Gustavo Rosa de Almeida1
1Universidade de Brasília (UnB) - [email protected]
Resumo: A porção central do estado do Tocantins abriga uma ampla geodiversidade com disponibilidade de rochas com alto potencial como condicionadores de solos. Dentre os minerais que constituem essas rochas podemos destacar: diopsídeo, biotita, epidoto, hornblen- da, plagioclásio, feldspato potássico e magnetita. Esses minerais têm como principais nutrientes cálcio, magnésio, potássio, silício e ferro, além de micronutrientes em pequenas proporções. Nesse sentido, algumas rochas portadoras desses elementos podem ser prospectadas utilizan- do métodos geofísicos (indiretos) - como aerogamaespectrometria e aeromagnetometria - ou mesmo através da observação de espécies arbóreas de ampla ocorrência como Aroeira (Myracro- druon urundeuva), Mutamba (Guazuma ulmifolia) e Angico (Anadenthera colubrina). Aliado a isso, nesse trabalho foi realizado o estudo petrográfico de diversos litotipos como gnaisses calcissilicáticos, xistos máficos, xistos pelíticos (com alto teor de potássio), anfibolitos, além de outras rochas potenciais. Dentre os métodos utilizados pode-se citar: Levantamento bibliográ- fico da geologia do estado de Tocantins, georreferenciamento de imagens geofísicas, mapea- mento geológico e geobotânico, coleta de rochas e petrografia. Boa parte do presente projeto é relacionado com o trabalho de mapeamento geológico final da Universidade de Brasília. Esse trabalho objetiva elucidar a importância de correlações geofísicas, geobotânicas e de estudos petrográficos para auxiliar na prospecção e caracterização de remineralizadores, assim como abordar o potencial agrogeológico da porção central do estado do Tocantins.
Palavras-Chave: remineralizadores; petrografia; prospecção; geobotânica.
INTRODUÇÃO
Desde a revolução verde na década de 1970, o pequeno, médio e o grande produtor rural brasileiro foi ensinado que a utilização de fertilizantes químicos teria o melhor custo-be- nefício e eficiência na produção. Nesse período, o calcário foi a chave para avançar a fronteira agrícola em regiões de relevo plano, as quais geralmente apresentam solos ácidos (como no bioma Cerrado). Porém, alguns estudos pretéritos já apontavam a fertilidade natural de solos derivados de rochas silicáticas e mesmo no Brasil, na mesma década de 1970, essa fonte alter- nativa já vinha sendo testada com o pesquisador Othon Leonardos.
Nas últimas décadas, vários estudos laboratoriais, em casas de vegetação e mesmo em lavouras de maiores escalas têm comprovado os benefícios das rochas silicáticas como remine- ralizadores de solos enquanto insumos de excelente eficiência agronômica (LEONARDOS et
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III CONGRESSO BRASILEIRO DE ROCHAGEM
al., 1987; KORNDORFER et al., 1995; BIZÃO et al., 2013). Esses materiais naturais são compostos que possuem dissolução relativamente lenta quando comparados com os fertilizantes químicos. Contudo, quando cominuídos e aplicados em solos com matéria orgânica manejada, propiciam a ação de microorganismos edáficos aptos a disponibilizar com eficiência os macro e micronutrientes desses minerais para as culturas logo na primeira safra (MARTINS et al., 2008).
O estado do Tocantins, assim como o Brasil, está situado num contexto de grande geodi- versidade e tem o agronegócio e a agricultura familiar como atividades altamente dependentes da fertilidade do solo. Nesse sentido, torna-se necessário a busca por fontes alternativas regio- nais para suprir essa demanda constante por insumos importados (THEODORO & LEO- NARDOS, 2014).
O presente trabalho ressalta a potencialidade agrogeológica da porção central do estado do Tocantins, mais especificamente na região de Paraíso do Tocantins. A economia da região gira em torno do agronegócio, abrangendo desde o pequeno produtor até a indústria canavieira.
A integração das informações de imagens geofísicas, de mapeamento geológico, obser- vações geobotânicas e os estudos petrográficos foram critérios importantes para selecionarem alvos potenciais na região. Em relação aos produtos geofísicos, para esse trabalho foram utiliza- dos a composição ternária RGB, do método aerogamaespectométrico, a qual capta no solo (até cerca de 40 cm) a radiação emitida por elementos como potássio, urânio e thório. Para aero- magnetometria foi utilizado a Amplitude do Sinal Analítico, que analisa a presença de rochas com minerais magnéticos em profundidades relativamente rasas ou aflorantes. A petrografia levantada inclui uma ampla variedade de rochas potencialmente remineralizadoras distribuídas na região de Paraíso do Tocantins.
MATERIAL E MÉTODOS
Este resumo é resultado da compilação de dados do trabalho de conclusão do curso de geologia, denominado Mapeamento Geológico Final, da Universidade de Brasília em 2015. As etapas consistiram na interpretação de imagens de satélite (imagens Google Earth e SRTM, estas disponibilizadas no site da USGS), processamento de dados aerogeofísicos, mapeamento geológico, observações geobotânicas e petrografia.
A etapa pré-campo foi realizada entre abril a maio de 2015 e consistiu no levantamento bibliográfico, processamento de dados aeromagnéticos e gamaespectrométricos (sendo este le- vantamento realizado pela Universidade de São Paulo (USP) em convênio com a Agência Na- cional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), em 2004, além da interpretação dos mapas gerados a partir desses produtos. A etapa de campo foi realizada no mês de julho e resumiu-se ao mapeamento geológico e coleta de amostras. Por último, a etapa pós-campo consistiu na confecção de lâminas petrográficas (que somaram por volta de 300 lâminas) das diferentes unidades geológicas, elaboração de mapa geológico e relatório final.
O mapeamento geológico foi acompanhado da coleta de diversos tipos de rochas e da observação e registro das diferentes fitofisionomias inseridas em cada substrato rochoso. Nesse trabalho foram consideradas apenas rochas que se enquadraram como pontenciais reminerali- zadores - segundo a Instrução Normativa Nº 5, de 10 de março de 2016 (Capítulo I, Art. 4º).