1 INTRODUÇÃO
2.2 Orgânicos
2.2.2 Certificação de produtos orgânicos no Brasil
A quantidade de estabelecimentos agrícolas orgânicos no Brasil que possuem certificação ainda é tida como sendo baixa (MORAIS; OLIVEIRA, 2017), isto porque, a certificação é vista como um processo complicado para os produtores que, frequentemente, não conhecem os meios e nem possuem os recursos necessários para sua concretização (MEDAETS; FONSECA, 2005; MOOZ; SILVA, 2014; MORAIS; OLIVEIRA, 2017). Outro aspecto relevante é o custo gerado pelo processo da certificação, que diversas vezes em decorrência do baixo volume de produção acaba inviabilizando a unidade de produção (MOOZ; SILVA, 2014).
De acordo com Mooz e Silva (2014) a certificação orgânica é um processo de auditoria de origem e trajetória de produtos agrícolas e industriais, desde sua fonte de produção até o ponto final de venda ao consumidor. Segundo Marini et al. (2016) com a certificação é possível atestar um procedimento de verificação da conformidade do produto ou do processo em função de padrões estabelecidos, através da avaliação de todas as atividades indispensáveis para a determinação a cerca do cumprimento de requerimentos específicos, garantindo-se assim, que um produto atenda determinados padrões desejados.
Para que um produto seja reconhecido legalmente como orgânico, ele deve respeitar algumas exigências legais de certificação (GOMES; FRINHANI, 2017; MORAIS; OLIVEIRA, 2017). Assim, o processo de certificação orgânica busca garantir um produto/processo de qualidade aos consumidores (SOUZA; MACHADO; DALCIN, 2015; MORAIS; OLIVEIRA, 2017). Atualmente no Brasil existem duas vertentes para as condições de entrada no mercado de certificação de orgânicos: a certificação para o mercado nacional e a certificação para o mercado internacional (MUÑOZ et al., 2016; MORAIS; OLIVEIRA, 2017).
O Decreto nº 6.323 de 2007 (BRASIL, 2008b) possibilita que a certificação da produção orgânica a nível nacional seja efetuada por meio de Organismos de Certificação da Conformidade Orgânica constituídos como pessoas jurídicas, de direito público ou privado, com ou sem fins lucrativos, previamente credenciados junto ao MAPA, no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica (SisOrg).
Todos os produtos orgânicos brasileiros, com exceção dos que se originam da venda direta por agricultores familiares, devem ser identificados por meio do Selo orgânico SisOrg, cujo objetivo é facilitar ao consumidor identificar os produtos orgânicos, reforçando a garantia, de acordo com os regulamentos técnicos da produção orgânica (BRASIL, 2008a).
Um aspecto que deve ser verificado é que no selo orgânico SisOrg deve vir a especificação do sistema de avaliação da qualidade orgânica utilizado, como mostra a Figura 2.5 (Instrução Normativa 18 de 2014; BRASIL, 2008a; MAPA, 2009; MUÑOZ et al., 2016), podendo ter a versão colorida, preto e cinza ou preto e branco (BRASIL, 2014).
Figura 2.5 – Selos Federais do SisOrg para produtos orgânicos no Brasil versão colorida.
Fonte: MAPA (2009).
Com o selo é possível identificar os produtos orgânicos em que a avaliação da conformidade foi realizada por organismos credenciados pelo MAPA (MAPA, 2009; SILVA; MELO; MELO, 2016), atestando que o produtor adota criteriosamente as regras das entidades certificadoras à qual está associado e que o produto é cultivado sobre regras estabelecidas e fixadas, garantindo ao consumidor que o sistema de produção adotado não apresenta riscos de contaminação no alimento, a saúde do consumidor ou meio ambiente (SILVA; MELO; MELO, 2016; MORAIS; OLIVEIRA, 2017).
Os produtos orgânicos certificados devem adotar o selo, exceto no caso dos produtores que fazem a venda direta aos consumidores (MUÑOZ et al., 2016). Além do selo federal SisOrg, pode vir na embalagem o selo da certificadora responsável pela certificação, ou seja, o selo dos OAC (Organismos de Avaliação da Conformidade) Orgânica, como mostra a Figura 2.6.
Figura 2.6 – Exemplo de embalagem contendo a certificação federal SisOrg e OAC orgânica.
Fonte: Autor (2016).
Das 24 certificadoras credenciadas pelo MAPA que atuam no Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica (Sistema Participativo), duas possuem sede no Ceará (CE), uma em Quixeramobim e a outra em Crateús (MAPA, 2017), enquanto dos 11 Organismo de Avaliação da Conformidade Orgânica pela certificação por auditoria (Certificadoras) não existe nenhum com sede no Ceará. De acordo com Madail, Belarmino e Bini (2011) e Castro Neto et al. (2010) no ano de 2006, o Ceará possuía 381.014 estabelecimentos agrícolas, dos quais 4.865 eram voltados para agricultura orgânica, mas apenas 167 possuíam certificação.
Cada país possui a própria legislação para a produção e comercialização de produtos orgânicos, devendo ser analisado pelo produtor cada aspecto, caso ele deseje vender os seus produtos no exterior, buscando uma certificação que atenda as exigências do mercado comprador (BRASIL, 2008b; MADAIL; BELARMINO; BINI, 2011; MEDAETS; FONSECA, 2005; WILLER; LERNOUD, 2016; WILLER; LERNOUD, 2017; MORAIS; OLIVEIRA, 2017).
Conforme BRASIL (2008) alguns produtos destinados exclusivamente à exportação precisam estar de acordo com certas exigências do país importador que, diversas vezes, não fazem parte ou são até proibidas pela regulamentação brasileira, e nestes casos, seus rótulos não recebem o Selo do SisOrg, e devem conter a seguinte informação: PRODUTO EXCLUSIVO PARA EXPORTAÇÃO (BRASIL, 2008a). Vale ressaltar que independentemente do mecanismo de certificação, todos os produtos devem ser cadastrados junto ao MAPA (SEBRAE, 2017).
O certificado do produtor pode ser retirado pela certificadora, que tem a autonomia para tal ação, caso seja descumprida as normas da legislação vigente (MORAIS; OLIVEIRA, 2017). Desta forma, se um produto agrícola vendido ou rotulado como orgânico
contém qualquer agrotóxico detectável ou outro resíduo não orgânico ou substância natural proibida, o correto é investigar e determinar se o programa de certificação orgânica foi violado, pois os alimentos que contém resíduos em níveis que são maiores que a contaminação ambiental residual inevitável, não podem ser vendidos ou rotulados como produtos orgânicos (BENBROOK; BAKER, 2014).
Mesmo havendo leis que regulamentam os produtos orgânicos, muitos oportunistas veem na sustentabilidade e agricultura orgânica uma possibilidade de ganhar dinheiro fácil, e com isso, simulam estar vendendo produtos nem um pouco orgânicos, quando na verdade, fazem uso excessivo de agrotóxicos ou, até mesmo, compram esses produtos em feiras convencionais (GOMES; FRINHANI, 2017).