5.2 MODELO DE CICLO DE VIDA DE USABILIDADE
5.2.1 Ciclo de vida da engenharia de usabilidade
O modelo de ciclo de vida de engenharia de usabilidade considerado como referência neste trabalho é elaborado por Mayhew (1999). Esse ciclo de vida divide- se em três fases: análise de requisitos, projeto/desenvolvimento/teste e instalação, conforme representado na figura 5.2 (MAYHEW, 1999).
Na figura 5.2, as atividades de engenharia de usabilidade são representadas nos retângulos e as setas indicam a ordenação básica das tarefas. Observa-se que muitas atividades são iterativas, indicadas pelas setas de retorno a um estágio anterior do ciclo de vida. Os textos não envoltos em caixas indicam o contexto de engenharia de software com o qual aquele ponto do ciclo de vida de usabilidade está relacionado Nessa figura, são indicadas as etapas relativas a duas metodologias de desenvolvimento de software (como referência são utilizadas a metodologia OOSE -
Object Oriented Software Engineering e a metodologia de prototipação rápida): na
primeira linha de texto é indicada a atividade típica da metodologia de prototipação rápida, na segunda linha de texto é indicada a atividade correspondente à metodologia OOSE (JACOBSON, 1992); (MAYHEW, 1999); (SCHACH, 1999).
A fase 1 (análise de requisitos) envolve as seguintes atividades (MAYHEW, 1999):
Obtenção do perfil do usuário: descrição das características do usuário (conhecimento, freqüência de uso, habilidade com computadores);
Figura 5.2: Ciclo de vida de usabilidade (MAYHEW, 1999) Objetivos de Usabilidade Guia de Estilo Eliminadas as falhas principais? S N Guia de Estilo Prototipação de Normas de Projeto de Telas Avaliação Iterativa de Telas Objetivos de usabilidade atendidos? S N N S S N INSTALAÇÃO PROJETO/DESENVOLVIMENTO/TESTE ANÁLISE DE REQUISITOS Guia de Estilo Todos os requisitos atendidos? Modelo Funcional/Dados
OOSE: Modelo de Requisitos Nível 1
Nível 2 Nível 3
Arquitetura da Aplicação
OOSE: Modelo de Análise Desenvolvimento da AplicaçãoProjeto da Aplicação / OOSE: Modelo de Projeto /
Modelo de Implementação
Teste Unitário/de Sistema OOSE: Modelo de Teste
Legenda:
Tarefa de eng. usabilidade Ponto de decisão Documentação Aplicações complexas Aplicações simples Projeto Detalhado da Interface Normas de Projeto de Telas Avaliação Iterativa do Projeto da Interface Objetivos de usabilidade atendidos? Perfil do
Usuário Análise deTarefas Restrições dePlataforma Princípiosde Projeto
Maquete Conceitual Avaliação Iterativa do Modelo Projeto do Modelo Conceitual Reengenharia do Trabalho Guia de Estilo
Análise de tarefas contextual: descrição das tarefas, padrões de fluxo de trabalho e na compreensão e especificação dos objetivos dos usuários; Estabelecimento de metas de usabilidade: especificação qualitativa dos
objetivos, resultantes dos requisitos elicitados do perfil do usuário e da análise de tarefas contextual, definindo o desempenho mínimo aceitável do usuário e critérios de satisfação;
Restrições e potencialidades da plataforma: especificação dos recursos e restrições existentes na plataforma tecnológica de desenvolvimento da IHC; Guia de estilo: registro dos resultados obtidos nas quatro atividades
anteriores referentes à análise de requisitos (orienta o projeto da IHC); Princípios gerais de projeto: revisão dos guias de orientação e dos princípios
gerais de projeto da IHC disponíveis na literatura de engenharia de usabilidade, sendo registrados no guia de estilo.
A fase 2 (projeto/desenvolvimento/teste) é dividida em três níveis: no nível 1 é realizado o projeto de alto nível da interface, no nível 2 são estabelecidas as normas de projeto da interface e no nível 3 o projeto é detalhado. Cada um desses níveis de projeto é iterativo, em função da avaliação de usabilidade inserida em cada ciclo (MAYHEW, 1999).
O nível 1 (projeto de alto nível) envolve as seguintes atividades:
Reengenharia do trabalho: reprojeto das atividades do usuário, no nível da organização e do fluxo de trabalho, para organizar e simplificar o trabalho explorando as vantagens da automação;
Projeto do modelo conceitual: geração das alternativas de projeto de alto nível da interface. Nesse nível são identificados os caminhos de navegação, os recursos de visualização de informação principais, e as regras para apresentação consistente dos produtos, processos e ações do trabalho;
Maquete conceitual: geração das maquetes (implementadas com papel e lápis ou como protótipos executáveis) com as idéias de projeto de alto nível, que representam a organização funcional e o projeto do modelo conceitual; Avaliação iterativa do modelo: avaliação das maquetes através de técnicas
de avaliação de usabilidade. Essa atividade, juntamente com as duas anteriores, são realizadas em ciclos iterativos até que as falhas de usabilidade sejam identificadas e corrigidas no projeto do modelo conceitual. Quando esse projeto estiver relativamente estável pode-se iniciar o projeto da arquitetura do sistema (ou o modelo de análise do OOSE); Guia de estilo: ao final dos ciclos iterativos de projeto/avaliação o projeto do
modelo conceitual é estabilizado e validado, sendo que esse resultado deve ser registrado no guia de estilo.
O nível 2 (estabelecimento das normas de projeto da interface) envolve as seguintes atividades:
Definição de normas de projeto de telas: estabelecimento dos padrões específicos do produto e as convenções referentes a todos os aspectos do projeto detalhado das telas, baseando-se nos dados da análise de requisitos, no projeto do modelo conceitual e nos padrões estabelecidos pelo negócio e/ou pelos padrões dos produtos corporativos. Essas normas devem assegurar a coerência e consistência de todas as interfaces do usuário;
Prototipação de normas de projeto de telas: aplicação das normas de projeto de telas e das definições do projeto do modelo conceitual, no projeto detalhado de interfaces do usuário, utilizando um protótipo executável; Avaliação iterativa de telas: avaliação iterativa dos protótipos das normas de
telas, que são refinados e reprojetados, até que uma norma robusta de projeto de telas seja validada. Os ciclos iterativos são realizados até que as falhas de usabilidade sejam eliminadas e os seus objetivos atendidos. Com as normas de projeto de telas validadas, pode-se completar o projeto de
modelos e iniciar o desenvolvimento da aplicação (utilizando-se a metodologia de prototipação rápida) ou pode-se completar o modelo de projeto e iniciar o modelo de implementação (na metodologia OOSE); Guia de estilo: atualização do guia de estilo com o resultado final dos ciclos
iterativos de projeto/avaliação das normas de projeto de telas. Esse documento é utilizado durante o detalhamento do projeto da interface do usuário para assegurar a qualidade, coerência e consistência dessa interface. O nível 3 (detalhamento do projeto da interface do usuário) envolve as seguintes atividades:
Projeto detalhado da interface: realização do projeto detalhado completo do produto de interface do usuário, baseado nos resultados validados do modelo conceitual e das normas de projeto de telas, documentados no guia de estilo do produto;
Avaliação iterativa do projeto detalhado da interface do usuário: avaliação do projeto detalhado da interface do usuário a até o desenvolvimento do produto final, para verificar os critérios de usabilidade com relação a subconjuntos de funções ainda não testadas e a novas categorias de usuários. Esse processo deve ser gerenciado com eficácia, utilizando-se critérios qualitativos de avaliação de usabilidade, de modo a evitarem-se ciclos iterativos desnecessários.
A fase 3 (instalação) envolve basicamente a atividade de realimentação do usuário, que consiste no retorno de informações do usuário com relação a dificuldades de uso encontradas após a instalação e algum tempo de entrada em produção. Essa informação pode ser utilizada para melhoria do projeto, para o projeto de novas versões de interface e/ou para novos projetos de produtos relacionados com a aplicação (MAYHEW, 1999).
Esse modelo de ciclo de vida de usabilidade é utilizado como referência neste trabalho, devido à sua adequação ao ciclo de desenvolvimento espiral e devido à sua
adequação aos conceitos que são adotados no modelo ODP. A análise dessa adequação é realizada na seção 6.3.