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30. CESPE - 2019 - MPC-PA - Procurador de Contas)
Resposta: Letra B
30.
CESPE - 2019 - MPC-PA - Procurador de Contas)De acordo com a jurisprudência do STF, é constitucional a cobrança de taxa:
a) para custeio de serviço de iluminação pública.
b) para o custeio de serviço de limpeza de logradouros públicos.
c) de fiscalização em função da área de estabelecimento.
d) de localização e funcionamento em função do número de empregados de uma empresa.
e) para emissão ou remessa de guia de pagamento de outros tributos.
RESOLUÇÃO:
a) ERRADA. Os serviços públicos que podem ser remunerados mediante taxa são aqueles específicos e divisíveis, conforme arts. 78 e 79, do CTN, e são denominados pela doutrina como serviços uti singuli, ou seja, que podem ser prestados individualmente a cada beneficiário.
Esse assunto é bastante cobrado em provas de concursos públicos!
Importante nos lembrarmos que o STF já se manifestou especificamente sobre esse assunto através da Súmula Vinculante 41, manifestando-se no sentido de que iluminação pública não pode ser remunerada mediante taxa, haja vista não ser possível identificar seus possíveis beneficiários, sendo considerado como serviços uti universi.
Veja:
Súmula Vinculante 41 do STF - O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa.
Devido à importância do assunto, vamos aproveitar para nos lembrar, também, de que o serviço de iluminação pública é renumerado mediante a COSIP, espécie de contribuição especial de competência dos Municípios e do Distrito Federal.
b) ERRADA. Da mesma forma que os serviços de segurança pública, a limpeza de logradouros públicos também não pode ensejar a cobrança de taxas, uma vez que não são serviços públicos específicos e divisíveis.
Mas ATENÇÃO agora, pois isso que vou mencionar também é recorrente em provas e as bancas tentam confundir os candidatos em relação à limpeza de logradouros (NÃO pode ser remunerada mediante taxa) e coleta de lixo (PODE ser remunerada mediante taxa), mas você, depois de ver isso, não irá cair nessa! Combinado?!
Vamos lá: Quanto aos serviços de coleta, remoção e tratamento de lixo, entretanto, o STF tem entendimento sumulado acerca da questão, dispondo ser possível a instituição de taxas para fazer face ao custeio dos serviços:
Súmula Vinculante nº 19 do STF - A taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos de coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou resíduos provenientes de imóveis não viola o artigo 145, II, da Constituição Federal.
Atente-se para a palavra exclusivamente na súmula vinculante, limitando a possibilidade das taxas somente no serviço específico de coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo!
c) CERTA. Trata-se de questão que solicita do candidato conhecimento acerca do entendimento jurisprudencial do STF, conjugando-o com as hipóteses de cabimento da taxa, previstas no CTN.
Aliás, essa questão tem um viés forte de cobrança Jurisprudencial em todos os seus itens, aproveite para fazer suas anotações sobre essas decisões, pois é possível que alguma delas esteja em sua prova! Vamos lá?!
Vamos ver a Jurisprudência do STF sobre o assunto:
A área ocupada pelo estabelecimento comercial revela-se apta a refletir o custo aproximado da atividade estatal de fiscalização.
[RE 856.185 AgR, rel. min. Roberto Barroso, j. 4-8-2015, 1ª T, DJE de 24-9-2015.]
Agora vamos verificar a respeito do fato gerador da espécie tributária denominada de taxa, conforme previsão do Código Tributário Nacional:
Art. 77. As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição.
Observe, portanto, que é possível nesse caso a cobrança da taxa, pois trata-se de exercício do poder de polícia, qual seja, a atividade estatal de fiscalização!
d) ERRADA. Novamente uma questão que nos exige um conhecimento Jurisprudencial.
De acordo com o posicionamento do Supremo Tribunal Federal, não é possível a instituição de taxas tendo por base o número de empregados da empresa, por não ser indicador válido e suficiente para se aferir a atividade do Estado. Observe o seguinte julgado:
“TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. AGRAVO LEGAL. TAXA DE LICENÇA, LOCALIZAÇÃO, FUNCIONAMENTO E INSTALAÇÃO. BASE DE CÁLCULO - NÚMERO DE EMPREGADOS DO CONTRIBUINTE, A NÃO MENSURAR O CUSTO DA ATIVIDADE ESTATAL, NO EXERCÍCIO DO PODER DE POLÍCIA EM QUESTÃO, EM DESCUMPRIMENTO AOS ARTS. 77 E 78, CTN - EXERCÍCIOS 2001 E 2002. MUNICÍPIO DE SÃO PAULO MODIFICOU SEU ORDENAMENTO EM 2002, PARA RETIRAR TAL SISTEMÁTICA, ART. 14, LEI 13.477/02 - LEGITIMIDADE DA COBRANÇA DAS TAXAS - EXERCÍCIOS 2004 E 2005.
(...)
4. Com relação às taxas relativas aos exercícios de 2001 e 2002, cobradas na forma do art. 6º, da Lei nº.
9.670/83, o STJ, no RESP n. 733411, de relatoria da Ministra Eliana Calmon, concluiu pela impossibilidade de fixação da base de cálculo da taxa aqui em cobrança, por ter como parâmetro o número de empregados.
Precedentes (...)
e) ERRADA. Mais uma vez, vamos de Jurisprudência do STF! De acordo com o Supremo Tribunal Federal, não é possível a instituição de taxas para custear a emissão ou remessa de guias para pagamento de tributos, pois a emissão de guia de recolhimento de tributos é de interesse exclusivo da Administração, sendo mero instrumento de arrecadação, não envolvendo a prestação de um serviço público ao contribuinte.
Veja na íntegra o Julgado:
TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. RATIFICAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA. TAXA DE EXPEDIENTE. FATO GERADOR. EMISSÃO DE GUIA PARA PAGAMENTO DE TRIBUTO. AUSÊNCIA DOS CRITÉRIOS EXIGIDOS PELO ART. 145, II, CF/88. INCONSTITUCIONALIDADE.
1. A emissão de guia de recolhimento de tributos é de interesse exclusivo da Administração, sendo mero instrumento de arrecadação, não envolvendo a prestação de um serviço público ao contribuinte.
2. Possui repercussão geral a questão constitucional suscitada no apelo extremo. Ratifica-se, no caso, a jurisprudência da Corte consolidada no sentido de ser inconstitucional a instituição e a cobrança de taxas por emissão ou remessa de carnês/guias de recolhimento de tributos. Precedente do Plenário da Corte: Rp nº 903, Rel. Min. Thompson Flores, DJ de 28/6/74.
3. Recurso extraordinário do qual se conhece, mas ao qual, no mérito, se nega provimento.
Resposta: Letra C