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chave racismo

CF 1995 % corpus colocados

CF-2001 % corpus colocados CF-2005 % corpus colocados 1) cordial 0,04 55 em 85 0,01 8 em 19 -0,01 5 em 10 2) Zumbi 0,10 8 em 215 -0,01 - em 11 0,01 - em 27 3) Folha/Datafolha 0,30 35 em 626 0,16 17 em 373 0,25 13 em 450 4) ONU 0,01 - em 21 0,08 59 em 132 0,02 - em 30 5) Durban - - 0,10 26 em 232 -0,01 - em 7 6) futebol 0,02 - em 42 0,03 7 em 71 0,15 58 em 262 7) crime(s) 8) Grafite 0,07 30 em 143 - - 0,08 28 em 176 -0,01 - em 1 0,09 64 em 166 0,24 23 em 427 9) racista(s) 0,11 8 em 236 0,09 - em 194 0,16 5 em 284

O item lexical cordial, nas ocorrências em muitos contextos do corpus, é parte da colocação racismo cordial, que foi cunhada como título da publicação referida acima e que será analisada como tal adiante, juntamente com outras colocações. É interessante neste momento verificar que cordial representava 0,04% do total de

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Critério do WordSmith Tools, de cinco palavras à direita e cinco à esquerda do nódulo. Os itens lexicais na tabela foram ordenados de acordo com a sua ordem de registro no corpus.

palavras do CF-1995, diminuindo para 0,01% no CF-2001 e para menos de 0,01% no CF-2005. Como colocado de racismo, a palavra registrou 55, 8 e 5 ocorrências, em 1995, 2001 e 2005, respectivamente.

Como colocado mais próximo de racismo, Zumbi registrou oito ocorrências em 1995, contra nenhuma em 2001 e 2005. É interessante indagar porque Zumbi não aparece como colocado próximo de racismo em 2001 e 2005, mesmo que com índices de ocorrência muito menores. A questão não parece se dar simplesmente por diminuição da proporção de ocorrências, mas porque Zumbi assume outros significados, competindo com aqueles relacionados ao herói quilombola símbolo da resistência afrodescendente. Das onze ocorrências de Zumbi em 2001, por exemplo, mais da metade se refere ao advento da comemoração do tricentenário em 1995, alguns dos quais acerca da publicação da Folha daquele ano. Quanto às 27 ocorrências de 2005, mais da metade delas têm conexão com a Universidade Zumbi dos Palmares, cerca de um quarto com a Marcha Zumbi +10, e outras variadas, como o nome do grupo musical Nação Zumbi, ou na referência, novamente, à publicação da Folha de 1995.

Folha/Datafolha perfaz 0,30% do corpus em 1995, 0,16% em 2001, e 0,25% em

2005. Como colocado de racismo, apresenta 35, 17 e 13 ocorrências nos CF-1995, CF- 2001 e CF-2005, respectivamente. É importante observar, quanto ao item

Folha/Datafolha, que expressiva proporção dessas ocorrências estão associadas ao

gênero entrevista, onde Folha figura como entrevistador(a) na representação impressa da entrevista a cada pergunta. No entanto, como esta é uma regra para todos os momentos do corpus, que são igualmente perpassados pelo gênero entrevista, este fator aparentemente preponderante nas ocorrências de Folha fica, de certa maneira, neutralizado.

ONU apresenta percentuais de 0,01%, 0,08% e 0,02% para os três anos em

questão, sendo que somente em 2001 foi colocado de racismo, com 55 ocorrências. Associado a este, está Durban, que não registrou ocorrência alguma em 1995, representou 0,10% do corpus em 2001, e menos de 0,01% em 2005. Como colocado de

racismo, 26 ocorrências em 2001 e 7 ocorrências em 2005 foram constatadas. Ambos

os itens ONU e Durban e seu destaque em 2001 complementam as observações acerca do momento discursivo institucionalizado da conferência. Uma instanciação deste momento está na produtividade de significados que o item Durban apresenta no CF- 2001, o que pode ser verificado nas linhas de concordância a seguir, ainda que no corpus predominem vastamente as representações de Durban como cidade sede do evento. No exemplo 21, Durban representa apenas a cidade sede do evento, figurando como circunstância (em Durban); no exemplo 22 parece ser construída menos como cidade sede e mais como uma corrente de pensamento dentro da conferência, como Experienciador de um Processo Mental (considerou), ou mesmo como Dizente de um Processo Verbal; no exemplo 23, extraído de uma entrevista, Durban representa, além da localização e da corrente de pensamento, um marco histórico-temporal, realizado pelo pós-modificador do pós-Durban, que integra o Grupo Nominal os debates do

pós-Durban; no exemplo 24, uma manchete, Durban parece agregar os mesmos

significados de 23, ou seja, de uma localização, de um conjunto de idéias e de um marco na história, porém desta vez com maior agenciamento, por ser o Portador do Atributo ‘em cima do muro’, colocação de significado crítico que a textualização sugere com apóstrofes e que pode representar um posicionamento político neutro, realizado por uma metáfora gramatical (‘em cima do muro’):

21- CF-2001: (167) por não concordar com a linguagem sobre Israel. Em Durban, a União Européia informou que ficaria na conferência

22- CF-2001: (132) direitos fundamentais atingidos pelos processos de discriminação.

Durban considerou a escravidão e o tráfico de escravos

23- CF-2001: (21) e os atentados aos EUA atrapalharam os debates do pós-Durban? Roland – Sem dúvida. O Afeganistão passou a

24- CF-2001: (219) Durban pode ficar 'em cima do muro’

Retornando aos colocados ocasionais de racismo da TAB. 2, Futebol representa um percentual de 0,02% do corpus em 1995, quando não registra colocado algum com o nódulo; 0,03% em 2001, com 7 colocados; e 0,15% em 2005, com 59 colocados para

racismo. O item lexical crime(s), que apresenta o índice de 0,07% do CF-1995, 0,08%

do CF-2001 e 0,09% do CF-2005, tem aumento significativo nas ocorrências de colocados para racismo, apresentando 30, 28 e 64 nos CF-1995, CF-2001 e CF-2005, respectivamente. Tal fato é explicado pela maior ênfase em episódios de racismo no futebol, principalmente a partir do caso do jogador Edinaldo Batista Libânio (conhecido profissionalmente como Grafite) do clube São Paulo, que acusou de crime de racismo o jogador argentino Leandro Desábato após uma partida em São Paulo, culminando na detenção do acusado e uma série de reportagens e polêmicas veiculadas na mídia brasileira e internacional.

Além disso, e também por causa disso, outros fatos semelhantes, ocorridos com cidadãos(ãs) comuns, tornaram-se notícia no período, impulsionados pela jurisprudência do caso Grafite e pela evidência dada pela mídia a essas questões, que nunca estiveram ausentes da vida social brasileira. O oitavo item, Grafite, não apresenta ocorrência alguma em 1995, apenas uma ocorrência em 200148, porém não colocado com racismo,

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A única ocorrência da palavra no CF-2001, há que se registrar, não é concernente ao jogador, mas à prática artística do grafite, uma das quatro manifestações da cultura hip-hop.

e representa 0,24% do corpus em 2005, quando registra 23 colocados para racismo (exemplos 25 e 26 abaixo):

Exemplos:

25- CF-2005: (223) O mártir Grafite escancarou a questão do racismo no continente

26- CF-2005: (20) contra o São Paulo por acusação de racismo feita por Grafite_ para mostrar a sua insatisfação. "Alguém acreditava que os brasileiros não iam transformar o jogo numa guerra?

O nono e último item lexical da TAB. 2, racista(s), apesar de apresentar variabilidade menor em comparação com os outros itens, com quantidade pouco representativa de colocados para racismo, é importante pela sua centralidade quanto ao agenciamento do fenômeno do racismo. O item racista(s) representa 0,11%, 0,09% e 0,16% dos CF-1995, CF-2001 e CF-2005, respectivamente, sendo que, no CF-2001, desaparece do universo de racismo, não apresentando colocado algum, momento em que imperaram as reportagens sobre a Conferência de Durban, o que pode indicar razões para tal ausência, tema que será retomado adiante.

3.1.7: Predisposições colocacionais do item lexical racial

Esta subseção aborda três colocações fundamentais para a compreensão das relações raciais naturalizadas no Brasil, a partir de um nódulo comum, o item lexical

racial. A primeira delas, a colocação democracia racial, é uma das principais fontes de

debates e conflitos conceituais quanto às relações raciais no campo das CS, como já discutido anteriormente. As outras duas colocações, discriminação racial e

também as associa na coesão), estão compartilhando com ela o epíteto racial nos grupos nominais, o qual é pós-modificador comum dos núcleos democracia, preconceito e

discriminação. Além disso, as três colocações estão próximas no campo semântico que

foi aqui nomeado relações raciais naturalizadas, como representadas na mídia impressa, através do corpus da Folha.

Então, as colocações enfatizadas nesta subseção, apesar de não necessariamente competirem pelos mesmos significados, foram extraídas pela sua importância conceitual para caracterizar as relações raciais naturalizadas no Brasil e pela sua proeminência quanto ao nódulo racial (ver TAB. 3 abaixo), um item de crucial importância neste estudo, dado seu valor neutro nas discussões sobre a questão racial, seja na literatura acadêmica como na mídia impressa, sendo acessado por quaisquer vertentes de pensamento. Um dado que parece corroborar a sua neutralidade conceitual é a regularidade no corpus, com 234, 266 e 229 ocorrências da palavra nos CF-1995, CF- 2001 e CF-2005, respectivamente, o que resulta na singular proporção de 0,15% nos três subcorpora. O termo raça, por exemplo, em contraste, pode ser tomado como traço muito mais definidor, quanto aos padrões de criticidade (ou não) de seu uso, de alinhamentos político-ideológicos no âmbito das discussões sobre relações raciais, o que algumas revisões de conceitos já mostraram. A TAB. 3 a seguir apresenta itens lexicais com valor para a pesquisa que estão entre os principais colocados com conteúdo semântico para o nódulo racial, seguida de comentários descritivos:49

TABELA 3

Colocados de racial nos subcorpora

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É importante destacar que, devido ao enfoque da pesquisa, boa quantidade de palavras são propositalmente omitidas das listas de colocados, tais como artigos, preposições e itens pouco relevantes para a discussão.

CF-1995 T ESQ. DIR. CF-2001 T ESQ. DIR. CF-2005 T. ESQ. DIR.

RACIAL 234 X X RACIAL 266 X X RACIAL 229 X X