Capítulo V – Descrição e Análise dos Resultados
1.4 Categoria D Manual de processos-chave (MPC)
A categoria D foi dividida em duas subcategorias, às quais fizemos corresponder sete indicadores para que, através das unidades de registo inseridas em cada um deles, possamos perceber se as educadoras participantes neste estudo consideram o MPC um currículo de competências para creche; se consideram o MPC um documento orientador da avaliação; se acham possível avaliar todos os comportamentos observáveis enumerados no MPC; perceber se a avaliação que fazem é igual para todas as idades de creche; saber em que sentido o MPC alterou as práticas de avaliação, as rotinas e as práticas pedagógicas. (Quadro 8).
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Subcategoria Indicadores Unidades de Registo
D1. Vertentes do MPC
D1.1- MPC como currículo de competências
“Pelo menos seria uma orientação. Como temos as OCEPE, não é? Como temos os diversos pedagogos que nos dão aquelas linhas orientadoras, também o MPC iria ser uma mais valia” (E2). “Não” (E3).
“Sim, sim considero” (E4).
“Sim, sim, o que eu acho é que depois nós realmente temos de adaptar às diferentes realidades, aquilo é um exemplo, mas nós podemos complementar e adaptar à nossa realidade sim” (E5).
D1.2- MPC como documento
orientador da avaliação
“É assim, se eu tivesse tido acesso a ele, com certeza que seria um instrumento útil para me ajudar então um bocadinho dessa orientação”. (E2).
“Eu não me acredito que o MPC tenha sido feito por educadores, orienta na parte que a Segurança Social exige, mais nada” (E3). “Sim” (E4).
“Há sim, sim, sim” (E5).
D1.3- Viabilidade avaliativa dos comportamentos observáveis inseridos no MPC
“É assim ao mesmo tempo se calhar não, eu como desconheço o documento não sei (…) não consigo muito bem definir isso. Creio que se consegue observar mais que um comportamento” (E2). “Não nem pensar” (E3).
“Isto é como em qualquer grelha, qualquer orientação, há certas competências, é como as novas OCEPE`s, ali há alguma utopia, não é? (…) mas acho que isto até está mais adequado do que propriamente as OCEPE” (E4).
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“Sim, sim, é possível” (E5).
D1.4- Equidade da avaliação na creche
“Sim” (E1).
“Tem a ver mesmo com o que é esperado de x a x idade. É o que nos dá a psicologia” (E2).
“As educadoras licenciadas não estão a ir ao berçário, de uma maneira geral, a educadora do berçário não é licenciada (…) é uma animadora social, ela faz uma avaliação e depois nas salas que tem educadora fazemos outra (…). É um e dois anos é igual e berçário é um bocadinho diferente (E3).
“É assim, berçário como não tem educadora de infância não tem nenhum tipo de avaliação formal pronto. (…) A partir de um ano e dois é assim cada educadora é autónoma para elaborar o tal plano individual (…) por isso não vou dizer que é igual pode ser similar e semelhante, mas não é igual, o método é o mesmo” (4). “São objetivos diferentes, mas o mesmo processo, desde que a criança entra na sala dos bebés, são usados os mesmos instrumentos para todas as crianças, todos os anos” (E5).
D2. Alterações pedagógicas com a implementação do MPC D2.1- Alteração das práticas de avaliação
“Tive conhecimento, mas não aprofundei muito” (E1).
“A parte da qualificação está a decorrer a passos devagarinho (…) mudou tudo na nossa vida cá no jardim de infância, olhe desde as reuniões de inscrição das crianças (…) as nossas documentações enquanto educadoras. Fazemos relatórios de tudo. (…) A burocracia entrou a matar um bocadinho então primeiro que se engrenasse (…)” (E2).
“Nós antes já fazíamos uma avaliação mais descritiva, agora usamos uma cheque list, mas antigamente era um bocadinho
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mais descritiva, mas já fazíamos, na perspetiva do educador trabalhar, já fazíamos isto porque tínhamos na mesma de apresentar desafios às crianças (…) aos pais apresentávamos uma avaliação mais descritiva (…) Sim alteramos por causa dos processos chave, alteramos os documentos, sim” (E3).
“Alterou e não, quer dizer nós já fazíamos, mas não de uma forma tão estruturada pronto e faltava isso. Por isso ajudou a estruturar melhor a nossa forma de avaliar” (E4).
“Agora que estamos a realizar sim, nós já corrigimos muitos impressos (…) nós tínhamos outros meios de registo de avaliação muito extensos, muito complicados (…) eu fazia um relatório quase de cada objetivo e tivemos que reduzir muito (…) nós temos realmente que fazer muitos registos e o manual da qualidade veio nos ajudar nisso, a sermos mais sucintos não deixando de ser objetivos” (E5).
D2.2- Alteração das rotinas pedagógicas
“Como não… apenas tive conhecimento e não tirei proveito…” (E1).
“Tudo. Eu acho que alterou tudo. As crianças viraram clientes, os pais viraram clientes, até o nome das coisas, é só contratos. Tudo, tudo mudou, tudo mudou” (E2).
“Tenho mais papelada para preencher isso é um facto, mas com o passar do tempo também conseguimos conciliar (…) há realmente alguns impressos que temos de preencher (…) tentamos fazer isso fora do tempo pedagógico (…) quando eles estão a dormir nós estamos a preencher (…) mas alterou claro um bocadinho” (E3).
“Rotinas, rotinas não. Assim a forma como nós organizamos o dia não veio alterar, veio alterar foi os registos, por exemplo, na parte da rotina de cuidados, nós só fazíamos nos bebés, mas nas outras
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salas não fazíamos e passamos a fazer (…) alterou a nível de instrumentos de trabalho, enriqueceu” (E4).
“Não, não, você está-me a fazer pensar não é, porque as coisas entraram no sistema e a gente nem se dá conta se realmente foram alterados. É assim se foram alterados nem demos conta, ou entrou naturalmente na nossa vida profissional (…) é assim com certeza houve mudanças só que foi muito natural (…) agora é melhor fazer assim e passou-se a fazer sem qualquer problema” (E5).
D2.3- Alteração das práticas
pedagógicas
“De certeza que me iria fazer refletir e de certeza me iria fazer mudar (…) o meu discurso vê ainda estou assim um bocadinho (…) na parte da creche o que nós temos bem definido é isso que não vem em livro nenhum, é a parte de dar colinho, carinho, alimentação (…) é intrínseco no nosso trabalho (…) ficamos um bocadinho perdidos, eu falo por mim, como é que havemos de estruturar o ritmo diário de uma creche” (E2).
“Altera no sentido que tenho de preencher, tenho de cumprir, os manuais estão ali, apesar de nós termos dado uma voltinha porque fomos nós que os fizemos (…) eles estão ali tem de ser implementados, têm de ser preenchidos (…) o resto cabe a nós, com a nossa imaginação, dar uma volta maior” (E3).
“Alterou, foi como lhe disse, começou a orientar um pouco o nosso trabalho e no fundo também criou ali uma uniformidade na forma de nós trabalhamos, nós todas as educadoras numa creche, sim” (E4).
“Não é como eu lhe dizia há bocado, não, não” (E5).
Quadro 8 - Categoria D - Manual de processos-chave (MPC)
Por se ter verificado que uma das participantes não tinha conhecimento do MPC nem o incluía nas suas práticas, decidimos, aquando da entrevista, não lhe colocar as questões relacionadas diretamente com este
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manual uma vez que nos informou que “Tive conhecimento, mas não aprofundei muito” (E1); “Como não… apenas tive conhecimento e não tirei proveito…” (E1).
Relativamente ás restantes participantes apenas uma referiu que o MPC não era considerado, por ela, um currículo de competências, “Não” (E3). As restantes educadoras consideram este manual um currículo de competências embora tenha sido referido a necessidade de o adaptar às diferentes realidades “Pelo menos seria uma orientação. Como temos as OCEPE, não é? (…), também o MPC iria ser uma mais valia” (E2); “Sim, sim considero” (E4). “Sim, sim, o que eu acho é que depois nós realmente temos de adaptar às diferentes realidades,” (E5).
Relativamente ao MPC como documento orientador da avaliação em creche, duas educadoras consideram que sim afirmando: “Sim” (E4); “Há sim, sim, sim” (E5). Uma educadora referiu que apenas orienta no que refere às exigências da Segurança Social, alegando que, na sua opinião, o referido documento, não se adequa às especificidades desta valência referindo que “Eu não me acredito que o MPC tenha sido feito por educadores, orienta na parte que a Segurança Social exige, mais nada” (E3). A educadora E2 revelou novamente a falta de conhecimento e de acesso ao documento “É assim, se eu tivesse tido acesso a ele, com certeza que seria um instrumento útil para me ajudar então um bocadinho dessa orientação”. (E2). O terceiro indicador que se prende com a opinião das participantes sobre a possibilidade de avaliar todos os comportamentos observáveis enumerados no MPC, duas das educadoras tiveram respostas completamente opostas: “Sim, sim, é possível” (E5); “Não nem pensar” (E3).
Uma das educadoras usou como termo de comparação as OCEPE, referindo que existe uma certa utopia neste tipo de documentos, no entanto, acha-o adequado ao contexto de creche, “há certas competências, é como as novas OCEPE`s, ali há alguma utopia, não é? (…) mas acho que isto até está mais adequado do que propriamente as OCEPE” (E4).
Por último, a educadora E3 mencionou novamente o desconhecimento do documento, referindo, no entanto, que era provável que não fosse possível avaliar todos os comportamentos inumerados, “É assim ao mesmo tempo se calhar não, eu como desconheço o documento não sei (…) não consigo muito bem definir isso. Creio que se consegue observar mais que um comportamento” (E2).
Perguntamos às nossas entrevistadas se faziam o mesmo tipo de avaliação para todas as faixas etárias da creche. Duas das educadoras referiram que nos respetivos contextos a avaliação feita nas salas de berçário
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era diferente da avaliação feita nas salas de um e dois anos, “a educadora do berçário não é licenciada (…) é uma animadora social, ela faz uma avaliação e depois nas salas que tem educadora fazemos outra (…)” (E3), sendo que num dos contextos foi referido que no berçário não era feita nenhum tipo de avaliação uma vez que não tinha nenhuma educadora afeta aquela sala: “É assim, berçário como não tem educadora de infância não tem nenhum tipo de avaliação formal pronto” (E4). Nos restantes contextos foi referido o uso de procedimentos semelhante em todas as salas variando, obviamente, os objetivos definidos para cada idade, “Tem a ver mesmo com o que é esperado de x a x idade. É o que nos dá a psicologia” (E2); “São objetivos diferentes, mas o mesmo processo, desde que a criança entra na sala dos bebés, são usados os mesmos instrumentos para todas as crianças, todos os anos” (E5).
Era também nosso objetivo perceber até que ponto a introdução do MPC veio alterar as práticas educativas das nossas entrevistadas. Relativamente às alterações a nível das práticas de avaliação, apesar de nem todos os discursos serem muito claros, percebemos que todas as participantes concordaram que houveram alterações “(…) mudou tudo na nossa vida cá no jardim de infância” (E2); “Nós antes já fazíamos uma avaliação mais descritiva, agora usamos um cheque list (…)” (E3); “Alterou e não, quer dizer nós já fazíamos, mas não de uma forma tão estruturada pronto e faltava isso” (E4); “Agora que estamos a realizar sim, nós já corrigimos muitos impressos (…) nós tínhamos outros meios de registo de avaliação muito extensos, muito complicados (…) (E5). Relativamente às mudanças verificadas a nível das rotinas pedagógicas três das participantes referiram que também sofreram algumas alterações embora não muito significativas “Tenho mais papelada para preencher isso é um facto, mas com o passar do tempo também conseguimos conciliar (…) mas alterou claro um bocadinho” (E3); “Rotinas, rotinas não. Assim a forma como nós organizamos o dia não veio alterar (…) alterou a nível de instrumentos de trabalho, enriqueceu” (E4), “É assim se foram alterados nem demos conta, ou entrou naturalmente na nossa vida profissional (…) (E5). Apenas uma participante referiu grandes mudanças, alegando que “(…) acho que alterou tudo. As crianças viraram clientes, os pais viraram clientes, até o nome das coisas, é só contratos. Tudo, tudo mudou, tudo mudou” (E2).
Relativamente às alterações verificadas nas práticas pedagógicas verificamos pelo discurso da participante E2 que o facto de não ter um conhecimento claro do manual, a impede de ter um discurso esclarecedor como ela própria refere “De certeza que me iria fazer refletir e de certeza me iria fazer mudar (…) o meu discurso vê ainda estou assim um bocadinho (…) (E2). A educadora E3 considerou que alterou as suas
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práticas pedagógicas no sentido de ter de cumprir com os procedimentos descritos no manual referindo que “Altera no sentido que tenho de preencher, tenho de cumprir (…) têm de ser implementados, têm de ser preenchidos (…)” (E3). A entrevistada (E4) considerou que houveram alterações na sua prática pedagógica no sentido de haver mais orientação e uniformidade nos procedimentos, “Alterou, foi como lhe disse, começou a orientar um pouco o nosso trabalho (…) também criou ali uma uniformidade na forma de nós trabalhamos (…) (E4). Por fim a participante (E5) apresentou coerência relativamente ao seu discurso anterior quando referiu “Não é como eu lhe dizia há bocado, não, não” (E5).