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2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.3 CERTIFICAÇÕES

2.3.5 Certificação EDGE

O Excellence in Design for Greater Efficiencies (EDGE) criado pelo International Finance Corporation (IFC), é um sistema de certificação de construção verde que tem o objetivo de realizar obras residenciais e comerciais mais eficientes no quesito recursos, estando presente em mais de 140 países. (IFC, 2018)

Ainda de acordo com a IFC (2018), a certificação EDGE apresenta como missão, o desenvolvimento de um ambiente construtivo seguro, saudável, inclusivo, inteligente, produtivo, eficiente, viável, sustentável, responsável e resiliente. Buscando a transformação do mercado para esta geração, o grupo de certificação EDGE em 2018 afirma que “uma construção por vez, estamos mudando o mundo”.

Nas próximas décadas, a partir das informações contidas nas pesquisas e descrições do EDGE, pode-se dizer que a velocidade acelerada do crescimento vai afetar a economia e também o estilo de vida das pessoas que vivem no mercado emergente. Existe um alerta de crescimento populacional explícito e como consequência disto, quanto mais pessoas, mais construções. Um exemplo deste fator, conforme afirma o USGBC (2018) é a China que possui a expectativa de acrescentar ao seu território nos próximos 10 anos, o equivalente a todos os prédios existentes na América Latina, que corresponde a cerca de 250 milhões de residências.

Do ponto de vista das considerações feitas pelo IFC (2018), a rápida urbanização pode ameaçar a infraestrutura, acarretando em um conjunto de questões problemáticas como a escassez de energia e água, o acúmulo de resíduos, desequilíbrio da qualidade do ar, entre outros sérios desafios ambientais. De acordo com a IFC (2018), no cenário atual, as edificações consomem 35% da energia global, 5% da água mundial, e produzem 15% da emissão de gases do efeito estufa, sendo assim fundamentado o fato de que contribuem diretamente para as complicações apresentadas.

Como parte da solução para as consequências revisadas estarão as construções verdes, norteadas pelo conceito EDGE, nas quais os problemas associados à urbanização podem ser abordados por edificações melhores, com alta performance e desempenho (IFC,2018). Complementado ainda como um investimento que providencia um futuro mais sustentável, auxiliando na redução do impacto ambiental.

2.3.5.1 Histórico e abrangência

Na visão ampla global, o EDGE está presente em 167 países e territórios, com aproximadamente 41.000 projetos comerciais certificados, abrangendo 605 milhões de metros quadrados. Também possui mais de 1.5 milhões de unidades residenciais registradas e certificadas. (IFC, 2018)

Destaca o USGBC (2018) que o EDGE tem auxiliado a capacitar construções verdes em 125 mercados emergentes, criando assim um portfólio de empreendimentos sustentáveis no mundo inteiro, como se pode observar na imagem 12.

Figura 11 - Mapa das localidades capacitadas por EDGE

Fonte: USGBC, 2016.

No Brasil, o EDGE possui um crescente potencial, devido à posição atual do mercado da construção civil no país e por ser um bom fator estimulante que envolve a questão de sustentabilidade. Observa-se que o Brasil está incluso nas referências de base do software que visa otimizar de forma mais eficiente os recursos idealizados para o projeto e desmistificar, no sentido de tornar mais simples a construção sustentável.

A consistência do programa está em um software que roda na web, regido por uma norma, essa deverá estar adequada pelas normas do país de aplicação, e um sistema de certificação de sustentabilidade, atuando de forma gratuita e permitindo

a avaliação de um projeto de construção, possibilitando o uso desta nova ferramenta de certificação de construções mais sustentáveis, incrementando ainda mais o mercado da construção e engenharia civil.

2.3.5.2 Processos

A certificação pode ser aplicada tanto para novas construções, quanto para obras já existentes e reformas significativas. Engloba empreendimentos de variadas configurações como, casas, apartamentos, condomínios, shopping centers, supermercados, galpões, indústrias leves, hotéis, escritórios, hospitais, clínicas, instalações escolares, entre muitos outros.

O EDGE é formado por três componentes, primeiro a participação de um software, segundo os critérios de um novo padrão global sustentável e terceiro, um sistema de certificação.

2.3.5.2.1 Software

Utilizando-se da base gratuita do software disponível no site edgebuildings.com, equipes de design e colaboradores de projetos podem rapidamente avaliar e comparar estimativas de custos, com foco em reduções no uso de água, energia e também de consumo de energia e materiais no processo de construção, criando assim um portfólio de informações e meios relevantes, para mostrar a viabilidade de um negócio de maneira sustentável, apresentando as medidas mais eficientes e economicamente viáveis, que podem ser aplicadas em cada situação. WORLD BANK GROUP (2018)

Destaca-se que existem múltiplas variáveis que podem influenciar a implementação de projetos sustentáveis, dentre elas a localização e o ambiente onde está situada a obra em questão, levando em consideração as condições climáticas, categoria e atributos do empreendimento e custos.

2.3.5.2.2 Critérios do padrão EDGE

economia do consumo de energia previsto, junto com 20% de redução do consumo de água previsto e mais 20% de redução de energia consumida nos processos associados a construção, tendo em relação uma base referencial local, como pode ser observado na figura 13.

Figura 12 - Ilustração dos critérios EDGE

Fonte: USGBC, 2016.

Existem múltiplos processos para que estas reduções sejam comprovadas, desde a utilização do software para manipular as medidas sustentáveis possíveis, passando por validações e revisões de documentos que fundamentem estas medidas, até a implementação dos projetos desenvolvidos e então, somente após realizada a construção, é feita a verificação dos projetos realmente instalados.

Posterior a autenticação de todos os processos, a certificadora Green Business Certification Inc. (GBCI) fornece o efetivo certificado EDGE.

Uma vez que o projeto alcançar ou até mesmo ultrapassar as demandas dos critérios, pode ser classificado com o certificado EDGE. Por ser um diferencial, este atributo tem como consequência os benefícios de maior atratividade aos compradores, redução do risco por parte dos investidores, redução nos custos de utilização, além do reconhecimento da marca e/ou empreendedor uma vez que demonstra responsabilidade ambiental e social.

O capítulo abordou os três selos de certificação ambiental LEED, AQUA- HQE e EDGE respectivamente, para empreendimentos da construção civil. Resgatou- se para cada selo o seu respectivo histórico, conceito e critérios para sua concessão e traçou-se um paralelo entre o conceito e histórico de sustentabilidade e construção sustentável, que são base para cada selo.

Com base nas informações analisadas de cada certificação, foi possível salientar que não são apenas os custos que influenciam na escolha do selo, mas sim os fatores componentes de cada um deles. Ao buscar um selo, deve-se atentar aos 3 pilares básicos da sustentabilidade e resguardar o cumprimento dos mesmos de forma a garantir o desenvolvimento sustentável. Para isso, a questão da regionalidade é muito importante e deve ser um fator determinante na escolha, uma vez que as características de cada local apresentam suas particularidades e o empreendimento deve vir a agregar este ambiente, como forma de melhorar a vida das pessoas.

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