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Cemes e Proalfa: a primazia da qualificação profissional

1 Panorama das Políticas Públicas para EJA

1.3 Da educação para a libertação à educação para o trabalho:

1.3.1 Cemes e Proalfa: a primazia da qualificação profissional

O Programa Municipal de Alfabetização de Jovens e Adultos (Proalfa) e os Cemes foram projetos destinados à Educação de Adultos e funcionaram simultaneamente. Ambos se constituíram como propostas alternativas, primeiramente, devido à flexibilidade de horário. Tanto o Cemes quanto o Proalfa eram cursos semi-presenciais, que funcionavam em sistema de módulos e créditos. Outra peculiaridade desses projetos era o fato de serem frutos de parcerias entre a rede municipal e empresas privadas, o que lhes garantia a autonomia de funcionarem em prédios próprios, com equipe escolar própria. O Proalfa oferecia cursos de Suplência I; o Cemes, tanto Suplência I quanto Suplência II.

O Proalfa foi instituído junto à Secretaria Municipal de Educação pelo artigo 3º do decreto 33.894/93. Esse projeto destinava-se aos alunos jovens e adultos, com 14 anos ou mais, “engajados no mercado de trabalho”, sem possibilidades de freqüentar o ensino regular ou supletivo25.

As disciplinas que compunham a grade curricular eram: Português, Matemática, História, Geografia, Ciências Físicas, Biológicas e Programas de Saúde, Educação Artística e Educação Física. A duração mínima do curso era de 1.440 horas-aula26.

23 Embora o sistema de ciclos tenha sido implantado nos primeiros anos da década de 1990, alguns documentos oficiais da SME parecem ambíguos em relação à nomenclatura, pois às vezes ainda se referem a séries.

24 Somente os convênios de EDA que funcionavam fora do prédio escolar foram incorporados ao Proalfa. 25 PREFEITURA DA CIDADE DE SÃO PAULO (1993), p. 2.

O módulo inicial (I), com carga horária mínima de 720 horas-aula, correspondia ao primeiro e segundo termos da Suplência I; o módulo II, com carga horária mínima de 720 horas-aula, correspondia ao terceiro e quarto termos da Suplência I.

A metodologia do Proalfa pressupunha um aluno autônomo e autodidata: desenvolveu-se através de atendimento individualizado, em que o aluno retirava os materiais (fascículos, apostilas)27 e estudava sozinho, fora das dimensões da escola, e o contato com os professores se dava em plantões de dúvidas agendados. As atividades em sala ocorriam durante a curta permanência do aluno na escola: quatro horas-aula, de segunda a quinta-feira, mais duas horas-aula às sextas-feiras. Quando ele se sentia apto, marcava a avaliação de cada disciplina. Se o desempenho obtido fosse igual ou superior a 70%, o aluno podia iniciar o estudo da unidade seguinte.

O Proalfa era desenvolvido em locais instalados e equipados por entidades e empresas, mediante convênio ou termo de cooperação, e também em espaços ociosos das escolas municipais de primeiro grau (EMPGs).

Os professores tanto poderiam ser do quadro de pessoal da rede municipal (que saíam designados para atuar no Proalfa) como contratados pelas empresas que mantinham convênio com a prefeitura.

Os Cemes também se constituíram numa forma alternativa de escolarização para jovens e adultos. Criados pelo decreto 33.894, de 16 de dezembro de 1993, promoviam cursos de ensino fundamental nas modalidades Suplência I e II e também cursos de educação profissional básica.

Embora o Cemes tenha sido inaugurado na gestão de Paulo Maluf, a gênese deste projeto já estava presente no fim da gestão da prefeita Luiza Erundina (1989-1992) e foi aprovado pelo Conselho Estadual de Educação (CEE). Segundo o projeto:

Com a integração do programa de Educação de Adultos (EDA) na Rede Municipal verificou-se um aumento de solicitações para atendimentos especiais. Ou seja, grupos específicos de trabalhadores que necessitam do 1º grau, mas não têm possibilidade de freqüentar a escola diariamente e nem de cumprir a carga horária que a escola exige. Foi pensando nesses trabalhadores e num atendimento adequado que nasceu a proposta dos Centros Municipais de Ensino Supletivo (Cemes). Os Centros vêm dar autonomia pedagógica e administrativa aos projetos especiais ligados às escolas e criam possibilidade real de alternativa para a educação do trabalhador. (SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO, 1992, p. 2)

Existe similaridade entre o Cemes e o Proalfa, no que tange à flexibilidade de horário e à metodologia, baseada em sistema de módulos.

27 O material didático dos Cemes e do Proalfa era produzido pela Unesp, conforme registro no departamento de Memória Técnica Documental da SME.

Os Cemes eram vinculados às delegacias regionais de educação e instalados em prédios públicos municipais ou em espaços cedidos por órgãos públicos e entidades particulares, mediante convênio, ou, ainda, em prédios locados pelo poder público municipal.

Segundo dados da SME28, a proposta de criação e instalação do primeiro Centro Municipal de Ensino Supletivo, “inicialmente sediado no Tendal da Lapa e posteriormente transferido para o Centro de Educação no Jardim Miriam, foi inviabilizada pela inadequação do prédio.”

Até o segundo semestre de 2000, estavam em funcionamento 13 (treze) Cemes com um total de aproximadamente 50.000 freqüentadores.

A metodologia adotada nos Cemes se constituía em atendimento individualizado: o aluno retirava o material e estudava sozinho. A disposição do curso era:

• Módulo Inicial (I): destinado ao processo de alfabetização, correspondendo ao primeiro e segundo ano do Ciclo I do Ensino Fundamental;

• Módulo Intermediário (II): correspondente ao terceiro e quarto ano do Ciclo I do Ensino Fundamental;

• Módulo Final (III): matrícula por disciplina, correspondendo ao primeiro, segundo, terceiro e quarto anos do Ciclo II do Ensino Fundamental.

No tocante à metodologia, cada aluno seguia individualmente o próprio ritmo de aprendizagem e podia recorrer a plantões de dúvidas com os professores. Uma vez cumpridas as atividades previstas em cada unidade de estudo, o aluno podia se submeter a uma avaliação. Se aprovado em todas as disciplinas, recebia o certificado de conclusão do ensino fundamental.

Os Cemes funcionavam em prédios próprios, com equipe escolar própria, em período integral (manhã, tarde e noite), no horário das 7h30 às 22h30, e o comparecimento ficava a critério do aluno29.