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6 NOVA CLASSE MÉDIA – CONTROVÉRSIAS

6.1 CLASSE E CLASSE MÉDIA: CONCEITOS TEÓRICOS E

CONTEMPORÂNEOS

Marx tem uma visão dialética fundamentada em abstrações teóricas para compreender as atividades práticas (práxis). “Hoje em dia, tudo parece levar em seu seio a sua própria contradição. Vemos que as máquinas, dotadas da propriedade maravilhosa de reduzir e tornar mais frutífero o trabalho humano, provocam a fome e o esgotamento do trabalhador” (MARX, [1980a], p. 298 apud SANTOS, 2013, p. 17).

Para Marx, as relações de propriedade sempre haverá uma relação de opressor- oprimido, ou seja, existirá uma classe dominante, que direta ou indiretamente controla e influencia o controle do Estado; e uma classe dominada, que reproduz a estrutura social ordenada pela classe dominante perpetuando a exploração. No capitalismo industrial, a relação de dominação-subordinação era entre a burguesia e o proletariado, percebe-se em Marx um sistema binário. “A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes” (MARX, 2010, p. 40 apud SANTOS, 2013, p. 17) atesta seu pensamento, chamado de antagonismos de classe.

Segundo Santos (2013), “a classe social efetiva precisa estar em um determinado modo de produção, em uma estrutura social definida, ter uma formação antagônica com

outra classe e ter uma consciência de classe” (SANTOS, 1987, p.19 apud SANTOS, 2013, p. 19).

Para Marx a classe média não pode ser considerada uma classe efetiva, consolidada em seus ideais, pois estas não apresentam uma ideologia própria tão pouco uma relação de luta de classe.

O termo classes médias ou camadas médias abrangia praticamente, por exclusão, quase todos os grupos sociais rurais ou urbanos que não fossem: aristocracia fundiária, mobiliária e nobiliárquica, também os assalariados do campo e da cidade [...], e obviamente, a grande burguesia industrial e comercial e por fim o alto clero. (HIRANO, 1974, p.105 apud SANTOS, 2013, p. 21)

Marx em seu livro “Manifesto Comunista” reforça seu modelo binário, mas traz a ideia de camada média.

De todas as classes que hoje em dia se opõem à burguesia, só o proletariado é uma classe verdadeiramente revolucionária. As outras classes degeneram e perecem com o desenvolvimento da grande indústria; o proletariado, pelo contrário, é seu produto mais autêntico. As camadas médias – pequenos comerciantes, pequenos fabricantes, artesões, camponeses – combatem a burguesia porque esta compromete sua existência como camadas médias. Não são, pois, revolucionárias, mas conservadoras; mais ainda, são reacionárias, pois pretendem fazer girar para trás a roda da história. Quando se tornam revolucionárias, isto se dá em consequência de sua iminente passagem para o proletariado; não defendem então seus interesses atuais, mas seus interesses futuros; abandonam seu próprio ponto de vista para se colocar no proletariado (MARX, 2010, p. 49 apud SANTOS, 2013, p.22).

Ao contrário de Marx, Weber possui uma corrente epistemológica onde “a verdade é construída a partir do tempo e do espaço, podendo existir diversas verdades relativas” (SANTOS, 2013). Para o autor, a estratificação das classes sociais é estabelecida conforme a distribuição de determinados valores sociais (poder, riqueza e prestígio) numa sociedade. Estes valores também vão constituir a desigualdade social.

Podemos falar duma classe quando: 1) determinadas pessoas possuem em comum um componente causal específico de suas oportunidades de vida, na medida em que 2) esse componente é representado exclusivamente por interesses econômicos na posse de bens e oportunidades de rendimentos, e 3) é representado sob as condições do mercado de produtos ou do mercado de trabalho. Esses pontos se referem à “situação de classe”, que podemos expressar de forma mais breve como a oportunidade típica de um suprimento de bens, condições exteriores de vida, e experiências pessoais, na medida em que essa oportunidade é determinada pelo volume e tipo de poder, ou por sua ausência, de dispor de bens ou habilidades em benefício de rendimentos em uma dada ordem econômica. O termo classe refere-se a qualquer grupo de pessoas que se encontra na mesma situação de classe. (WEBER, 1976, p. 63 apud SANTOS, 2013, p.23)

Para o autor, há uma divergência entre o que ele denomina por ordem econômica e ordem social. A classe social situa-se no âmbito da ordem econômica, enquanto o poder político habita a esfera econômica. E a desigualdade social se dá na distribuição do poder entre as esferas existentes (poder, riqueza e prestígio).

As classes médias encontram-se entre as classes proprietária (distingue-se pelos tipos de propriedade) e lucrativa (determinada pela valorização de bens e serviços oferecidos).

Entre estas classes dicotômicas, segundo Weber, estão as classes médias e se encontram integradas por camadas de toda espécie dos que, equipados com propriedades ou com qualidades de educação, beneficiam-se delas para a obtenção de rendimentos; e, algumas destas, em certas circunstâncias, podem ser também classes lucrativas (empresários positivamente privilegiados, proletários negativamente privilegiados). (HIRANO, 1974, p. 72 apud SANTOS, 2013, p.25).

Os estudos realizados por Marx e Weber foram construídos em um momento que o capitalismo não estava consolidado. Entretanto após o estabelecimento da sociedade capitalista novas estrutura sociais puderam ser definidas. Segundo Santos (2013, p. 27), “assim como fontes de renda, as ocupações estão ligadas à situação de classe, além disso, também uma dose de prestígio e poder, são relevantes para o status do indivíduo”.

O sociólogo Wright (1947) admite que as classes estão sujeitas a relação de dominação (WEBER) e considera a existência de duas classes médias.

A antiga classe média, aquela que possui capital para adquirir ativos relevantes, mas que não é explorador nem explorado dentro do sistema capitalista (basicamente são os pequenos burgueses e pequenos produtores); e, a nova classe média pode ser formada por indivíduos que são exploradores e também explorados, profissionais qualificados, por exemplo, são explorados por não possuir ativos produtivos e exploradores por serem qualificados profissionalmente (SANTOS, 2013, p. 31).

Para Mills (1979) existente duas classes médias, uma antiga e outra nova, a primeira baseada na propriedade e a segunda na ocupação. Os prestígios da nova classe média incluem uma renda superior, um relacionamento muito próximo dos empresários, indivíduos com especializações, desempenhando tarefas mais variadas, fatores étnicos diferentes. Ou seja, a especialização de mão de obra, experiência estudantil, profissional e temporal passa a ser o acesso do indivíduo ao dinheiro, poder e prestígio.

Segundo o autor “as bases desse prestígio podem não ser atualmente muito sólidas, e sem dúvida não mostram indícios de ser permanentes; no entanto, apesar de frágeis e imprecisas, elas continuam a distinguir os “colarinhos-brancos” dos operários” (MILLS, 1979, p. 96 apud SANTOS, 2013, p. 34).

Figura 06 – Conceitos Classes e Classe Média – Teóricos Clássicos

Figura 07 – Conceitos Classes e Classe Média – Autores Contemporâneos

Fonte: A autora com base nos estudos de SANTOS, 2013.