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Certamente sim.

No documento O bservatório N acional (páginas 46-53)

No Brasil temos, somente, duas usinas nucleares em operação, as usinas Angra I e Angra II instaladas na praia de Itaorna, na região de Angra dos Reis, no litoral sul do estado do Rio de Janeiro. A usina Angra I fornece 657 megawatts (MWe) de energia elétrica e Angra II fornece 1350 Mwe. Desse modo, elas contribuem com 4,1 porcento da eletricidade do nosso país.

A companhia que opera os Recentemente o governo r e a t o r e s n u c l e a r e s , brasileiro reviu seu programa estabelecidos em Angra dos nuclear. Um, possível, novo Reis, é a Eletronuclear, cenário seria completar o reator (Eletrobrás Termonuclear S/A), Angra-3, que geraria 1300 subsidiária da Eletrobrás. MWe, e construir um novo Hoje o Brasil ainda envia o reator de 1300 MWe e dois seu urânio para ser enriquecido outros, de 300 MWe, esses em países da Europa, mas últimos projetados no nosso fazendo esse enriquecimento país. Com essa série de reatores em nosso país, esperamos nucleares fica, mais que economizar, pelo menos, 12 justificado, o Brasil fabricar seu milhões de dólares por ano. próprio combustível nuclear.

Condensador Bomba Gerador Elétrico Torre de Transmissão Bomba Bomba Turbina Bomba principal de refrigeração Elemento combustível Barras de controle Água

Tanque de água de alimentação Gerador de vapor Vaso de pressão Reator Pressurizador Vapor Vaso de contenção Circuito Primário Circuito Secundário

Sistema de água de Refrigeração

“Yellowcake”

Vista aérea da Unidade da INB na cidade de Resende/RJ.

Pastilhas de Dióxido de

Urânio.

Com a inauguração de um centro de centrífugas voltadas para o enriquecimento de urânio na cidade de Resende, próxima ao Rio de Janeiro, o Brasil possui, agora, domínio sobre todos os estágios de produção de combustível nuclear, desde a mineração e processamento do minério de u r â n i o, n o c o n c e n t ra d o conhecido como “yellowcake”, até a fabricação de pastilhas de

dióxido de urânio que preenche extremamente dependente dos as barras que formam o núcleo norte-americanos, nesse setor de um reator nuclear. estratégico, e já conhecendo o Essas centrífugas, que usam cerceamento que eles davam, a 100% de tecnologia nacional, qualquer desenvolvimento foram desenvolvidas pela nuclear fora de sua jurisdição, Marinha de Guerra do Brasil, nosso país procurou parceria que as fabrica e as instala em com a Alemanha, na época Resende, para as Indústrias Alemanha Ocidental.

Nucleares Brasileiras (INB). Em 1975 foi assinado um O d e s e n v o l v i m e n t o acordo entre o Brasil e a tecnológico do Brasil, no campo Alemanha Ocidental, que da energia nuclear, despertou incluía a construção de oito “preocupações” nos auto- reatores, cada um capaz de i n t i t u l a d o s p a í s e s produzir 1300 MWe de energia desenvolvidos. Aliás, todo o elétrica, em 15 anos.

trajeto do nosso país, na procura de auto-suficiência nuclear, foi pontilhado por pressões, cada vez mais acirradas feitas pelos países do Hemisfério Norte. Até mesmo a c o n s t r u ç ã o d a s u s i n a s n u c l e a r e s n ã o f o i a l g o tranquilo. Em 1971 o Brasil comprou, da companhia norte-americana W e s t i n g h o u s e E l e c t r i c Corporation, seu primeiro reator nuclear, o Angra I.

Além disso, o acordo previa a transferência, completa, da tecnologia necessária, para o desenvolvimento de uma i n d ú s t r i a d o c i c l o d e combustível nuclear. A pressão contra esse acordo, feita pelos Estados Unidos, foi enorme e o Brasil foi obrigado a colocar suas instalações nucleares sob controle internacional. Isso acabou sendo desnecessário pois na década dos anos de 1980, nosso país mergulhou em grande crise econômica e só o reator Angra 2, incluído no acordo, foi construído. Além d i s s o , o p r o c e s s o d e enriquecimento de urânio, cedido pelos alemães, o “jet- nozzle”, mostrou não ser viável economicamente.

Um pouco antes disso, o governo militar existente no Brasil, vendo as dificuldades q u e s e a g i g a n t a v a m , impedindo o desenvolvimento

nuclear do país, decidiu investir pudesse ser usado em um em um programa nuclear, que submarino, assim como, o não dependeria de tecnologia desenvolvimento de tecnologia estrangeira e não estaria de enriquecimento de urânio restrito por salvaguardas que, para esse propósito, seria internacionais. difícil de ser adquirido no Embora desenvolvido por exterior. Esse programa ficou militares das três forças conhecido com o nome de ( E x é r c i t o , M a r i n h a e “Projeto Ciclone” e foi liderado Aeronáutica), esse programa pelo oficial da marinha, Othon não tinha como objetivo a Luiz Pinheiro da Silva.

fabricação de armas nucleares. F o i o p r o g r a m a , desenvolvido pela Marinha que obteve mais êxito. Seu objetivo era desenvolver um reator n u c l e a r, c o m p a c t o, q u e

Piscina de combustível usada em Usinas Nucleares.

Após um estágio no MIT, nos energia nuclear, para fins Estados Unidos, ele trouxe para pacíficos.

nosso país a idéia de que, o Várias partes do programa enriquecimento de urânio, nuclear brasileiro foram deveria ser feito por um integradas ao Ministério de p r o c e s s o q u e u t i l i z a v a Ciência e Tecnologia. Em 1997, centrífugas. o Brasil assinou o Tratado de No dia 8 de setembro de Não Proliferação de Armas 1982, da Silva e seu grupo, Nucleares e permitiu a usando uma única centrífuga, inspeção, pela IAEA, de todas r e a l i z a r a m a p r i m e i r a as suas indústrias nucleares, experiência de enriquecimento, incluindo o complexo de Aramar com sucesso no nosso país. Em pertencente à Marinha.

1987, já havia um conjunto de 48 centrífugas e, em 1991, elas chegavam a cerca de 500.

Isso despertou suspeitas nos Estados Unidos que, segundo a r e v i s t a n o r t e -a m e r i c a n a Spectrum, do IEEE, com base em um documento secreto da Marinha Brasileira, decidiram manter esse programa sob vigilância cerrada tendo até mesmo designado agentes americanos, baseados em São Paulo, para seguir da Silva o tempo todo.

A p e s q u i s a c o m a s centrífugas continua a ser feita no Centro de Tecnologia da M a r i n h a e m S ã o Pa u l o ( C T M S P ) , e n q u a n t o s u a fabricação ocorre no Centro Experimental Aramar, da Marinha, localizado em Iperó, São Paulo.

A partir dos anos da década de 1980, com a mudança para governos civis, o programa nuclear brasileiro sofreu grandes modificações. Pela Constituição, aprovada em 1988, o Brasil só pode usar

Em 1991, Brasil e Argentina assinaram um acordo, no qual, se comprometiam a não fabricar bombas

nucleares e a estabelecer uma agência de inspeção nuclear mútua.

Mesmo agora, com o Brasil signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear, ainda são fortes as pressões sobre o Governo Brasileiro, com o objetivo de desmantelar nossa indústria nuclear.

Alguns “observadores” internacionais sentem ameaça no programa de enriquecimento de urânio desenvolvido no nosso país, e declaram que, o mundo não deve aceitar o funcionamento da indústria de enriquecimento, instalada em Resende, e que o governo brasileiro deve ser pressionado a fechar essa fábrica.

A alegação deles: se o Brasil faz, outros países também vão querer fazer! O Brasil se protege alegando que, o próprio Tratado de Não Proliferação, no seu artigo IV, garante que os países signatários têm o direito de explorar a energia nuclear para propósitos pacíficos, incluindo o desenvolvimento do ciclo de combustível nuclear.

Em 2004, os Estados Unidos c o m e ç a ra m a f a l a r e m mudanças nas regras do tratado, de modo a impedir que outros países desenvolvam a indústria nuclear. Segundo eles, devia ser proibida a disseminação da tecnologia de reprocessamento e enriquecimento nuclear.

Países que ainda não produzem combustível nuclear deveriam ser proibidos de desenvolver essa capacidade tecnológica.

Bocais

Elemento combustível

Uma alta autoridade, da por serviços de enriquecimento de Agência Internacional de urânio. Cerca de 90% dos Energia Nuclear (IAEA), propôs reatores nucleares, de todo o uma moratória de cinco anos mundo 397 de um total de 441 – sobre novas indústrias de dependem de serviços de r e p r o c e s s a m e n t o e enriquecimento para obter seu enriquecimento, declarando combustível. Esse é um mercado que, durante esse período, a global de mais de cinco bilhões de IAEA forneceria o material físsil dólares por ano, algo não n e c e s s á r i o p a r a o desprezível, que o nosso país funcionamento de usinas pretende participar no futuro. nucleares civis, através de Segundo a INB, o Brasil pretende f o r n e c e d o r e s q u e e l a produzir de 20 a 30 toneladas autorizasse, e a preços de métricas de urânio enriquecido mercado! O ridículo dessa por ano, ou seja, 60% do proposta está no fato de que, o combustível doméstico que Brasil logo estará produzindo necessitamos, por volta de 2008 urânio enriquecido em escala ou 2009 alcançando 100%, por industrial, suficiente para volta de 2010.

abastecer seus dois reatores nucleares. O Brasil possui a oitava reserva mundial e o enriquecimento dará ao nosso país autonomia de combustível nuclear.

A segunda razão pela qual essa proposta é risível, é o fato econômico que está por trás dela. Preocupados com o aumento dos preços do petróleo e com as emissões de gás, que provoca o efeito estufa, parece haver um renascimento da necessidade de gerar energia por processos nucleares. Isso mostra que em pouco tempo haverá um substancial aumento na demanda

Na imagem, podemos ver o urânio em seu estado natural e suas pastilhas, depois do seu enriquecimento.

No documento O bservatório N acional (páginas 46-53)

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