5.2 ACVE E ACVCO 2
5.2.5 Ciclo de Vida das Edificações
A partir do levantamento do consumo de energia e emissões de CO2 das três etapas (pré-
uso, uso e pós-uso), foi calculado o consumo de energia total (ETOT) e emissões de CO2
totais (ECO2TOT) para a EHU com os dois sistemas de vedação vertical estudados,
conforme apresentado nas figuras 5.19 e 5.20.
Figura 5.19 – Consumo de energia no ciclo de vida das habitações.
Figura 5.20 – Emissões de CO2 no ciclo de vida das habitações.
A EHU de LSF apresentou valores de ETOT variando entre 28,28 GJ/m² a 32,68 GJ/m², com um valor utilizando os valores médios de 30,26 GJ/m². Já a EHU de VC apresentou valores de ETOT variando entre 28,83 GJ/m² a 32,08 GJ/m², e 30,36 GJ/m² utilizando os valores médios.
Comparando com estudos nacionais, como o de Tavares (2006), que obteve 24,3 GJ/m² e Paulsen e Sposto (2013) com 29,2 GJ/m²; e internacionais como o de Adalberth (1997b), com valores entre 27,4 e 31,7 GJ/m², Huberman e Pearlmutter (2008), com valores entre 26,5 e 32,9 GJ/m² e Devi L. e Palaniappan (2014) que encontraram 33,5 GJ/m², os resultados que utilizaram os valores mínimos e médios são os que mais se aproximam dos resultados encontrados por estes autores. Conclui-se assim, que os resultados encontrados estão coerentes, mesmo que diferentes considerações tenham sido realizadas nestes outros estudos.
Quando se avaliam as emissões de CO2, a EHU de LSF apresentou valores de ECO2TOT
variando entre 1,43 tCO2/m² a 1,61 tCO2/m², utilizando os valores médios de 1,52
tCO2/m². Já a EHU de VC apresentou valores de ECO2TOT variando entre 1,44 tCO2/m² a
1,74 tCO2/m², com um valor médio de 1,56 tCO2/m². Comparando com estudos nacionais,
como o de Tavares (2006), que obteve 1,04 tCO2/m² e Caldas et al. (2015) com 1,9
tCO2/m²; e internacionais como Adalberth et al. (2001) com 1,5 tCO2/m², Huberman e
Pearlmutter (2008), com valores entre 2,1 e 2,8 tCO2/m², Mc Grath et al. (2012) com 2,7
tCO2/m² e Radhi e Sharples (2013), com valores entre 1,9 e 2,4 tCO2/m².
Deve-se ressaltar que a comparação do consumo de energia e emissões de CO2 do presente
trabalho com outros trabalhos internacionais serve somente para possibilitar a visualização de uma ordem de grandeza dos resultados finais, verificando se os resultados obtidos estão coerentes. Embora tenham sido pesquisados trabalhos internacionais de edificações habitacionais unifamiliares, as diferentes práticas construtivas, tecnologias, eficiência dos equipamentos, e, principalmente diferenças climáticas dos países e até mesmo dentro de um mesmo país, não permitem uma comparação direta, necessitando de uma avaliação cuidadosa.
Assim, a edificação de VC apresentou maior valor do consumo de energia (para duas das situações de dados, utilizando valores mínimos e médios), com uma diferença em relação à edificação de LSF variando de 1 a 2%. Referente às emissões de carbono, a edificação de VC apresentou maior valor de emissões para todas as situações, no entanto com uma diferença em relação à edificação de LSF variando de 1 a 7%.
Desta forma, pode-se concluir que a edificação utilizando o sistema de LSF foi mais promissora no aspecto energia e emissões de CO2, para as premissas adotadas neste
trabalho, mesmo apresentado piordesempenho térmico. Outra vantagem do LSF que pode
ser avaliado em pesquisas futuras, é o seu impacto na fundação, pois, por ser um sistema mais leve, provavelmente, consumirá menor quantidade de materiais no sistema de fundações, podendo resultar em menor consumo de energia e emissões de CO2, como
também o potencial de reciclagem do aço que já foi discutido anteriormente.
Estes resultados foram influenciados pela maior massa e maior quantidade de emissões dos materiais cimentícios e dos blocos cerâmicos, sendo que os primeiros emitem grande parte de carbono no processo de calcinação do CaCO3 e o segundo provavelmente pela
utilização de combustíveis de baixa eficiência como a lenha, principalmente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país, lembrando que em alguns casos, como o estado de São Paulo, é utilizada a eletricidade, o que diminuiria este valor de emissões. A etapa de pré- uso seguida pela de manutenção, foram as que apresentaram maior impacto na diferença gerada entre os dois sistemas.
Nas figuras 5.21 e 5.22 é apresentada a participação de cada etapa no ciclo de vida das EHUs para o consumo de energia e emissões de CO2.
Figura 5.21 – Participação das etapas no ciclo de vida energético da EHU. (A) Vedação Convencional; (B) Light Steel Framing.
Figura 5.22 – Participação das etapas no ciclo de vida de emissões de CO2 da EHU.
(A) Vedação Convencional; (B) Light Steel Framing.
Observa-se que tanto para o consumo de energia total como as emissões de CO2 a etapa de
uso (operacional e manutenção) foi a mais significativa ao longo do ciclo de vida para a edificação, isto para os dois sistemas de vedação, sendo que a operacional foi superior à de manutenção. As etapas de transporte e de pós-uso foram as que apresentaram menor participação. A etapa de extração e processamento dos materiais apresentou participação considerável. Estes resultados vão ao encontro dos resultados apresentados por Tavares (2006), Paulsen e Sposto (2013), Caldas et al. (2015b) e diversos estudos internacionais, apresentados por Sartori e Hestnes (2007), Ramesh et al. (2010) e Cabeza et al. (2014). É importante ressaltar que quando se compara a participação da energia e emissões da etapa operacional, as emissões de CO2 apresentaram menor valor devido à grande
participação da fonte hidráulica na matriz energética brasileira, que emite menor quantidade de emissões quando comparada a outras fontes como a térmica.
Comparando as três situações de dados do inventário, quando se utilizam os valores máximos, as etapas de extração e processamento dos materiais e manutenção ganham maior participação no ciclo de vida da EHU, diminuindo a participação da fase operacional, que se manteve constante. Nota-se que devido aos elevados valores máximos de emissões de carbono para o sistema de VC, a participação da etapa de pré-uso chega a uma participação de aproximadamente 27%.
Comparando os dois sistemas construtivos, o LSF apresenta maior participação da etapa de manutenção, enquanto o sistema de VC a participação da etapa de pré-uso.
Por fim, foi quantificado o consumo de energia e emissões de CO2 totais ao longo do ciclo
de vida das EHUs, avaliando agora a participação de cada sistema, incluindo as fases de fabricação, transporte e manutenção, relacionando com a etapa operacional, conforme é apresentado nas figuras 5.23 e 5.24.
Figura 5.23 – Participação dos sistemas e etapa operacional no ciclo de vida energético da EHU. (A) Vedação Convencional; (B) Light Steel Framing.
Figura 5.24 – Participação dos sistemas e etapa operacional de CO2 da EHU. (A) Vedação
Convencional; (B) Light Steel Framing.
Como já verificado a etapa operacional é a que exerce maior influência, tanto para o consumo de energia como para as emissões de CO2. No entanto, o que chama atenção é a
elevada participação da pintura, para o consumo de energia. Isto foi consequência da elevada parcela da manutenção da pintura somada à alta intensidade energética das tintas. Desta forma conclui-se que além dos sistemas de vedação vertical, o sistema de pintura pode apresentar considerável participação no ciclo de vida energético de uma edificação.
O sistema de cobertura apresentou participação considerável, principalmente nas emissões de carbono. Os outros sistemas da edificação apresentaram menor participação, principalmente as instalações.