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CAPÍTULO 3 – LOGÍSTICA E LOGÍSTICA INTEGRADA

3.3 Processo logístico

3.3.1 Ciclos de atividades

Bowersox e Closs (2001) dividem o processo logístico em três ciclos: distribuição física, apoio à manufatura e suprimentos. O ciclo de apoio à manufatura desenvolve-se,

Atacadista Varejista Consumidor Manufatura Fornecedor Processo logístico

geralmente, dentro das empresas; o de suprimentos liga a empresa aos fornecedores e, finalmente; o de distribuição liga a empresa aos compradores. Os ciclos de suprimentos e distribuição estabelecem, portanto, as interfaces entre a empresa e seus parceiros externos. A figura 7 representa os três ciclos.

Figura 7 - Ciclos de atividades

Ciclo de suprimentos

Ciclo de apoio à manufatura

Ciclo de distribuição física

Vínculo de transporte

Vínculo de comunicação

Fonte: Bowersox e Closs (2001, p. 55).

Os três ciclos de atividades estão interligados e permeiam toda a cadeia de suprimentos. A figura abaixo indica os três ciclos de um processo logístico ligando o fornecedor à manufatura. Fonte de materiais Fábrica de componentes Atividade de montagem Depósito de distribuição Comprador Nó

Figura 8 - Ciclos de atividades no processo logístico entre fornecedor e manufatura

Fonte: adaptado de Bowersox e Closs (2001).

O ciclo de suprimentos movimenta um fluxo de bens de valor agregado que finaliza no ciclo de distribuição física, quando ocorre a transferência do produto acabado para o comprador. O ciclo de distribuição do vendedor está conectado ao ciclo de suprimentos do comprador. Portanto, “os ciclos de atividades envolvem toda a cadeia de suprimentos e

estabelecem vínculos entre as empresas participantes” (BOWERSOX; CLOSS, 2001, p. 54).

O resultado esperado da gestão dos três ciclos de atividades é satisfação das necessidades logísticas. Mas, o desempenho global depende da operação de cada um deles individualmente. A seguir, serão detalhados os três ciclos de atividades.

3.3.1.1 Ciclos de atividades da distribuição física

O ciclo de distribuição física tem inicio com a expectativa de venda ou os pedidos dos clientes. Abrange desde o processamento dos pedidos até a entrega das mercadorias. O objetivo é disponibilizar os produtos no tempo correto e ao preço adequado. O ciclo é composto pelas seguintes atividades: transmissão, processamento e separação dos pedidos, transporte e entrega ao cliente. Estas operações são denominadas logística de saída.

Atacadista Varejista Consumidor Manufatura Fornecedor Processo logístico Ciclo de suprimentos Ciclo de manufatura Ciclo de distribuição Ciclo de suprimentos Ciclo de manufatur a Ciclo de distribuição

Processamento

dos pedidos Transmissão dos pedidos

Pedidos de clientes

Separação dos

pedidos Transporte dos pedidos Entrega ao cliente Figura 9 – Atividades de distribuição física

Fonte: Bowersox e Closs (2001, p. 57).

O ciclo de distribuição física vincula a empresa aos clientes e, portanto, estabelece uma interface entre as áreas de produção e marketing. O marketing tem como objetivo conquistar e atender clientes. Assim, seu interesse é manter estoques que garantam pronto atendimento. A produção, por sua vez, tem como objetivo controlar custos o que significa operar com o menor nível de estoque possível.

De forma geral, as empresas decidem seus estoques a partir das expectativas futuras de venda e, com freqüência, podem ocorrer erros que se propagam por todo o sistema logístico. Mas, para Bowersox e Closs (2001), o ciclo de distribuição física está mais sujeito a erros porque opera em direção ao mercado final.

A redução dos erros pode ocorrer por meio do aperfeiçoamento das projeções, da coordenação da gestão dos pedidos dos clientes e, por fim, de maior flexibilidade e agilidade no ciclo de distribuição física. Assim, a capacidade de resposta logística da empresa vendedora é central para um bom desempenho (BOWERSOX; CLOSS, 2001).

3.3.1.2 Ciclos de atividades de apoio à manufatura

O objetivo do ciclo de apoio à manufatura é posicionar e coordenar os materiais e estoques dentro das empresas de modo a manter um fluxo adequado para atender a programação da produção. Suas atividades são a movimentação e armazenamento de produtos, materiais, componentes e peças semi-acabadas nas instalações da empresa.

Para enfrentar a crescente concorrência, as empresas vêm operando com ciclos de produção mais curtos e buscando agilidade para efetuar ajustes em suas máquinas. Desta

forma podem se adequar às mudanças das exigências dos mercados e clientes. Mas, a implantação desta forma de produção exige apoio logístico preciso.

A logística de apoio à produção está restrita exclusivamente à movimentação e armazenagem no processo produtivo. O processo produtivo tem início quando a empresa compra materiais e componentes dos fornecedores e termina quando o produto final está pronto para a venda.

Assim, de forma geral, a logística de apoio à produção refere-se às movimentações internas da empresa. Mas algumas empresas podem operar com diversas unidades especializadas, que desenvolvem atividades específicas. Neste caso, podem ser necessárias operações logísticas complexas, envolvendo inúmeros manuseios e transferências num único processo de produção.

Terminada a produção, o estoque de produtos acabados irá para os compradores ou outros depósitos de distribuição dando início aos ciclos de distribuição física. A movimentação dos produtos finais já faz parte da distribuição física.

3.3.1.3 Ciclos de atividades de suprimento

O objetivo do ciclo de suprimentos é viabilizar a produção de forma estável e contínua. Portanto, deve desenvolver atividades que facilitem o fluxo ordenado de materiais, componentes ou produtos acabados para a produção ou distribuição. As atividades são: seleção de fontes de suprimento, colocação de pedido e expedição, transporte e recebimento. As operações de suprimento são também denominadas logística de entrada.

Figura 10 – Atividades do ciclo de suprimentos

Fonte: Bowersox e Closs (2001, p. 59). Seleção de fontes de

suprimento Colocação e expedição de pedidos

Recebimento Transporte

Cada tarefa dos ciclos exige um período de tempo para ser desenvolvida e está sujeita à diferentes ocorrências, o que pode gerar instabilidades. Assim, incerteza operacional é uma característica estrutural dos ciclos de atividades que é crítica para a logística.

Atrasos ou adiantamentos exigem recursos extras e reduzem a eficiência logística. Atrasos, de forma geral, decorrem de falhas nas operações e tornam necessário o estabelecimento de estoques de segurança. Adiantamentos também exigem o manuseio e armazenagem dos estoques entregues antecipadamente.