4.1 O sistema de produto modular enquanto interprete da modernidade líquida
4.1.2 Os casos BOSCH e CONSTRUCTIV PILA como premissa para o desenvolvimento de
Os casos da BOSCH e CONSTRUCTIV PILA surgem como premissa para o desenvolvimento do sistema de união modular, no sentido em que se assume o perfil como ponto de partida para o desenvolvimento de hipóteses satisfatórias para um sistema de união modular. Nesse sentido, identificam-se as duas empresas, em dois momentos distintos da investigação. Num primeiro momento o caso do perfil da BOSCH é assumido como ponto de referência de mercado. Isto é, após algumas análises, experiências, estudos e visitas a fornecedores é possível verificar o excelente feedback de mercado em relação às soluções propostas pela empresa referida. Assim, faz todo o sentido idealizar um sistema de união que seja compatível com os perfis já disponíveis em mercado. Também, de um ponto de vista estratégico para a presente investigação, não interessava desenvolver um perfil, visto que o mercado está já bastante adaptado e recetivo aos existentes, sendo que se tornou mais relevante criar soluções de união dos mesmos que garantam um maior leque de possibilidades, potenciando os perfis.
Num segundo momento, o CONSTRUCTIVE PILA surge como base para o que um sistema de união deve ser capaz de responder na realidade em que se projeta. Portanto, o sistema PILA surge como caso de estudo pela sua capacidade em gerar várias hipóteses construtivas através da união, mas também pela sua facilidade de montagem.
Figura 13: Exemplo ilustrativo da montagem do sistema PILA
Segundo Silvia Pizzocaro, poder-se-á verificar que “onde a ação meta- projetual consolida e coagula uma forma de reflexão teórica, esta assume, cada vez mais, a forma de um saber linguístico, estratégico e interpretativo, não diretamente prescritivo para a práxis do projeto, mas destinado a descodificar o projetável dentro de uma realidade complexa.” (PIZZOCARO cit. in MORAES, 2010: 25). Com base nesta reflexão podemos validar o processo do projeto, isto é, a análise meta-projetual acerca dos constrangimentos e potencialidades da realidade em que se projeta. Nesse sentido, como premissa de metaprojeto no desenvolvimento do sistema de união modular, definiu-se o perfil como ponto de partida no que diz respeito ao projeto da investigação. Em primeiro lugar por se tratar de uma parte integrante e essencial de qualquer sistema de união construtivo com características modulares. Em segundo lugar, pela prioridade atribuída ao desenvolvimento do sistema de união (quer pelos custos reduzidos, pela escala de produção), uma vez que os modelos de perfis de mercado funcionam de forma automatizada e estandardizada, e partindo do principio que se pretende desenvolver um sistema de união não apenas com capacidades
modulares, mas, acima de tudo, adaptável à estandardização associada à maioria dos perfis existentes em mercado.
Torna-se, portanto, importante destacar dois momentos fundamentais no que diz respeito a esta fase de projeto. O primeiro foca-se na identificação e análise do perfil e união Bosch15 primeiramente utilizados durante o projeto NmeeTon. O segundo, foca-se na escolha de um sistema de montagem modular como caso de estudo, o sistema PILA. No caso da Bosch, quer no perfil ou união, destacam-se as vantagens que foram discriminadas ao longo do processo do projeto NmeeTon em cada um dos produtos da marca. Relativamente aos módulos da cozinha identificou-se o perfil como sendo um sistema bastante polivalente, mais concretamente, através da materialização de projeto e colaboração entre fornecedores e parceiros verificou-se a importância em selecionar um perfil com uma certificação, tal como acontece com o perfil Bosch. Para além disso, como ponto forte o perfil possui valor na sua estandardização, de tal forma que a empresa produtora consegue dar soluções para diversas áreas e espaços utilizando sempre o mesmo sistema. Como complemento, o perfil é ainda capaz de adotar cerca de 1500 peças que funcionam como acessórios de forma a que se proporcione uma melhor adaptação a cada solução.
Figura 14: Imagem da estrutura para o módulo desenvolvido para o equipamento da cozinha "NmeeTon" utilizando o perfil Bosch como elemento construtivo. Imagem: Alzira Dias
Contudo, o momento referente à fase de montagem do primeiro protótipo à escala real da estrutura do edifício determinou um aspeto interessante, isto é,
15 Nos anexos 8.1 poderá ser feita uma revisão mais detalhada acerca dos perfis estruturais da gama Bosch, assim como
foi possível perceber a facilidade com que a montagem foi feita, ao contrário do que sucedeu por exemplo no caso dos módulos para o equipamento da cozinha. Este facto deve-se, principalmente, pelo uso de uniões que funcionam como ligantes entre os perfis tubulares, algo que falhou no momento de montagem dos módulos de cozinha com o sistema de perfil. Ainda assim, enquanto sistema construtivo adaptável, o perfil Bosch, utilizado para o equipamento da cozinha, demonstrou mais soluções, identificando apenas a necessidade em introduzir um sistema de união, como no caso do sistema utilizado para a estrutura.
Desta ideia de conexão entre o perfil Bosch (da pattern “equipamento”) e a união Bosch, (da pattern “estrutura”) surge a necessidade em analisar o sistema de união PILA da empresa CONSTRUCTIVE. Durante esta análise interessava compreender o seu funcionamento em sintonia com os perfis e acessórios inerentes. Nesse sentido, surgiu a necessidade de reproduzir as peças constituintes do sistema, para isso utilizou-se o sistema de modelação 3D “SolidWorks” para modelar as peças utilizando como referência os desenhos técnicos disponíveis no site da empresa. Após a conclusão da fase de modelação das uniões do sistema PILA foi feita uma impressão 3D das mesmas, de forma a garantir uma maior compreensão da forma e funcionamento do sistema.
Figura 15: Imagem representativa da modelação 3D das peças de união do sistema PILA, no ambiente digital do software responsável pela impressão 3D.
Foi ainda feita uma pequena revisão e análise a algumas características que destacam o sistema PILA de outros mais convencionais. Nomeadamente na
capacidade em adaptar vários acessórios ou elementos estruturais externos ao perfil e sistema de união16
Figura 16: Exemplo ilustrativo de uma possível configuração construtiva do sistema PILA utilizando alguns acessórios que podem ser acoplados ao perfil