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5 PERFIL E COMPETÊNCIA DOS NEGOCIADORES

5.2 Competência em Informação dos negociadores internacionais

5.2.1 Categoria 1: A concepção da tecnologia da informação

Estudar a concepção tecnologia da informação é relevante. Targino (2000) assevera que os profissionais que querem se destacar atualmente precisam ser da informação, reconfigurados para a sociedade atual que, é a Sociedade da Informação, que se apoia no avanço tecnológico e no processo que está levando à globalização. Esses processos levam, irremediavelmente, à necessidade de acessar as novas tecnologias de informação e de comunicação e saber usá-las.

A Tabela a seguir traz as médias e os gaps30 aferidos na categoria 1

quele indicador, e 7, Competência em Informação plena naquele indicador. Os demais números da escala indicam Competência em Informação intermediária desde o nível mais baixo, que significava nada, ausência (1), passando para o (2), que vai gradualmente crescendo, até o nível quase pleno (6), e pode chegar ao pleno (7). O gap é gerado quando se parte do valor máximo possível (7) ou do desejado (aceitável) e extrai-se dele o valor obtido com a pesquisa (real). Então, o gap é a diferença (que pode ser interpretado por alguns como hiato ou lacuna). Com base nessa perspectiva, quando cada indicador alcançar algum valor abaixo de 7, significa que existe algum

gap em relação à competência plena (máxima possível). O desejo deve ser sempre de ter o menor

(ou nenhum) gap, porque isso significa que o negociador é mais competente em informação naquele indicador, subcategoria ou categoria.

30Quanto à aferição do gap, é importante lembrar que gap é a diferença entre o que deveria ser (ideal, aceitável, recomendável) e o que a pesquisa apontou como resultado (real). Quanto menor a diferença (gap), melhor o resultado. Significa dizer que o gap igual ou o mais próximo possível de 0 (zero) é sempre o mais recomendável, o mais desejado, porque gap igual a zero equivale a

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(Concepção da tecnologia da informação), levando em conta suas subcategorias e os indicadores gerados31.

Tabela 2 - Aferição do gap na categoria 1 - concepção da tecnologia da informação

Fonte: Elaborado por Satur (2017)

Nos itens da subcategoria A (A Competência em Informação é vista como o uso eficaz da tecnologia da informação: um objetivo alcançável), gerou-se um gap de 2,2, ou seja, a competência dos negociadores internacionais é boa em relação a perfeição (ideal) e melhor ainda se for em relação ao aceitável (0,6). Já a subcategoria B (A Competência em Informação é vista como o uso eficaz da tecnologia da informação: um objetivo inalcançável),

uma Competência em Informação plena naquele indicador. Já o gap, entre 0,1 e 1,representaria uma excelente competência; de 1,1 ao 2, equivale a uma competência muito boa; gap de 2,1 a 3,competência boa; de 3,1 a 4; competência regular; de 4,1 a 5, competência insuficiente; de 5,1 a 5,99, competência ruim; e se o gap der 6, significa que é péssimo e/ ou não há competência naquele caso.

31 Como já dito anteriormente, a escala teve sete opções de marcação. Se a pergunta fosse sobre algo que o ideal seria a opção (7), e se a opção escolhida ou a média gerada fosse exatamente o número sete (inteiro), isso significa que a competência é ótima ou plena naquilo, porque não gerou gap; se estiver no intervalo/média que vai de 6 a 6,99 é excelente; entre 5 a 5,99, muito bom; entre 4 e 4,99, bom; se abarcar de 3 a 3,99 é regular; de 2 a 2,99, insuficiente; abaixo de 2, ruim; e se a escolha for exatamente o número 1 (inteiro significa nada, inexistente ou péssimo. Porém, se a pergunta tem um sentido em que o ideal é de que se obtivesse o mínimo ou nada (1), o raciocínio seria o inverso. Por exemplo, nessa categoria, na pergunta "Você tem alguma dificuldade de usar as TICs/TDIs a ponto

de ser uma barreira ou de prejudicar seu trabalho?" é o único caso em que o ideal é a opção de menor

valor (1), pois se trata de ter uma barreira ou dificuldade que atrapalha a competência. Assim, o ideal é não ter essa barreira.

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como tratava de barreiras ou dificuldades, a média que se almejava era quanto menor, melhor. O gap percebido nessa subcategoria B foi de 1,5, o que equivale a uma competência muito boa em relação a perfeição (ideal) e melhor ainda em relação ao aceitável (1,0).

Os resultados demonstram que os negociadores pesquisados estão atualizados. Evidente que apresentam algum gap em relação ao ideal (máximo possível ou perfeição) ou ao aceitável (indicado como nível recomendável para um profissional da área segundo apontamento dos experts entrevistados). Nesse sentido confirma a indicação de Silva et al., (2011) que afirma que o pro- fissional que atua na Sociedade da Informação precisa acompanhar as tendências do seu tempo, tendo um comportamento informacional adequado à sua época.

Para o profissional negociador internacional que atua no comércio exterior a cultura digital está cada vez mais presente inclusive nas rotinas documentais dos governos. Exemplo recente é o surgimento da DU-E e da DUIMP como documento integrado e digital de comércio exterior substituindo vários procedimentos separados e repetitivos até então existentes.

Outro fato que evidenciou a maior necessidade de inclusão na cultura digital foi o período da pandemia de 2020 onde vários procedimentos antes presenciais e físicos passaram a ser remotos e digitais.

Também cabe destacar que foi perguntado aos negociadores se as

tecnologias têm contribuído para que ele possa reduzir a necessidade de viagens constantes ao exterior sem prejuízo a sua atuação profissional. O

resultado foi significativo evidenciando que as tecnologias permitiram que reduzir as viagens em 48%, em média.

Isso vem ao encontro do que afirmam Drucker (2003; 2001; 1998; 1996; 1992;) e Molina (2010). Eles afirmam que, graças às novas tecnologias, cada vez mais se encurtam distâncias, padronizam-se métodos, fazem-se mais transmissões por satélite e se usam mais tecnologias digitais. Cada vez se aprende mais a trabalhar mediado por tecnologias. Como as tecnologias mudam e se inovam permanentemente, a aprendizagem também deve ser contínua ao longo da vida. Só assim, essas tecnologias não passarão de facilitadoras para a condição de barreiras. As novas tecnologias surgem e, rapidamente, mudaram a realidade da atuação de profissionais das mais diversas áreas. Aprender, ensinar e atuar com TICs passou a ser uma necessidade permanente. Há que se ressaltar que, se as TICs forem usadas de forma atualizada e correta, podem gerar benefícios profissionais, como, por

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exemplo, os negociadores internacionais terem nela uma aliada para fazer a

e-negociação ou m-negociação e reduzir o número de viagens internacionais

constantes, que causam altos custos financeiros e gastos de tempo em deslocamentos logísticos.

Importante ressaltar que a redução da necessidade de viagem, em si, não é uma Competência em Informação, mas um resultado benéfico que se consegue pelo fato de o negociador ser competente na Categoria 1.

Os dados apurados confirmam o que Prahalad e Hamel (2005, p. 30) apontam como mudanças tecnológicas alterariam a forma de atuar. Previram que as novas vias de comunicação digital permitiriam acessos instantâneos sem sair de casa, “salas de reunião ‘virtuais’, que eliminarão a necessidade e o incômodo das viagens aéreas”.

Esse resultado é importante, considerando que a viagem do negociador internacional é uma das atividades que mais lhe geram dispêndios de tempo, de dinheiro e de desgaste físico e emocional. Graças às tecnologias, esses gastos de tempo e de dinheiro e o desgaste físico foram reduzidos pela metade. Essa redução tende a se manter nesse patamar, no máximo, um pouco mais do que isso, tendo em vista que não se pode almejar, para essa área, uma redução de 100%,levando em conta o que afirmam Thompson (2006) e os demais autores: que o contato face to face não deixou de ser importante nas Negociações Internacionais e não pode ser totalmente descartado, embora a quantidade de vezes necessária para os encontros presenciais possam ser reduzidas se a negociação fluir bem na forma virtual.

Assim, como afirmam Thompson (2009) e Pinho Neto (2008), dentre outros autores, o tempo e o espaço estão redimensionados com as tecnologias e a virtualidade. Isso também ocorre entre os negociadores, especialmente na

e-comunicação/m-comunicação e na e-negociação/m-negociação. Com a ajuda

da tecnologia, ganha-se tempo para fazer até mais do que se fazia antes. Como afirma Thomson (2006), as e-negociações remodelaram o modelo lugar-tempo das negociações, perderam, em parte, a importância do modelo “frente a frente” (todos no mesmo lugar ao mesmo tempo) e deram lugar ao “lugar diferente ao mesmo tempo” (telefone e videoconferência) e, logo em seguida, aos “tempos diferentes” (edição de texto em trabalhos com turnos distintos), com uso do correio de voz e do correio eletrônico (remoto).

A negociação que é feita em determinado turno pode continuar acontecendo e evoluindo enquanto o negociador dorme, pois o outro lado pode estar trabalhando na proposta, enquanto um dos lados está descansando. Isso é muito usual, considerando as questões presentes de fuso horário. Trata-se da comunicação informal dando lugar à gravação de vídeo,

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voz ou texto. Isso confirma a posição de Cerutti e Giraffa (2015) de que, na atualidade, a atuação profissional exige que se aprendam e se desenvolvam competências e habilidades em tecnologias da informação e comunicação ou tecnologias digitais, pois as TICs são, agora, elementos integrantes e necessários na Sociedade do Conhecimento.

Também cabe destacar que na última subcategoria o indicador tinha a finalidade de saber se o negociador tinha dificuldades de usar tecnologias

(TICs/TDIs/TDICs) a ponto de considerá-las como dificuldades ou barreiras para o exercício da profissão. Nesse caso, o ideal seria de que o negociador

marcasse o valor 1, ou algo próximo dele, e foi o que aconteceu com 58 ne- gociadores. E maioria marcou opções de valores baixos. Assim, a média foi de 2,5, e o gap gerado, de 1,5 se considerado a perfeição o que equivale a competência muito boa. Ou seja, deu exatamente o mesmo gap do primeiro indicador da categoria, que falava em facilidade de usar tecnologias. Portanto, esse indicador fica reconfirmado como primeiro indicador. Se o gap considerado for o aceitável aí ele reduz para 1.

De um modo geral e resumido pode-se dizer que a Categoria 1 gerou um gap médio de 1,8 em relação a perfeição (ideal), o que significa que os negociadores têm competência muito boa na concepção da tecnologia da informação e ainda melhor se for considerado o gap em relação ao aceitável (0,8). Além disso, 32,5% dos negociadores internacionais já atingiram a excelência da Competência em Informação nessa categoria (coluna “nego- ciadores sem gap” em relação ao ideal), e 48,6% já atingiram a competência aceitável para o pleno exercício da profissão.