Capítulo 4 – Análise Comparativa
4.4 Política e Cidadania
4.4.4 Catar
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que se dedica a melhorar a questão dos direitos dos imigrantes, principalmente das mulheres, dentre outras (PARLAMENTO EUROPEU, 2014, p. 204, 207
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prisão. O direito de associação é limitado porque toda organização em que ter licença do governo, os protestos são raros e o governo restringe a capacidade de organizar demonstrações públicas. Quanto aos direitos individuais os cidadãos não têm restrições a sua movimentação e aos locais de trabalho. Cabe ressaltar aqui que cerca de quatro quintos da população no Catar são imigrantes que não possuem cidadania catariana e por isso ficam ainda mais sujeitos a exploração e violação de direitos (FREEDOM HOUSE, 2017, p. 4-6).
No que diz respeito aos direitos das mulheres, a constituição de 2004 postula que homens e mulheres devem ser tratados igualitariamente, bem como houve o banimento da discriminação contra mulheres. A lei também estabeleceu a idade mínima de 18 anos para se casar para ambos os sexos. Ainda com relação ao casamento, mulheres podem negociar os termos do seu casamento, porém não têm total liberdade para escolher seu futuro marido e o guardião deve se encarregar de cuidar do contrato de casamento, fazendo com que indiretamente o guardião aprove o mesmo. As mulheres muçulmanas não podem casar com homens não muçulmanos, porém há permissão para homens muçulmanos se casarem com mulheres de outras religiões (FREEDOM HOUSE, 2010, p.
1,10 e PARLAMENTO EUROPEU, 2014, p. 162).
No tocante ao divórcio, os homens podem se divorciar unilateralmente, por conta do talaq. As mulheres, por sua vez, podem solicitar o divórcio na corte quando o marido não cumpre os deveres matrimoniais, seja financeiramente ou por deserção, mas para isso ela deve abrir mão do mahr, valor financeiro ou material que o noivo dá ou promete dar como parte do contrato de casamento. Este é o mesmo tipo de divórcio dos demais países, chamado de khul. (PARLAMENTO EUROPEU, 2014, p. 160).
A questão do guardião masculino para mulheres no Catar é mais flexível. Elas devem ter um guardião até completarem 25 anos. Por isso, elas não podem viajar ou alugar um quarto de hotel sem a permissão do guardião, mas podem fazer seu passaporte sem seu consentimento. Além disso, mulheres precisam que seu guardião autorize a mulher ter a licença para dirigir. Já a custódia dos filhos deve ser das mulheres, sendo que os meninos devem permanecer com a mãe até os treze anos e as meninas até os quinze (PARLAMENTO EUROPEU, 2014, p. 160 e FREEDOM HOUSE, 2010, p. 9, 10).
Quanto à violência doméstica, no Catar não existe uma lei especifica para tratar do tema, porém existe um plano para leis contra violência doméstica, para proteção das
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vítimas e serviços de apoio. Raramente as mulheres que sofrem abuso doméstico denunciam esses casos, por conta do preconceito e o receio da própria polícia “devolvê-la” para seu marido. Há também um abrigo financiado pelo governo que ajuda a hospedar mulheres e crianças que foram abusadas. O crime de estupro pode chegar a pena máxima de morte, mas geralmente essa punição não é aplicada. Estupros dentro do casamento não são considerados crimes. Para as mulheres que foram estupradas e ficaram grávidas, o aborto não é legalizado. O aborto só é permitido no primeiro trimestre da gestação e se a mulher corre risco de vida. Já as mulheres que engravidam sem estarem casadas, principalmente as mulheres imigrantes, são presas. Para sair da prisão, elas têm que se casar com o pai da criança ou serão deportadas (PARLAMENTO EUROPEU, 2014, p. 161).
Alguns aspectos apontam que existem empecilhos ao direito das mulheres. Um exemplo disso é que as mulheres não passam a cidadania para seus maridos, demonstrando assim que sua cidadania vale menos que a do homem. Quanto ao acesso à justiça, é formalmente igual para ambos os sexos. No entanto, para se ter acesso a justiça é preciso ter cidadania catariana, por isso todos os estrangeiros estão mais propensos a sofrerem violações dos direitos humanos. As mulheres estrangeiras sofrem ainda mais nesses casos. Elas não são protegidas pela lei do trabalho e têm medo de denunciar seus abusadores e serem deportadas (PARLAMENTO EUROPEU, 2014, p. 162,163).
No Catar houve a criação de algumas instituições que visam à proteção dos direitos das mulheres, seja direta ou indiretamente. A Fundação para Proteção das Mulheres e Crianças tem esse objetivo, além de fornecer serviços de auxilio legal e de saúde.
Também foi criado o Comitê Nacional de Direitos Humanos, uma instituição que tem o apoio governamental, busca monitorar a questão dos direitos humanos no país. Outras instituições procuram valorizar o papel das mulheres na sociedade catariana, como a já mencionada Associação das Mulheres de Negócios do Catar, o Centro para Criatividade das Meninas e até mesmo um comitê para o esporte feminino. (FREEDOM HOUSE, 2010, p. 2 e 3).
Nota-se que há um esforço governamental do Catar nos últimos anos em promover a legislação dos direitos das mulheres. Isto é demonstrado pelas mudanças na constituição a partir dos anos 2000, que postula a igualdade entre homens e mulheres, pelas novas leis sobre casamento, divórcio, guarda dos filhos e herança, bem como o apoio às instituições
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que promovem os direitos das mulheres. Houve uma melhora da situação das mulheres, porém elas continuam sendo consideradas inferiores. As ideias do que uma mulher pode ou não fazer permanece sem grandes transformações, fazendo com que elas estejam em desvantagens com relação aos homens. A questão cultural se mostra mais proeminente do que a legislação nesse assunto. As leis estão disponíveis, mas muitas vezes não há conhecimento sobre elas, as práticas são destoantes e não há mecanismos com força suficiente para deter essas posturas. Por isso, há uma necessidade de promover uma valorização cultural da mulher, assim se tem mais chance que haja uma mudança efetiva para elas, porém o grande desafio é como será feita essa valorização (FREEDOM HOUSE, 2010, p. 3).