relações oficiais; os acidentes que ocorrem fora dos limites da empresa e fora do horário normal de trabalho, estes sob certas condições. Para a legislação previdenciária, portanto, somente o acidente do trabalho que cause prejuízo físico ou orgânico é enquadrado como tal (LEITE, 2008).
Analisando o problema do ponto de vista prevencionista, qualquer ocorrência anormal que prejudique a produtividade já é considerada um acidente. Por exemplo, se uma pilha de sacas de café, mal estocada, desaba e atinge um empregado, causando-lhe alguma lesão, isto caracteriza o acidente do trabalho legal. Se não atinge nenhum empregado e apenas se tiver perda de tempo para recolocar o material em seu respectivo local, do ponto de vista prevencionista o acidente do trabalho também ocorreu. Em outras palavras, qualquer ocorrência não programada, que interfira no processo produtivo, causando perda de tempo, constitui um acidente do trabalho.
2.1 CAUSAS, FATORES E CARACTERÍSTICAS DO ACIDENTE DO TRABALHO
Na ocorrência de um acidente de trabalho, a empresa comunica o acidente do trabalho à Previdência Social até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite máximo do salário de contribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências se não fizer tal comunicação (DELGADO, 2008).
Na falta do comprimento da comunicação, cabe ao setor de benefícios comunicar a ocorrência ao setor de fiscalização do INSS para e execução da multa devida. Da comunicação de acidente do trabalho recebem
cópia fiel o acidentado ou seus dependentes, bem como o sindicato a que corresponda a sua categoria.
Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizá-la o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, não prevalecendo nestes casos o prazo previsto, ou seja, no primeiro dia útil. Esta comunicação não exime a empresa da responsabilidade pela falta do cumprimento de comunicar o acidente (DELGADO, 2008).
De acordo com a jurisprudência do STJ:
Ementa: PROCESSUAL CIVIL.
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. INDENIZAÇÃO.
COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DO TRABALHO - CAT.
LEGITIMIDADE DA PARTE PARA FIGURAR NO PÓLO PASSIVO DA DEMANDA. ARGUIÇÃO. ARTIGO 535, inciso II, CPC. VIOLAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O acórdão recorrido restringiu-se a assentar que o recurso da recorrente não encontra qualquer amparo legal, razão porque teria sido rejeitado. Nesse contexto é sabido ser nula a sentença quando o juiz deixa de apreciar questões suscitadas nos autos, relevantes para o desfecho da causa. No presente caso, o aresto deixou de analisar questão fundamental, qual seja, a de que na ocasião do evento lesivo inexistia determinação legal relatados e discutidos estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs.
Ministros Eliana Calmon, Castro Meira, Humberto Martins e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. Processo (REsp 1189433 / SP. RECURSO ESPECIAL. 2008/0266411-0 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 - SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 15/06/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 28/06/2010).
Para Mauricio Godinho Delgado, o acidente do trabalho caracteriza-se da caracteriza-seguinte forma (DELGADO, 2008, p. 55):
a) administrativamente, através do setor de benefício do INSS, que estabelecerá o Anexo entre o trabalho exercido e o acidente; b) tecnicamente, através da Perícia Medica do INSS, que estabelecerá o nexo de causa e efeito entre: o acidente e a lesão; a doença e o trabalho; a causa mortis e o acidente.
As prestações relativas aos acidentes do trabalho são devidas: ao empregado, exceto o doméstico; ao trabalhador avulso; ao presidiário que exerce atividade remunerada; ao segurado especial; ao médico residente, de acordo com a Lei nº 8.138, de 28 de dezembro de 1990.
Em caso de acidente de trabalho, o acidentado e os seus dependentes têm direito, independentemente de carência, às seguintes prestações: a) quanto ao segurado: auxílio-doença e auxílio-acidente, quanto ao dependente: pensão por morte. O beneficiário, em gozo de uma das prestações, tem direito ao abono anual equivalente ao 13º salário (DELGADO, 2008).
O auxílio-doença e a aposentadoria por invalidez, decorrente de acidente do trabalho, não podem ser acumulados com o auxílio-doença previdenciário e qualquer aposentadoria do Regime Geral de Previdência Social.
O segurado em gozo de aposentadoria por tempo de serviço, especial ou por idade, que permanecer ou voltar a exercer atividade abrangida pelo Regime Geral de Previdência Social somente tem direito, em casos de acidente de trabalho, à reabilitação profissional e ao auxílio-acidente, não fazendo jus a outras prestações, salvo as decorrentes de sua condição de aposentado.
Se o acidente do trabalho acarretar invalidez ao aposentado, este poderá optar pela transformação da sua aposentadoria em aposentadoria por invalidez acidentária. No caso de morte, é concedida a pensão decorrente de acidente do trabalho, quando mais vantajosa.
O aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social que, tendo ou não retornado a atividade, apresentar doença profissional ou do trabalho relacionada com a atividade que exercia, tem direito à transformação da sua aposentadoria em aposentadoria por invalidez acidentária, desde que atenda às condições exigidas para a concessão desses benefícios (GOMES;
GOTTSCHALK, 2005).
A renda mensal do benefício de prestação continuada que substituir o salário de contribuição ou o rendimento do trabalho do seguro não tem valor inferior ao do salário mínimo, nem superior ao do limite máximo do salário de contribuição. No cálculo do valor da renda mensal do benefício, inclusive o decorrente de acidente de trabalho, são computados (DIAS, 2006, p. 201):
a) para o segurado empregado e trabalhador avulso, os salários de contribuição referentes aos meses de contribuições devidas, ainda que não recolhidas pela empresa, sem prejuízo da respectiva cobrança e da aplicação das penalidades cabíveis; b) para os demais segurados, somente são computados os salários de contribuição referentes aos meses de contribuições efetivamente recolhidas; c) profissional, por ela prescrito e custeado e tratamento dispensado gratuitamente, exceto o cirúrgico e a transfusão de sangue que são facultativos.
O artigo 201, § 10 da Constituição Federal de 1988 na redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, determina que a lei discipline a cobertura do risco de acidente do trabalho a ser atendida, concorrentemente, pelo regime geral de previdência social e pelo setor privado. Este artigo exonera, mesmo que parcialmente, o Estado da cobertura da infortunística, atribuindo a entidades privadas que buscam o lucro, a proteção do trabalhador neste momento crítico que é o acidente do trabalho (GOMES; GOTTSCHALK, 2005).
Demonstra, inclusive, um retrocesso histórico, pois a proteção pública do risco social acidentário iniciou-se, justamente, pela má cobertura anteriormente realizada por entes privados.
Houve época em que as prestações pagas em conseqüência de acidente do trabalho eram bastante diferenciadas das oriundas de incapacidade por motivo de acidente de qualquer natureza. Ressalta-se que a Lei nº 8.213/91, na redação original do artigo 61, previa renda mensal diferenciada para o auxílio-doença acidentário, mais vantajoso. A Lei nº 9.032/95 unificou as alíquotas para 91% do salário de beneficio.
Hoje, as regras das prestações, fruto de acidente do trabalho, são bastante semelhantes às dos outros acidentes que gerem incapacidade. Assim, ao se tratar das espécies de prestações, assinala-se qualquer regra especial em relação a do acidente do trabalho. As prestações relativas a acidente do trabalho são devidas, ao empregado, exceto o doméstico; ao trabalhador avulso; ao segurado especial; e o inciso XXVIII do artigo 72 da Lei Maior prevê o seguro contra acidentes do trabalho a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, nos casos de incorrer em dolo ou culpa.
O artigo 201, § 10, assinala a possibilidade de cobertura do risco de acidente do trabalho pelo RGPS de forma conjunta com o setor privado (GOMES;
GOTTSCHALK, 2005).
A Lei nº 8.212/91, no inciso II do artigo 22, prevê que a empresa contribuirá para o financiamento dos benefícios pagos, em virtude de acidente do trabalho dos empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço. Também o empregador rural, pessoa física, em relação a seus empregados disposto no artigo 25, inciso lI, da Lei nº 8.212/91. E o segurado especial, da mesma forma, para o custeio de suas prestações acidentárias, de acordo com a norma referida imediatamente anterior.
A Medida Provisória nº 83, de 12 de dezembro de 2002, dispõe que será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de
contribuição, respectivamente (GOMES; GOTTSCHALK, 2005). Será devida, também, contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente.
O artigo 129 da Lei nº 8.213/91 determina que os feitos, cujo objeto sejam concessão de benefício oriundo de risco social acidente do trabalho, tramitem na Justiça dos Estados, em primeira instância junto aos juízos de direito, e, em segunda, nos Tribunais de Justiça ou Tribunais de Alçada Cível, dependendo da organização judiciária. Seguem o procedimento sumário, correndo, inclusive, durante as férias forenses (DELGADO, 2008).
O Supremo Tribunal Federal tem decidido que as ações que versem sobre reajuste de benefício acidentário são de competência da Justiça Estadual (RREE nº 176.532-SC, 127.619-CE e 264.560-SP). A jurisprudência majoritária do STJ no passado se inclinava no sentido inverso, sob argumento de que neste tipo de ação discutem-se apenas critérios de reajuste do valor do benefício, sem exame de questões de natureza acidentária (CC nº 16.874/RJ e 17.190/SC). Portanto, a competência é do Juízo Federal.
Nos últimos tempos, contudo, o STJ tem-se alinhado aos precedentes do STF, firmando a competência do juiz de direito para decidir o caso. A decisão aborda as ações de reajuste de valor de benefício não se discutindo, qualquer fato ou incidência de regra jurídica relativa ao acidente do trabalho, não havendo fundamento firmando a competência do Juízo Estadual.
A última palavra sobre o tema na jurisprudência, no entanto, é do Supremo, pois a questão envolve interpretação de dispositivo constitucional.
Há isenção do pagamento de custas e verbas relativas à sucumbência, devendo o INSS antecipar os honorários periciais. O verbete da Súmula nº 110 do Superior Tribunal de Justiça esclarece que a isenção do
pagamento de honorários somente se refere ao acidentado, e o enunciado da Súmula nº 178, da mesma Corte, determina que o INSS não goza de isenção de custas em processos com tramitação na Justiça Estadual, uma vez que a União não pode isentar taxas da competência dos Estados disposto no artigo 151, inciso III, da Constituição Federal de 1988.
A petição inicial é instruída com a Comunicação de Acidente do Trabalho - CAT, condição específica para o legítimo exercício do direito de ação. Não há necessidade de exaurimento da via administrativa para a propositura da ação disposto no artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988.
A pretensão em relação às prestações de benefícios oriundos de acidente do trabalho, prescreve em cinco anos, contados da data da seguinte forma (GOMES; GOTTSCHALK, 2005, p. 198):
I - do acidente, quando dele resultar a morte ou a incapacidade temporária, verificada esta em perícia médica a cargo da Previdência Social, ou II - em que for reconhecida pela previdência social a incapacidade permanente ou o agravamento das seqüelas do acidente.
Há decisão do STF, fixada pelo enunciado da Súmula nº 230, no sentido de que a prescrição da ação de acidente do trabalho, conta-se do exame pericial que comprovar a enfermidade ou verificar a natureza da incapacidade.
A Lei nº 8.213/91 conceitua período de carência como número mínimo de contribuições mensais indispensáveis para que o beneficiário faça jus ao benefício, consideradas a partir do transcurso do primeiro dia dos meses de suas competências disposto no artigo 24. Assim, vincula-se o período de carência ao efetivo recolhimento das contribuições mensais. Para os segurados empregados e avulsos, cuja responsabilidade de pagamento das contribuições é da empresa empregadora, presume-se o recolhimento, desde que comprovado o exercício da atividade, sendo devido o benefício no valor integral.
Em princípio, de acordo com Mauricio Godinho Delgado existem três fatores principais causadores de acidentes da seguinte forma: condições inseguras, inerentes às instalações, como máquinas e equipamentos; atos inseguros, entendidos como atitudes indevidas do elemento humano; eventos catastróficos, como inundações, tempestades (2008, p. 67). Estudos técnicos, principalmente no campo da engenharia, são capazes de, com o tempo, eliminar as condições inseguras. Quando se fala, porém, do elemento homem, apenas técnicas não são suficientes para evitar uma falha nas suas atitudes.
Sob o ponto de vista prevencionista, causa de acidente é qualquer fator que, se removido a tempo, tem evitado o acidente. Os acidentes não são inevitáveis, não surgem por acaso, eles, na maioria das vezes, são causados, e, portanto, possíveis de prevenção, através da eliminação a tempo de suas causas. Estas podem decorrer de fatores pessoais dependentes, portanto, do homem ou materiais decorrentes das condições existentes nos locais de trabalho.
Vários autores, na análise de um acidente, consideram como causa do acidente, o ato ou a condição que originou a lesão, ou o dano. Existe, então, a necessidade do envolvimento de profissionais de outras áreas, principalmente de Ciências Humanas, para se obter uma evolução neste setor.
No treinamento de integração baseado na função a ser desenvolvida pelo novo empregado ou na reciclagem dos funcionários mais antigos, é reforçado o conhecimento das regras de segurança, instruções básicas sobre prevenção de incêndio e treinamento periódico de combate ao fogo, informações sobre ordem e limpeza, cor na segurança do trabalho, sinalização, cursos de primeiros socorros, levantamento, transporte e manuseio de materiais, integram uma política de segurança, visando a diminuição dos acidentes causados por atos inseguros (GOMES; GOTTSCHALK, 2005).
Sendo a segurança do trabalho basicamente de caráter prevencionista, é importante identificar os possíveis riscos no processo de produção, antes mesmo que ocorram os acidentes, isto é, a simples análise de risco ou estatística, mesmo que não acuse nenhum acidente, é encarada como mais um subsídio para a prevenção de acidentes e eliminação de causas.
A ocorrência de uma única morte, além da perda para a família do trabalhador, representa um prejuízo para o Brasil em relação ao trabalho produtivo. Em relação ao risco, de acidente e lesão, toda pessoa está sujeita pelo menos a três modalidades de risco de acordo com Omar Chamon (CHAMON, 2005, p. 291).
Em primeiro lugar, o risco genérico a que se expõem todas as pessoas. Em segundo lugar, na sua qualidade de trabalhador, está sujeito ao risco específico do trabalho. Em terceiro lugar, em determinadas circunstâncias, o risco genérico se agrava pelo fato ou pelas condições de trabalho de onde um risco genérico é agravado.
Em alguns casos, ainda existe uma má compreensão do que seja um acidente. A expressão acidentes grandes ou pequenos, presta-se à confusão. Em muitos casos, estes termos são erradamente empregados, para designar lesões graves ou leves. Quando os termos acidente e lesão são assim confundidos, além de supor facilmente que nenhum acidente seja de importância, conduz a erro quando da fase do reconhecimento das causas do acidente. Lesão é o ponto de partida, para analisar-se o tipo de acidente ocorrido.
O reconhecimento e a caracterização das causas podem ser simples, como no caso de um degrau quebrado de uma escada ou complexo quando se determina a causa ou as causas de uma seqüência, em cadeia, que originaram o acidente, cada uma delas relacionada à outra. De uma maneira geral diz-se que na maior parte dos casos, os acidentes são ocasionados por mais de uma causa (SAVARIS, 2008).
Para fins de prevenção de acidentes, há cinco tipos de informações de importância fundamental em todos os casos de acidentes de acordo com José Antonio Savaris (2008). São os chamados fatores de acidentes, que se distinguem de todos os demais fatos que descrevem o evento. Eles são: o agente da lesão; a condição insegura; o acidente tipo; o ato inseguro e o fator pessoal inseguro (SAVARIS, 2008, p. 115).
Agente da lesão é aquilo que, em contato com a pessoa determina a lesão. Neste caso, por exemplo, descreve-se um dos muitos materiais com características agressivas, uma ferramenta, a ponta de uma máquina. A lesão e o local da lesão no corpo é o ponto inicial, identificando o agente da lesão.
Observa-se qual a característica do agente que causou a lesão. Alguns agentes são essencialmente agressivos, como os ácidos e outros produtos químicos, a corrente elétrica, basta um leve contato para ocorrer à lesão.
Outros determinam ferimentos por atritos mais acentuados, por batidas contra a pessoa ou da pessoa contra eles, por prensamento, queda, etc. O mesmo se pode dizer do peso de objetos; o peso, em si, não constitui agressividade, mas é um fator que, aliado à dureza do objeto, determina ferimentos, quando cai sobre as pessoas (DELGADO, 2008).
Condição insegura em um local de trabalho, são as falhas físicas que comprometem a segurança do trabalhador, em outras palavras, as falhas, defeitos, irregularidades técnicas, carência de dispositivos de segurança e outros, que põem em risco a integridade física e/ou a saúde das pessoas, e a própria segurança das instalações e dos equipamentos (LEITE, 2008).
Não se confunde a condição insegura com os riscos inerentes a certas operações industriais. Por exemplo, de acordo com a corrente elétrica é um risco inerente aos trabalhos que envolvem eletricidade, ou instalações elétricas; a eletricidade, no entanto, não pode ser considerada uma condição insegura, por ser perigosa. Instalações mal feitas ou improvisadas, fios expostos, dentre outros, são condições inseguras; a energia elétrica em si, não.
A corrente elétrica, quando devidamente isolada do contato com as pessoas, é um risco controlado e não constitui uma condição insegura. Mesmo a condição insegura ser passível de neutralização ou correção, tem sido considerada responsável por 16% dos acidentes (LEITE, 2008). De acordo com Oswaldo Michel, pode-se citar como exemplos de condições inseguras (MICHEL, 2001, p. 57):
a) Proteção mecânica inadequada; b) Condição defeituosa do equipamento ser grosseiro, cortante, escorregadio, corroído, fraturado, qualidade inferior como por exemplo, escadas, pisos, tubulações e encanamentos; c) Projeto ou construções inseguras; d) Processos, operações ou disposições e arranjos perigosos empilhamento perigoso, armazenagem, passagens obstruídas, sobrecarga sobre o piso, congestionamento de maquinaria e operadores; e) Iluminação inadequada ou incorreta; Ventilação inadequada ou incorreta.
Ato inseguro é a maneira pela qual o trabalhador se expõe, consciente ou inconscientemente a riscos de acidentes. Em outras palavras é um certo tipo de comportamento que leva ao acidente. Segundo estatísticas correntes, cerca de 84% do total dos acidentes do trabalho, são oriundos do próprio trabalhador (LEITE, 2008).
Portanto, os atos inseguros no trabalho, provocam a grande maioria dos acidentes; não raro o trabalhador se serve de ferramentas inadequadas, por estarem mais próximas ou procura limpar máquinas em movimento por ter preguiça de desligá-las ou se distrai e desvia sua atenção do local de trabalho ou opera sem os óculos e aparelhos adequados. Estudando-se os atos inseguros praticados, não devem ser consideradas as razões para o comportamento da pessoa que os cometeu, o que se deve fazer tão-somente é relacionar tais atos inseguros.
De acordo com Lílian Castro de Souza, podem-se ver os mais comuns atos inseguros (SOUZA, 2007, p. 182):
a) Levantamento impróprio de carga com o esforço desenvolvido à custa da musculatura das costas; b)
Permanecer embaixo de cargas suspensas; c) Manutenção, lubrificação ou limpeza de máquinas em movimento; Abusos, brincadeiras grosseiras; d) Realização de operações para as quais não esteja devidamente autorizado e terminado; e) Remoção de dispositivos de proteção ou alteração em seu funcionamento, de maneira a torná-los ineficientes; f) Operação de máquinas a velocidades inseguras; g) Uso de equipamento inadequado, inseguro ou de forma incorreta não segura; h) Uso incorreto do equipamento de proteção individual necessário para a execução de sua tarefa.
A expressão acidente-tipo está consagrada na prática definindo a
A expressão acidente-tipo está consagrada na prática definindo a