Capítulo 3 – A década de 1990 e a reestruturação do ensino superior
3.11 A regulamentação da educação superior
3.11.2 Centro Universitário – surgimento e objetivo
Ao mesmo tempo em que há a necessidade do cumprimento às exigências das avaliações qualitativas e quantitativas dos cursos de graduação, criou-se uma nova figura organizacional no ensino superior: o Centro Universitário e se diferenciam das universidades pela dispensa da obrigação de realizar atividades de pesquisa; a autonomia, no e ntanto, é semelhante: pelo Decreto nº 3.860/2001.
Art. 11. Os centros universitários são instituições de ensino superior pluri- curriculares, que se caracterizam pela excelência do ensino oferecido, comprovada pelo desempenho de seus cursos nas avaliações coordenadas pelo Ministério da
Educação, pela qualificação do seu corpo docente e pelas condições de trabalho acadêmico oferecidas à comunidade escolar.
§ 1º Fica estendida aos centros universitários credenciados autonomia para criar, organizar e extinguir, em sua sede, cursos e programas de educação superior, assim como remanejar ou ampliar vagas nos cursos existentes. (BRASIL, 2001).
As demais instituições – Faculdades Integradas, Faculdades Isoladas, Escolas Superiores, Institutos Superiores, não gozam de autonomia, devem ter os cursos autorizados um a um pelo Ministério.
A nova estrutura administrativa e pedagógica possibilita abertura de cursos, ampliação ou redução de vagas com a mesma autonomia das universidades, prevista no artigo 45 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 – LDB/96 -, mas sem a exigência da atividade de pesquisa.
O artigo 16 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, define que as instituições de ensino superior brasileiras podem assumir as seguintes configurações organizacionais:
1- instituições de ensino mantidas pela União;
2 - instituições de educação superior, criadas e mantidas pela iniciativa privada;
3 – órgãos federais de educação.
O artigo 45 da mesma Lei define que a educação será ministrada em instituições de ensino superior, públicas ou privadas, com vários graus de abrangência ou especialização. (BRASIL, 1997).
O Decreto nº 2.306, de 19 de agosto de 1997, no artigo 8º, prevê a existência dos seguintes tipos de instituições de ensino superior:
Quanto à organização acadêmica, as instituições de ensino superior do Sistema Federal de Ensino classificam-se em:
I - universidades;
II - centros universitários; III - faculdades integradas; IV - faculdades;
V - institutos superiores ou escolas superiores;
Art.12. São centros universitários as instituições de ensino superior pluricurriculares, abrangendo uma ou mais áreas do conhecimento, que se caracterizam pela excelência do ensino oferecido, comprovada pela qualificação do seu corpo docente e pelas condições de trabalho acadêmico oferecidas à comunidade escolar, nos termos das normas estabelecidas pelo Ministro de Estado da Educação e do Desporto para o seu credenciamento.
§ 1º Fica estendida aos centros universitários credenciados
autonomia para criar, organizar e extinguir, em sua sede, cursos e programas de educação superior, assim como remanejar ou ampliar vagas nos cursos existentes.
§ 2º Os centros universitários poderão usufruir de outras atribuições
da autonomia universitária, além da que se refere o parágrafo anterior, devidamente definidas no ato de seu credenciamento, nos termos do parágrafo 2º do artigo 54, da Lei nº 9.394, de 1996. (BRASIL, 2001).
De acordo com a legislação acima, os centros universitários são instituições de ensino superior que se caracterizam:
- quanto à origem, pela transformação de faculdades integradas, institutos superiores, escolas superiores ou universidades já credenciadas e em funcionamento;
- quanto à abrangência, por organização pluricurricular em uma ou mais áreas de conhecimento ou da formação profissional, admitida especialização em pelo menos uma área de conhecimento;
- quanto á função, pela destacada qualidade de ensino de graduação ministrada e pela oferta de cursos de especialização em pelo menos uma área de conhecimento;
- quanto á organização, pela formulação de um Plano de
Desenvolvimento Institucional (PDI) e pela participação do corpo acadêmico nas decisões referentes ao ensino;
- atuação, sem descontinuidade, no campo do ensino superior por período igual ou superior a cinco anos;
- comprovação de regularidade da situação patrimonial, financeira, contábil e fiscal;
- exigência de um PDI compatível com sua missão;
- reconhecimento de , pelo menos, 80% de seus cursos de graduação (criados há três anos ou mais);
- composição do corpo docente por, pelo menos, 90% de doutores, mestres, especialistas e profissionais de reconhecida qualificação no campo da disciplina na qual atuam na instituição, com percentual mínimo de 20% do corpo docente constituído de mestres e/ou doutores;
- corpo docente integrado por, no mínimo, 10% de professores em tempo integral e 40%, em tempo contínuo (12 e 24 horas);
- comprovação de um corpo docente integrado por, no mínimo 20% dos professores com, pelo menos, metade de sua jornada de trabalho, na instituição, voltadas para atividades acadêmicas extra classe;
- previsão de tempo remunerado para a dedicação do corpo docente ao atendimento de alunos;
- não ter pedido de reconhecimento de curso negado pelo Conselho Nacional de Educação, nos últimos cinco anos;
- obtenção de conceitos A, B ou C no Exame Nacional de Cursos, nos últimos dois anos, quando a Fundação Eurípides possuir dois ou mais cursos avaliados;
- desempenho satisfatório na Avaliação das Condições de Oferta de Curso feita pelo SESu/MEC. (BRASIL, 2001).
A Portaria MEC nº 639, de 13 de maio de 1997, dispõe sobre o credenciamento dos centros universitários nos seguintes critérios:
- capacidade financeira e administrativa e de infra-estrutura da instituição;
- qualificação acadêmica e experiência profissional do corpo docente; - condições de trabalho do corpo docente;
- resultados obtidos no exame nacional de cursos e outras formas de avaliação da qualidade do ensino;
- atividades de iniciação científica e prática profissional para os alunos.
Portanto, os centros universitários são criados pela transformação de Instituições já credenciadas e em funcionamento regular reconhecidos ou em fase de reconhecimento. (BRASIL, 1997).
O Parecer nº 618 da Câmara de Ensino Superior (CES) do Conselho Nacional de Educação (CNE), aprovado em 08 de junho de 1999 e homologado em 13 de julho do mesmo ano, define critérios para credenciamento de centros universitários. Além de ser originado pela transformação de faculdades integradas, faculdades, institutos superiores, escolas superiores ou universidades já credenciadas ou em funcionamento, como também pela transformação de aspectos da organização administrativa e de áreas de conhecimento e de destaque na qualidade do ensino de graduação e oferta de cursos de especialização, também é necessário o Plano de Desenvolvimento Institucional compatível com a missão da instituição e visando a garantir o desenvolvimento de seu corpo docente, das políticas pedagógicas, das instalações físicas e dos cursos.
Para que o objetivo da excelência de ensino se viabilize, é fundamental a melhor qualificação de seu corpo docente, que deve ter carga horária maior do que a predominante nas escolas isoladas e federação de escolas de natureza privada. O centro universitário deve ter plano de carreira, incentivar o desenvolvimento contínuo de seus professores, oferecer condições básicas ao processo ensino/aprendizagem (expansão da biblioteca, laboratórios, sala de multimeios). Quanto aos aspectos
pedagógicos, tem-se número limitado de alunos por sala, flexibilização curricular, atividades de extensão, acesso à rede de informação, cursos de pós graduação lato sensu e atividades de iniciação científica para alunos graduandos. Atualmente, a preocupação das instituições está focada nas dimensões de busca de autonomia, tais como a criação de cursos e a ampliação do número de vagas dos já existentes.
A LDB/96 exige que, nas universidades, pelo menos um terço dos docentes tenha titulação igual ou superior ao mestrado e, na mesma proporção, ser contratada em regime de dedicação integral.
Para os centros universitários, de acordo com o Parecer nº 618 de 1999, o corpo docente deve ser constituído por pelo menos 20% de doutores e mestres, com 10% desempenhando atividades em regime integral e 40% em tempo contínuo de 12 ou 24 horas semanais. Vinte por cento de todos os professores devem dedicar metade da carga horária de trabalho a atividades acadêmicas externas à sala de aula.
A exigência é inferior à das universidades, mas obriga instituições como a Fundação Eurípides, que procuram se recredenciar como centro universitário, e mesmo sobreviver como instituição de ensino superior, a alterar regimes de trabalho, sua estrutura orgânica e acadêmica.
Desde 1995, o sistema de avaliação e as exigências de recredenciamento obrigaram as instituições privadas a reverem todos os seus procedimentos devem ser alterados tendo em vista o Parecer CES-CNE nº 406, aprovado em 7 de maio de 1999, principalmente artigo 7º , que define os seguintes requisitos para o recredenciamento, pelo prazo de 5 anos para universidades e centros universitários.
I- Ter obtido conceitos A ou B, em mais da metade de seus cursos avaliados nas três últimas edições do Exame Nacional de Cursos; II- Ter obtido conceitos: (CMB- Condições Muito Boas) ou (BC –
Condições Boas) em mais da metade dos cursos avaliados nas condições de oferta de pós-graduação lato sensu.
III- Oferta de cursos de pós-graduação lato sensu.
O roteiro para o credenciamento dos centros universitários é definido pelo Decreto nº 2.306 e Portaria Ministerial nº 639, ambos de 1997. Os itens a serem avaliados pela comissão constituem-se por:
- existência de avaliações institucionais de ensino;
- existência de núcleo interno responsável pelo sistema de
avaliação;
- desempenho no Exame Nacional de Cursos e na Avaliação das
Condições de Oferta de Cursos (Decreto nº 2.026/96);
- relação aluno-docente/aluno-pessoal técnico administrativo;
- existência de planos e recursos de desenvolvimento do ensino de
graduação (PDI);
- existência de projeto de atualização e inovação curricular,
estratégias e métodos de ensino, aprendizagem e avaliação;
- oportunidades de iniciação científica de práticas investigativas
relacionadas aos cursos de graduação ministrados;
- dados relativos à divulgação de cursos, seleção,
acompanhamento, número de alunos por turma, evasão, retenção, número de vagas, demanda, matrículas e diplomação;
- oferecimento de atividades de prática profissional (estágio);
Quanto ao corpo docente, a comissão de avaliadores verifica;
- qualificação do corpo docente, atestada pela titulação acadêmica
e pela experiência profissional no ensino e no mercado de trabalho;
- jornada de trabalho;
- qualificação docente, como parte do projeto de capacitação e
formação continuada (PDI);
- número de alunos por turma sob responsabilidade de cada
professor.
Quanto à biblioteca, a comissão de avaliadores examina:
- mecanismo de seleção de acervo e disponibilidade de recursos
financeiros para a Fundação Eurípides;
- adequação espacial;
- disponibilidade e adequação dos clássicos, contemporâneos e
periódicos com assinaturas correntes;
- acesso dos usuários às facilidades, recursos e materiais de apoio
da tecnologia da informação, inclusive via rede interna, no país e no exterior;
- política de atualização e renovação permanente da biblioteca
(PDI).
Quanto às instalações e laboratórios, observa-se:
- instalações e laboratórios equipados para o ensino;
- disponibilidade de microcomputadores para ensino, aplicativos e
acesso à web como recurso de aprendizagem;
- política de atualização, expansão e renovação dos recursos
tecnológicos de informação e infra-estrutura de ensino (PDI);
- local de trabalho adequado para os docentes;
- existência de espaço físico adequado e de instalações para a
- facilidade para o corpo docente freqüentar os laboratórios de informática e Ter acesso à rede de dados.
Quanto às atividades de extensão e práticas de investigação a avaliação verifica:
- participação dos alunos em práticas articuladas às áreas dos
cursos oferecidos:
- atividades de formação continuada;
- política de melhoria das atividades de extensão (PDI) e de
investigação;
- incorporação de atividades de investigação como parte integrante
dos cursos de graduação.
Quanto aos cursos de pós-graduação lato sensu, a avaliação verifica:
- experiência acumulada em cursos de especialização;
- planos e recursos para a melhoria dos cursos de especialização
(PDI);
- existência de cursos de pós-graduação stricto sensu
reconhecidos.
Quanto à organização institucional, a a valiação verifica:
- participação dos docentes em órgãos colegiados;
- definição da estrutura organizacional deliberativa e executiva em
organograma que expresse as competências e os níveis de subordinação, tanto para colegiados quanto para dirigentes, desde o superior até as unidades acadêmicas e administrativas;
- participação do corpo docente na elaboração do projeto
pedagógico dos cursos ministrados. (BRASIL, 1997).
O MEC na elaboração desta nova opção para a educação superior caracterizou os Centros Universitários pela excelência de ensino, que deve ser comprovada pela qualificação de seu corpo docente e pelas condições de trabalho acadêmicas.
A criação do Centro Universitário, por intermédio da legislação federal, possibilita a essa nova estrutura organizacional maior autonomia para decisão e fechamento de cursos, ampliação e redução de vagas, entre outras flexibilidades inexistentes quando se trata de faculdades isoladas. Se, de um lado, a legislação possibilita a criação de uma nova estrutura para responder às solicitação do mercado, com novas vagas nos cursos de nível superior, de outro lado, as instituições enfrentam pressões do ambiente externo, com uma competição acirrada,
fenômeno inexistente até a LDB/96, legislação complementar e implantação do Sistema Nacional de Avaliação.
A abertura de novas faculdades e conseqüente ampliação do número de vagas, reduzindo a relação candidato/vaga nas inscrições dos vestibulares, pressionou todas as instituições de ensino superior privadas a modernizarem suas estrutura pedagógicas e administrativas. O centro universitário, com objetivos e estrutura pré-definidos na legislação, possibilitaram incrementar as mudanças e a fazer frente à competição instalada.
Por essas razões, a instituição passou a reformular-se, a partir de 2003, pela necessidade de adequação às novas exigências das políticas em educação superior do MEC e pela transformação de faculdades isoladas em Centro Universitário. Essas mudanças tendem a alterar as formas de atuação das faculdades, afetando profundamente o cotidiano, os processos organizacionais e decisórios internos e a cultura da organização.
CONCLUSÃO
Questão central desta dissertação: examinar como alterações sócio-políticas interferem no sistema de ensino superior. No caso da Fundação Eurípides, como as alterações no mercado, as mudanças na legislação do ensino superior e a implantação dos novos cursos na instituição refletiram na mudança de rumos de sua trajetória.
Como instituição de ensino superior, deve ter por objetivo a formação da cidadania e impulsionar o progresso tecnológico que promoverá o desenvolvimento econômico-social do Brasil.
Entende-se que na educação superior, o ensino, a pesquisa e a extensão são indissociáveis, prevalecendo uma hierarquia entre eles. Porém, verifica-se que as instituições de ensino superior enfatizam a formação profissional, priorizando a atividade de ensino em detrimento da pesquisa. A Fundação Eurípides não foge a essa regra.
Na pesquisa, evidenciou-se que a instituição sempre exerceu uma função social relevante, ocupando um lugar privilegiado na transmissão do ensino, formando profissionais de nível superior qualificados e competentes para atender as demandas do mercado de trabalho.
A Fundação Eurípides foi criada no final da década de 1960, com a inauguração dos cursos de Administração, Ciências Contábeis e Direito. Surge com o objetivo de atender as demandas do, mercado por administradores, advogados e contadores.
A estrutura organizacional é centralizada na Mantenedora das Faculdades, sendo responsável pelos aspectos administrativos, acadêmicos e pedagógicos. Os procedimentos acadêmicos e administrativos eram padronizados, ou seja, na concepção original os processos decisórios ficaram restritos ao grupo de instituidores.
Nas décadas de 1970 e 1980 consolida-se o nome/marca Fundação Eurípides que se dedica a busca de equilíbrio financeiro e a construção do prédio próprio. Mantém os cursos em funcionamento, ofertando o mesmo número de vagas e amadurecendo as políticas internas e as relações com o mercado.
Em meados da década de 1990, com a LDB/96 e a implantação do Sistema Nacional de Avaliação e as alterações no mercado, a Fundação Eurípides é estimulada a alterar sua estrutura organizacional, acadêmica e política: aproveitando flexibilidades legais cria a faculdade de Informática abrigando o curso de ciência da computação e a Faculdade de Letras abrigando o curso de tradutor. Na faculdade de Administração e Ciências Contábeis, cria os cursos de Análise de Sistemas, Comércio Exterior e Marketing. Há um estímulo à titulação dos docentes que já estavam na instituição e os processos de contratação passaram a ser menos particularistas priorizando a experiência acadêmica. Nesse período, é implantada a pesquisa acadêmica, fomentando alunos e professores a desenvolverem projetos de pesquisa, muitos inseridos nas empresas da cidade e da região. Essa mudanças objetivam, a curto prazo atenderem à demanda do mercado e a longo prazo a criação do Centro Universitário, fato que se consolidou em junho de 2003.
A instituição foi constituída como fundação de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecida como de Utilidade Pública, essa escolha pode estar na opção política que procurou colocar o seu fazer acadêmico na direção do público sem se preocupar, num primeiro momento, com o lucro. Quando registrava-se um superávit financeiro, era aplicado na própria obra educacional.
Geralmente, os estabelecimentos de ensino privados são apoiados e sustentados por uma entidade mantenedora, cujo papel está regulamentado pelo Decreto-lei nº 2.306/97.
As mantenedoras têm sido criticadas pelo fato de cercearem a autonomia acadêmica da sua mantida, assim como pelos eventuais usos de artifícios legais na gestão de recursos com orçamentos que normalmente são desconhecidos pela comunidade acadêmica.
Na Instituição, a entidade mantenedora é a Fundação de Ensino Eurípides Soares da Rocha que mantém as faculdades de Administração, Ciências Contábeis e Direito, criadas em 1967 e mais tarde, em 1998 as Faculdades de Letras e Ciência da Computação e que exerce um poder fiscalizador e regulador sobre as faculdades mantidas, sobretudo no que diz respeito a recursos financeiros. Não há planejamento orçamentário e toda a gestão de recursos é centralizada na Mantenedora.
O patrimônio da Fundação Eurípides é distinto de seus membros fundadores, dirigentes e administradores e não concede a nenhum desses a
participação, uso ou gozo desse patrimônio. Não remunerava e não remunera esses seus membros. Objetiva dedicar-se apenas à educação e todo o seu patrimônio e os excedentes financeiros são canalizados para essa finalidade.
A Fundação Eurípides mantém as faculdades do ponto de vista jurídico, ético, econômico e patrimonial e seu presidente delega ao Diretor Acadêmico poderes estatutários e acadêmicos regimentais. Dessa forma, cabia à mantenedora indicar o Diretor Acadêmico e a este designar seus imediatos hierárquicos, diretores e coordenadores de cursos, porém, sempre em comum acordo com a mantenedora.
Com a transformação em Centro Universitário, a partir de junho de 2003, essa estrutura hierárquica tende a ser alterada para atender às exigências legais.
A mantenedora até meados da década de 1990 acompanhava os trabalhos acadêmicos através de relatórios e reuniões realizados com a Diretoria Acadêmica, pouco interferia e sua presença era quase imperceptível, contudo, depois de 1995 assumiu o controle da direção, passou a participar diariamente dos trabalhos acadêmicos, deixando entrever a sua presença na administração geral da Instituição, exercendo um poder de controle mais intenso e mais rígido. Esse exercício de poder da mantenedora sobre a mantida, concentra-se mais expressamente na área econômica objetivando a estabilidade institucional e equilíbrio financeiro.
Na Instituição o cargo de Diretor Acadêmico, recebe uma gratificação especial para o exercício da função e é subordinado diretamente ao Presidente da Mantenedora.
Os reflexos que a crise econômica e financeira do país, na década de 1980, repercutiram em uma crise interna da Instituição.
Visando enfrentar essa crise econômica a Instituição procurou manter austeridade administrativa, o planejamento de suas atividades e a contenção de despesas. No período compreendido entre inicio da década de 1980 até meados de 1990 não houve nenhum investimento, permaneceu oferecendo apenas os três cursos iniciais, contratando professores em regime de trabalho horista gerando economia em folha de pagamento e, amparada por lei, não se preocupava em contratar professores com titulação stricto sensu e promover a pesquisa.
As modificações nos contextos sócio-políticos nortearão a mudança de rumos na Instituição a partir de meados da década de 1990 em que alterações no ambiente externo: (avaliações, alteração nas diretrizes curriculares, Leis, Decretos, a
facilitação na abertura de novas faculdades em todos os cantos do Brasil) aliada ao, aumento da competição entre instituições de ensino superior privadas – facilitada pelo Estado – às novas tecnologias que exigem novos perfis de alunos, novas e diferentes profissões) foram absorvidos pela Fundação Eurípides que passou a adequar-se a essas exigências provocando mudanças em sua estrutura.
A partir de 1997, a Instituição inicia seu projeto interno de expansão dos cursos. A primeira decisão, e também, para atender à legislação, passa a contratar professores em regime de trabalho parcial e integral com titulação de mestre e doutor e promove o plano de carreira docentes para os professores que já estavam na Instituição e, a partir de então, a pesquisa ganhou incentivo e espaço dentro da instituição, porém, ainda predomina sua característica inicial, a de instituição voltada apenas para o ensino. Desde sua institucionalização, pesquisa acadêmica registra poucos avanços, faz-se necessário maiores investimentos e incentivos que