PARTE I – REFERENCIAL TEÓRICO
3 A CRIAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
4 PANORAMA POLÍTICO-ECONÔMICO QUE ANTECEDE A CRIAÇÃO DA EAUFBA
4.1 CENTRO DE ESTUDOS INTERDISCIPLINARES PARA O SETOR PÚBLICO (ISP)
Fischer (1984, p. 209) relata que em 01 de junho de 1964, o Governador Lomanto júnior, firmou um convênio com a Universidade Federal da Bahia, objetivando desenvolver um programa de reforma Administrativa52, decorrente do Acordo (13/04/1962) entre os Governos dos Estados Unidos e do Brasil, com vistas a promoção do Desenvolvimento Econômico e Social do Nordeste Brasileiro, sendo coordenado pela SUDENE que foi criada em 1959, como parte do projeto desenvolvimentista do governo federal.
Esse convênio teve como finalidade
racionalizar a administração do Estado por intermédio do Instituto de Serviço Público, criado dentro da Universidade Federal da Bahia, mediante a implantação de um programa de reforma a ser cumprido em três anos. Cabendo ao ISP dirigir estudos e pesquisas sobre a atual organização administrativa do Estado, métodos de trabalho e atuação, orientará as análises administrativas, dirigirá os programas de treinamento dos funcionários estaduais e dará assistência técnica na fase de implantação da Reforma Administrativa a ser executada pelo Estado
Como parte integrante do Setor de Administração Pública da EAUFBA, foi responsável pelo trinômio fundamental: ensino, pesquisa, assistência técnica. Com essas prerrogativas, o ISP realiza uma série de simpósios, 19, sucessivos sobre 17 áreas específicas e 2 gerais53. Esses simpósios faziam parte de uma estratégia de divulgação da Reforma Administrativa, mediante convênio de que
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Graças ao volume de recursos proporcionados pela USAID/Brasil para a reforma administrativa do estado da Bahia, mediante o convênio de que participam o Governo do Estado, a SUDENE como órgão fiscalizador, e o Instituto de Serviço Público, como órgão executor, cerca de 100 pessoas trabalham no Instituto, das quais 76 em regime de tempo integral, para a tarefa específica da referida reforma, em plena execução.
53 Finanças Públicas, Agricultura, Abastecimento, Indústria e Artesanato, Turismo. Energia, Água e Recursos
Minerais, Comunicação e Transporte, Educação, Saúde, Justiça, Segurança, Assistência Social, Créditos e Bancos, Programação para o Desenvolv imento e Administração Pública.
participaram o Governo do Estado, a e SUDENE como órgão fiscalizar, fornecendo subsídios para a elaboração de 1.181 resoluções em âmbito do Estado. Matta (apud FISCHER, 1984, p. 211), informa que o ISP produziu 239 documentos técnicos (normas básicas, complementares e rotinas) no período de 1965-1970. A atuação do ISP foi levada para o Maranhão, Piauí e Sergipe, ampliando assim a sua atuação no Nordeste.
Outra participação do ISP foi na Reforma Universitária. Segundo Fischer (1984, p. 213), o Reitor Roberto Santos, em 1967, disponibiliza o ISP a serviço da Reforma Universitária e da reforma administrativa da universidade, após o Decreto n. 62.241/68, em que se reestrutura a Universidade Federal da Bahia. No biênio 71/72, é realizada a Modernização Administrativa da UFBA, tendo como patrocinador a SUDENE/USAID. No período de 1973 e 1974, o ISP coordenou o Projeto de Avaliação da Implantação da Reforma Universitária, onde foram avaliadas 31 universidades federais.
O ISP, segundo o Professor Eurico Matta, foi criado para alavancar a EAUFBA na linha de prestador de serviços à comunidade, tendo na época como seu principal cliente, o Governo do Estado da Bahia.
Outra atividade do ISP foi a contribuição para a criação da Secretaria da Fazendo do Estado da Bahia, cuja participação do Prof.Fabrício Soares foi da maior importância. Estas ações do ISP contribuíram para que a EAUFBA pudesse causar um impacto muito grande na sociedade.
Quanto ao Programa de Pesquisa, o ISP promoveu o I Curso de Pós- Graduação em Administração Pública, para funcionários estaduais de alto nível, iniciando a primeira experiência do ensino da pesquisa com objetivos práticos,
reais. À medida que se transmitiam conhecimentos teóricos, os alunos realizavam pesquisas nas respectivas repartições e apresentavam relatórios para debates em seminários. A base teórica das pesquisas foi excepcionalmente preparada por professores da Universidade do Sul da Califórnia e da Escola Brasileira de Administração Pública. Repetiu-se a mesma experiência em 1963, como II Curso de Pós-Graduação em Administração Pública (FUNDAÇÃO ...1966, p. 99).
Outro objetivo do ISP foi a produção sistemática de documentação sobre a administração estadual e municipal da Bahia, não só para fins didáticos, senão também de assistência técnica. Elaboraram-se, 72 relatórios que foram publicados em 8 volumes, no total de 1.493 páginas, com os seguintes títulos (FUNDAÇÃO ...1966, p. 99): a) Administração de Pessoal b) Finanças Públicas c) Orçamento d) Administração Estadual e) Administração Municipal f) Administração Paraestatal g) Programa de Desenvolvimento h) Funções do Administrador
Em 28 de fevereiro de 1970 é publicado o novo regimento da EAUFBA, em face das diretrizes da Reforma Universitária, e na nova estrutura o ISP desaparece para surgir formalmente, como centro de extensão da EAUFBA. O
termo Centro de Administração Público foi utilizado até 1973, apesar de manter a sigla ISP, quando foi proposto à Universidade, através de uma exposição de motivos por Jorge hage Sobrinho, ao Reitor, Lafayette Pondé, datada de 13 de junho de 1973, propondo a transformação do ISP no Centro de Estudos Interdisciplinares para o Setor Público.
Esta proposta de mudança se deu face aos conflitos existentes na EAUFBA, pois, existiram divergências internas entre pessoas que formavam grupos engajados em programas na reforma administrativa e universitária e um outro grupo liderado pelo Prof. João Eurico Matta, que desenvolvia atividades relativas ao Desenvolvimento Organizacional que não encontrava o apoio de que necessitavam no ISP, pois o pessoal estava cheio de projetos. Além desses motivos, relata Fischer (1984, p. 220) que a competição entre os grupos de Administração Pública, cujo líder era Rômulo Galvão de Carvalho e o de Administração de Empresas, Fernando Freitas, foi acentuada. Apesar da EAUFBA resistir a desvinculação do ISP, não foi possível mantê-lo, passando a ser órgão Suplementar da UFBA, com a seguinte justificativa:
É sabido que o ISP iniciou as suas atividades em 1963, com o órgão de extensão do Setor de Administração Pública da Escola de Administração. A experiência acumulada nesses anos de trabalho, a nível de mobilização e formação de equipes interdisciplinares para trabalhadores junto ao setor público, tem trazido para a Universidade, através do ISP, um vasto e novo campo de atuação e pesquisa que não seriam viáveis senão dentro de uma linha de flexibilidade que a vinculação direta à Reitoria ... veio atribuir-lhe.
Esta mudança foi aprovada no Conselho Universitário da UFBA em 1974. Fica evidente a importância que o ISP teve na contribuição do desenvolvimento da EAUFBA ao realizar trabalhos de tamanha relevância e também evidencia-se a presença americana através dos acordos firmados com USAID na formação do administrador brasileiro, cujas estratégias de formação e treinamento de pessoal valeram-se das
experiências já consolidadas no contexto americano que se transformaram em ‘produto de exportação’. Constituiu-se, por isso mesmo, em mecanismo de reprodução ideológica, tendendo a capacitar administradores públicos para o desempenho de papéis organizacionais definidos de ‘fora para dentro’, dentro de valores e práticas orientadas para a eficiência/eficácia propostas pelo modelo de desenvolvimento vigente no mundo ocidental desenvolvido (FISCHER, 1984, p.80).