A terceira categoria, “corpo discente, teses e dissertações”, refere-se aos itens de avaliação relacionados à: quantidade de teses e dissertações defendidas no período e a proporção associada ao número de docentes e de
discentes; quantidade de docentes permanentes com atividade de orientação e o equilíbrio na distribuição nessa atividade; qualidade de teses, dissertações e produção de discentes; tempo médio e eficiência na formação de mestre e bolsistas (CAPES, 2009, 2013a, 2016).
O Gráfico 5 corresponde aos resultados das avaliações na categoria
“corpo discente, teses e dissertações” dos programas selecionados. Conforme constatado nas categorias anteriores as avaliações de 2010 e 2013 apresentaram quantidade de programas inferior aos avaliados na quadrienal de 2017. No entanto, essas diferenças se ampliam na categoria “corpo discente, teses e dissertações”. Isso ocorreu devido ao tempo de criação dos programas à época, os quais, por serem recém criados, não foram avaliados nos quesitos que integram a categoria “corpo discente, teses e dissertações” (CAPES, 2010b, 2013b, 2017b).
GRÁFICO 5 – QUANTITATIVO DE NOTAS DAS AVALIAÇÕES 2010, 2013 E 2017 DOS PROGRAMAS SELECIONADOS NA CATEGORIA “CORPO DISCENTE, TESES E DISSERTAÇÕES”
Legendas:
MUITO BOM BOM REGULAR FRACO
DEFICIENTE OU INSUFICIENTE NÃO APLICÁVEL
Fonte: O Autor (2021), a partir de dados abertos da CAPES (2010b, 2013b, 2017b)
O Gráfico 5 demonstra a expressiva evolução no percentual de programas analisados que obtiveram conceitos “muito bom” ou “bom” na categoria “corpo discente, teses e dissertações”. O percentual de programas
analisados com conceito “muito bom” ou “bom” passou de 54,3% na Avaliação Trienal 2010 para 91,9% na Quadrienal 2017 (CAPES, 2010b, 2013b, 2017b).
Dos itens avaliados na categoria “corpo discente, teses e dissertações”, os programas selecionados receberam conceitos melhores no item ‘3.4’, referente ao tempo médio titulação dos discentes e à eficiência na formação de mestres e doutores. Os percentuais acumulados dos programas que receberam conceitos “muito bom” ou “bom” neste item corresponderam a: 51,4% em 2010;
61,4% em 2013; e, 89,9% em 2017 (CAPES, 2010b, 2013b, 2017b).
O segundo item com o maior percentual de conceitos “muito bom” ou
“bom” da categoria “corpo discente, teses e dissertações” refere-se ao item 3.3, atrelado aos seguintes pontos avaliativos: qualidade das teses, dissertações e produção discente; aderência das teses e dissertações aos objetivos do programa; composição de bancas de avaliação; participação de discentes na produção intelectual do programa; e, produção de egressos. Nesse item, 44,3%
dos programas analisados receberam conceitos “muito bom” ou “bom” em 2010, 64,4% em 2013 e 87,9% em 2017. (CAPES, 2010b, 2013b, 2017b).
O terceiro item com maior quantidade de programas com conceito “muito bom” ou “bom” foi o de número ‘3.2’. O percentual de programas analisados com os conceitos “muito bom” ou “bom” foi de 62,9% em 2010, 58,4% em 2013 e 86,9% em 2017. Esse item de avaliação considera o equilíbrio na distribuição de orientações das teses e dissertações defendidas pelos docentes permanentes do programa (CAPES, 2010b, 2013b, 2017b).
Por fim, o item ‘3.1 foi o último da categoria considerando o percentual de programas avaliados que receberam os conceitos “muito bom” ou “bom”’, com 55,7% dos programas analisados em 2010, 55,4% em 2013 e 76,8% em 2017.
Dito item refere-se à proporção da quantidade de teses e dissertações defendidas e ao número de docentes permanentes do programa (CAPES, 2010b, 2013b, 2017b).
As lições aprendidas da categoria “corpo discente, teses e dissertações”
foram obtidas a partir da análise de dados abertos de 210 fichas de avaliação de 97 programas selecionados. O Quadro 30 resume a quantidade de fichas com codificações, negativas ou positivas, e as subcategorias consolidadas.
QUADRO 30 – FICHAS DE AVALIAÇÃO CODIFICADAS POR SUBCATEGORIAS PERTENCENTES À CATEGORIA “CORPO DISCENTE, TESES E DISSERTAÇÕES”
SUBCATEGORIAS
Caráter Interdisciplinar 11 5 16
Composição das Bancas 52 6 57
Fonte: O Autor (2021), a partir dos dados de pesquisa.
Nos Quadros 30 e 31, algumas fichas podem ter, simultaneamente, codificações negativas e positivas ou apenas isoladamente codificações em um ou outro sentido. Consequentemente, foram consideradas para a análise o total de fichas codificadas que contemplaram ao menos uma modalidade de codificação (negativa ou positiva) ou ambas. As lições aprendidas da categoria
“corpo discente, teses e dissertações” foram capturadas por meio de 576 codificações em 210 fichas de avaliação dos programas selecionados. O Quadro 31 sintetiza a quantidade de codificações, positivas e negativas, com as subcategorias consolidadas.
QUADRO 31 – CODIFICAÇÕES REALIZADAS POR SUBCATEGORIAS PERTENCENTES À CATEGORIA “CORPO DISCENTE, TESES E DISSERTAÇÕES”
SUBCATEGORIAS CODIFICAÇÕES
Caráter Interdisciplinar 13 5 18
Composição das Bancas 53 9 62
Fonte: O Autor (2021), a partir dos dados de pesquisa
A Figura 23 representa o resultado das codificações realizadas na categoria “corpo discente, teses e dissertações”. A nuvem foi elaborada a partir das 100 palavras com maior frequência na categoria e seus respectivos sinônimos.
FIGURA 23 – NUVEM COM AS 100 PALAVRAS DE MAIOR FREQUENCIA DA CATEGORIA “CORPO DISCENTE, TESES E DISSERTAÇÕES”
Fonte: O Autor (2021), a partir dos dados de pesquisa
Na Figura 23 são enfatizadas as palavras: programa; discentes;
docentes; dissertações; meses; tempo; produção; número; pesquisa; e, alunos.
Na categoria “corpo discente, teses e dissertações”, as palavras utilizadas com maior frequência e as subcategorias foram consolidadas para apresentar algumas lições aprendidas obtidas (CAPES, 2010b, 2013b, 2017b):
1. Produção Bibliográfica – A participação dos discentes na produção intelectual destaca positivamente os programas, pincipalmente as publicações em estratos mais elevados (qualis A1, A2, B1 e B2). A produtividade dos discentes e egressos pode ser fator de destaque na avaliação. As contribuições dos discentes na produção bibliográfica em capítulos de livros, apresentação de trabalhos em eventos ou publicações em anais
também enriquecem a avaliação. No entanto, a ausência da participação de discentes nas publicações do programa ou de publicações apenas com discentes, sem docentes como autores, não contribui positivamente para avaliação do programa (CAPES, 2010b, 2013b, 2017b).
2. Distribuição das Orientações – A distribuição das orientações de teses e dissertações defendidas no período deve ser equilibrada entre os docentes permanentes. Essa distribuição homogênea das orientações entre os docentes e o fato de todos os docentes do programa concluírem orientações no período avaliativo é apropriado aos programas. Em contraponto, a tendência de concentração de orientandos em poucos docentes deve ser corrigida (CAPES, 2010b, 2013b, 2017b).
3. Teses e Dissertações – As teses e dissertações devem valorizar os aspectos interdisciplinares em sua elaboração e apresentar aderência à área de concentração, linhas de pesquisas e projetos de pesquisas. A quantidade de defesas por ano deve ser condizente com o quadro de docentes permanentes e estar bem distribuída entre os docentes. Os títulos e resumos devem ser bem elaborados e representar o restante dos estudos, pois são indicativos de qualidades dos trabalhos realizados (CAPES, 2010b, 2013b, 2017b).
4. Tempo de Titulação – O tempo médio de titulação deve ser condizente com a realidade da Área. Os esforços para diminuir e adequar o tempo médio de titulação é reconhecido na avaliação.
Não extrapolar o tempo recomendado pela CAPES demonstra a eficiência do programa na formação de mestre e doutores.
Aumentar o tempo médio de titulação e permanecer acima do estabelecido é motivo de preocupação e compromete a eficiência de formação do programa (CAPES, 2010b, 2013b, 2017b).
5. Composição das Bancas – A participação sistemática de docentes externos e com qualificação adequada nas bancas de examinadores são essenciais para fortalecer as pesquisas do programa. As bancas de defesas compostas apenas por docentes do programa não são indicadas (CAPES, 2010b, 2013b, 2017b).
6. Fluxo Discente – A manutenção da quantidade de discentes, com quantidades semelhantes de ingressantes e concluintes, gera um fluxo equilibrado de alunos, indica boa capacidade e eficiência na titulação dos discentes. O desiquilíbrio na proporção de ingressantes e concluintes pode ser reflexo de uma queda substancial de ingressantes ou de baixa eficiência na formação de mestres e doutores (CAPES, 2010b, 2013b, 2017b).
7. Caráter Interdisciplinar – O ingresso de discentes com formações, profissões e localidade distintas são indicativos de boa integração com a Área Interdisciplinar. A prática de manutenção de orientador e coorientador de áreas diferentes assegura a interdisciplinaridade no processo de produção do conhecimento.
As teses e dissertações com temas concentrados em áreas disciplinares ou sem a participação de coorientadores não contemplam a interdisciplinaridade (CAPES, 2010b, 2013b, 2017b).
8. Participação de Discentes de Graduação – A participação de alunos de graduação na produção bibliográfica comprova o êxito da iniciação cientifica integrada à pós-graduação. Ao contrário, a ausência de registro de discente da graduação na qualidade de autor de produção bibliográfica do programa reflete prejuízo na iniciação cientifica (CAPES, 2010b, 2013b, 2017b).
As lições identificadas nesta categoria fortalecem a possibilidade de gerar informações úteis e novos conhecimentos a partir dos dados disponibilizados. A utilização de dados abertos pode contribuir para a melhoria
dos serviços prestados pelos programas de pós-graduação stricto sensu por meio do desenvolvimento da aprendizagem organizacional, pois evita a repetição dos erros já identificados nos relatórios de avaliação e possibilita a replicação de experiências bem-sucedidas (CAPES, 2010b, 2013b, 2017b;
DAMASCENO JUNIOR; CHAVES, 2017; KLEIN; KLEIN; LUCIANO, 2019;
OLIVEIRA; LÓSCIO, 2014; VICTORINO et al., 2017).