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CAPÍTULO 3: METODOLOGIA

3.3 Coleta de dados e análise dos dados

3.3.7 Categorização

Segundo Duarte (2006), categorias “são estruturas analíticas construídas pelo pesquisador que reúnem e organizam o conjunto e informações obtidas a partir do fracionamento e da classificação em temas autônomos, mas inter-relacionados” (DUARTE, 2006, p. 79). Assim, as categorias analíticas criadas para esta pesquisa consideraram o referencial teórico que fundamenta esta pesquisa, sob o ponto de vista do comportamento autônomo, e aquilo que foi observado durante a gravação e transcrição dos vídeos.

O processo de criação de categorias de comportamentos não se deu de forma linear. Algumas categorias foram criadas antes do início da análise dos vídeos, baseadas nas primeiras impressões, após o início da transcrição dos vídeos. Estas categorias foram testadas, com o objetivo de verificar se realmente estavam claras e se eram condizentes com o que

estava sendo analisado. Após diversas alterações, chegou-se a um grupo final de categorias que satisfaziam às necessidades da pesquisa.

É importante frisar que as categorizações fazem referência exclusiva ao comportamento dos alunos. Não foi objetivo analisar, de forma mais aprofundada, o comportamento dos tutores por si só. Na análise dos vídeos, os tutores foram apenas considerados como indivíduos que interagiam com o aluno e, portanto, as situações só foram analisadas a partir deste ponto de vista.

As categorias desenvolvidas para a análise dos vídeos foram:

• Apropriação prévia do conteúdo: ações que demonstram apropriação prévia do conteúdo trabalhado anteriormente nas Unidades de Estudos, considerando quanto tempo os alunos já tiveram para estudar (há quanto tempo os materiais foram lançados no Moodle). Considera desde o nível da execução até a identificação dos itens a serem estudados. Esta categoria tem relação com as hipóteses da pesquisa que dizem respeito à predisposição dos alunos com seu estudo individual, tempo dedicado ao estudo, nível de compreensão do conteúdo das Unidades de Estudos por parte dos alunos.

• Expressão de dúvidas e problemas: ações que demonstram expressão (verbal ou combinada com execução no instrumento) das dúvidas, problemas existentes e até mesmo de reações a partir da solução de problemas apresentados. Está relacionado com a questão da comunicação como um dos fatores que influenciam no desenvolvimento da identidade social e, consequentemente, na autonomia do indivíduo (RANGEL et al, 2005). Também inclui com a capacidade de autoconhecimento, pois o fato de conseguir falar algo que se sente facilita no distanciamento do fato e sua análise (RANGEL et al, 2005).

• Iniciativa: qualquer ação realizada pelo aluno que não tenha sido solicitada diretamente pelo tutor, como auxílio aos colegas com dúvidas e prática no instrumento durante a tutoria, sem que tenha sido indicada. Também foram considerados aqui aqueles

comportamentos que não estão de acordo com o que o tutor pede (por exemplo, se o tutor pedisse para realizar determinada ação e o estudante fizesse outra ou ignorasse o pedido do tutor), ou simplesmente não tocar. Esta categoria está ligada a todos os autores da revisão de bibliografia que falam sobre do estudo autodirigido (PETERS, 2006, 2009; MOORE & KEARSLEY, 2007; GOHN, 2003, BELLONI, 2008). Na nossa compreensão, este tipo de comportamento pode ser embrionário para que o aluno desenvolva um comportamento mais ativo no seu aprendizado.

• Identificação, reflexão e solução de problemas: ações que indiquem percepção de dificuldade ou problema, reflexão sobre, identificação (qual é o problema), nova reflexão, solução ou estratégias de ação (a partir da mobilização do tutor ou sozinho). Construção do conhecimento (o que não conseguiam tocar e passam a conseguir a partir das estratégias desenvolvidas). Esta categoria diz respeito direto ao referencial de Shön (2000), adotado nesta pesquisa. Consideramos que comportamentos desta natureza são aqueles que podem caracterizar um aluno autônomo.

Propositalmente, as categorias criadas são abrangentes e os limites entre uma e outra são bastante tênues. Isto porque acreditamos que existem fortes inter-relações entre elas e, como todas fariam parte de um mesmo relatório final, tal fato não foi considerado como um problema.

A análise dos vídeos foi feita diretamente nas transcrições, auxiliadas pela revisão dos vídeos quando necessário. A análise consistiu em identificar, ao longo da tutoria, momentos em que as ações realizadas pelos alunos se enquadravam nas categorias analíticas elaboradas.

Depois da categorização, as ocorrências de cada um dos comportamentos foram tabeladas e comentadas, uma a uma (Tabela 3). Em momento algum o objetivo desta etapa foi fazer uma análise quantitativa dos fenômenos ocorridos (quantas vezes teve iniciativa,

de compreender melhor o fenômeno estudado. Também foi o intuito destacar de cada vídeo os comportamentos que favoreceram ou não a identificação dos fatores que influenciam a autonomia do aluno.

Tabela 3 – Tabela de Análise dos Vídeos

Após terem sido comentadas e tabeladas cada uma das ocorrências, foi feito um resumo de cada uma das categorias, para cada aluno, em cada tutoria. Este resumo deu origem a um texto único, para cada um dos alunos, com uma breve descrição de seu comportamento e características apresentadas nas duas situações filmadas.

Levando em conta os dados e evidências obtidos nas análises das filmagens, estas foram cruzadas com os dados dos questionários. Foi levado em conta o tipo de comportamento dos alunos nas atividades presenciais em complemento aos dados referentes, principalmente, ao estudo, interação com o material e com os tutores, frequência nas tutorias e todos os outros dados obtidos através dos questionários.

A partir desta etapa, o parecer final de cada um dos alunos começou a ser elaborado. De posse das análise dos vídeos, foi possível inserir mais dados sobre o perfil de cada aluno e, com base neste perfil, selecionar a amostra final de alunos desta pesquisa.