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Tendo em vista os aspectos analisados sobre as origens do nacionalismo catalão e os impasses existentes relacionados à questão separatista, destacamos nesta análise os possíveis

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impactos políticos e econômicos, tanto no contexto sociopolítico da Catalunha quanto da Espanha. De acordo com o relatório Anuario Estadístico de España (2020), atualmente a Catalunha é a segunda comunidade autônoma mais populosa da Espanha, atrás apenas de Analúcia.

Além disso, os índices catalães também se destacam no setor comercial, setor industrial e setor de serviços. Segundo os dados de 2017, o volume de negócios na Catalunha apresentou o melhor resultado no setor industrial da Espanha com mais de £ 130 milhões; já nos setores de comércio e serviços, o resultado foi o segundo melhor, atrás somente da Comunidade Autônoma de Madrid. O setor comercial agregou ao faturamento cerca de £ 148 milhões e o setor de serviços £ 92 milhões. Esses dados são apresentados no Gráfico 4.

Gráfico 4 - Catalunha e Espanha: Índices econômicos (2017-2018)

Fonte: Instituto Nacional de Estadístico (2020)

Na Balança Comercial espanhola, a Catalunha é a comunidade autônoma com o maior volume de exportações e importações, conforme apresenta o gráfico 5. Em 2018, a Catalunha exportou £ 71.623,80 mil (25,13% do total das importações) e importou £ 90.178,00 mil (28,28% do total das importações) (INE, 2020, p. 363).

Gráfico 5 - Comércio exterior de mercadorias nas comunidades autônomas (2018)

Fonte: Instituto Nacional de Estadístico (2020)

Tendo ressaltados os aspectos econômicos que envolvem a relação entre a Catalunha e a Espanha, e considerando um possível cenário de isolamento perante o governo da Espanha e os países da União Europeia, a Catalunha poderá sofrer impactos que afetarão o seu desempenho econômico. Uma das razões para isso é o aumento das taxas de produtos que são oriundos da Espanha, além do custeio de serviços públicos que são fornecidos pelo governo espanhol. Por outro lado, a Catalunha possui um desempenho econômico relevante para a conjuntura político-econômica da Espanha que também sofrerá impactos com a secessão catalã nos seus principais setores econômicos (BORREL; LLORACH, 2015; MATOS;

SANT’ANNA, 2018).

4 INICIATIVAS PARADIPLOMÁTICAS

Como vimos, a paradiplomacia é utilizada para atender as demandas e problemas locais enfrentados, tais como nos setores da educação, saúde e planejamento urbano que através da cooperação técnica e intercâmbio internacional, realizados pelas unidades não centrais, é capaz de suprir essas necessidades.

Nesse sentido, de modo a suprir tais necessidades locais, a paradiplomacia pode ser considerada instrumento de políticas públicas na medida em que se trata de um conjunto de ações governamentais, praticadas na arena internacional, implementadas para suprir uma demanda, um problema ou uma carência local, que o ambiente externo pode ajudar a resolver por meio da integração e da cooperação com entes não centrais

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estrangeiros. A partir disso, ações paradiplomáticas são políticas públicas implementadas a partir da ação subgovernamental externa. (BARBOSA, 2008, p. 32).

A paradiplomacia além de colaborar com o desenvolvimento local das cidades, faz com que as ações estejam diretamente ligadas à redução de pobreza e desemprego, transferências de tecnologias, inovação e à internacionalização de empresas, buscando uma proximidade dos entes subnacionais com a sociedade.

O livre comércio, os avanços tecnológicos e o crescente número de empresas multinacionais, também influenciam essas regiões a buscarem inserção internacional. Segundo Keating (1999), muitas regiões buscam um modelo de desenvolvimento motivado pela aproximação entre o público e o privado. Fazendo com que o desenvolvimento local de empresas privadas dê autonomia política e econômica a essas regiões, além de inseri-las na economia global.

Já no âmbito político, podemos observar que o fortalecimento das políticas internas é um dos principais motivos para que os entes subnacionais realizem ações exteriores com outros atores subnacionais.

Os entes subnacionais se projetam internacionalmente também para melhorar suas influências políticas em outros países ou simplesmente em busca de uma projeção nacional e internacional de suas próprias imagens. Em casos mais extremos, fazendo referência às localidades com aspirações nacionalistas ou separatistas, os estados, províncias e cidades se projetam para além das fronteiras da soberania nacional com o objetivo de obter o reconhecimento e a legitimação externa para seus interesses políticos, podendo até adotar uma orientação contrária à política externa nacional.

(BARBOSA, 2008, p.27).

Seguindo esses passos está a Catalunha que, através de agências públicas e privadas governamentais, agem de forma a incentivar a paradiplomacia, como por exemplo a ACCIÒ - Catalonia Trade & Investment, agência voltada para a competitividade empresarial que colabora com a internacionalização de empresas catalãs, além de dar apoio à diversas cooperações técnicas com outras grandes cidades, colaborando com instituições públicas e privadas (ACCIÒ, 2021). Mencionada na primeira parte deste trabalho, está também a DIPLOCAT, que possui como um dos objetivos promover atividades que possam promover a imagem da Catalunha no exterior, a partir da criação de vínculos e relações de confiança com a cidadania e as instituições de outros países (DIPLOCAT, 2021). Além dessas agências, é possível observar outras formas de cooperação sendo realizadas pelas prefeituras das principais cidades catalãs.

Para exemplificar estes casos, podemos citar o acordo de cooperação entre Santa Catarina e a Catalunha realizado no ano de 2013 com a mediação da agência catalã de promoção

comercial, a Acciò, recebida pelo então governador catarinense Raimundo Colombo. O acordo teve como objetivo realizar a cooperação acadêmica e universitária; a cooperação científica e a pesquisa; a inovação tecnológica; a cooperação empresarial e o desenvolvimento em setores produtivos chave (GOVERNO DE SANTA CATARINA, 2013). Por se tratar de duas regiões que possuem um PIB bastante elevado, além dos benefícios da cooperação que gerou atração de investimento e pesquisa, o acordo também foi significativo para que houvesse um maior desenvolvimento e estreitamento da relação entre os dois governos subnacionais. Para a Catalunha, além do acordo, a posição geográfica de Santa Catarina lhe foi muito vantajosa, pois a proximidade de Santa Catarina com São Paulo e a Argentina, ajuda de certa forma na aproximação com o Mercosul.

No que diz respeito às iniciativas das cidades catalãs, Barcelona mostra com destreza como a paradiplomacia é feita na prática. Recentemente, mais precisamente em 23 de novembro de 2021, a cidade realizou o tratado de irmanamento com a cidade chinesa Shenzhen. A cooperação bilateral teve como objetivo promover diversas áreas como o comércio, tecnologia, sustentabilidade ambiental e de energias. A parceria com Shenzhen é motivada pela cidade ser um dos portos mais movimentados do mundo, de acordo com a própria prefeitura de Barcelona (AJUNTAMENT DE BARCELONA, 2021).

Para mais, além do tratado com a cidade chinesa, houve também o fortalecimento da já existente parceria com a Colômbia, através da cooperação da rede de bibliotecas com a cidade de Santiago Cali. O acordo iniciado no ano de 2019, entre as bibliotecas públicas da Colômbia, visa o incentivo da leitura, podendo o acordo bilateral se estender a outros âmbitos para favorecer o desenvolvimento de ambas as regiões (ZAPATA, 2019). Contudo, Barcelona já possui um período longo de acordos com a Colômbia, iniciado em 1992, com o Protocolo de Cooperação com Medellin. Outro exemplo, é a cidade de Girona que participa da cooperação multilateral para a paz que conta como principais objetivos, transformar um mundo sem armas nucleares, fazer cidades seguras e resilientes e promover a cultura da paz (HIROSHIMA PEACE CULTURE FOUNDATION, 2021).

4.1 A CATALUNHA INDEPENDENTE: O RECONHECIMENTO INTERNACIONAL É

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