• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULO 3 – ANÁLISE DAS CENAS

3.1 Cenas a serem analisadas

Capítulo 22 (página 76)

Antes da primeira aula, vou comprar um café, e quando saio encontro Landon me esperando com um sorriso no rosto. Logo depois de nos cumprimentarmos, somos interrompidos por uma garota pedindo informações sobre como chegar a um prédio, e só conseguimos conversar direito no caminho para a última aula do dia, aquela que eu mais temo, mas que também me desperta a maior expectativa.

“Como foi seu fim de semana?”, Landon pergunta, e solto um grunhido.

“Um desastre, na verdade. Fui a outra festa com Steph”, conto, e ele faz uma careta antes de dar risada. “Tenho certeza de que o seu foi muito melhor. Como vai a Dakota?”

Ele abre um sorriso enorme ao ouvir o nome dela, e percebo que não mencionei que tinha passado o sábado com Noah. Landon conta que Dakota está tentando entrar em uma companhia de balé de Nova York e que ele está felicíssimo por ela. Durante o tempo todo, fico me perguntando se os olhos de Noah se iluminam daquela maneira quando fala de mim.

Ao entrar na sala, Landon diz que seu pai e sua madrasta ficaram muito contentes em vê-lo, mas não presto muita atenção, pois estou percorrendo o lugar à procura de Hardin. A carteira dele está vazia.

“As coisas não vão ficar difíceis com ela tão longe?”, consigo perguntar enquanto nos sentamos.

“Bom, já estamos a uma boa distância agora e tem funcionado. Só quero o melhor para ela, e se para isso for preciso ir a Nova York, por mim tudo bem.”

O professor entra na sala, e ficamos em silêncio. Cadê o Hardin? Ele não faltaria na aula só para me evitar, faltaria?

Mergulhamos no mundo de Orgulho e preconceito — um livro fantástico que eu gostaria que todo mundo lesse —, e a aula passa em um instante.

“Cortou o cabelo, Theresa?” Eu me viro e dou de cara com Hardin sorrindo para mim. Ele e Landon trocam olhares tensos, e tento pensar em alguma coisa para dizer. Hardin não falaria do beijo na frente de Landon, certo? Suas covinhas, mais profundas do que nunca, dizem que sim, ele faria isso tranquilamente.

“Oi, Hardin”, respondo.

“Como foi seu fim de semana?” A expressão no rosto dele é de uma arrogância sem par.

Puxo Landon pelo braço. “Foi bom, a gente se vê por aí!”, digo nervosamente, quase gritando, e Hardin cai na risada.

“O que foi isso?”, Landon pergunta quando saímos, obviamente estranhando meu comportamento.

“Nada. É que não gosto de Hardin.”

“Pelo menos você não precisa conviver com ele o tempo todo.”

Noto alguma coisa estranha em seu tom de voz. Por que ele diria isso? Será que sabe do beijo?

“Hã... pois é. Graças a Deus”, é tudo o que consigo dizer.

Ele detém o passo. “Eu nem ia contar nada, porque não quero que você me associe a ele, mas...” Landon abre um sorriso nervoso antes de continuar.“O pai do Hardin é meio que namorado da minha mãe.”

Como assim? “Como assim?”

“O pai do Hardin...”

“Sim, sim, entendi, mas o pai do Hardin mora aqui? Por que o Hardin mora aqui, mas ele não é inglês? Se o pai dele está aqui perto, por que o Hardin não mora com ele?” Encho Landon de perguntas sem nem pensar no que estou dizendo. Ele parece confuso, mas menos apreensivo do que instantes atrás.

“Ele é de Londres. O pai dele e minha mãe moram aqui perto do campus, porém Hardin não se dá muito bem com o pai. Mas, por favor, não diz que contei isso pra você. A gente já tem motivos suficientes pra não se gostar.”

Faço que sim com a cabeça. “Tudo bem, claro.” Mais um milhão de perguntas passam pela minha cabeça, mas fico em silêncio, ouvindo meu amigo falar sobre Dakota, com os olhos brilhando a cada palavra que profere a respeito dela.

* * *

Quando volto para o quarto, Steph ainda não voltou, já que suas aulas terminam duas horas depois das minhas. Começo a separar meus livros e minhas anotações para estudar, mas em vez disso resolvo ligar para Noah. Ele não atende, o que me faz desejar com ainda mais força que estivesse na faculdade comigo. As coisas seriam bem mais simples e agradáveis com ele aqui. Poderíamos estar estudando juntos ou então vendo um filme agora.

Mesmo assim, sei que só estou pensando nisso porque a culpa por ter beijado Hardin me consome — Noah é muito fofo e não merece ser traído. É muita sorte minha tê-lo. Ele é um companheiro para todas as horas e me conhece melhor que ninguém, praticamente desde sempre. Quando a família dele mudou para minha rua, fiquei felicíssima por ter alguém da minha idade para me fazer companhia, e esse sentimento só cresceu quando nos conhecemos e percebi que ele era uma

pessoa madura como eu. Passávamos o tempo lendo, vendo filmes e trabalhando na estufa nos fundos da casa da minha mãe. Aquela estufa sempre foi meu porto seguro: quando meu pai bebia, eu ia me esconder lá, e ninguém conseguia me encontrar, a não ser Noah. A noite em que meu pai foi embora foi terrível para mim, e minha mãe se recusa a falar disso até hoje, já que essa conversa arruinaria a fachada de perfeição que criou para si mesma, mas gosto de falar a respeito às vezes.

Apesar de detestá-lo por beber demais e por maltratar minha mãe, ainda sinto falta de um pai. Naquela noite, escondida na estufa enquanto meu pai gritava, enlouquecido, escutando o barulho de copos e pratos se espatifando na cozinha, comecei a ouvir passos quando tudo ficou em silêncio. Fiquei morrendo de medo que meu pai tivesse ido atrás de mim, mas era Noah. Senti um alívio maior do que tudo na vida quando vi que estava em segurança. Daquele dia em diante, nos tornamos inseparáveis. Ao longo dos anos, nossa amizade foi se transformando em algo mais, e nenhum de nós jamais saiu com outra pessoa.

Mando uma mensagem de texto para Noah dizendo que o amo e decido tirar um cochilo antes de começar a estudar. Pego minha agenda e vejo mais uma vez o que preciso fazer. Com certeza posso dormir uns vinte minutinhos.

Menos de dez minutos depois, ouço uma batida na porta. Imaginando que Steph esqueceu a chave, abro a porta, ainda grogue de sono.

Claro que não é ela. É Hardin.

“Steph ainda não chegou”, digo, e volto para a cama, deixando a porta aberta para ele. Não sei nem por que Hardin bateu, já que Steph deixou com ele uma chave extra. Preciso conversar com ela sobre isso, aliás.

“Vou esperar”, ele responde e se deita na cama de Steph.

“Fique à vontade”, resmungo, ouvindo sua risadinha enquanto me cubro e fecho os olhos, tentando ignorá-lo. Não vou conseguir dormir sabendo que Hardin está no meu quarto, mas é melhor fingir que estou cochilando do que encarar o tipo de conversa desconfortável e áspera que sempre tenho com ele. Tento agir como se não estivesse ouvindo seus dedos batucando na cabeceira da cama até meu alarme tocar.

“Você vai sair?”, Hardin pergunta, e eu reviro os olhos, apesar de saber que ele não está me vendo.

“Não, eu estava tirando um cochilo de vinte minutos”, respondo enquanto me sento.

“Você programou o alarme para garantir que seu cochilo durasse só vinte minutos?”, ele debocha.

“Sim. E o que você tem a ver com isso?” Pego meus livros e os empilho na ordem das aulas, colocando as anotações sobre cada um.

“Você tem TOC ou coisa do tipo?”

“Não, Hardin. Gostar de ordem não significa ser maluca. Não tem nada de errado em ser organizada”, retruco.

Ele ri, é claro. Eu me recuso a olhar para ele, mas com o canto do olho consigo ver que está se levantando.

Por favor, não venha para cá. Por favor, não venha...

Logo ele está de pé ao meu lado, olhando para mim. Pega minhas anotações da aula de literatura e examina as páginas com gestos exagerados, como se estivesse diante de um artefato raro. Estendo a mão para pegar os papéis de volta, mas, como um bom babaca que é, ele os levanta e os deixa fora do meu alcance. Quando me levanto para pegá-los, ele joga tudo para cima, e minhas anotações ficam todas espalhadas pelo chão.

“Pode recolher isso agora!”, exijo.

Ele abre um sorrisinho e diz que tudo bem, mas em vez disso faz a mesma coisa com minhas anotações da aula de sociologia. Eu me abaixo para pegá-las antes que ele pise nelas, e isso o diverte ainda mais.

“Hardin, para!”, grito quando ele passa para a próxima pilha. Enfurecida, eu me levanto e o empurro para longe da minha cama.

“Como assim, você não gosta que mexam nas suas coisas?”, ele pergunta, ainda dando risada. Por que está sempre rindo de mim?

“Não, eu não gosto”, respondo aos berros e tento empurrá-lo de novo. Ele dá um passo à frente e me agarra pelos pulsos, prensando-me contra parede. Seu rosto está a centímetros do meu, e de repente percebo que estou ofegante. Sinto vontade de gritar para ele sair de perto de mim e recolher minhas coisas de volta.

Sinto vontade de dar um tapa na cara dele e mandá-lo sair do meu quarto. Mas não consigo. Estou paralisada junto à parede, hipnotizada pela visão de seus olhos verdes me encarando. “Hardin, por favor.” São as únicas palavras que enfim consigo dizer. Só que elas saem em um tom baixo e suave. Não sei nem se estou implorando para ele me largar ou me beijar. Minha respiração ainda não voltou ao normal, e percebo que a dele está acelerando, pela maneira como seu peito oscila.

Os segundos parecem horas, e ele enfim tira uma das mãos de cima de mim, mas a outra é grande e forte o suficiente para segurar meus dois punhos.

Por um segundo, chego a pensar que ele vai me bater, porém sua mão desliza pelo meu queixo e ajeita uma mecha de cabelos atrás da minha orelha. Sou capaz de jurar que ouço sua pulsação quando ele leva sua boca até a minha... e o fogo se acende sob minha pele.

Era isso que eu estava esperando desde aquela noite. Se pudesse escolher uma sensação para viver pelo resto da vida, seria essa.

Nem me pergunto por que estou beijando Hardin de novo, ou me preocupo com qualquer coisa terrível que ele possa dizer depois. Quero me concentrar apenas em seu corpo comprimido contra o meu quando ele larga meus pulsos, prensando-se contra a parede, e no gosto de menta de sua boca. Na maneira como minha língua segue o comando da sua, e nas minhas mãos deslizando sobre seus ombros largos.

Ele me pega pelas coxas e me ergue do chão, e minhas pernas instintivamente o envolvem pela cintura. Fico impressionada com a maneira como, de alguma forma, meu corpo sabe de que forma reagir aos estímulos dele. Enfio as mãos em seus cabelos, puxando-os de leve enquanto Hardin caminha na direção da minha cama, com a boca ainda grudada à minha.

A voz da responsabilidade dentro da minha cabeça se reestabelece, lembrando-me de que aquilo é uma péssima ideia, mas volto a sufocá-la. Dessa vez eu não vou parar. Puxo os cabelos de Hardin com mais força, e ele geme baixinho, o que me leva a fazer o mesmo, criando um gemido em um delicioso uníssono. É o som mais sensual que já ouvi na vida, e me sinto capaz de qualquer coisa para ouvi-lo de novo. Hardin se senta na minha cama e me posiciona em seu coouvi-lo. Meu corpo oscila para a frente e para trás sobre o dele, e Hardin me segura com mais força.

“Caralho”, ele sussurra na minha boca, e experimento uma sensação até então desconhecida ao senti-lo endurecer junto a mim.

Até onde vou deixar isso ir?, pergunto a mim mesma, mas não consigo encontrar uma resposta.

Os dedos dele encontram minha camisa, e ele a puxa para cima. Não acredito que estou permitindo que Hardin faça isso, mas não quero parar. Ele interrompe nosso beijo ardente para tirar minha camisa. Olha nos meus olhos e em seguida para meus peitos, passando a língua nos dentes.

“Como você é gostosa, Tess.”

Esse tipo de vulgaridade nunca me agradou, mas por algum motivo na boca de Hardin aquelas palavras me pareceram as mais sensuais que já escutei na vida.

Não tenho nenhuma lingerie sexy, já que ninguém — literalmente ninguém — me vê sem roupa, mas nesse momento sinto vontade de estar vestindo outra coisa que não um sutiã preto e sem graça. Ele provavelmente já viu tudo quanto é tipo de sutiã na vida, lembra uma voz irritante dentro da minha cabeça. Tentando evitar esses pensamentos, começo a me esfregar com mais força em seu colo, e ele me envolve com os braços e me puxa mais para perto, fazendo nossos peitos se tocarem...

Ouço o barulho da maçaneta da porta. Saio de cima de Hardin e pego minha camisa. O transe imediatamente se desfaz.

Steph entra no quarto e detém o passo quando me vê com Hardin. Ela fica de queixo caído com a cena que tem diante de si.

Sinto que meu rosto está todo vermelho, e não só de vergonha, mas também por causa do que Hardin me fez sentir.

“O que foi que eu perdi aqui?”, ela pergunta, olhando para nós dois com um sorriso enorme no rosto. Sou capaz de jurar que seus olhos estão quase faiscando de alegria.

“Nada de mais”, responde Hardin, ficando de pé. Ele sai do quarto sem olhar para trás, deixando-me ali sozinha, e toda ofegante, com Steph, que ri.

“O que foi isso?!”, ela pergunta, levando as mãos ao rosto e fingindo estar horrorizada. Mas a empolgação fala mais alto, e ela logo acrescenta: “Você e Hardin... Você e Hardin estão tendo um caso?”.

Eu me viro e finjo mexer nas coisas que estão sobre a escrivaninha. “Não!

De jeito nenhum! Não estamos tendo um caso”, digo. Ou estamos? Não, só aconteceu de a gente se beijar duas vezes. Ele tirou minha camisa, e eu estava me esfregando toda nele... mas não estamos tendo nada, pelo menos não racionalmente.

“Eu tenho namorado, lembra?”

Ela vem até mim para poder me encarar. “E daí? Isso não significa que não possa ter um casinho com Hardin... Eu não acredito! Pensei que vocês se detestassem! Bom, Hardin detesta todo mundo, mas achei que com você fosse ainda pior”, ela comenta, e em seguida dá risada. “Quando foi que…como foi que isso aconteceu?”

Eu me sento na cama e passo a mão pelos cabelos. “Não sei. Bom, na sexta à noite, quando você foi embora da festa, acabei indo parar no quarto dele, porque

um tarado tentou me agarrar, e rolou um beijo. Prometemos não falar sobre isso...

mas aí ele apareceu aqui hoje e começou a me provocar, e não daquele jeito.”

Aponto para minha cama, e o sorriso dela se alarga ainda mais. “Tipo, ele começou a espalhar minhas coisas, e dei um empurrão nele, e no fim terminamos na cama.”

Não me conformo com o que acabei de dizer. Como mencionou minha mãe, essa não sou eu. Levo as duas mãos ao rosto. Como pude fazer isso com Noah... de novo?

“Uau, isso não é pouca coisa”, comenta Steph, e eu reviro os olhos.

“Não é mesmo... é terrível e errado. Amo Noah, e Hardin é um babaca. Não quero ser só mais uma das conquistas dele.”

“Você pode aprender muito com Hardin... você sabe... sexualmente.”

Fico de boca aberta. Ela está falando sério? E se ela... espera, será? Ela e Hardin?

“De jeito nenhum, não quero aprender nada com Hardin. Nem com ninguém que não seja Noah”, respondo. Nem consigo imaginar uma interação como aquela com meu namorado. Minha mente relembra as palavras de Hardin: Como você é gostosa, Tess. Noah jamais diria uma coisa dessas — ninguém nunca me chamou de gostosa antes. Sinto meu rosto ficar vermelho só de pensar. “Você já?”, pergunto, meio sem jeito.

“Com Hardin? Não.” Alguma coisa dentro de mim se acalma quando ela diz isso. Mas então Steph acrescenta: “Bom... eu não transei com ele, porém rolou uma coisinha ou outra quando a gente se conheceu, por mais vergonhoso que seja admitir isso. Mas no fim não deu em nada. Foi só uma amizade colorida que durou mais ou menos uma semana”, ela conclui como se não fosse nada de mais, só que não consigo conter o ciúme que surge dentro de mim.

“Ah... amizade colorida?”, pergunto. Minha boca está completamente seca, e de repente percebo que estou irritada com Steph.

“Ah, sim. Só uns amassos e uma apalpadinha aqui e outra ali. Nada muito sério”, ela confirma, e sinto meu peito doer. Não chego a ficar surpresa, mas seria melhor não ter perguntado.

“Hardin tem muitas amizades coloridas?” Não quero nem ouvir a resposta, mas não consigo deixar de fazer a pergunta.

Ela dá uma risadinha e se senta em sua cama diante de mim. “Ah, tem, sim.

Quer dizer, não milhares, mas ele é um cara bem... ativo.”

Talvez ela tenha percebido minha reação e esteja tentando fazer a coisa parecer menos impactante para mim. Pela centésima vez, prometo a mim mesma que vou manter distância dele. Não vou ser mais uma de suas amizades coloridas.

Jamais.

“Não é que ele queira usar as meninas, são elas que se jogam em cima dele.

E Hardin sempre faz questão de dizer desde o início que não namora”, ela continua.

Lembro-me de ter ouvido Steph dizer isso antes. Mas ele não falou isso para mim quando...

“Por que ele não namora?” Por que não consigo parar de fazer essas perguntas?

“Na verdade, não sei... Escuta só”, ela diz com um tom de voz cheio de preocupação, “acho que Hardin é um cara com quem você pode se divertir bastante, mas nem por isso deixa de representar um perigo. A não ser que você tenha certeza de que não sente nada por ele, é melhor manter distância. Já vi muitas meninas se apaixonarem por ele e se darem mal, e não foi nada bonito.”

“Ah, fica tranquila, eu não sinto nada por ele. E não sei onde estava com a cabeça.” Dou uma risadinha, torcendo para que pelo menos pareça verdadeira.

Steph balança a cabeça. “Certo. E como foi a encrenca com sua mãe e Noah?”

Conto tudo sobre o sermão da minha mãe, menos a parte da promessa que fiz de não ser mais amiga dela. Passamos o restante da noite conversando sobre as aulas, Tristan e qualquer outro assunto que não fosse Hardin.

Documentos relacionados