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Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer?

Clarice Lispector ([1977]: 11)

1.1 – Imersão pela cibernética: composição do cosmos

Ciberespaço, ciberguerra, cibercrime, cibersegurança, cibercafé, cibercultura, ciberterrorismo, ciberataque, todas essas expressões recorrentes na linguagem cotidiana possuem derivação na cibernética. Ela marca a passagem da era industrial para a informática ao criar condições teóricas de transição entre esses períodos históricos. Ainda que seja de conhecimento público é importante ter em mente que foi nesse segundo período que a Internet passou a ser desenvolvida e esteve suscetível às influências da cibernética. Esta trata de uma engenharia geral da comunicação que tenciona abarcar ciências humanas, físicas e biológicas. Uma de suas noções centrais é o feedback, expressão conhecida na mecânica e explorada, por exemplo, na regulação do motor a vapor por meio do calor marcado por um termostato – dispositivo utilizado para controlar a temperatura do sistema. O feedback é empregado também na cibernética para a compreensão da mecânica dos processos cerebrais. Com o

auxílio dela, as fronteiras entre humano e máquina tornaram-se ainda mais instáveis25, algo

que é do mesmo modo perceptível através do computador e sua capacidade de aprendizado – a qual será abordada neste capítulo. Conforme Turing [1950], embora a perspectiva mecânica estivesse presente nos primeiros computadores, o baluarte de seu desenvolvimento foi a informática.

É conveniente lembrar que neste contexto histórico o humano já havia passado por diversas descentralizações, de modo que não poderia se colocar no centro do mundo senão com certo constrangimento. Isto porque Copérnico (1473-1543) evidenciou que o humano não poderia ser considerado o centro do universo; Darwin (1809-1882) que ele não era o centro do reino animal; e Freud (1856-1939) que o nível consciente, racional, ocupa espaço diminuto da mente humana. Ademais, Nietzsche (1844-1900), Dostoievski (1821-1881), entre outros, realizaram uma crítica severa ao pensamento ocidental e sua racionalização. Em suma, a conjuntura era favorável à associação entre humano e máquina, o que não impediu as

25 Ora, se a ciência toma como referência o evolucionismo para demonstrar uma unidade na natureza onde o

humano é um fragmento desta, a cibernética coloca outra alinhavando organismos e máquinas (Bennaton, [1984]).

resistências a isso, resistências com as quais Turing [1950] dialogou e combateu no artigo Computadores e inteligência. Em meados de 1940 havia poderosas máquinas eletrônicas que eram capazes de processar e armazenar dados informacionais (Epstein, [1973]), um acúmulo de séculos sobre a máquina de computar que também colaborou com o crescimento da cibernética.

Cibernética vem do grego κυβερνητική, e relaciona-se à arte de governar os homens (Machado [1952-59]). A concepção contemporânea dessa expressão foi adaptada por

Norbert Wiener em 1948 (Machado [1952-59])26, deixando de se associar apenas ao humano

para se referir também à máquina. Esta palavra não possui uma linearidade. Ela foi utilizada por Platão na obra Político (1979) com o sentido político de governo e posteriormente adotada no mesmo sentido por Ampére, no Ensaio sobre a filosofia das ciências [1834]; James Maxwell – um dos pais da teoria moderna do eletromagnetismo – emprega cibernética no artigo On Governors [1868] para determinar mecanismos de repetição. Wiener recorre à palavra cibernética oitenta anos depois para abarcar um campo vasto da teoria das mensagens que lida com o estudo da linguagem e das mensagens como meio de dirigir maquinaria e sociedade, uma nova teoria conjectural do método científico que tem como referência primordial Willard Gibbs – cientista americano que realizou contribuições importantes à matemática, física e química, e que trabalhou com Maxwell na criação da mecânica estatística.

A cibernética é vista não apenas como uma teoria do método científico, mas também como a ciência do controle e da comunicação, no animal e na máquina; arte do comando – coordenação, regulação e controle – pautada no ímpeto de compreender como os sistemas se regulam, reproduzem, evoluem e aprendem, como eles se organizam (Pask, [1964]). Para além disso: “comunicação e controle fazem parte da essência da vida interior do homem, mesmo que pertençam à sua vida em sociedade” (Wiener, [1954]: 18). Desde já deve-se esclarecer que o controle sobre o qual a cibernética disserta é diferente da acepção recorrente nas humanidades. O controle é visto como aquilo que possibilita a comunicação e o desenvolvimento das coisas tendo como referência determinado limite, a manutenção de sua existência. A título de exemplo desses limites, temos os que devem se estabelecer na velocidade de rotação do motor do carro para que ele não exploda; os limites de esforço que, quando alcançados, o corpo “desliga” para não causar danos que comprometam o

26 “[H]oje: ‘estudo do funcionamento e da verificação das conexões nervosas no animal, das transmissões

elétricas utilizadas nas máquinas de calcular modernas, dos comandos eletromecânicos’. Vocabulário adaptado em 1948 por N. Wiener” (Machado, [1952-59]: 597).

funcionamento de determinado sistema – homeostase. O sistema é um processador de mensagens ou informação, o qual pode ser representado por equivalentes e modelos (Bennaton, [1984]). Com base na investigação de determinado sistema seria possível realizar

práticas que visam mantê-lo ou mesmo criar novos sistemas27.

A cibernética tem uma inquietação perante o comportamento dos mecanismos e das máquinas, desde esquemas simples – como o funcionamento do cortador de grama e a ação reflexiva da ostra – até os complexos – como o modo de organização da economia mundial –, centrando a investigação no trânsito de dados e nos esquemas de controle existentes do sistema analisado (Bennaton, [1984]). Este tipo de preocupação permanece em

pesquisas recentes, como na tentativa de traduzir o cérebro por meio da matemática28.

Há a disposição de mapear o real através da ótica do sistema de troca de informação tendo em vista sistemas de controle e sistemas organizados (Epstein, [1973]). Para isso, os adeptos da cibernética se envolveram com diversas áreas do saber. Desse modo, ela assumiu um caráter interdisciplinar, relacionando-se com psicologia, sociologia, filosofia, biologia, fisiologia do cérebro, engenharia eletrônica, projeto de sistemas, pesquisa operacional, programação de computadores, entre outras áreas do saber (Pask, [1964]). Duas de suas hipóteses são as de que certos processamentos de dados e funções de controle semelhantes nos humanos e nas máquinas são equivalentes e redutíveis aos mesmos modelos e leis matemáticas (Kim, [2004]); e que é possível construir uma máquina cuja capacidade intelectual reproduz a dos seres humanos apoiada na compreensão operativa da fisiologia humana (Wiener, [1954]). Norbert Wiener ([1954]) afirma que o propósito da cibernética é criar linguagem e técnicas que possibilitem lidar com o problema do controle e da comunicação em geral bem como descobrir uma série de técnicas e ideias apropriadas para classificar as manifestações específicas através de determinados conceitos.

Como se sabe, surgiram na história da ciência diversas correntes de pensamento que tentaram realizar sínteses semelhantes, entre elas o positivismo e o estruturalismo. Ainda que elas tenham contribuído com o aprimoramento científico, fracassaram na grande síntese diante da multiplicidade que compõe nossa realidade. De todo modo, apresento a cibernética

27 À primeira vista a cibernética pode assumir um caráter conservador, vigilantista, controlador. Todavia,

convido o leitor a superar esse tipo de leitura e considerar que grande parte da produção científica não leva em consideração a dimensão política presente em determinados termos. Além disso, a noção de coordenação, regulação e controle acabam servindo como parâmetro para a cibernética, espécie de limite no trato da máquina e do homem com vistas a compreender o modo de funcionamento de determinados sistemas e mesmo desenvolver sistemas: “a cibernética trata tipicamente qualquer máquina dada, particular, perguntando não ‘que ação individual ela produzirá aqui e agora?’, mas ‘quais são todos os possíveis comportamentos que pode produzir?’” (Ashby, [1956]: 03).

em linhas gerais em razão das condições teóricas que ela ofereceu para o desenvolvimento tecnológico contemporâneo – como o aprimoramento do computador –, da noção de ciberespaço, Internet, informática, informação, entre outros. A partir dela, constituiu-se um embrião à comunicação entre os mais distintos ramos de produção acadêmica por meio de vocabulário singular e de um conjunto de conceitos que visavam representar sistemas diferentes. Ashby, um dos autores referência para a cibernética, defende na obra Introdução à cibernética [1956] que pelo fato de seu conjunto de conceitos corresponder a diversas ciências, seria possível estabelecer relação entre elas e, com isso, constituir paralelismos sugestivos entre máquina, cérebro e sociedade. Através de seus conceitos, a cibernética se afasta da visão linear de “causa e efeito” buscando um enfoque globalizante da realidade no qual vários fenômenos são capazes de serem compreendidos ao mesmo tempo, o que pode envolver máquinas e organismos no mesmo discurso (Bennaton, [1984]). Informação é um dos conceitos fundamentais para a cibernética na medida em que seu cerne reside na teoria das mensagens. É relevante lembrar que a informação e o complexo de conceitos que se vinculam a ela não são apropriados apenas pela cibernética, de maneira que sua visibilidade e difusão não podem ser consideradas como oriundas única e exclusivamente da cibernética.

1.2 – Conceitos e métodos

Na leitura de Wiener [1954], a informação refere-se ao conteúdo do que se troca com o mundo exterior ao nos ajustarmos a ele e que também faz com que nosso ajustamento seja percebido pelo externo a nós. Este “mundo exterior” é relativo ao sistema analisado, podendo ser o que envolve o sistema respiratório do humano como também o sistema social de determinada cidade. A informação é o conteúdo dessa permuta entre exterior e sistema. Nesse processo, há por parte do sistema o recebimento e utilização da informação para acontecer o ajustamento ao meio ambiente. Este processo pode ser fundamental à existência do sistema. Por exemplo, ao subir a escada rolante, sei que no final do percurso há o nivelamento dos degraus até se encontrarem, formando uma superfície reta. Em fração de segundos essa superfície será tragada pelo mecanismo da escada e assim esses degraus seguirão o ciclo. Diante disso, respondo ao mundo exterior retirando meu corpo desse mecanismo antes que parte dele ou de minha vestimenta venham a ser engolidos pela escada rolante. No sentido inverso, a escada rolante pode ser tratada como um sistema. Hoje é comum encontrarmos escadas rolantes que operam em ciclos lentos e, ao perceberem que algum passageiro ocupa seus degraus, começam a realizar seu ciclo com maior velocidade.

Outro exemplo é quando tropeçamos e tentamos nos estabilizar para não cair. Nota-se que para o estudo da informação é necessário delimitar o sistema analisado e mesmo que tipo de informação se tem o interesse de estudar. Isto porque assentado na dimensão de sistema fica nítido como a realidade pode ser formada por inúmeros sistemas e, por conseguinte, como o mundo exterior também ganha amplitude.

Para além da cibernética, informação pode se referir a uma medida quantitativa do conteúdo de informação, mensagem sujeita a ser processada por meios informáticos. Esse conteúdo possui uma unidade, uma unidade informacional chamada bit, locução inglesa de BInary digiT (dígito binário) datada de 1948 e considerada a menor unidade de informação capaz de ser armazenada ou transmitida. O bit é habilitado a ser incorporado no estudo sobre a cibernética por se tratar da unidade informacional e da sustentação construída com pares de oposição através da qual o sistema informacional se desenvolve.

Como colocado, a cibernética é vista como uma teoria do método científico, uma forma de olhar a realidade, uma linguagem. Existem vários modos de olhar o mundo, sendo cada um deles uma possibilidade de compreender a multiplicidade que o compõe. Deleuze e Guattari fazem o exercício de visualizar o real através da máquina; Hermeto Pascoal se vale do som; John Forbes Nash dos códigos; e a cibernética da informação. Dentro desta perspectiva, dessa visão de mundo, ela desenvolve um método que extrai variáveis de uma multiplicidade.

Embora autores como Émile Durkheim [1895] tenham almejado desenvolver as regras do método sociológico, não é o método que marca o fazer sociológico, mas os embates em relação a seus pressupostos transcendentais que geralmente são de cunho filosófico, seguido de teoria, metodologia, método e técnica para responder a essas questões. Em outras palavras, ao contrário da sociologia que não assume pressupostos transcendentais, teoria, metodologia e método em comum, a cibernética é mais feliz no seu esforço de constituir uma ciência por ter concepções de método em comum entre seus adeptos – ainda que não se possa considerá-la como uma ciência linear e sem contradições. Diante disso, torna-se palatável o aprofundamento na apreensão da cibernética através da explanação de noções que percorrem a edificação dos métodos utilizados por seus adeptos a partir da informática e da ideia de entropia, multiplicidade, sistema, equivalência, realimentação/feedback e entrada e saída (input/output).

A entropia mede o nível de (des)organização do sistema: um sistema organizado possui um nível de entropia baixo, ao passo que o desorganizado alto grau de entropia. Sistemas com baixa entropia são pouco suscetíveis a influências do exterior, ao contrário dos

com alta entropia. Mas no limite, excesso e falta de entropia comprometem o sistema. A título de exemplo, preciso realizar o equilíbrio entre mensagens conhecidas e novas ao escrever um texto. Se escrevo um texto apenas com aquilo que é do conhecimento comum do leitor, minha escrita não transmitirá algo novo, não informará e, portanto, o processo de aquisição de conhecimento torna-se significativamente limitado. Em contrapartida, se o texto for composto por mensagens totalmente desconhecidas ele não conseguirá comunicar. Pois ainda que seja composto por informação não propicia a comunicação, de modo que quanto mais informativo é aquilo que transmito menos consigo comunicar. Portanto, quanto mais provável for a mensagem menor será a informação propiciada por ela (Wiener, [1954]). Podemos recorrer à literatura para melhor compreender a entropia.

Na obra 1984, de George Orwell [1949], é descrita uma sociedade totalitária dividida em classes. A estória se passa na região do planeta chamada Oceânia, resultado da série de guerras que permaneceram existindo no momento em que a estória se passa. A Oceânia é formada por três classes: membros do núcleo do partido (minoria que ocupa posição dominante), membros externos do partido (classe média de Oceânia que desfruta de poucos benefícios) e proletas (maior parte da população e que possui excessiva carga de trabalho). A vigilância está presente nas três classes, as quais devem agir em concordância com o esperado. Qualquer deslize, mesmo a nível de pensamento, receberia uma punição violenta. Isto é, para realizar a manutenção da ordem social, recorre-se ao exercício de manter um baixo nível de entropia. Com isso, aquela sociedade tem dificuldades para lidar com informações que não estão circunscritas à repetitiva realidade cotidiana. Um dos fatores que contribuem com a baixa entropia de Oceânia é a eliminação ou síntese e ressignificação de diversas palavras. Em consonância com essa perspectiva e sem utilizar a expressão entropia, Durkheim [1895] defende em As regras do método sociológico que embora a coerção seja importante à existência da sociedade, esta permanecerá estática se não conseguir superar

determinadas coerções sociais29.

29 Cf. em especial o terceiro capítulo: Regras relativas à distinção entre normal e patológico. Neste capítulo,

Durkheim coloca o seguinte sobre o fato de Sócrates não ter respeitado determinadas coerções sociais de sua época: “Quanto mais fortemente pronunciada for uma estrutura, mais resistência ela oporá a qualquer modificação, e isso vale tanto para os arranjos funcionais como para os anatômicos. Ora, se não houvesse crimes, essa condição não seria preenchida; pois tal hipótese supõe que os sentimentos coletivos teriam chegado a um grau de intensidade sem exemplo na história. Nada é bom indefinidamente e sem medida. É preciso que a autoridade que a consciência moral possui não seja excessiva; caso contrário, ninguém ousaria contestá-la e muito facilmente ela se cristalizaria numa forma imutável. (...). Ora, o caso de Sócrates não é isolado; ele se reproduz periodicamente na história. A liberdade de pensar que desfrutamos atualmente jamais poderia ter sido proclamada se as regras que a proibiam não tivessem sido violadas antes de serem solenemente abolidas” (Durkheim, [1895]: 71-73).

Essa dimensão de entropia está presente em Gibbs, autor importante para a cibernética. Segundo ele, o universo tende probabilisticamente à elevação da entropia, deteriorando-se. Wiener ([1954]: 14) responde a isso do seguinte modo: “Todavia, enquanto o universo como um todo, se de fato existe um universo íntegro, tende a deteriorar-se, existem enclaves locais cuja direção parece ser o oposto à do universo em geral e nos quais há uma tendência limitada e temporária ao incremento da organização. A vida encontra seu habitat em alguns desses enclaves. Foi com esse ponto de vista em seu âmago que a nova ciência da Cibernética principiou desenvolver-se”. Portanto, seu exercício vincula-se à concepção de que a condição de existência da vida está nos enclaves que se opõem à tendência universal de aumento da entropia, enclaves que podem ser encarados como sistemas que resistem a sua destruição por meio da desorganização. Esse sistema pode ser formado por múltiplas variáveis e dependendo do nível dessa multiplicidade ele pode ser considerado um sistema complexo – inclusive Ashby [1956] aponta em determinado momento de Introdução à cibernética que a

partir dali o sistema passaria a significar “uma lista de variáveis”30. Bennaton [1984] aponta

que a teoria geral dos sistemas poderia trabalhar com um sistema de grande porte. A dificuldade está em desenvolver uma tecnologia capaz de lidar com esse montante de informação, algo que o advento tecnológico poderia resolver.

O exercício da pesquisa na cibernética realizando a seleção de variáveis a serem investigadas pode ser visto como desvantagem. Mas, ao mesmo tempo, é o que possibilita a objetivação da pesquisa. Nas palavras de Ashby ([1956]: 47):

[C]ada objeto material contém nada menos do que uma infinidade de variáveis e,

portanto, de possíveis sistemas. O pêndulo real, por exemplo, não tem apenas

comprimento e posição; possui também massa, temperatura, condutividade elétrica, estrutura cristalina, impurezas químicas, alguma radioatividade, velocidade, poder refletor, força de tensão, uma película superficial de umidade, contaminação bacteriológica, absorção óptica, elasticidade, forma, gravidade específica e assim por diante. Qualquer sugestão de que deveríamos estudar ‘todos’ os fatos não é realista, e na verdade a tentativa nunca é feita. O que é preciso é escolher e estudar os fatos relevantes com respeito a algum interesse principal anteriormente dado.

Por isso a necessidade do corte, uma decomposição que torna o objeto possível de ser apreendido. Todavia, este corte não circunscreve a cibernética a uma dimensão de causa e efeito – conforme colocado. Ao contrário, ela trabalha com múltiplas variáveis. Pois não há uma única causa e um único efeito, mas um conjunto de eventos que se supõe estarem

30 “O sistema passa a significar agora, não uma coisa, mas uma lista de variáveis. Esta lista pode ser

diversificada, e a tarefa mais comum do experimentador é diversificar a lista (‘levar outras variáveis em conta’) até encontrar um conjunto de variáveis que proporcione a singularidade requerida” (Ashby, [1956]: 47).

ligados. A compreensão do fenômeno resulta da análise dessa totalidade constituída por decantagem. E para a realização desse exame pode-se valer de sistemas equivalentes. Os sistemas equivalentes são aqueles que conseguem reproduzir o comportamento de outro, ou seja, trabalha com as mesmas variáveis que foram eleitas para o estudo de determinado sistema e pode ser de outra natureza, contanto que esteja condicionado às variáveis selecionadas.

A análise da cibernética é dedutiva, pois parte do comportamento da totalidade e tenta extrair informações a respeito de sua composição (Bennaton, [1984]). Um exemplo que deixa esse processo claro é o exercício da caixa-preta, presente em cursos de informática, eletrônica, entre outros. Trata-se de analisar uma caixa opaca sem o conhecimento de sua estrutura interna, mas apenas do que aquele sistema responde a determinado estímulo. Isto posto, se faz testes tendo em conta a entrada e a saída da caixa. Por exemplo, se for uma caixa com circuitos elétricos compostos com resistores, posso enviar uma carga na entrada da caixa- preta e medir quanto dessa carga saiu. Fica evidente a necessidade de delimitar o que seria entrada e saída do objeto de análise bem como as variáveis que serão relevantes à pesquisa.

Os objetos investigativos da cibernética não são efetivamente caixas-pretas como a apresentada acima, mas são totalidades recortadas, sistemas nos quais há a separação entre interior e exterior, e meio de comunicação entre dentro e fora que se dá pela entrada e saída do sistema. Através dessas delimitações, objetiva-se compreender o comportamento do sistema, independendo de sua natureza – elétrica, orgânica, social, econômicas, etc. (Bennaton, [1984]).

Em sistemas complexos como robôs – dispositivo lógico que coordena informações para obter determinados resultados – e humanos, há a presença da realimentação

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