5.5 – Análise dos diários
CICLOS SUPERVISIVOS – CONFERÊNCIAS PÓS-OBSERVAÇÃO Prof A (Supervisor) / Prof B (Supervisionado)
CATEGORIAS SUBCATEGORIAS
UNIDADES DE REGISTO (DIÁRIOS DOS PROFESSORES)
1ºciclo 2ºciclo 3ºciclo
Prof.A Prof.B Prof.A Prof.B Prof.A Prof.B Atribuição de
causas a factores externos
Consenso sobre a influência da presença de observador sobre o comportamento dos alunos
X X - - - -
Atribuição de causas a factores internos
Consenso sobre a persistência do problema
X X - - - -
Consenso sobre a influência da atitude da prof. sobre o comportamento dos alunos
X X - - - -
Constatação de uma situação problemática
Decurso da intervenção adequada ao planeamento
- - X - - -
Concordância sobre a persistência da inibição dos alunos
- - X - - - Decisão de intervir no sentido de compreender o problema Percepção da necessidade de compreender a causa da inibição
- - X X - -
Consenso sobre a decisão de questionar directamente os alunos
- - X X - -
Consenso sobre a estratégia de questionamento
- - X X - -
Reconhecimento de mudança nos alunos
Consenso sobre o esforço realizado pelos alunos na realização do trabalho - - - - X X Reconhecimento da necessidade de mudança de atitude do professor, durante a apresentação de trabalhos
Consenso sobre qual deveria ser a atitude do professor durante a apresentação dos trabalhos
- - - - X X
Consenso sobre qual deverá ser o melhor momento para o professor intervir
- - - - X -
Constatação de sucesso
Consenso sobre o sucesso das estratégias definidas.
- - - - X X
Retomando a análise do referido quadro, relativamente à primeira observação, as duas docentes, concordam que “a presença de outra professora na sala poderá ter
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108 (diário A/B). Deste modo, de acordo com esta subcategoria, a causa da falta de participação é atribuída a factores externos.
Continuando a leitura do quadro 20, na segunda categoria identificada, verificamos também a existência de factores internos como causa dos resultados observados na primeira a aula. Sustentam essa classificação, o consenso sobre a
persistência do problema na turma, relativamente à participação e comunicação e o consenso sobre a influência da atitude da professora sobre o comportamento dos alunos. Conforme o diário A/B, ―a professora mostrou-se muito ansiosa, pressionando
a participação de alguns alunos”.
No que concerne à segunda aula assistida, as conclusões apresentadas, analisadas e discutidas, permitiram a identificação de duas categorias. A primeira refere-se à constatação de uma situação problemática. De acordo com o diário da supervisora, o decurso da intervenção foi adequado ao planeado, no entanto, as duas docentes encontraram, na intervenção dos alunos, indicadores de inibição e constrangimento.
Como resultado da constatação feita, surgiram ideias que agrupamos nas seguintes subcategorias: percepção da necessidade de compreender a causa da inibição; consenso sobre a decisão de questionar directamente os alunos; consenso sobre a estratégia de questionamento. Esta tomada de decisão levou-nos à segunda categoria, que nos permite concluir que houve a intenção de intervir no sentido de compreender
o problema.
Regressando à observação do quadro 20, podemos verificar que o terceiro ciclo
de supervisão contribuiu para o reconhecimento de mudança nos alunos. Esta categoria foi consolidada no consenso das duas professoras sobre o esforço realizado pelos alunos na realização do trabalho. Na opinião da professora supervisionada ―os alunos que
apresentaram a resolução de desafios revelaram alguma insegurança, embora se notasse algum esforço”.
Outro facto consensual é o reconhecimento da necessidade de mudança de
atitude do professor, durante a apresentação de trabalhos dos alunos. De acordo com
os registos do diário da supervisora, a reflexão feita permitiu concluir o seguinte:
“… seria vantajoso a professora reforçar positivamente o esforço dos alunos mais inibidos, quer verbalmente quer permanecendo perto deles e dando-lhes
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segurança e que, seria benéfico a professora não questionar (interromper) os alunos durante as apresentações”.
Verificámos ainda que as duas docentes chegam a discutir estratégias no sentido dos alunos desenvolverem as suas capacidades de comunicação. Concluem que a intervenção do professor deve ser feita no final da comunicação dos alunos e ainda que a pressão exercida sobre os alunos no sentido de os levar a comunicar pode produzir o efeito contrário. Segundo a supervisora, há alunos que bloqueiam ao serem pressionados pela professora (Diário A/B). Este debate consensual determinou a identificação da última categoria que identifica qual deverá ser o melhor momento para o professor
intervir.
Finalmente chegámos à constatação de sucesso da intervenção ou, mais propriamente, constatação do sucesso das estratégias definidas. As duas docentes concordam que “o facto de as tarefas serem diferentes, os alunos estiveram mais
atentos e curiosos” (diário A/B).
Esta constatação final leva-nos a inferir que, possivelmente, a diferenciação de tarefas foi mais estimulante para os alunos, mantendo-os mais atentos e mais participativos.
A leitura transversal deste exercício de supervisão, permite-nos concordar com a opinião de Sá-Chaves (2005), ao referir que a reflexão continuada e crítica acerca dos processos de construção do conhecimento, nos ajuda a conceber modos de ser e de estar na profissão. No entanto, segundo a mesma autora (2004), apesar do investimento que os professores possam realizar, se não houver um conhecimento devidamente sustentado com válidos enquadramentos teóricos, as tentativas de melhorar a qualidade do ensino acabarão frustradas ou serão meramente casuais.
Numa breve análise sobre os dois exercícios de supervisão realizados pelas duas docentes, relativamente à aprendizagem profissional, parece que o trabalho colaborativo desenvolvido, potenciou, no seio desse trabalho em colaboração, o essencial defendido por Hargreaves (2004): o trabalho em cooperação, a discussão entre os profissionais da escola, a atenção especial e consistente sobre o ensino e sobre a aprendizagem e a recolha de dados para investigar e avaliar a progressão e os problemas ao longo do tempo.
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110 Por outro lado, é importante salientar neste processo o papel desempenhado pelo supervisor que, como afirma Roldão (2008), através do olhar crítico, orientador, experiente e sereno do supervisor, professor e alunos são orientados para uma acção educativa concertada e direccionada para o correcto ―saber profissional‖ Como afirma esta autora, só a reflexividade poderá anular o quotidiano de rotinas incapazes de produzir uma cultura educativa de qualidade.