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Categoria Velhice x Trabalho

No documento A vivência da homossexualidade na velhice (páginas 63-66)

6. RESULTADOS E DISCUSSÃO

6.1. Eixo Temático Envelhecimento

6.1.3. Categoria Velhice x Trabalho

A atividade laboral aproxima o indivíduo a sua independência, status, produtividade, inclui socialmente, enfim, é um item relevante para a vida do ser humano. Quando envelhecemos a imagem, socialmente difundida, do velhinho jogando dominó na praça e da vovó fazendo crochê aterroriza o idoso.

O envelhecimento não deve ser sinônimo de inatividade ou improdutividade. Os nossos sujeitos apresentam muito bem essa questão. O trabalho aparece como uma realização profissional, onde os idosos se identificam, sentem-se produtivos, têm autonomia e independência conforme observamos no gráfico 7.

Grafico 7: Representação gráfica das subcategorias relacionadas a velhice x trabalho

Essa categoria velhice e trabalho vem ilustrada com diversas vertentes, conforme apresentamos na tabela abaixo.

Tabela 4 - Categoria Velhice x Trabalho

CATEGORIA: VELHICE X TRABALHO EXEMPLOS FREQUÊNCIA Absoluta % REALIZAÇÃO Meu trabalho... amo o que eu faço! (Chaves, 60 anos, C.F.) 8 28,5% APOSENTADORIA A minha vida esta tranquila, estou sossegado, eu hoje sou aposentado. (Vitor, 60 anos, E.) 4 14%

INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA

Porque uma pessoa homossexual que chega na minha idade sem ter uma condição mínima, mínima, financeira, independencia financeira, você tem independência, é claro! (Carlinhos, 65 anos,

E.)

8 28,5%

DEPENDÊNCIA FINANCEIRA

vai ser uma eterna diferença, por uma pessoa idosa que não tem condição financeira, que tem que enfrentar um SUS e a pessoa

idosa que tem um plano de saúde maravilhoso (Carlinhos, 65 anos, E.)

2 7% IDENTIDADE

Meu trabalho é tudo de bom. Tudo de bom! É o que me realiza.

(Carlinhos, 65 anos, C.F.) 2 7%

TRABALHO VOLUNTÁRIO

Todo final de ano eu recolho com minhas clientes as coisas para ajudar as pessoas necessitadas, eu saio por aí, alugo uma Kombi ou uma Van e saio por aí sem rumo ajudando as

pessoas, onde eu passo que eu acho que tem que ter isso, isso eu faço todo o ano, todo mês de dezembro. (Carlinhos,

65 anos, C.F.) 3 11% FALTA DE COMPROMISSO/ AUSÊNCIA DE ROTINA

Compromisso com nada. Eu não quero ter mais não. Só isso

aqui. (Carlinhos, 65 anos, C.F.) 1 3%

Fonte: Dados da Pesquisa

Dois aspectos foram mais relevantes para os nossos idosos na relação velhice e trabalho: A realização e a independência financeira, ambas com 28,5%, representando o que o trabalho lhes proporciona.

Meu trabalho... amo o que eu faço! (Chaves, 60 anos, C.F.).

Tenho o meu dinheiro, tenho a minha casa, tenho o meu carro, tenho outro imóvel alugado (Vitor, 60 anos,E.).

A independência financeira é bem relevante para os idosos entrevistados. Vitor vive uma condição diferente, pois está aposentado, mas Chaves e Carlinhos ainda trabalham, são profissionais autônomos, e quando foram questionados sobre quando parar de trabalhar, ambos disseram sentirem condições de continuar trabalhando, pois ainda desejam conquistar algumas coisas para depois se aposentarem.

Muitas vezes a aposentadoria traz o declínio do padrão de vida, assim o idoso passa por privações e sem qualquer preparo emocional, sendo acometido de diversas doenças e

fortes depressões, conseqüências da não elaboração de um fechamento de um ciclo importante. Para muitos idosos há uma decepção em relação à aposentadoria que é esperada como um benefício que trará lazer e descanso e quando o idoso percebe que o seu padrão econômico-social pode sofrer um declínio a frustração é maior. (SANTOS, 2006).

Por outro lado, no Brasil, ainda acontece a marginalização do trabalho idoso. A preferência dos empregadores é pelos mais jovens, detentores de mais vigor físico, que são moldáveis, e tem o conhecimento dos instrumentos tecnológicos modernos. Diferente da América e da Europa, onde os idosos continuam produzindo, inseridos no mercado de trabalho e considerados detentores de conhecimento e experiência que muitos jovens ainda não adquiriram.

A realidade brasileira precisa mudar, já que em 2025 a população idosa será numerosa em comparação a população adulta, como iremos fazer com 13 milhões de idosos aposentados, muitos em condições de continuar trabalhando e inseridos socialmente?

Outro aspecto que gostaríamos de levantar é que as atividades laborais, remuneradas ou não, podem ser inseridas na vida do idoso de diversas formas: trabalho voluntário, um trabalho que explore as habilidades artesanais, de pintura, a música, ensinando aos seus pares ou ainda contribuindo com a educação dos mais jovens. Não necessariamente devem continuar com a vida frenética e estressante que eles geralmente viveram na juventude.

Gauthier e Smeeding (2003), realizaram uma pesquisa envolvendo adultos e idosos de nove países acerca da alocação de tempo livre após a aposentadoria. Foram divididos o uso do tempo em ocupações “ativas” (trabalho remunerado ou voluntário, serviços domésticos, atividades religiosas e sociais, esporte e exercícios físicos, educação continuada, etc.) e “passivas” (assistir a TV, ouvir rádio ou similar, relaxar, dormir e cuidados pessoais, como higiene e alimentação). Com algumas diferenças por país ou por gênero, eles relatam que, com o aumento da idade, também aumentam as ocupações passivas. O que não é a realidade dos nossos idosos. Eles trabalham muito e pretendem continuar trabalhando.

Durante a aplicação dos instrumentos de pesquisa, os discursos que se referiam ao trabalho eram sempre de uma atividade bastante vigorosa e em pleno exercício.

A única coisa que eu tenho é muito trabalho, e eu tenho uma agenda extremamente lotada o ano inteiro, e trabalho muito... (Carlinhos, 65 anos, E.)

Outra questão relevante é a relação entre a independência financeira e a vivência da homossexualidade e da velhice.

Porque uma pessoa homossexual que chega na minha idade sem ter uma condição mínima, mínima, financeira, independência financeira.. (Carlinhos, 65 anos, E.).

A impressão que fica é de que a velhice já é difícil sem independência financeira, imagine idoso, homossexual e dependente financeiramente? As histórias desses sujeitos são envoltas ao abandono familiar, a solidão, ao isolamento, preconceito e o que se percebe é que ter dinheiro e ser independente facilita a vida dessas pessoas. Comentaremos melhor esse tópico no eixo homossexualidade, posteriormente.

No documento A vivência da homossexualidade na velhice (páginas 63-66)