CAPÍTULO 3 Imagens em movimento no olhar desta juventude
2.2 Cinema brasileiro: encontros e desencontros
Embora tenhamos percebido que há um contato crescente com a atual produção nacional – particularmente pela facilidade de acesso a produtos audiovisuais através das mídias óticas e/ou da atuação do programa Cinema Para Todos em suas escolas –, o conhecimento dos pesquisado é ainda muito limitado e centrado essencialmente nas obras que entram no mercado com grande investimento. Constatamos muitos desencontros entre este público e a cinematografia brasileira contemporânea ao examinarmos as obras nacionais que compõem seu repertório, os filmes que desejam ver criados, e seus valores e critérios de consumo.
Verificamos que um dos códigos fundamentais para o reconhecimento e sedução da obra é o elenco. Conhecer e identificar-se com determinados atores é um dos principais critérios utilizados na valoração da obra – tanto para julgá-la/enquadrá- la no momento de escolha, quanto para a sua fruição. Nesse quesito, pareceu-nos surpreendente o fato de praticamente nenhum dos participantes ser capaz de citar o nome de um ator que já tivesse atuado em filmes nacionais – lembramos que apenas Wagner Moura e, em menor escala, Lázaro Ramos foram mencionados. Essa dificuldade parece apontar para duas situações: 1) uma diferenciação clara entre TV e cinema, já que o sistema de estrelas criado e cultivado pelas emissoras locais é compreendido como exclusivo da TV; e 2) este código é pouco relevante no que diz respeito ao consumo de obras nacionais. Conforme notamos, diversos filmes brasileiros compõem seu repertório, e não apenas aqueles que contam com a atuação
de Wagner Moura ou Lázaro Ramos. Reconhecer o elenco não se mostrou, portanto, um critério essencial para assisti-los – e tampouco para a sua aceitação. Muitos dos filmes que constam na relação de obras que gostaram têm como protagonistas atores estreantes no cinema, muitos deles em processo de formação – como é o caso de
Última parada 174 e As melhores coisas do mundo, por exemplo. Por outro lado, nas
discussões, os filmes mencionados que contam com elenco também presente na emissora Rede Globo não foram referenciados por seus atores. Apenas uma das participantes, ao procurar justificar porque não havia gostado do longa-metragem
Verônica, esclareceu ao grupo que essa produção contava com a atuação de uma
“moça” (Andréa Beltrão) que faz o programa A grande família (veiculado na Rede Globo). De todo modo, dados os caminhos revelados por eles para encontrar o que lhes interessa consumir, entendemos que a falta de um sistema de estrelas próprio do cinema nacional é um dos fatores que vêm dificultando a avaliação e leitura das obras.
Soma-se às barreiras para o reconhecimento dos atores a dificuldade em identificar os longas-metragens oferecidos pela cinematografia brasileira com os gêneros narrativos conhecidos por eles. Sem dúvida essa dificuldade em classificar os filmes nacionais está também relacionada com a forma como o mercado os apresenta. É notório o fato de as videolocadoras organizarem seu acervo distinguindo os títulos segundo os gêneros demarcados pela gramática historicamente criada por Hollywood, e disporem todos os filmes brasileiros em prateleira aparte, independentemente de sua proposta/categoria narrativa. Essa forma de venda – que, como aponta Canclini, perpassa também a organização da maioria das videolocadoras latino-americanas quando apresentam filmes locais – exemplifica uma leitura do mercado em relação às obras brasileiras que reforça o agrupamento do público em torno do nacional. A partir dos relatos, vemos que apenas o gênero comédia é utilizado para referir-se a um
determinado tipo de filme produzido atualmente no Brasil, e que eles mesmos criaram uma outra categoria para enquadrar obras que veem como similares e recorrentes no cinema nacional contemporâneo: os “filmes de favela”. São justamente as obras situadas nas categorias que conseguem perceber as mais consumidas. Os demais títulos são apenas “filmes brasileiros”. A demanda por longas-metragens do gênero ação foi notória, bem como por filmes de “magia”, “fantásticos”, ainda que em menor grau. Percebemos que os participantes dos três grupos focais associam a baixa produção destes a uma insuficiência na capacidade produtiva do cinema nacional – muitas vezes julgado como “atrasado”. Essa demanda e avaliação obviamente reflete uma compreensão do cinema pautada nos códigos produzidos pela indústria hegemônica.
A escassez de filmes direcionados para o segmento jovem aparece como outra deficiência da produção brasileira contemporânea na comunicação com este público. Lembramos que uma das participantes dos grupos focais afirmou de maneira categórica que o cinema nacional é “só para velho”. Nos comentários dos estudantes que participaram das sessões promovidas pelo programa Cinema Para Todos 2010, vimos também uma reivindicação expressiva pela exibição de longas-metragens que dialoguem de maneira direta com o universo do jovem. Este ponto ficou ainda mais evidente quando indagamos aos estudantes sobre suas demandas em relação ao cinema brasileiro: grande parte deles procurou criar histórias que abordassem questões próprias dos adolescentes. Em suma, como já discutimos ao apontar os caminhos buscados para verificar se o filme interessa, ver no cinema a representação de mundos compartilhados por jovens é especialmente apreciado. Frente à safra recente do cinema nacional, percebe-se que esta problemática vem influenciando de maneira direta os muitos desencontros deste público com as obras brasileiras.
De todo modo, apontamos a seguir alguns longas-metragens nacionais lançados na última década que focam em representações deste universo, entre eles, os mencionados nos depoimentos: Era uma vez, de Breno Silveira; Meu tio matou um
cara e Houve uma vez dois verões, ambos de Jorge Furtado; As melhores coisas do mundo, de Laís Bodansky; Muita calma nessa hora, de Felipe Joffily (lançado no
momento em que realizamos o último grupo focal); e outros que claramente tratam desse tema: Pode crer, de Arthur Fontes, Sonhos roubados, de Sandra Werneck, e Desenrola, de Rosane Svartman (cuja estreia ocorreu após concluirmos nossa
pesquisa de campo). As obras citadas nas discussões foram conferidas em DVD por muitos dos jovens, através de empréstimo de amigos ou familiares, ou do programa Cinema Para Todos, no caso das que foram lançadas em 2010 (Sonhos roubados e As
melhores coisas do mundo). Concluímos que essas obras não foram capazes de
seduzi-los a ponto de eles buscarem vê-las nos estabelecimentos comerciais, com a exceção de Muita calma nessa hora, assistido no cinema por apenas uma menina. Pela data da estreia e a data da pesquisa, deduzimos que ela foi assistir o filme logo após ele entrar em cartaz. De toda forma, esta participante relatou que as poucas vezes em que vai ao cinema é para fazer um programa com os amigos, e que eles costumam guiar-se pela programação disponível no centro comercial que frequentam. Ressaltamos isso apenas para esclarecer que o fato de ela ter conferido o filme no período de sua estreia não indica necessariamente um grande desejo de assisti-lo. No que tange ao porte de lançamento dos títulos mencionados, Desenrola, As melhores
coisas do mundo, Era uma vez, Muita calma nessa hora e Pode crer tiveram grande
investimento, entrando no mercado com uma média de cem cópias. Desenrola contou com distribuição da Downtown Filmes, a maior empresa nacional do ramo, e os demais foram lançados pelos grandes conglomerados. Acrescentamos ainda que, com
exceção de Muita calma nessa hora, todos esses filmes foram coproduzidos pela Globo Filmes, assim como Meu tio matou um cara, que não figura nesta relação. De modo geral, as obras mencionadas agradaram, embora os jovens tenham apontado certo estranhamento com a forma estética de algumas – como foi recorrente no caso de Era uma vez.
As melhores coisas do mundo teve rendimento baixo nas salas de cinema, segundo avaliação do mercado33, mas foi um dos filmes mais procurados pelos jovens da rede estadual que receberam ingressos do Cinema Para Todos – figura como o quarto do ranking, entre mais de sessenta títulos ofertados. Distribuído pela major Warner e lançado em abril de 2010, o filme baseou-se na série de livros Mano, de Gilberto Dimenstein e Heloisa Prieto, e levou cerca de 150 mil espectadores aos cinemas. No elenco traz apenas Caio Blat de ator conhecido na mídia nacional, o qual tampouco possui papel principal. A maioria dos atores eram inexperientes e tiveram espaço para improvisar em cima dos diálogos. Através da vida de Hermano (encenado pelo estreante Francisco Miguez), um menino paulista, de 15 anos, e seus conflitos em relação ao amor, à família e aos amigos, acompanhamos dilemas e descobertas próprios dos adolescentes. Grande parte da história se passa na escola em que Hermano estuda, retratando claramente um ambiente que caracteriza instituições escolares da rede privada, dadas a estrutura e a estética dos espaços (tão diferente das que marcam as escolas das redes públicas). A trama aborda ainda a importância das mídias interativas na comunicação dos jovens, a problemática das drogas e da depressão (vivida pelo irmão de Hermano), a forte presença da música no cotidiano dos jovens, a prática do bullying na escola e as novas configurações das relações entre
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Esta avaliação se dá a partir do cruzamento do numero de cinemas em que o filme estreiou e o numero de pagantes no final de semana de estréia. Convencionalmente, quando o resultado é inferior a mil espectadores por cópia considera-se que o filme não teve um rendimento bom.
jovens (filhos/alunos) e adultos (pais/professores). A tentativa de se retratar em As
melhores coisas do mundo o cenário de uma geração contou com a ajuda de
adolescentes, para refinar o roteiro. Os jovens pesquisados elogiaram o filme, embora sem muito entusiasmo. Como resumiu uma das participantes, “Eu gostei, mas é assim, uma coisa bem dos jovens da classe média, né?”. Em um outro relato, foi enfatizado que o universo revelado não é tão próximo ao vivido por esta juventude; a participante, embora tenha gostado do filme, opinou que “ele também não mostra nada do Brasil” (fazendo alusão a outros filmes que havia citado anteriormente). Por outro lado, além de os resultados do Cinema Para Todos indicarem que a obra foi muito procurada pelos estudantes da rede estadual fluminense, uma das jovens que participou das oficinas Vídeo-Interatividade na cidade de Vassouras, ao ser perguntada sobre o filme que gostaria de fazer, disse “Eu queria ter feito o filme As
melhores coisas do mundo, porque o filme é bem feito, e os personagens são ótimos”.
Ressaltamos essas informações apenas para compreendermos os relatos dos grupos focais dentro de um cenário maior e evitar a leitura de que a obra provocou pouca identificação com esta juventude de uma maneira geral.
Consideramos importante discorrer mais a fundo também a respeito do longa- metragem Era uma vez, tendo em vista os comentários feitos pelos jovens, particularmente em relação ao enredo. Esta obra, dirigida por Arthur Fontes e produzida pela Conspiração Filmes, foi protagonizada por Thiago Martins (formado pelo grupo de teatro Nós do Morro, já havia estreado no cinema com Cidade de Deus) e Vitória Frate (estreante no cinema, mas já atuara em peça teatral e em novela da TV Record). O filme é uma história de amor – ao modo de Romeu e Julieta, de Shakespeare – centrada em um jovem (Dé) que mora em uma favela de Ipanema e uma menina (Nina) que vive no mesmo bairro, mas em área nobre, de frente para a
praia. Os dois se conhecem porque ele trabalha no quiosque à beira da praia frequentado pela garota. Após muitas tentativas de aproximação, Dé conquista Nina, e começam a namorar. Ao longo da trama, vemos as dificuldades de aceitação dos familiares e amigos de Nina em relação ao namorado favelado e a interação da menina com o universo desconhecido da favela ao lado de sua casa. Os dois sonham em sair da cidade para viver seu grande amor sem as barreiras sociais que se impõem, mas, ao se depararem com a volta do irmão de Dé da cadeia, os planos se tornam ainda mais complicados. O irmão está envolvido com os grupos armados da favela, e, no final do filme, acaba colocando Nina em um cativeiro, como tentativa de conseguir o dinheiro que precisa. Com o desespero do pai pelo sumiço da menina, a imprensa e a polícia são colocadas a postos, criando-se um grande clima de tensão. Nas últimas cenas, acompanhamos os protagonistas correndo favela abaixo, em direção à praia. Cercados pelos jornalistas e policiais, o casal se tranca no quiosque onde Dé trabalha e, ao tentarem um acordo com os soldados, o menino acaba sendo assassinado por eles. Nina se suicida na sequência, e os letreiros então sobem.
A crítica ao filme, compartilhada por muitos, foi em relação ao desenrolar da trama, principalmente em função da expectativa final, que ele não atendeu. Entendemos que esta percepção tem a ver, em parte, com a necessidade de eles acompanharem/preverem os caminhos da história para gostarem do filme, segundo os próprios entrevistados relataram nos grupos focais. Vale lembrar que esta auto-analise dos espectadores a respeito dos criterios que os fazem apreciar uma obra filmica vai de encontro ao que já havia afirmado Octavio Getino e Roman Gubern: a maioria dos espectadores disfruta dos filmes que apresentam códigos conhecidos antecipadamente e cujo final já é de alguma maneira previsto (GETINO, 2008). Acreditamos também que a atuação dos protagonistas possa ter causado certa rejeição, conclusão a que
chegamos também com base nos depoimentos sobre esse aspecto por parte de muitos outros adolescentes para os quais exibi o filme na época do seu lançamento (a empresa em que eu trabalhava – Brazucah Produções – foi contratada para divulgar a obra). Entre esses jovens, figuravam estudantes de escolas públicas e privadas, moradores de diferentes regiões da capital, e foi bastante comum demonstrarem a mesma decepção com o final do filme. Nas salas de cinema, Era uma vez teve desempenho aquém do previsto pelos produtores, mas mostrou bilheteria acima da média no Rio de Janeiro. Realizei com minha equipe uma série de ações promocionais direcionadas a adolescentes de perfis socioeconômicos variados antes e durante o lançamento da obra. Nestas ações, ficou claro, além do que já relatamos, que poucos tinham tomado conhecimento do filme – embora ele tenha sido coproduzido pela Globo Filmes, o que lhe garantiu espaço na mídia televisiva. Concluímos que neste caso o boca a boca não foi positivo e que a mensagem propagada pela mídia não passou pelo crivo da maioria.
O interesse por temáticas direcionadas a adolescentes acompanha a demanda pelo retrato de realidades variadas – sejam elas próprias dos grupos sociais e regiões das quais fazem parte, ou vivenciadas por outras culturas do Brasil. A crítica dos jovens a um cinema “monotemático” certamente foi uma das mais frequentes. Essa percepção se deve, em parte, à falta de acesso a informações sobre filmes que não são lançados como bluckbusters (a grande maioria do cinema nacional) e, em parte, à considerável recorrência, nos últimos anos, a histórias sobre o universo pobre e violento das favelas do Rio de Janeiro. Desde o êxito do longa-metragem Cidade de
Deus, de Fernando Meirelles, em 2003, várias produções sobre este tema foram
lançadas (conforme apresentamos no capítulo II, foram mais de 15 obras, com destaque para Tropa de elite 2), a ponto de se tornar sugestiva a configuração da
categoria “filme de favela” ou “filme de tiroteio”, como denominaram os jovens pesquisados. A maioria dessas produções conseguem captar altas somas para a produção e são lançadas pelas majors do setor. Lembramos que muitas das vinte obras brasileiras mais vistas entre 2000 e 2010 – conforme a tabela apresentada no primeiro capítulo deste estudo – incluem-se neste grupo.
O cenário atual é propício à confecção de filmes que abordam este universo, em vista da problemática da violência e da desigualdade social no Brasil e, em especial, nas grandes urbes, e do lugar que tal questão ocupa na mídia televisiva nacional. Este objeto não é novo nas artes produzida no país, sendo trabalhado desde os modernistas, por diferentes movimentos estéticos. Não obstante, dado que o desenvolvimento habitacional da cidade do Rio de Janeiro é particularmente marcado pela configuração das favelas e que tais ambientes são, ao mesmo tempo, próximos a muitos cineastas brasileiros – principalmente aos cariocas, do ponto de vista geográfico –, e distantes cultural e socialmente, supomos que continuem exercendo uma atração especial para os atuais cineastas. Entendemos que o desejo por representar este universo é respaldado atualmente por produtores e distribuidores, que vislumbram com isso potencial de êxito comercial. É importante considerar também que o Rio de Janeiro é, ao lado de São Paulo, o principal polo cinematográfico do país, reunindo uma série de empresas produtoras, portanto, o olhar do cinema nacional é, em grande parte, produto das visões de cariocas. Além disso, muitos dos atuais cineastas não apenas cresceram e/ou vivem hoje no Rio de Janeiro, mas também são, em sua maioria, indivíduos de classe média ou alta, logo, é bastante provável que seu processo de socialização tenha se desenvolvido longe dos “favelados”. O crescimento de organizações paralelas/grupos armados nas favelas contribuiu, por um lado, para afastar desses ambientes a população que reside “no
asfalto” e, por outro, para que a favela seja constantemente associada à violência urbana – imagem essa muito reforçada pelas estações de TV locais, conforme já discutido. A curiosidade em olhar mais de perto este universo e a possibilidade de conseguir se aproximar de um ambiente a priori hostil, armado da proposta de fazer um filme, soma-se ao interesse em revelar problemáticas sociais. A curiosidade dos cineastas perpassa também, potencialmente, os públicos de salas de cinema, ou seja, os públicos de “filmes de arte”, tradicionalmente as “classes cultas”, moradoras das regiões nobres dos centros urbanos, que têm a favela como um ambiente pouco familiar. Além disso, dado que o tema da violência encontra grande espaço na TV aberta e faz parte da vida urbana em geral, os agentes do mercado tendem a concluir que ele será atraente para diversos estratos. Nesse sentido, a confecção e o êxito de tantos “filmes de favela” se justificam.
O sucesso de público de Tropa de elite 2, de José Padilha, lançado nos cinemas nacionais em outubro de 2010, chamou especial atenção – mais de 11 milhões de espectadores foram conferir o filme nos cinemas, tornando-se o filme de maior bilheteria na história do Brasil. (Até então, tinha sido o longa norte-americano
Avatar, que marcou a estréia dos filmes em 3D). A partir dos depoimentos feitos nos
grupos focais, bem como das falas34 dos jovens que participaram do Cinema Para Todos 2010, pudemos perceber que, para eles, este filme se diferencia dos demais “filmes de favela” por sua abordagem da criminalidade. Grande parte dos relatos associam o êxito de Tropa de Elite 2 à sua capacidade de “mostrar a realidade”, uma vez que ele revela “os dois lados” – o do bandido e o da polícia –, e tira o estigma do “bandido favelado”, tradicionalmente representado como o vilão da história. Além
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Tais relatos foram colhidos e organizados por mim através de observação participante e registros audiovisuais a partir de sessão do filme realizada em diversas escolas da Zona Oeste do Rio de Janeiro, no cinema Sulacap, em novembro de 2010, que reuniu mais de mil jovens estudantes da rede estadual.
disso, tornou este filme especialmente sedutor o fato de ele contar esta história numa narrativa de ação – gênero que, como vimos, é o preferido da maioria –, protagonizada por um ator de renome nacional, e como parte da continuação de uma obra que já se havia revelado do interesse das audiências nacionais em 2005 (mais de cinco milhões foram conferir Tropa de elite 1 nos cinemas, e a cópia teve trajeto de destaque no mercado “pirata”). Soma-se a isso o forte e eficaz investimento desta produção, que não contou com a distribuição dos grandes conglomerados, mas da própria produtora do filme (Zazem Produções), em parceria com um profissional de longa carreira no setor, Marco Aurélio Marcondes (conhecido como MAM). As diretrizes do plano de comunicação incluíram a inserção de debates sobre o filme em diversos programas de televisão, tornando um tema já bastante discutido ainda mais