Fundamentos Te´ oricos
2.7 Cen´ arios de Uso
Devido `a caracter´ıstica pervasiva da computa¸c˜ao ciente de contexto, podemos destacar diversos cen´arios de uso em aplica¸c˜oes ub´ıquas. Estes cen´arios em geral possuem caracter´ısticas que justificam e incentivam o uso de aplica¸c˜oes ub´ıquas [47], tais como a coleta e compartilhamento de informa¸c˜oes de perfil e contexto do usu´ario ou da aplica¸c˜ao, adapta¸c˜ao no que diz respeito `as inten¸c˜oes do usu´ario, da interface gr´afica e de servi¸cos, privacidade, confian¸ca e mobilidade. De todos estes cen´arios, destacam-se alguns trabalhos na ´area de turismo, em servi¸cos de emergˆencia, em escrit´orios e em ambientes educacionais [30]. De todos os cen´arios poss´ıveis, optamos por explorar dois destes neste trabalho: um guia tur´ıstico eletrˆonico e um servi¸co de emergˆencias.
2.7.1
Turismo
O cen´ario de uso envolvendo aplica¸c˜oes tur´ısticas apresenta diversos modelos e prot´otipos existentes em trabalhos relacionados. Takeuchi et. al [56] apresenta um guia tur´ıstico sens´ıvel a localiza¸c˜ao que utiliza dados hist´oricos de localiza¸c˜ao para a estimativa de interesses individuais atrav´es de um algoritmo de aprendizado de localiza¸c˜ao, al´em de oferecer mecanismos de busca por atra¸c˜oes baseadas em seus desejos. Cheverst et. al [16] apresenta um prot´otipo de um guia tur´ıstico adaptativo de hiperm´ıdia com a apresenta¸c˜ao de conte´udo relacionado ao contexto do usu´ario. Long et. al [33] apresenta um guia tur´ıstico baseado em componentes, provendo uma alternativa expans´ıvel e modular para a aplica¸c˜ao m´ovel. A alternativa expans´ıvel possibilita a adi¸c˜ao de servi¸cos enquanto a componentiza¸c˜ao minimiza o impacto no sistema a partir de altera¸c˜oes em componentes da aplica¸c˜ao. Yue et. al [66] apresenta um guia tur´ıstico constru´ıdo a partir de estudos de intera¸c˜ao entre o usu´ario e a interface do dispositivo, buscando uma melhor intera¸c˜ao entre as partes atrav´es do uso de comandos por voz, dentre outros. Podemos citar outros trabalhos relacionados como em Hertzog et. al [26] e em Bessho et. al [4] para ambientes externos e trabalhos como em Kuflik et al [32] e em Kuflik et al [28] para suporte a ambientes internos como museus. Todos estes trabalhos utilizaram dispositivos m´oveis como clientes, inclusive em Chen et al [15] com um estudo de caso na utiliza¸c˜ao de redes de sensores sem fio para estes tipos de aplica¸c˜oes.
2.7.2
Emergˆencias e Desastres
O segundo cen´ario de uso utilizado neste trabalho engloba o contexto de gerenciamento de emergˆencias e desastres. Tecnologias de comunica¸c˜ao e informa¸c˜ao tˆem colaborado
2.7. Cen´arios de Uso 41
de forma significativa e pervasiva em organiza¸c˜oes de sa´ude, emergˆencias e desastres com o objetivo de aumentar a eficiˆencia de suas opera¸c˜oes. Estes sistemas s˜ao respons´aveis por prover o atendimento de emergˆencias envolvendo um conjunto de atividades distribu´ıdas e interdependentes realizadas de forma colaborativa por indiv´ıduos com diferentes pap´eis e responsabilidades na sa´ude. Alguns trabalhos tˆem sido publicados nas ´areas relacionadas, como por exemplo, em Jiang et al [29] apresentando o gerenciamento de emergˆencias por bombeiros, em Camp et al [7] apresentando um sistema de comunica¸c˜ao para uso em situa¸c˜oes cr´ıticas de seguran¸ca, a difus˜ao de informa¸c˜oes de contexto na sa´ude em Pallapa et al [40] e a importˆancia da seguran¸ca da informa¸c˜ao (i.e., privacidade, anonimato, autoriza¸c˜ao) em Wang et al [60].
Poulymenopoulou et al [43] apresenta a importˆancia da qualidade e o grau de colabora¸c˜ao e coordena¸c˜ao entre indiv´ıduos e elementos automatizados como sendo essenciais no fornecimento de servi¸cos de alta qualidade a pacientes e na otimiza¸c˜ao de gastos em sistemas de comunica¸c˜ao e informa¸c˜ao voltados para a sa´ude. Profissionais respons´aveis pelo atendimento destas v´ıtimas precisam estar altamente coordenados entre si e tamb´em possu´ırem acesso a sistemas m´oveis capazes de fornecer servi¸cos de aux´ılio para algumas de suas atividades, tais como informa¸c˜oes de posi¸c˜ao e condi¸c˜ao cl´ınica da v´ıtima, acesso `as institui¸c˜oes respectivas, um hospital, uma delegacia ou uma ´area segura designada em caso de desastres naturais ou diretamente gerados pela a¸c˜ao humana.
Na ´area de sistemas de informa¸c˜ao, o uso de fluxos de trabalho tem contribu´ıdo na melhor compreens˜ao de processos e abstra¸c˜oes de atividades de indiv´ıduos ou outros tipos de elementos. O fluxo de trabalho (em inglˆes workflow) define uma seq¨uˆencia de opera¸c˜oes de uma pessoa, um grupo de pessoas, mecanismos simples ou complexos, organiza¸c˜ao ou m´aquinas. Ele tamb´em auxilia na descri¸c˜ao de sistemas de processamento de dados complexos de uma forma visual, sem a necessidade de se conhecer t´opicos espec´ıficos da computa¸c˜ao como programa¸c˜ao. Poulymenopoulou et al [43] define um fluxo de trabalho para servi¸cos de emergˆencia como uma abstra¸c˜ao composta por atividades com o principal objetivo de atender v´ıtimas de forma mais eficiente poss´ıvel, levando em considera¸c˜ao o tempo, o espa¸co e o custo. Algumas destas atividades incluem o fornecimento de cuidados emergenciais (ambulˆancia em rota para o local do acidente), despacho de ambulˆancias (recep¸c˜ao da liga¸c˜ao, sele¸c˜ao de ambulˆancia, sele¸c˜ao de hospitais e roteamento de ambulˆancias) e o gerenciamento da frota de ambulˆancias (disponibilidade e escalonamento de pessoal). Um modelo de alto n´ıvel pode ser composto pelas seguintes atividades:
1. Recep¸c˜ao de dados iniciais do evento e a defini¸c˜ao da urgˆencia do evento no momento em que este ocorre;
2. Sele¸c˜ao da unidade m´ovel de atendimento baseada em fatores como a distˆancia, tempo e condi¸c˜oes de tr´afego, notifica¸c˜ao da mesma e o seu deslocamento at´e a posi¸c˜ao do evento;
3. Informa¸c˜ao de detalhes do incidente e o provimento de atendimento no local pela unidade m´ovel;
4. Sele¸c˜ao do marco mais apropriado para atendimento (hospital ou delegacia) baseada em fatores como a distancia, tempo, condi¸c˜oes de tr´afego e disponibilidade de vagas;
5. Notifica¸c˜ao do marco (hospital, corpo de bombeiros ou delegacia) sobre informa¸c˜oes referentes ao evento;
6. Informa¸c˜oes de transporte da v´ıtima ao marco; 7. Recep¸c˜ao da v´ıtima no marco;