Passo 05: Aperfeiçoar os módulos: nesta fase os módulos são especificados para fornecer os dados de entrada para o detalhamento do
3. PROJETO DE PRODUTOS E A MANUFATURA SUSTENTÁVEL
3.3 CICLO DE VIDA DO PRODUTO MODULAR: PERSPECTIVA AMBIENTAL
Conforme Alting (1995) há alguns anos a indústria tem se esforçado em propor procedimentos de fabricação limpa com o objetivo de reduzir as emissões provocadas pela produção industrial. Mesmo assim o número de produtos, assim como o consumo de energia e a produção de resíduos tem aumentado cada vez mais. O autor ainda comenta que existe a possibilidade de minimizar o impacto global se forem considerados os impactos ambientais nos produtos.
Tendo em vista o contexto acima, junto com os requerimentos funcionais do projeto do produto devem ser considerados os efeitos ecológicos ao longo do ciclo de vida dos mesmos. Back e Ogliari (2000) destacam que o ciclo de vida sob o enfoque de transformação do produto é entendido como englobando as fases pelas quais o produto passa, desde as necessidades do mercado até o fim de sua vida útil, quando este deverá ser descartado.
Para Pahl e Beitz et al. (2005), cada produto está sujeito a um ciclo de vida que, pelo aspecto econômico industrial, se orienta por faturamento, lucros e perdas (custos), conforme a Figura 20. A duração do ciclo de vida varia muito em função do tipo de produto e da especialidade. Nos últimos anos observou-se uma constante redução desse tempo, uma tendência que deverá se manter. Isto tem consequências importantes no trabalho nos departamentos de desenvolvimento e projeto, uma vez que os tempos de execução alocados para tarefas iguais ou semelhantes também se reduzem. Por isso é necessário tomar providências com relação à arquitetura do processo de desenvolvimento do produto e aos métodos e ferramentas a serem utilizados.
Segundo Romeiro et al. (2010), uma visão mais recente, voltada para a percepção ambiental sobre o ciclo de vida de um produto, é a caracterização das suas diversas etapas produtivas sucessivas desde a extração da matéria-prima até o seu descarte definitivo. A Figura 21 representa a sequência dessas etapas. Essa perspectiva é importante para se avaliar os impactos ambientais associados a esse produto e definir estratégias para a redução desses mesmos impactos.
Figura 20 - Ciclo de vida de um produto. Visão tradicional. Fonte: Pahl e Beitz et al. (2005).
Figura 21 – O ciclo de vida do produto segundo a perspectiva ambiental. Fonte: Romeiro et al. (2010).
Ao final da utilização do produto o mesmo é recolhido e desmontado, e suas peças e componentes são limpos e testados, e posteriormente são selecionados para reciclagem, remanufatura e reutilização, fazendo assim com que ele retorne ao sistema produtivo, economizando-se energia e matéria-prima. Tal economia proporciona diversos ganhos em termos de redução de custos de produção e de impactos ambientais associados ao produto. Esse reaproveitamento tem
gerado uma nova economia, com a criação de empresas especializadas no tratamento de resíduos industriais (Romeiro et al., 2010).
Pahl e Beitz et al. (2005) abordam importantes diretrizes para o anteprojeto, onde essas, no âmbito internacional, são designadas por DFX (já descritas no capítulo anterior). Essas diretrizes auxiliam a alicerçar as regras básicas de projeto, cada qual voltada à sua especificidade.
Romeiro et al. (2010) menciona que a seleção das peças e componentes para reciclagem, remanufatura e reutilização irá depender das condições técnicas em que esses elementos se encontram em termos de desgaste e de suas propriedades mecânicas. Por conseguinte, somente após uma avaliação criteriosa das condições dessas peças e componentes é que se pode definir o direcionamento a ser dado às mesmas. O projeto do produto será importante da definição dessas peças, pois deverá levar em consideração as oportunidades e necessidades em termos de ciclo de vida. Um produto projetado tendo em vista seu ciclo de vida deverá ser de fácil desmontagem, por exemplo, tendo em vista a reutilização de componentes ou reciclagem de matérias-primas. Da mesma forma, componentes que eventualmente utilizem elementos danosos ao meio- ambiente (como baterias, por exemplo) poderão ser projetados para que a separação desses materiais seja facilitada, bem como criar mecanismos (como carcaças mais resistentes) que impeçam eventuais vazamentos para o meio-ambiente.
Segundo Baxter (2000), a análise do ciclo de vida do produto tem sido largamente usada quando se deseja avaliar o impacto ambiental dos produtos. Contudo, tem havido uma tendência de subestimar as dificuldades na ponderação dos diferentes fatores que provocam impacto ambiental. Outra dificuldade relaciona-se com a avaliação precisa dos custos ambientais, e pode ser separada em dois tipos: de comparação e de quantificação:
A dificuldade de comparação ocorre quando é difícil comparar diferentes tipos de impactos ambientais. Por exemplo, duas oportunidades incompatíveis entre si para a melhoria do produto, sendo que uma delas reduz a quantidade de energia necessária para fabricar o produto, enquanto a outra reduz a poluição local da água, que é despejada no rio. Essas duas alternativas não podem ser comparadas entre si, pois são de naturezas diferentes (global versus local, energia versus poluição) e são muito dinâmicas. Se o rio já estiver bastante poluído com outras fábricas que se situam à montante, a redução local da poluição poderia ser um aspecto crítico, para não se agravar o
problema. Contudo, se não houver outras fábricas à montante, a oportunidade de economia de energia poderia ser mais crítica.
A dificuldade de quantificação ocorre quando se torna difícil quantificar o impacto ambiental. Considere o impacto ambiental provocado por dois tipos de matérias-primas para plásticos. Podem-se incluir os custos (energia e poluição) de extração dos hidrocarbonetos (petróleo e carvão), o custo para refiná-los e o custo de transformação em polímeros. A quantificação desses custos é uma tarefa muito difícil. Existem dados sobre diferentes tipos de plásticos, mas são estimativas médias, que podem variar bastante em cada caso específico. P or exemplo, o petróleo extraído de plataformas submarinas gasta muita energia, comparada com aquela gasta na extração do carvão a céu aberto. Se o plástico for fabricado na Noruega, usará energia hidrelétrica, que é uma fonte renovável, com baixo índice de poluição. Se o mesmo plástico for produzido no centro industrial da Alemanha, a energia virá de usinas termoelétricas, que usam fontes não renováveis de combustíveis, provocando maiores índices de poluição. Portanto, trata- se de situações de difícil comparação.
Essas dificuldades não invalidam o uso da análise do ciclo de vida para melhorar o impacto ambiental dos produtos. Comparando-se custos semelhantes de impacto ambiental e usando-se informações confiáveis, pode-se ter uma ajuda valiosa na melhoria do projeto de produtos.
3.4 EXEMPLO DE SUSTENTABILIDADE: O ECO PROJETO NA