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3. VIVÊNCIAS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS ESCOLAS MUNICIPAIS

3.5 A visão dos educadores sobre meio ambiente, leis que asseguram as políticas

3.5.5 Categoria: Dificuldades de aplicar a Educação Ambiental nas escolas

A Educação Ambiental no Brasil integra a Política Nacional do Meio Ambiente e é um instrumento do processo educativo que muito contribuirá com as atividades dos educadores, quando estão em jogo discussões da problemática do meio ambiente. Mas é preciso que estes profissionais tenham conhecimentos adequados e facilitadores para que a aprendizagem dos alunos se processe da melhor forma, despertando mudanças de atitudes, o valor da cidadania e o senso crítico e principalmente a transformação social, termos já aludidos no corpo desta tese.

A Lei 9.795/99 estabelece que a Educação Ambiental deve estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, respeitando em suas diretrizes nacionais aquelas a serem complementadas discricionariamente pelos estabelecimentos de ensino (artigo 26 da LDB), com uma parte diversificada exigida pelas características regionais e locais, conforme preceitua o princípio citado no 4º, inciso VII da Lei 9.795/99, que valoriza a abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais, nacionais e globais. De tal modo, a categoria que se apresenta, dificuldades de aplicar a

Educação Ambiental nas escolas, tem como intenção identificar quais as dificuldades

encontradas pelos educadores nas suas atividades do dia a dia, seja nas salas de aula ou em qualquer ambiente da escola.

No entendimento de 50% dos gestores as dificuldades de um trabalho que envolve a Educação Ambiental levam em consideração que aquilo que os alunos aprendem na escola não tem continuidade na família; 16% apresentam a inexistência de uma sensibilidade de

alguns professores, alunos e famílias; já 17% não apresentam qualquer dificuldade; e outros 17% acenam com o que a escola ensina sobre coleta seletiva de resíduos sólidos (RS) e que o poder público não apresenta política para este fim (Figura 39).

Figura 39: retrato das dificuldades do trabalho de Educação Ambiental nas escolas, segundo os gestores Os coordenadores pedagógicos, num percentual de 34%, apresentam que há a falta de sensibilidade de alguns alunos e de professores como meio ambiente e o incentivo da família; 33% apresentam que não há o envolvimento de algumas famílias para trabalhar a Educação Ambiental; e 33% não apresentam qualquer dificuldade (Figura 40).

Figura 40: amostragem das dificuldades do trabalho de Educação Ambiental nas escolas, pelos coordenadores

pedagógicos

Para 50% dos professores não há qualquer dificuldade de um trabalho de Educação Ambiental nas escolas; a falta de interesse de alguns alunos e família com o meio ambiente foi apontada por 25% dos participantes; 9% afirmam a inexistência de um trabalho interdisciplinar; 8% não declaram qualquer dificuldade; e outros 8% pontuam a falta da consciência ambiental da comunidade escolar e de algumas famílias (Figura 41).

Figura 41: dados que revelam as dificuldades do trabalho de Educação Ambiental nas escolas, do ponto de vista

dos professores

A despeito dos dados levantados nesta categoria, o desinteresse de algumas famílias ficou latente como umas das dificuldades de um trabalho de Educação Ambiental nas escolas.

Neste sentido, cabe à escola fazer uma chamada às famílias para se integrarem no trabalho acerca de Educação Ambiental, pois é sabido que a família tem um papel fundamental na construção de valores, e é a grande fornecedora de hábitos e atitudes. Portanto, cabe aos pais, o alicerce das famílias, o comprometimento de acompanhar a formação de sua prole, desde o nascer até o alcance da fase adulta. A responsabilidade da família está expressa no artigo 205 da atual Carta Magna Brasileira: “a educação, direito de todos e dever do Estado e da Família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Este contexto reforça a ideia de que urge que as escolas façam um trabalho compartilhado com as famílias, mostrem em reuniões de pais e mestres a importância de ter os pais dentro das escolas, que eles precisam visitar, conhecer os espaços, os trabalhos que os educadores realizam junto a seus filhos e que a responsabilidade da família é o fator primordial.

Ao atender aos preceitos legais preconizados pela LDB (1996), sobre os princípios e fins da educação nacional, garante-se em seu 2º Artigo: “A educação, é dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (SOUZA, 1997, p. 9). E, o artigo 12, inciso VI da LDB (Ibidem) determina a articulação com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a escola.

Ressalta-se que jamais escola e família devem caminhar em mundos antagônicos, pois ambas precisam entender que o caminho a percorrer “Instrução e Educação” só terá êxito se os dois estiverem unidos na mesma direção: a escola, por sua vez, com um trabalho que favoreça o ensino, a aprendizagem, a cidadania dos alunos, e as famílias no papel de responsáveis por educar e formar seus filhos com atitudes corretas para integrar uma sociedade. Portanto, o elo entre escola e família jamais deve ser perdido de vista em toda a sua história, mesmo que na atualidade, em alguns casos refiro-me, este elo tenha apresentado certas fragilidades em decorrência da conjuntura da contemporaneidade, em que a ideia de família, quanto à sociedade, vai aos poucos se afastando dos vínculos afetivos tradicionais e se interligando em outro estilo de vida, a do mundo global, com um tipo de sociedade inteiramente independente, onde o convívio do dia a dia, entre pais e filhos e vice versa tem- se mostrado alterado - como mães que adentram cada vez mais o mercado de trabalho para ajudar na renda familiar ou até para sustentar sozinhas o lar; pais que precisam trabalhar além da jornada normal para garantir as mínimas condições de sobrevivência; filhos que passam a

ficar cada vez mais isolados em relações virtuais; pais que não acompanham seus filhos nas escolas e deixam e cumprir suas responsabilidades na educação, além de outras alterações que vêm modificando o vínculo afetivo da família -. Este reflexo recai, inevitavelmente, nas escolas, quando pais não estimulam e não acompanham seus filhos nas atividades escolares.

Mesmo com todo o contexto descrito, acredita-se que as escolas não devem perder de vista que precisam fazer um trabalho compartilhado (reforça-se) escola-família; acrescenta-se ainda a comunidade, seja nas atividades que envolvam a Educação Ambiental ou quaisquer outras, pois só assim estará exercendo sua função social e educativa. Logo, entende-se que a família tem responsabilidades a cumprir, também em se tratando de ações que envolvam a Educação Ambiental, pois de nada adianta a escola pregar uma prática transformadora, se a família não a acompanha. A Educação Ambiental segundo Brasil (2012. p.14), pode ser realmente transformadora ao trazer novas maneiras de conviver com o mundo em sua totalidade e complexidade, respeitando as diversas formas de vida, cultivando novos valores e criando uma cultura de paz. Mas, para que isto aconteça é necessário se ter uma postura observadora e crítica, estudar como a sociedade humana foi ao longo de sua história construindo e adotando comportamentos de uso e abuso dos sistemas vivos.

Outro dado que realmente surpreende é que ainda há professores que não estão sensibilizados para trabalhar a Educação Ambiental nos espaços escolares, conforme dados advindos de gestores (16%) e de coordenadores pedagógicos (34%). Diante desta realidade, questiona-se: o que justifica professores ainda não sensíveis à prática da Educação Ambiental? Como poderão atuar junto a seus alunos, quando tratar do desenvolvimento desta educação se não estiverem sensíveis aos problemas do meio ambiente? Estes educadores precisam compreender que são importantes para transmitir a seus alunos prática de Educação Ambiental, que vivem em uma sociedade ladeada por inúmeros problemas ambientais e socioambientais, que necessitam ser discutidos em sala de aula, para mostrar aos alunos, de forma crítica, quais são realmente as causas, os desafios que a humanidade enfrenta, que ações emergenciais precisam ser tomadas pelas autoridades e pela sociedade humana de modo geral, quando estão em jogo as questões do meio ambiente. Mas é importante que se fundamente: não basta ensinar o aluno a ser crítico sem ter uma visão de mundo, e sem que haja mudança para atuar neste mundo. Portanto, é o momento de os professores que não apresentam sensibilidade com as questões do meio ambiente fazerem uma reflexão, para que aconteçam mudanças de pensamentos, de atitudes, de valores, e assim se busquem vivências de Educação Ambiental transformadora nas escolas.

A Educação Ambiental transformadora, na visão de Loureiro (2003, p. 37), “não é aquela que visa interpretar, informar e conhecer a realidade, mas busca compreender e teorizar na atividade humana, ampliar a consciência e revolucionar a totalidade que constituímos e pela qual somos constituídos”. Deste modo, é ter a certeza de que cada homem precisa conhecer o mundo que o cerca, bem como compreender de que modo as relações entre os indivíduos e destes com o meio em que vivem se definem, são mediadas e podem ser transformadas.

Em relação às dificuldades apontadas por 17% dos gestores, constatou-se o não reconhecimento destes educadores sobre as políticas públicas voltadas para a questão dos resíduos sólidos de seu município, pois já existe referência, de que Santarém já apresenta uma política de RS como determinação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Sobre a inexistência de projetos nas escolas com um olhar interdisciplinar, registrado por 9% dos professores, tem-se a comentar: é bem notório que estes professores sabem da importância que tem um trabalho de Educação Ambiental movido pela interdisciplinaridade, que faz com que os alunos transitem em vários assuntos, superando a fragmentação do conhecimento, já que torna-se cada vez mais difícil pensar um trabalho de Educação Ambiental sem a interdisciplinaridade, como pontua Bizerril & Faria, (2001, p. 59) em um trabalho realizado sobre Educação Ambiental em uma escola de Brasília: “Atualmente, é difícil, senão impossível, imaginar a Educação Ambiental sem associá-la ao conceito da interdisciplinaridade, e os PCN reforçam esta necessidade”. Logo, é preciso que os professores realizem em salas de aula o trabalho, sob a ótica da interdisciplinaridade e que, segundo Fazenda (2002, p. 40): “a interdisciplinaridade pressupõe basicamente: (...) uma intersubjetividade, não pretende a construção de uma supervivência, mas uma mudança de atitude frente ao problema do conhecimento, uma substituição da concepção fragmentária para a unitária do ser humano”. Reigota (2001, p. 25), diz que a Educação Ambiental pode ser vista do ponto de vista da interdisciplinaridade, como perspectiva educativa, pode estar presente em todas as disciplinas, quando analisados temas que permitem enfocar as relações entre a humanidade e o meio natural, e as relações sociais, sem deixar de lado as suas especificidades. Portanto, é imperativo que os professores desenvolvam práticas de Educação Ambiental, sob a ótica da interdisciplinaridade, pois assim permitirá a elaboração de novos saberes, de outros entendimentos, bem como de uma compreensão do ambiente de maneira global.

Quanto aos educadores que não apresentam qualquer dificuldade para um trabalho de Educação Ambiental nas escolas, apontado por 17% dos gestores, 33% dos coordenadores

pedagógicos e 50% dos professores, supõe-se já terem uma larga experiência em sua trajetória de ensino, sendo, portanto, um facilitador para o desenvolvimento da prática educativa. Com isto não se quer generalizar que só experiência é o suficiente para que os educadores possam conduzir suas atividades de Educação Ambiental; há necessidade de aglutinar experiência, conhecimento e um método adequado que conduza o processo ensino e aprendizagem na melhor forma possível.

3.5.6 Categoria: A Educação Ambiental e o Projeto Político Pedagógico (PPP) das