5.1 NÍVEIS E CICLOS DA PESQUISA-AÇÃO
5.1.2 Ciclo II: Elaboração da MTO com base nos documentos da UERGS e da
O propósito da análise da legislação e das DCNs foi obtermos subsídios para compor e problematizar nosso referencial teórico, o que já realizamos no decorrer dos capítulos anteriores. A análise dos Projetos Institucional e Pedagógico do curso de Pedagogia teve como meta destacar as características da instituição, da inserção acadêmica e científica na comunidade e da sua proposta de formação continuada. O estudo detalhado do PPC permitiu-nos explicitar os objetivos do curso, especialmente as estratégias pedagógicas e a organização curricular, para melhor entendimento do desenho pedagógico. Além disso, possibilitou-nos verificar se estava em consonância com as atuais políticas públicas para formação de professores, acessibilidade, inclusão das PCD, integração das tecnologias, qualidade da Educação Básica e Ensino Superior.
No que concerne ao Projeto Político Pedagógico Institucional - PPPI, o “artigo 16 do Decreto nº 5.773 de 2006 (BRASIL, 2006), dá orientações dos elementos que devem estar presentes no PDI, sendo o PPPI o segundo eixo temático que deve ser desenvolvido pela instituição de Educação Superior” (PDI/UERGS, 2017, p. 37). Portanto, o PPPI, em conformidade com a missão da instituição, tem como papel: organizar os parâmetros de encaminhamento das atividades acadêmicas; apresentar políticas institucionais que tenham presentes estratégias necessárias para o alcance dos objetivos e metas da UERGS (PDI/UERGS, 2017). Em 2015/2016, quando da elaboração do PDI 2017/2021, descreveram-se os quatro princípios presentes e
necessários, que devem fazer parte das práticas e do trabalho pedagógico, são eles: Educação e Cidadania, Educação e Profissionalismo, Educação, Transformação e Interdisciplinaridade, Educação e Inovação Tecnológica. Importante salientar que
O PPPI deve ser a declaração da identidade institucional, uma explicitação da linha filosófico-pedagógica que fundamenta todos os cursos, programas e projetos da Uergs que são transversalizados pelo ensino de qualidade
público e gratuito e que deve estar presente no coletivo e no cotidiano da
instituição (PDI/UERGS, 2017, p. 51, grifo nosso).
Chamamos a atenção para os grifos acima, pois devemos considerar que nosso contexto de pesquisa, ao possuir essas características, diferencia-se consideravelmente de algumas instituições. Isso justifica a definição que fizemos em nossa questão norteadora.
Passando, portanto, a analisar mais pontualmente o item formação de
professores nesse documento, salientamos que o processo pedagógico da instituição,
em seus diferentes cursos, é orientado pelas DCNs, legislações dos órgãos superiores (MEC, CNE, INEP, CAPES) e do CEE/RS. Além disso, pelas normativas do Regimento Geral da Universidade (RGU), do Conselho Superior da Universidade (CONSUN) e do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CONEPE).
Os Núcleos Docentes Estruturantes (NDEs), instituídos em 2016, são os responsáveis pelo cumprimento das DCNs e pela integração curricular nos cursos de graduação. Consta, nesse documento, o Plano para atendimento às diretrizes pedagógicas com as seguintes orientações:
a) Inovações consideradas significativas, especialmente quanto à flexibilidade dos componentes curriculares. Trata especificamente da importância da flexibilização do currículo, no sentido de ressignificar a prática docente, proporcionando aos alunos: o aproveitamento das atividades acadêmicas, a permeabilidade das áreas curriculares do conhecimento e dos processos, acompanhando os temas contemporâneos, e a possibilidade de outras formas de aprendizagem e de formação. Pode-se depreender que esses últimos dois tópicos vêm ao encontro do nosso tema: formação de professores para a FTP e integração de TA, o que entendemos ser de extrema relevância.
b) Oportunidades diferenciadas de integralização curricular. Oportuniza que a formação, além das áreas e conteúdos obrigatórios, seja também uma escolha do acadêmico.
c) Atividades práticas e estágio. Determina que todos os PPCs contemplem práticas de estágios, conforme as orientações das DCNs, as dimensões teóricas, práticas e interdisciplinares nas atividades acadêmicas, oportunizando o desenvolvimento profissional.
d) Desenvolvimento de materiais pedagógicos. Como um orientador do aprendizado, no entendimento de forma eficaz dos conteúdos.
e) Incorporação de avanços tecnológicos. Para a melhoria na comunicação, na implantação de TIC para a EAD e na informatização das Unidades Universitárias, bem como no atendimento ao mercado de trabalho. Observa-se que, neste quesito, não há especificado, de forma mais pontual, as TIC na educação, tampouco as TA como forma de eliminação de barreiras e igualdade de oportunidades.
Outro ponto importante, além desses mencionados, é a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
No que diz respeito às práticas pedagógicas, o Plano aponta para a necessidade de processos participativos de construção do conhecimento em interação com a comunidade, com quem/onde os futuros acadêmicos irão atuar, oportunizando a inter-relação entre teoria e prática. Recomenda a aproximação do currículo com as demandas da comunidade e sociais e para uma formação polivalente em constante mudança.
Além disso, o Plano informa que a revisão curricular será realizada pelos NDE, de acordo com as demandas e propostas de adequação pelas DCNs.
Contempla a oferta de formação continuada para seus docentes, realizada pelo Núcleo de Pedagogia Universitária, em consonância com o PDI e PPPI. Essa formação, tem como um dos objetivos na qualificação a melhoria das condições de ensino e de aprendizagem, evitando a evasão, a retenção. Através do Programa de Formação Continuada de Docentes (PFCD), institucionalizado em 2014, promove qualificação de docentes, discentes e funcionários em legislações especificas, metodologias e práticas de ensino inclusivas que incentivem o respeito à diversidade. Além dessas ações, instrumentaliza, também para o uso da plataforma MOODLE.
Quanto ao Projeto Pedagógico de Curso (PPC), apresenta a estrutura do curso, especificando, na matriz curricular, todos os aspectos necessários ao processo de formação. Os PPC da graduação são elaborados coletivamente e, posteriormente, submetidos à aprovação do CONEPE.
O Projeto Pedagógico do Curso de Graduação em Pedagogia - Licenciatura,
elaborado em 2008, traz o Ordenamento Constitucional, Legal e Normativo e os Pareceres do CEEd relacionados ao curso de Pedagogia da UERGS.
O curso tem como objetivo formar profissionais licenciados em Pedagogia, aptos ao exercício das funções de magistério na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos cursos de Ensino Médio, na modalidade normal, de educação profissional na área de serviços e de apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos.
Consta, nesse Projeto, o comprometimento com a formação continuada dos professores, visando à inclusão da PCD.
Analisando a Base Curricular do Curso, no que diz respeito aos componentes relacionados à inclusão, oferecem-se, no 5º semestre, Dificuldade de Aprendizagem e Seminário Integrador V: Políticas e Práticas da Educação Inclusiva e Libras.
Quanto a integração e ao uso de TA, consta no seminário o conteúdo inclusão
digital. No componente Tecnologias da Educação, não há contemplado nenhum tema
relacionando as TA.
O PPC da Pedagogia sofreu reestruturação e adequação em 2014, e a matriz curricular entrou em vigência, para as turmas ingressantes, a partir do primeiro semestre de 2015. Na figura 19 apresentamos o comparativo dessas mudanças no que diz respeito a carga horária mínima, no Estágio e na Matriz Curricular que obedece aos dispositivos legais e no que corresponde às atividades formativas.
Figura 19 — PPC do Curso de Graduação em Pedagogia – UERGS 2008 e 2014
Fonte: autora.
O PPC de 2014 com os acréscimos em sua carga horária nos estágios ficaram com 9 créditos e no computo total do curso 3.330h. A matriz curricular manteve sua composição nos três núcleos. Nas atividades formativas a alteração foi em Pesquisas que de vinte e quatro créditos passaram para dezenove e nos Seminários que antes eram trinta e no novo PPC, vinte e dois créditos; os estágios curriculares, também sofreram alteração, de vinte e um créditos foram para vinte e sete.
No seu contexto institucional, traz que a reestruturação e readequação, através da coordenação de área das Ciências Humanas, responde afirmativamente às demandas e às necessidades político-contextuais. No entanto, no que diz respeito aos componentes curriculares voltados ao tema tecnologias, houve alteração no número de créditos relacionados, de 4 para 3, diminuindo 15h.
O Seminário Integrador V: Políticas e Práticas da Educação Inclusiva, passa a ser Educação e Processos Inclusivos. Este componente, assim como Dificuldade de aprendizagem e Libras mantiveram a mesma carga horária.
Nas disciplinas eletivas/optativas, no campo comum/geral, há as seguintes opções de componentes curriculares: Tecnologias Digitais Acessíveis (2 cr) e Educação para a Diversidade e Cidadania e Atendimento Educacional Especializado (2 cr). Porém, como redigido no próprio PPC “os alunos terão que escolher” para que seja ofertada.
Cabe enfatizar que em nenhum dos PPC há menção específica sobre as TA nos componentes curriculares obrigatórios. Ressaltamos que a análise desses documentos forneceu-nos dados fidedignos importantes como respostas para a MTO.
Ainda nessa etapa, por sugestão da Comissão de Avaliação do Projeto de Doutorado, ampliamos as pesquisas, nos repositórios da DIALNET e RCAAP, para teses e dissertações publicadas no quadriênio 2013 a 2016, com os descritores que possuíam relação com o tema Formação de Professores para Fluência Tecnológico-Pedagógica.
5.1.3 Ciclo III: Elaboração da MTO com base no diário de campo, planos de aula