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Breno Rocha1 Linderson Batista1, Luiz Alexandre1, Rui Augusto1, Paulo Augusto da Costa Pinto2;

INTRODUÇÃO

No exame do perfil do solo, devem-se descrever detalhadamente características morfológicas de todos os horizontes e/ou camadas que compõem o perfil do solo. Dentre as características morfológicas importantes está a cerosidade, as superfícies de fricção (slickesides) e nódulos. Estas características são muito importantes, já que auxiliam na identificação do tipo de solo, bem como algumas dessas características merecem destaque na orientação de determinadas práticas agrícolas.

Cerosidade: é o aspecto brilhante e ceroso, que ocorre por vezes na superfície das unidades de estruturas, manifestado muitas vezes por um brilho matizado. É decorrente de película de materiais coloidais, depositados nas superfícies das unidades estruturais, material este constituído por minerais de argila ou óxido de ferro ou talvez alumínio.

Superfícies de fricção ou escorregamento de argila (slickensides): São superfícies polidas e estriadas produzidas por uma mútua fricção ou deslizamento de uma massa sobre a outra; as superfícies de fricção podem ser encontradas na base de superfície de deslizamentos em relevos acentuados.

Nódulos e Concreções minerais: são corpos cimentados que podem ser removidos intactos dos solos. Suas composições variam de materiais parecidos com aqueles de solos contíguos (vizinhos) até substâncias puras de composição totalmente diferente do material vizinho.

1 Alunos da disciplina Gênese, Morfologia e Física do Solo;

[email protected]; [email protected]; [email protected]

2

Professor da disciplina de Gênese, Morfologia e Física do Solo [email protected]; http://br.geocities.com/pacostapinto;

OBJETIVOS

1. Identificar em campo a presença de cerosidade quanto ao grau de desenvolvimento e quantidade;

2. Descrever cada formação;

3. Descrever a importância, suas formas de apresentação, estrutura e influência dessas características morfológicas no perfil no solo;

4. Fazer inferências sobre a gênese do solo em função dos seus constituintes;

5. Caracterizar a importância da cerosidade e dos nódulos e sua relações com o solo e as plantas.

MATERIAL E MÉTODOS

1. Martelo pedológico

2. Lente de pequeno aumento 3. Faca

4. Pá e Picareta

A partir da cerosidade é possível analisar um aspecto tanto brilhante e ceroso que ocorre por vezes na superfície das unidades de estruturas, manifestado frequentemente por um brilho matizado.

Quanto ao grau de desenvolvimento da cerosidade, são utilizados os

termos: Fraca, Moderada e Forte, de acordo com a maior ou menor nitidez e contraste mais ou menos evidente com as demais partes da camada ou horizonte.

Quanto à quantidade da cerosidade, são utilizados os termos: Pouco,

Comum e Abundante.

Observa-se que os Latossolos, que são solos mais intemperizados, mais ricos em óxidos de Fe e Al, geralmente mais pobres em nutrientes e mais profundos não possuem, ou podem apresentar quantidades poucas ou fracas de cerosidade, sendo esta característica verificada nos solos podzolizados, menos intemperizados.

Dessa maneira, pode-se dizer que se a cerosidade estiver presente em um solo, esta pode servir para indicar, evidentemente aliada a outras informações, a riqueza relativa de um solo em nutrientes (estágio de intemperismo).

Além da cerosidade, devem ser citados:

Superfícies Foscas ou Coatings: são superfícies ou revestimentos muito

tênues e pouco nítidos, que não podem ser identificados como cerosidade, apresentando normalmente pouco contraste entre a parte externa revestida e a

matriz sob esse revestimento, tendo aspecto embaçado ou fosco. Este revestimento inclui também filmes de matéria orgânica infiltrada e manganês (pretos ou quase pretos), os quais podem ser resultantes de translocações.

Superfícies de Fricção ou Slikensides: são superfícies alisadas e lustrosas

apresentando estriamentos causados pelo deslizamento e atrito da massa do solo. São superfícies tipicamente inclinadas em relação ao prumo dos perfís.

Superfícies de Compressão: são superfícies alisadas e lustrosas sem

estriamento, causadas por compressão na massa do solo em decorrência de expansão do material. Não se apresentam inclinadas, por não haver deslocamento entre as unidades. São características de solos com textura pesada (muito argilosa).

As concreções distinguem-se dos nódulos pela organização interna. Concreções tem a simetria interna organizada em torno de 1 ponto, de uma linha ou de um plano. Nódulos carecem de uma organização interna ordenadamente organizada.

A descrição deve incluir informação sobre quantidade, tamanho, dureza, cor, natureza dos nódulos e compressões, sendo recomendados os seguintes termos:

a) Quantidade: O problema de definir termos quantitativos para nódulos é similar para o caso de rochas de fragmentos minerais. Desde que a classe de nódulos é relativamente limitada, poucas excedendo 2 cm de diâmetro; grande importância pode ser dada às definições baseadas em volume:

Muito pouco: menos que 15 % de volume Pouco: 5 a 15 % do volume

Freqüente: 15 a 40 % do volume Muito freqüente: 40 a 80 % do volume Dominante: mais que 80 % do volume b) Tamanho

Pequeno: Menor que 1 cm de diâmetro Grande: Maior que 1 cm de diâmetro

O tamanho médio pode ser indicado entre parênteses – isso é desejável se os nódulos são excepcionalmente pequenos (menores que 0,5 cm) ou grandes (mais de 2 cm)

c) Dureza

Macio: Pode ser quebrada entre o polegar e o indicador Duro: Não pode ser quebrado entre os dedos

d) Forma: esférica, irregular e angular.

e) Cor: simples termos - preto, vermelho, branco etc.

f) Natureza: A presumível natureza do material do qual o nódulo ou concreção é principalmente formada deve ser nada, por exemplo: “irostone” (Termo

conviniente para vários materiais em que os compostos de ferro são predominantes): Ferro - mangnesiano, gibsita; carbonato de cálcio etc. Ex: nódulo pouco pequeno (0,25cm), macio, irregular, púrpura ferro - magnesiano e estrutura amorfa.

BIBLIOGRAFIA

KIEHL, J. E. Manual de Edafologia. São Paulo: Ceres, 1979.

VIEIRA, L. Manual de Ciência do Solo. São Paulo: Ed. Agronômica Ceres, 1975, p. 285,286,287.

SANTOS, R. D. dos; LEMOS, R. C. de; SANTOS, H. G. dos; KER, J. C.; ANJOS, L. H. C. dos Manual de Descrição e Coleta de Solo no Campo. 5a ed. Viçosa: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2005. p.33, 38.

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