• Nenhum resultado encontrado

Centro de Inteligência do Poder Judiciário

3 SISTEMA BRASILEIRO DE PRECEDENTES

3.3 Da gestão judiciária à gestão de precedentes

3.3.1 Centro de Inteligência do Poder Judiciário

Os Centros de Inteligência do Poder Judiciário têm como origem um grupo de estudo, instituído pela Portaria n. CJF-POR-2014/00159118 do Conselho da Justiça Federal, voltado a elaborar um projeto de pesquisa sobre demandas repetitivas na Justiça Federal. Em 2015, a pesquisa sobre demandas repetitivas passou a incorporar o portfólio de projetos estratégicos da Justiça Federal, inserida no item 4 do macrodesafio do planejamento estratégico do CNJ para os anos de 2015-2020.

117 CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Resolução n. 444, de 25 de fevereiro de 2022. Institui o Banco Nacional de Precedentes (BNP) para consulta e divulgação por órgãos e pelo público em geral de precedentes judiciais, com ênfase nos pronunciamentos judiciais listados no art. 927 do Código de Processo Civil em todas as suas fases processuais. DJe/CNJ, 14 mar. 2022. n. 61, p. 2-4. Disponível em: https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/4415. Acesso em: 04 abr. 2022.

118 CONSELHO DA JUSTIÇA FEDERAL. Portaria n. CJF-POR- 2014/000159, de 09 de abril de 2014. Institui grupo de trabalho coordenado pela juíza federal Vânila Cardoso André de Moraes, titular da 18ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, com a finalidade de elaborar projeto de pesquisa sobre o tema, desenvolvido a partir de observações da realidade dos juízos federais de primeira e segunda instância.

Ainda em 2015, foi instalado o primeiro Centro Local de Prevenção de Demandas Repetitivas em Natal/RN, cujos estudos compreenderam pela necessidade de criação de um espaço institucional junto ao Centro de Estudos Judiciários que permitisse a construção coletiva de conhecimento e soluções para o fenômeno da litigância repetitiva e que atuasse por meio de uma rede de interligação entre o STJ e as Seções Judiciárias.

Em 19 de setembro de 2017, o Ministro Mauro Campbell Marques assinou a Portaria n. CJF-PCG-2017/00369119, instituindo o Centro Nacional e os Centros Locais de Inteligência da Justiça Federal, cuja criação foi referendada em 01 de outubro de 2018 pela Resolução n. 2018/00499120.

Tendo em vista a exitosa experiência dos Centros de Inteligência até então estruturados e o reconhecimento da importância da existência de uma gestão judiciária democrática fundada no diálogo, cooperação interinstitucional e entre instâncias, foi instituído, pela Resolução n. 349/2020121 do CNJ, o Centro de Inteligência do Poder Judiciário (CIPJ), com o objetivo de identificar e propor tratamento adequado de demandas estratégicas ou repetitivas e de massa no Poder Judiciário brasileiro. Sua atuação se dá em conjunto com os Centros de Inteligência já constituídos ou que ainda terão que ser estruturados pelos próprios Tribunais (de justiça, federais e do trabalho), pelo Conselho Nacional da Justiça Federal e pelo Conselho da Justiça do Trabalho.

De acordo com o art. 2º da Resolução n. 349/2020 do CNJ, compete ao Centro de Inteligência do Poder Judiciário:

I – prevenir o ajuizamento de demandas repetitivas ou de massa a partir da identificação das causas geradoras do litígio em âmbito

119 CONSELHO DA JUSTIÇA FEDERAL. Portaria CJF-POR-2017/0036, de 19 de setembro de 2017.

Dispõe sobre a instituição do Centro Nacional e Local de Inteligência da Justiça Federal e dá outras providências. Disponível em:

https://www.jfsp.jus.br/documentos/administrativo/NUBI/clisp/Portaria_CJF_369-2017_retif.pdf.

Acesso em: 04 abr. 2022.

120 CONSELHO DA JUSTIÇA FEDERAL. Portaria CJF-RES-2017/000499, de 01 de outubro de 2018.

Dispõe sobre a instituição do Centro Nacional e dos Centros Locais de Inteligência da Justiça Federal e dá outras providências. Disponível em:

https://www.cjf.jus.br/cjf/corregedoria-da-justica- federal/centro-de-estudos-judiciarios-1/nucleo-de-estudo-e-pesquisa/atos-normativos/resolucao-n-499-2018/@@download/arquivo. Acesso em: 04 abr. 2022.

121 CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Resolução n. 349, de 23 de outubro de 2020. Dispõe sobre a criação do Centro de Inteligência do Poder Judiciário e dá outras providências. DJe/CNJ, 27 out. 2020. n. 346, p. 8-10. Disponível em: https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/3547. Acesso em: 04 abr. 2022.

nacional, com a possível autocomposição ou encaminhamento de solução na seara administrativa;

II – propor ao CNJ, relativamente às demandas repetitivas ou de massa, recomendações para uniformização de procedimentos e rotinas cartorárias e notas técnicas para aperfeiçoamento da legislação sobre a controvérsia;

III – encaminhar aos Tribunais Superiores, de forma subsidiária, informações sobre a repercussão econômica, política, social ou jurídica de questões legais ou constitucionais que se repetem em processos judiciais;

IV – propor ao CNJ a padronização, em todas as instâncias e graus de jurisdição, da gestão dos processos suspensos em razão da admissão de incidentes de resolução de demandas repetitivas ou afetação de processos ao regime de julgamento dos recursos repetitivos ou de recursos extraordinários com repercussão geral.

V – auxiliar na internalização da norma jurídica construída em precedente qualificado relativo à prestação de serviço concedido, permitido ou autorizado por órgão, ente ou agência reguladora competente para fiscalização da efetiva aplicação da norma, conforme art. 985, § 2º, e art. 1.040, IV, do CPC/2015;

VI – manter interlocução com os demais Centros de Inteligência do Poder Judiciário;

VII – disseminar as medidas consubstanciadas nas notas técnicas exaradas pelos demais Centros de Inteligência;

VIII – fixar critérios de taxonomia para classificação de demandas repetitivas ou em massa;

IX – articular políticas e ações de mediação e conciliação institucional ou interinstitucional, inclusive envolvendo segmentos distintos do Poder Judiciário quando se tratar dos mesmos litigantes ou dos mesmos fatos; e

X – supervisionar a aderência às notas técnicas emitidas ou disseminadas pelo CIPJ.

Os centros de inteligência do Poder Judiciário visam o aprimoramento da gestão de precedentes e das demandas repetitivas com o objetivo de desenvolver ações que atuem sobre as causas da judicialização. Seu surgimento demonstra a superação do paradigma de atuação exclusivamente reativa do Poder Judiciário. “Na atualidade, não é mais possível acreditar que o Judiciário deve estar limitado a aguardar passivamente a chegada das controvérsias, especialmente quando dotadas de caráter repetitivo”122.

122 DIDIER JÚNIOR, Fredie; FERNANDEZ, Leandro. O Conselho Nacional de Justiça e o direito processual: administração judiciária, boas práticas e competência normativa. São Paulo: JusPodivm, 2021, p. 144.