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IV.3 PESQUISA E DESENVOLVIMENTO

8 CIÊNCIA DO CLIMA

Programa LBA – Experimento em Grande Escala na Biosfera-Atmosfera da Amazônia

O Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (Large Scale Biosphere-

liderada pelo Brasil. O LBA tem gerado novos conhecimentos, necessários à compreensão do funcionamento climatológico, ecológico, biogeoquímico e hidrológico da Amazônia; do impacto das mudanças dos usos da terra nesse funcionamento e das interações entre a Amazônia e o sistema bio-geofísico global da Terra. O LBA está centrado em torno de duas questões principais que são abordadas através de pesquisa multidisciplinar, integrando estudos de Ciências Físicas, Químicas, Biológicas e Humanas:

De que modo a Amazônia funciona, atualmente, como uma entidade regional? •

De que modo as mudanças dos usos da terra e do clima afetarão o funcionamento •

biológico, químico e físico da Amazônia, incluindo sua sustentabilidade e sua influência no clima global?

No LBA, dá-se ênfase a observações e análises que ampliam a base de conhecimentos sobre a Amazônia em seis áreas: Física do Clima, Armazenamento e Trocas de Carbono, Biogeoquímica, Química da Atmosfera, Hidrologia, e Mudanças do Uso da Terra e Cobertura Vegetal, incluindo o estudo Dimensões Humanas das Mudanças Climáticas Ambientais. O programa está delineado para tratar das questões principais levantadas na Convenção- Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. O LBA proporcionará uma base de conhecimentos voltada ao uso sustentável da terra na Amazônia. Para tal, dados e análises têm sido utilizados para definir o estado presente do sistema Amazônico e sua resposta a perturbações atuais, os quais são complementados com resultados de modelos numéricos para proporcionar um entendimento quanto a possíveis mudanças no futuro.

No componente de Física do Clima, estudos meteorológicos e hidrológicos são realizados para escalas espaciais aninhadas, desde pequenas áreas experimentais até toda Bacia Amazônica, com ênfase na determinação e compreensão das variações espaciais e temporais dos fluxos de energia e água.

O componente de Armazenamento e Trocas de Carbono enfoca duas questões principais: (1) os ecossistemas nativos da Amazônia funcionam como um sorvedouro líquido de carbono? e (2) quanto de carbono é perdido como resultado de mudanças na cobertura vegetal e nos usos da terra, tais como desmatamentos para fins agrícolas e aquelas decorrentes de extração seletiva? Medições de longo prazo, em superfície, do armazenamento e dos fluxos de carbono são feitas em áreas experimentais.

O componente de Biogeoquímica enfoca a reciclagem de nutrientes e as emissões de gases de efeito estufa por florestas naturais e secundárias e por áreas submetidas a diferentes tipos de manejo. As medições quantificam fluxos de gases-traço (principalmente metano e óxido nitroso), de nutrientes (incluindo transporte para os rios) e modificações em seus estoques.

No componente de Química da Atmosfera, o enfoque básico é entender a real influência da Amazônia nas concentrações, global e tropical, de oxidantes (ozônio, hidroxila), seus precursores (óxidos de nitrogênio, hidrocarbonetos, monóxido de carbono) e aerossóis, bem como o de complementar os estudos de gases de efeito estufa (dióxido de carbono, óxido nitroso, metano) propostos nos componentes de Biogeoquímica e de Armazenamento e Trocas de Carbono.

O componente de Hidrologia considera questões relativas à quantidade e qualidade da água na Bacia Amazônica. Os reservatórios e fluxos de água, os controles no movimento da água em solos e rios, e o transporte de constituintes associado, são determinados para um conjunto de sítios.

Mudanças dos Usos da Terra e da Cobertura Vegetal, de vegetação nativa e cultivos agrícolas, e regeneração subseqüente, são quantificadas e relacionadas a causas físicas e sócio- econômicas. Estudos de desmatamento e alteração de florestas, em escala Amazônica, têm sido realizados utilizando-se dados de satélite e de levantamentos de censos estatísticos. Pesquisas para definir as condições e os fatores externos que causam essas mudanças enfocam o desenvolvimento de modelos preditivos de mudanças de cobertura vegetal e usos da terra.

Ao LBA tem-se associado outros projetos, como o Milênio – LBA (em suas duas fases), o Projeto Cenários, e projetos menores, como o PRONEX, alem de numerosos projetos individuais de pesquisa. Ressalta-se o papel ativo do Museu Paraense Emilio Goeldi – MPEG, nos referidos projetos. Alem da participação de numerosos pesquisadores e alunos, o Museu Goeldi administra a Estação Científica Ferreira Penna (ECFP), na Floresta Nacional de Caxiuana, a 400 km a oeste de Belém – PA, onde foram instaladas três torres meteorológicas e o projeto de exclusão artificial de chuva intitulado ESECAFLOR.

O Museu Goeldi, no âmbito do LBA, busca desenvolver, até 2010, as ações do Programa LBA na ECFP, de acordo com os protocolos e metodologias estabelecidas no âmbito dos projetos de cooperação nacional e internacional; e implantar um laboratório de análise de dados meteorológicos no âmbito do LBA, em parceria com a UFPA e INPE.

Pesquisa e Monitoramento do Balanço de Carbono

O Projeto “Pesquisa e Monitoramento do Balanço de Carbono” visa subsidiar a elaboração de políticas públicas para fortalecer a adaptação das populações e da economia à mudança do clima, por meio do monitoramento de parâmetros relevantes ao balanço do carbono, especificamente a contribuição do CO2, medido no oceano, na atmosfera e na região Antártica, com impacto sobre o território nacional.

Os modelos numéricos utilizados atualmente para previsão de tempo e clima no Brasil têm limitações no que diz respeito ao papel fundamental do Oceano Atlântico, especialmente o Atlântico Sul e a região Antártica, para o balanço do carbono e, conseqüentemente, para a determinação do clima. Por meio de um banco de dados descentralizado, a ser construído, elaborar-se-ão cenários confiáveis de clima futuro que subsidiarão o planejamento de medidas de adaptação local, regional e nacional à mudança do clima. Os produtos (dados) serão disponibilizados de tal forma que sejam confiáveis, amigáveis e públicos, obedecendo à política brasileira de distribuição gratuita aos usuários.

Glaciologia

A cobertura de gelo do planeta tem papel fundamental no sistema ambiental. O gelo é um dos principais controladores da circulação oceânica e do nível dos mares e rege a formação da frentes frias que afetam o Brasil. Ainda, as camadas de gelo contêm o melhor registro paleoclimático dos últimos 800 mil anos, provendo valores de referência para a interpretação das variações climáticas modernas e avaliação do impacto antrópico no meio ambiente.

Considerando a proximidade do Brasil à maior massa de gelo da Terra, foi criado em 1982 o Programa Antártico Brasileiro – PROANTAR, que compreende pesquisas científicas e atividades correlatas, inclusive, estudos para detectar mudanças no volume de gelo, estabelecendo relações com variações dos parâmetros climáticos; e análise química de amostras de neve e gelo para reconstruir a evolução do clima sul-americano ao longo dos últimos 2.000 anos.

Apesar dos esforços brasileiros no âmbito do PROANTAR, as investigações nacionais sobre o tema ainda são muito restritas. É, portanto, necessária a formação de uma rede nacional de estudos prospectivos sobre o impacto da variabilidade do clima na massa de gelo e as conseqüências para o Brasil.