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Categorias e subcategorias: T – paciente transplantado

1. Dinâmica Familiar – refere-se à maneira pela qual a família nuclear divide os papéis familiares e se comporta frente às situações.

1.1. Ampliação do contexto familiar – diz respeito a atribuir um papel familiar a outrem que não seja membro da família nuclear e ao agregamento de considerações compatíveis ao papel desempenhado. Exemplos: “Tem as meninas - mais três irmãs dela - que me tratam muito bem.” Eu considero elas como se fossem minhas irmãs, são outras irmãs que eu tenho. E o irmão mais velho também, eu considero ele demais. Tenho o maior respeito por ele” (T1).

1.2. Atitude favorável à formação de vínculos – trata-se de atitudes no relacionamento entre duas ou mais pessoas que caracterizem o envolvimento emocional e que beneficiem ou favoreçam as partes envolvidas. Exemplo: “Ah! Eu queria conhecer a família e não me importaria que as pessoas soubessem que eu recebi o rim!” (T2). 1.3. Percepção da família em conhecer o receptor- refere-se ao ato de reconhecer a atitude

da família doadora em busca de informação sobre o receptor. – Exemplo: “Quando eu transplantei, aconteceu o seguinte: a família quis me conhecer e a Central ligou pra mim, dizendo que a família queria me conhecer...” (T1)

2. Aspectos Psicológicos – referem-se aos aspectos de ordem psíquica e/ou emocional. 2.1. Necessidade de conhecimento do doador – refere-se ao interesse de conhecer a família

do doador para suprir uma necessidade emocional. Exemplo: “Eu acho que todo mundo que é transplantado por cadáver ele tem que ser conhecido um do outro, seja ele quem for, tem que se conhecer. Se a gente viver... é a mesma coisa de ter um filho, um pai e uma mãe, que não conhece ele. Ele fica traumatizado, fica com revolta pro resto da vida. Eu acho que o transplantado é o mesmo jeito. Se eu não tivesse conhecido eu teria ficado com isso na cabeça” (T1).

2.2. Necessidade de conhecimento da família e de ser reconhecido pela mesma - refere- se ao interesse de conhecer a família do doador e de se fazer conhecer para suprir uma necessidade emocional de ambos. - Exemplo: Sim, a família falou que queria me conhecer pra Central, a Central falou comigo. Aí eu vim, como se diz com uma contribuição dessa, a gente tem que vir alegre. Então eu fui na Central e fiquei conhecendo o irmão da doadora”(T1).

“Eu acho que todo mundo que é transplantado, ele tem que ser conhecido um do outro, seja ele quem for, seja branco seja preto, seja de qualquer jeito ou que seja ele quem for eles tem se conhecer” (T1).

2.3. Adaptação às regras da confidencialidade – trata-se do comportamento de aceitação das regras estabelecidas para a confidencialidade da identidade do doador. Exemplo: “Um dia depois do transplante eu procurei aos enfermeiros. E aí, eles disseram que eu não poderia saber, por isso que eu nem fui atrás, perder tempo!” (T2).

2.4. Receio da barganha – refere-se à expressão de sentimento desfavorável à troca de favores em função da doação. Exemplo: “Foi lá, doou aquele órgão para servir para alguém. Tá tudo bem e tal... E a família muito feliz... também a família do doador... Só que, as cabeças mudam a vida muda. Um dia alguma coisa muda dentro disso aí. Aí, mudando a cabeça, vai mudar a maneira de agir porque quem controla a maneira de agir é a cabeça da pessoa. Mudando a forma de agir, ele vai procurar o receptor e, logicamente, dizer a ele alguma coisa sobre o transplante, alguma coisa que seja lucrativo ou que ele possa ter benefício de alguma coisa” (T2).

2.5. Atitude favorável às regras da confidencialidade - trata-se do comportamento de aceitação das regras estabelecidas para a confidencialidade da identidade do doador. Exemplo: “Devia ser proibido o receptor saber quem é a família e a família saber quem é o receptor. É uma forma de proteger as pessoas, certo? Mesmo que eu tivesse vontade, curiosidade de saber quem é a família. Às vezes, tem quem não pensa desse jeito e quer conhecer e depois, aí vem o problema, e aí acorda e pensa: puxa vida! o que é que eu fiz? Mas aí ele já fez... “É igual a um casamento mal feito” (T2).

3. Aspectos Morais – referem-se a um sistema de normas, princípios e valores segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade (GARRAFA, 1997).

3.1. Respeito à decisão compartilhada – trata-se de uma compreensão positiva de que o posicionamento das pessoas envolvidas necessita ser reconhecido para que as atitudes atendam à expectativa e beneficiem a todos. Exemplos: “... a decisão teria que ser em comum acordo para que não houvesse problemas depois.” (F1) “Eu tenho impressão que a lei poderia determinar que isso ficasse à escolha da família que doou e da família que recebe” (F2).

3.2. Obrigatoriedade em atender à solicitação da família – trata-se da referência da necessidade de aceitação de um posicionamento por se tratar da família doadora. -

Exemplos: “Aí eu... com uma contribuição dessas, a gente tem que ficar alegre. Então foi marcado um encontro na Central, eu vim e fiquei conhecendo o irmão dela (da doadora)” (T1). “Ah! Ia mudar a minha consciência sobre a família do doador, sem duvida, de qualquer um. Eu teria, assim, um compromisso com aquela família” (T2). 3.3. Obrigatoriedade da quebra da confidencialidade – refere-se à expressão de

imposição da quebra da confidencialidade do doador e receptor. Exemplo: “Deveria ser obrigatório se conhecer” (T1).

4. Aspectos legais – referem-se aos temas sugeridos pelos participantes como texto de Lei.

4.1. Legislação desfavorável à confidencialidade – refere-se a um posicionamento desfavorável em relação à quebra da confidencialidade que deve regulamentada por Lei. “Devia ser proibido o receptor saber quem é a família e a família saber quem é o receptor. É uma forma de proteger as pessoas, certo? Mesmo que eu tivesse vontade, curiosidade de saber quem é a família” (T2).

4.2. Legislação favorável à confidencialidade – refere-se a um posicionamento favorável em relação à quebra da confidencialidade que deve regulamentada por Lei. Exemplo: “Deveria ser obrigatório se conhecer” (T1).

4.3. Compreensão das normas – refere-se à expressão de que compreendeu as normas adotadas para a situação. Exemplo: “... segundo o que eu fui informado, não vão dizer o nome do doador, mesmo que eu quisesse.” (T2).

4.4. Direito de decisão sobre a quebra da confidencialidade -Pertencente ao receptor – trata-se de referência ao direito do receptor decidir se deve haver quebra ou não do sigilo da identidade do doador. Exemplos: “O transplantado, né”? (T1).

“... Eu decidir... e a Central de Transplantes se responsabilizar por qualquer coisa” (T2).

5. CNCDO – refere-se aos indicadores do funcionamento da CNCDO

5.1. Informação em relação à existência do ao papel da CNCDOs – expressa dados sobre o funcionamento da CNCDO sem que a origem da informação tenha sido a própria CNCDO. “Exemplo: “Eu decido e a Central se responsabiliza, porque só a partir deles é que se sabe, não é isso?”(T2).

5.2. Informação favorável à manutenção da confidencialidade – refere-se à expressão que denota as normas da CNCDO favoráveis à confidencialidade – Exemplo: “Não ninguém nunca falou... só de conversa de amigos... e nessa conversa eles falam que a

gente não pode conhecer” (T1). “Um dia depois do transplante eu procurei aos enfermeiros e aí eles disseram que eu não poderia saber, por isso que eu nem fui atrás, perder tempo!” (T2).

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