2. CAMPO TEÓRICO DE ANÁLISE
3.2. PROCESSO ANALÍTICO
3.2.2. CATEGORIAS DEFINIDAS A PRIOR
POLÍTICA
Os autores privilegiados para este tema são vários, entre os quais, autores clássicos pela singularidade e essência do pensamento político. Neste sentido, Aristóteles defende a constituição de um Estado que salve os homens e uma política que apele à justiça (Moreira, 2005, p. 22). Segundo Aristóteles, em todas as ciências e artes, o fim em vista é um bem. O maior bem é o fim visado pela ciência suprema entre todos e a mais suprema de todas as ciências é o saber político. Assim, o bem em política é a justiça que consiste no interesse comum (Aristóteles, Trad. 1998). Machiavel, autor controverso, prova no seu livro “O Príncipe”, ser extremamente atual quando nos fala da mentira real, sobre a neutralidade e a aliança, escolher entre a justiça e o êxito, entre a razão de Estado e a autenticidade (Moreira, 2005, pp. 17-24). Giddens, diz-nos que no mundo “político” estão implícitas as atividades daqueles que estão no governo, mas também as ações de muitos outros grupos e indivíduos que tentam influenciar o aparelho governamental de muitas maneiras (Giddens, 2009, p. 699). Num sentido explicativo, Sousa, diz-nos que na política estão implícitos fenómenos sociais, tais como as campanhas eleitorais, a formação, o desenvolvimento e o jogo dos partidos, a formação e papel da opinião pública política, o significado da luta de classes em relação à tomada do poder político, a natureza, o desenvolvimento e significado do estado, do governo e de toda a burocracia administrativa, religiosa, constitucional e militar, justificativa da conquista e manutenção do poder político (Sousa, 1978).
DESPORTO
O apoio bibliográfico para o desenvolvimento desta temática passa por autores como Bento, pela singularidade com que fala sobre “desporto”. Para o referido autor, o desporto surge como um instrumento para o progresso comportamental e moral capaz de produzir melhores seres humanos e pessoas. É um instrumento voltado para forjar o Homem como uma figura da ética e da estética. Permite afastar o homem do estado animal, construindo sobre este uma condição humana, racional, técnica, de arte, de virtude, de ética, e de estética, ou seja, de excelência. Sendo muito mais que um divertimento lúdico, ou uma simples atividade física, é uma exigente filosofia e pedagogia da existência, a afirmar que o homem tem que se cumprir em todos os campos e áreas do seu labor, não sendo dispensado de se transcender e humanizar também pelas performances corporais (Bento & Bento, 2010). Neste enquadramento, o autor espelha uma visão profundamente humanista do desporto. Na mesma linha de pensamento de Bento e Bento (2010), Garcia e Boschi, (2010) falam-nos de um desporto agregador em que este é uma procura do bem das populações, atuando em distintas direções, não excluindo ninguém da sua prática ou fruição. Ricos, pobres, altos, baixos, gordos, magros, dotado, deficiência motora, sensorial ou mental, criança ou idoso, entres outros são sujeitos ativos do desporto. Todos detêm um lugar no desporto (Garcia & Boschi, 2010, s/p). Costa (1992) orienta-nos para um desporto como meio de integração social e capaz de reforçar a identidade da sua sociedade. Constantino e Pires, pelo conhecimento profundo em áreas relacionadas com a política e gestão desportiva, procuram explorar todos os processos responsáveis e capazes de promover e desenvolver uma prática desportiva para todos. Para Pires, o desporto envolve exercício físico, competição, desafio, esforço, luta, apetrechos, estratégia e tática, princípios, objetivos, instituições, regras classificações, tempo livre, jogo, vertigem, aventura, investigação, dinheiro, lazer, sorte, rendimento, simulação, códigos, resultados, prestações, treino, força, destreza, medição, tempo, espaço, beleza, medida, voluntarismo, morte, etc. (Pires, 2005). Ortega y Gasset
(1987), autor que contempla o desporto e o homem criando uma simbiose entre estes, declarando que desporto é um esforço primário e criador é ir mais além (Ortega y Gasset, 1987).
SOCIEDADE
No desenvolvimento desta temática, Moreira (2009), é um dos autores citados, pelo seu profundo conhecimento da sociedade portuguesa e de uma visão apurada do contexto político nacional e internacional. Moreira (2009), alerta- nos que, a relação do povo com os aparelhos do poder tende para displicência, e que a crescente multiplicidade étnica e cultural, dependente de uma teologia de mercado sem regulação, contribui para questionar a erosão da identidade nacional. A sua preocupação na análise e avaliação das políticas desenvolvidas tem em vista o respeito e a paz dos povos, conferindo-lhes uma visão humanista, chamando a atenção que “a falta de integração das minorias pode ameaçar a estabilidade política e a vida pacífica da sociedade civil” (Moreira, 2009a, p. 249). Barreto (2005), pelo conhecimento profundo da realidade portuguesa e das matérias relacionadas com a migração, a coesão e integração social, leva-nos a refletir sobre os inúmeros problemas que as populações imigrantes sofrem, tais como situações de precariedade, de desenraizamento, de segregação, de discriminação étnica, cultural e religiosa, sendo fundamental pôr em prática políticas de integração. Mais uma vez Giddens (2009), surge como autor de referência pelas características já descritas, referindo que a sociedade é um sistema estruturado de relações sociais que liga as pessoas de acordo com uma cultura partilhada. Nesta mesma linha, Ginsberg (2000), afirma que a sociedade distingue-se pelo complexo comportamento social e pela rede de relações sociais. Com uma visão plural e humanista, Savater (2003), afirma-nos que o que mantém unida uma sociedade não é a religião comum, a raça, a etnia, a língua ou a cultura, mas um acordo normativo em relação ao império do direito e a crença de que somos indivíduos iguais e portadores dos mesmos direitos.
MULTICULTURALISMO
No enquadramento da temática em causa, os autores escolhidos determinam pontos de vista humanistas, apologistas da diversidade e de uma visão multicultural. Neste sentido, Arendt (2001), determina que a diversidade é a condição da ação humana pelo facto de sermos todos o mesmo, isto é, humanos, sem que ninguém seja rigorosamente igual a qualquer pessoa que tenha existido, exista ou venha a existir. Assim e numa apologia do diverso, Patrício (2002), afirma-nos que o universo é diverso, que a diversidade é diversa e que a diversidade existe na diversidade mesma, no sentido de nos explicar, que para ter surgido o universo, teve que existir alguma diversidade na singularidade. Caso não houvesse alguma diversidade não tinha havido explosão. No mesmo sentido, Rocha (2000), afirma-nos que existe uma diversidade de sistemas culturais e de civilizações, com as suas diferentes particularidades que enriquecem o conjunto da humanidade. No que concerne à temática do multiculturalismo e no seu relacionamento com o desporto, Kennet (2005), diz-nos que o multiculturalismo no desporto subsiste onde pessoas de variadas culturas participam nos mesmos espaços, mas não necessariamente juntas. Numa abordagem sociológica, Barreto (2005), explica- nos que uma sociedade multicultural é uma sociedade na qual grupos de habitantes, com tradições culturais diferentes, em conjunto, formam uma sociedade e nessa sociedade expressam, através de instituições, um ou mais elementos importantes da sua cultura (por exemplo, língua, religião). Esses elementos culturais são diferentes dos da outra cultura ou culturas com as quais convivem, de tal forma que esta sociedade está radicalmente ordenada como um mosaico de culturas separadas.
EDUCAÇÃO
A escolha dos autores para a definição da referida temática, recai naqueles que apelam a uma visão plural e abrangente da educação, em que esta serve para criar homens do mundo e para o mundo. Neste sentido, Patrício (2002), pela
profunda preocupação em entender o mundo e o homem e a forma como este pode superar a sua essência, declara que a escola é uma oficina de personalização e de humanidade, a casa onde se exerce o ofício de tornar humano. Carneiro (2003), debruça-se sobre uma educação multicultural e o apoio à diversidade como forma de enriquecimento individual e coletivo, em que o reconhecimento do “Outro”, titular de direitos e de deveres, portador de uma dignidade inviolável, em tudo igual à nossa própria, constitua dever indeclinável do processo educativo. Aprender a escutar o próximo, a adquirir aptidões comunicacionais com o “diferente”, apreciar o património cultural dos outros e descobrir o fascínio da diversidade (Carneiro, 2003). Para Giddens (2009), a educação é a transmissão do conhecimento entre gerações através da instrução direta. No entanto, apesar de existirem sistemas educativos em todas as sociedades, a educação para todos, só no período moderno, adquiriu a forma de escolarização. A instrução passou a ser feita em ambientes educativos especializados nos quais os indivíduos passam vários anos das suas vidas. Bento e Bento (2010), mais uma vez nesta temática, afirma que a educação através do desporto serve para trocar o insuficiente, o menos e o pior que se encontra dentro das pessoas, pelo suficiente, o mais e o melhor que se encontram fora de nós. O desporto é um lugar pedagógico por excelência ao tornar evidentes as nossas fraquezas, insuficiências, mazelas e contradições e põe a nu e convida a cultivar o que em nós falta. O desporto faz parte da luta contra a ideologia da impotência. Ele desafia-nos a aprimorar a elegância e a combater a deselegância das reações, das atitudes e dos comportamentos, o índice de apego ou desapego à observância de princípios e regras, o grau de respeito ou atropelo dos direitos e da pessoa dos outros.