potencial de exercer um papel relevante como fonte de recursos para projetos de sustentabilidade. Segundo o Cebds (2019) este mercado é muito promissor e demandará cada vez mais o engajamento de investidores e de bancos para emissão de títulos da dívida direcionados a atender os ODS, conhecidos no mercado como SDG bonds (títulos para atingimento dos 17 ODS da ONU). Considerando o potencial de crescimento dos títulos verdes no Brasil, é fundamental a criação de instrumentos de regulação e monitoramento do mercado de green bonds