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5. Validação do Código

5.1. Cilindro isolado fixo

O caso de um cilindro circular fixo foi utilizado para comprovar a aplicação do

método Quimera e a correta implementação do código numérico desenvolvido, bem

como avaliar o efeito que a troca de informação não conservativa teria nos casos

analisados. Escoamento com números de Reynolds no regime laminar e turbulento

foram avaliados. As equações de conservação de massa e conservação de momentum

foram resolvidas para os casos de número de Reynolds igual a 40, onde o escoamento é

laminar, e igual a 100 e 200, onde a esteira próxima é considerada laminar. No caso

com número de Reynolds igual a 1000, onde o escoamento na esteira é turbulento,

foram resolvidas também as equações do modelo de turbulência, k−ε.

Considerou-se o domínio dividido em dois, uma malha conformada com o corpo e

uma malha cartesiana que cobrisse todo o domínio. A malha conformada ao corpo é

limitada em seu interior pelo corpo, com raio igual a 0,5 D, e em seu exterior por um

raio igual a 1,0 D. Esta malha foi calibrada com a malha apresentada por Wanderley et

al (2008) e possui 212 nós na direção circunferencial igualmente espaçados e 60 nós na

direção radial, com fator de afastamento de 1,025. A malha de fundo adotada garante

que as fronteiras do domínio estão a mais de 120 D do corpo e é discretizada por

200x200 nós. Uma área de 1,1 D por 1,1 D, centrada no corpo, é discretizada por

110x110 nós, de modo que a fronteira de interpolação entre os domínios seja

discretizada com nós afastados de uma mesma ordem. As análises apresentadas neste

capítulo partem da solução de escoamento potencial, i.e., é imposto os campos de

velocidade e pressão associados ao escoamento potencial ao redor de um cilindro como

condição inicial.

A Fig. 5.1-1 apresenta o escoamento em regime permanente obtido para o caso de

número de Reynolds 40. Esta figura é na verdade uma figura composta, os resultados

dos dois domínios considerados são sobrepostos e os pontos não contribuintes para o

resultado são retirados da figura. Esta composição é feita automaticamente pelo

software utilizado para gerar as figuras. Esta técnica é utilizada em todas as demais

Fig. 5.1-1 – Distribuição de pressão ao redor do corpo e linhas de corrente para Re=40.

Pode-se notar que o resultado qualitativo obtido está de acordo com o esperado. O

ponto de estagnação no bordo de ataque é mostrado pela distribuição de pressão

enquanto as linhas de corrente mostram a formação de um par simétrico de vórtices à

jusante do corpo, devido à separação da camada limite causada pelo gradiente adverso

de pressão na parte posterior do corpo. Nota-se também que os vórtices permanecem

próximos ao corpo, ou seja, não há desprendimento de vórtices neste caso, o que é

característico do número de Reynolds considerado.

A Fig. 5.1-2 apresenta a série temporal dos coeficientes de sustentação e arrasto.

Nota-se que não há variação do coeficiente de sustentação e que o coeficiente de arrasto

tende a um valor constante, o que está de acordo com a não emissão de vórtices

identificada.

Fig. 5.1-2- Série temporal dos coeficientes de sustentação e arrasto para Re = 40.

A Fig. 5.1-3 apresenta a distribuição de pressão sobre a superfície do corpo, em uma

comparação dos resultados obtidos neste trabalho com os obtidos numericamente por

Wanderley et al (2008), Grove et al (1964) e Rengel e Sphier (1999) e com os obtidos

experimentalmente por Tritton (1959). Nota-se uma concordância considerável com os

resultados da literatura.

A Tabela 5.1-1 apresenta a comparação das características geométricas dos

vórtices e do coeficiente de arrasto obtidos para número de Reynolds igual a 40. A Fig.

5.1-4 identifica as características geométricas comparadas. Nota-se que os resultados

do presente trabalho são comparáveis com os obtidos na literatura. Nota-se também que

o par de vórtices atravessa a fronteira externa da malha conformada com o corpo,

desenvolvendo-se parcialmente na malha de fundo.

Fig. 5.1-4 – Dimensões características dos vórtices, reprodução de Wanderley et al (2008).

Tabela 5.1-1 – Resultados da análise de Re = 40.

Referência Cd L/D a/D b/D θs Comentário

Tritton (1959) 1,57 - - - - Experimental

Constanceau e Bouard (1977) - 2,13 0,76 0,59 53,5 Experimental

Rengel e Sphier (1999) 1,61 2,23 0,72 0,58 54,06 MVF 180x160

Wanderley et al (2008) 1,56 2,29 0,73 0,60 53,8 MDF 200x200

Presente trabalho 1,50 2,54 0,75 0,64 53,0 MDF Quimera

Nos demais casos, onde o número de Reynolds é superior, o par de vórtices não se

manteve próximo do corpo. Estes continuam crescendo até se tornarem instáveis,

levando a um desprendimento periódico e alternado dos vórtices, formando uma esteira

de vórtices. Isto leva a uma oscilação periódica na distribuição de pressão ao redor do

corpo, que pode ser observada pela variação dos coeficientes de sustentação e de

arrasto.

Na Fig. 5.1-5, é mostrada a esteira de vórtices formada pelo campo de vorticidade

no escoamento com número de Reynolds igual a 100. Nesta, pode-se observar a emissão

alternada de vórtices a partir do cilindro e a formação da esteira de vórtices de von

Kármán. Pode-se notar pelas cores que cada vórtice do par possui sentido oposto. Os

tons avermelhados indicam vorticidade positiva, os azulados vorticidade negativa e

verde vorticidade nula.

Fig. 5.1-5 - Campo de vorticidade para Re=100.

A Fig. 5.1-6 mostra a séries temporal dos coeficientes de arrasto e sustentação para

número de Reynolds igual a 100. Nota-se que o crescimento e conseqüente

desestabilização dos vórtices demandam certo tempo, indicado pelo período sem

oscilação no coeficiente de sustentação. Pode-se observar também que, após alguns

ciclos, a emissão de vórtices estabiliza-se. Neste ponto, o escoamento atinge um regime

periódico, como esperado, e a simulação é interrompida. Através de uma média das

propriedades nos últimos ciclos da simulação, determinou-se que, para o escoamento

periódico, a amplitude do coeficiente de sustentação foi 0,36, o coeficiente médio de

arrasto foi 1,29, a amplitude do coeficiente de arrasto foi 0,03 e o número de Strouhal

foi 0,149. O número de Strouhal foi obtido da oscilação do coeficiente de sustentação,

que indica a emissão de um par de vórtices.

Fig. 5.1-6 – Série temporal dos coeficientes de sustentação e arrasto do cilindro para Re=100.

Na Fig. 5.1-7, é mostrada a esteira de vórtices formada pelo campo de vorticidade

no escoamento com número de Reynolds igual a 200. Nesta, pode-se observar a emissão

alternada de vórtices a partir do cilindro e a formação da esteira de vórtices de von

Kármán. Pode-se notar pelas cores que cada vórtice do par possui sentido oposto. Os

tons avermelhados indicam vorticidade positiva, os azulados vorticidade negativa e

verde vorticidade nula.

Fig. 5.1-7 - Campo de vorticidade para Re=200.

A Fig. 5.1-8 mostra a série temporal dos coeficientes de arrasto e sustentação para

número de Reynolds igual a 200. Pode-se observar que, após alguns ciclos, a emissão de

vórtices estabiliza-se. Neste, ponto o escoamento atinge um regime periódico, como

esperado, e a simulação é interrompida. Através de uma média das propriedades nos

últimos ciclos da simulação, determinou-se que, para o escoamento periódico, a

amplitude do coeficiente de sustentação foi 0,70, o coeficiente médio de arrasto foi

1,26, a amplitude do coeficiente de arrasto foi de 0,06 e o número de Strouhal foi 0,178.

Fig. 5.1-8 – Série temporal dos coeficientes de sustentação e arrasto do cilindro Re=200.

Na Fig. 5.1-9, é mostrada a esteira de vórtices formada pelo campo de vorticidade

no escoamento com número de Reynolds igual a 1000. Nesta, pode-se observar a

emissão alternada de vórtices a partir do cilindro e a formação da esteira de vórtices de

von Kármán. Pode-se notar pelas cores que cada vórtice do par possui sentido oposto.

Os tons avermelhados indicam vorticidade positiva, os azulados vorticidade negativa e

verde vorticidade nula.

Fig. 5.1-9 - Campo de vorticidade para Re=1000

A Fig. 5.1-10 mostra a série temporal dos coeficientes de arrasto e sustentação para

número de Reynolds igual a 1000. Pode-se observar que, após alguns ciclos, a emissão

de vórtices estabiliza-se. Neste ponto, o escoamento atinge um regime periódico, como

esperado, e a simulação é interrompida. Através de uma média das propriedades nos

últimos ciclos da simulação, determinou-se que, para o escoamento periódico, a

amplitude do coeficiente de sustentação foi 0,57, o coeficiente médio de arrasto foi

1,08, a amplitude do coeficiente de arrasto foi de 0,05 e o número de Strouhal foi 0,190.

Fig. 5.1-10- Série temporal dos coeficientes de sustentação e arrasto do cilindro para Re=1000.

A Tabela 5.1-2 apresenta a comparação de resultados entre a literatura e os obtidos

neste trabalho. Para números de Reynolds iguais a 100, 200 e 1000, nesta são

comparados: a amplitude do coeficiente de sustentação, o coeficiente de arrasto médio e

o número de Strouhal. A Tabela 5.1-2 apresenta os coeficientes de arrasto obtidos

experimentalmente por Wieselsberg (1921), os coeficientes de sustentação e número de

Strouhal obtidos experimentalmente por Norberg (2003) e os coeficientes de arrasto e

sustentação e o número de Strouhal obtidos numericamente por Herfjord (1995), Rengel

e Sphier (1999) e Wanderley et al (2008), além dos obtidos neste trabalho. Nota-se que

os resultados obtidos são comparáveis aos resultados da literatura, tanto para resultados

obtidos experimentalmente quanto obtidos numericamente.

Tabela 5.1-2 – Comparação de resultados obtidos neste trabalho com os encontrados na literatura

Referência Re Cd

m

Cl’ St Comentários

100 1,36 0,34 0,168

200 1,35 0,70 0,196

Herfjord (1995)

1000 1,47 1,45 0,234

MEF, 10080 nós, dt=0,002.

100 1,36 0,32 0,173

200 1,35 0,67 0,203

Rengel e Sphier (1999)

1000 1,60 1,70 0,225

MVF, (180x160) nós

100 - 0,32 0,164

200 - 0,53 0,182

Norberg (2003)

1000 - 0,08 0,210

Experimental

100 1,41 - -

200 1,29 - -

Wieselsberger (1921)

1000 0,99 - -

Experimental

100 1,30 0,25 0,158

200 1,27 0,51 0,187

Wanderley et al (2008)

1000 0,96 0,22 0,193

MDF, (200x100) nós

100 1,29 0,36 0,149

200 1,26 0,70 0,178

Presente trabalho

1000 1,08 0,57 0,190

MDF Quimera

Com base nos resultados apresentados nesta seção, pode-se notar uma tendência

constante em relação aos resultados experimentais e numéricos obtidos com código

semelhante. Em comparação com os resultados experimentais da literatura, este trabalho

subestimou o coeficiente de arrasto médio e superestimou amplitude do coeficiente de

sustentação. Estes desvios estão de acordo com o comportamento esperado para

simulações bidimensionais, conforme apresentado no trabalho de Mittal e Balachandar

(1995b).

Quando comparado com os resultados apresentados por Wanderley et al (2008),

pôde-se notar que o presente trabalho superestimou a amplitude do coeficiente de

sustentação e subestimou o número de Strouhal. Isto indica que a região de formação de

vórtices é simulada diferentemente nos dois casos, como fica evidente nos resultados

para Re = 40. Duas causas são atribuídas, inicialmente: diferenças de malha e o método

de interpolação adotado. Os resultados aqui mostrados são independentes da malha,

considerando maior refinamento, como será apresentado a seguir. Então, resta a rotina

de comunicação entre malha não conservativa adotada. Parece que esta rotina afeta

ligeiramente a solução nas fronteiras de comunicação, o que poderia explicar as

diferenças encontradas.

A divisão de domínio Quimera empregada e a rotina de comunicação entre malhas

não conservativa adotada não alteraram qualitativamente a solução do escoamento ao

redor de um cilindro circular fixo e isolado, apesar de alterar quantitativamente.

Entretanto, as variações quantitativas são pequenas e comparáveis a outras soluções

numéricas. Assim sendo, conclui-se que o código desenvolvido com a metodologia

Quimera está corretamente implementado e este produz resultados satisfatórios,

podendo, então, ser utilizado no estudo do caso de um cilindro circular próximo a uma

placa plana como se pretende.

5.2. Variação da malha conformada ao corpo para

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